#blue jasmine

Blue Jasmine

sexta-feira, fevereiro 28, 2014



Eu tenho uma teoria em relação aos filmes do Woody Allen: ou se amam ou se odeiam. O Blue Jasmine entrou directamente para a lista dos que merecem ser "amados". Parte do sucesso do filme deve-se sobretudo ao papel interpretado por Cate Blanchett, a personagem mais complexa de todo o argumento. Blue Jasmine relata a "estória" de uma mulher melancólica e deprimida, que perdeu tudo (status e dinheiro), depois do marido ter sido preso e os seus bens confiscados. Completamente despojada de tudo, excepto alguns caprichos mais delicados, Jasmine, no auge dos seus 40, decide recomeçar uma nova vida junto da irmã adoptiva, Ginger.

Cate, eleita para musa de Woody nesta sequela, torna-se charmosa e interessante, cativando o espectador com a sua quase-loucura e com a sua doce superficialidade. Os momentos de pânico e ansiedade, alternados com os ataques de superioridade, fazem de Jasmine uma mistura exótica, insegurança e comum entre as mulheres. Várias foram as vezes em que soltei gargalhadas à custa do descontrolo elegante que Blanchett passa para o écrã. Só por isso, já vale a pena ver o filme.


Ginger, a irmã de Jasmine, o namorado desta, e o seu ex-marido, completam o resto do elenco principal, sem esquecer a participação de Alec Baldwin, enquanto personagem secundária. Desde Matchpoint que não víamos drama e densidade psicológica nos filmes do realizador. O humor negro característico dos seus argumentos e a lição de moral no final da acção continuam a ser uma tradição.

Cate Blanchett ultrapassa Amy Adams na corrida à estatueta dourada (Melhor Actriz). A margem de conforto é grande, e a experiência de Blanchet confirma o curriculum da actriz. Quanto ao Melhor Argumento Original tenho dúvidas que Woody bata um adversário que me parece ser um peso pesado nesta categoria, "Her", no entanto como adormeci a meio deste último, tenho de revê-lo para vos poder contar mais detalhes da minha antevisão cinematográfica. Boa sexta e bom fim de semana!



#alvoco da serra

Alvoco da Serra

quinta-feira, fevereiro 27, 2014



Abrir a janela do quarto a meio da manhã, ainda com os olhos semi-cerrados, e deixar-se ser acordado pelo som (quase) melódico da ribeira, e pelo frio aconchegante da montanha, é uma sensação que renova (e liberta) a alma. Alvoco da Serra é o recanto perfeito para se "despirem" do dia a dia, e para se entregarem de novo na magia das mãos da mãe natureza. E mesmo que tentem resistir será certamente díficil... O chilrear comovente dos pássaros e cheiro intenso do verde não vos deixará cair em tentação. De tempos a tempos, uma fuga como esta, pode ser a solução de muitos males terrenos. A comunhão com o natural devolve-nos um pouco da essência que somos, e dá-nos a capacidade de nos sentirmos mais fortes, e mais apaziguados. Experimentem, é tudo o que vos recomendo.




E por isso, se vos apetecer fugir para o meio da paz e da serenidade, eu aconselho-vos duas casas: a Casa da Ribeira e a Casa da Ponte. Os anfitriões serãos os mesmos, o Sr.º Manuel, um antigo fotógrafo de casamentos, natural da região, e a D.ª Judite, a mulher que o Sr.º Manuel veio roubar ao coração de Lisboa, há mais de 40 anos. Nestas casas de Turismo Rural, os hóspedes são tratados como membros da família, desde o pequeno almoço até à hora do recolher e na hora da despedida, toda a gente recebe um abraço muito apertado da D.ª Judite... O amor e o carinho que nos oferece são também sinónimos da saudade que sente dos seus netos. Perguntei-lhe se voltaria à grande cidade, e ela não hesitou. "Nós não sentimos falta dos lugares, sentimos falta é das pessoas que lá estão". É verdade D.ª Judite, eu também sei disso...



O pequeno almoço da casa é outra das coisas que não vão querer perder... para além das compotas caseiras e do pão que se desfaz na boca, a estrela da companhia é mesmo o queijo amarelo da beira baixa. Comam sem constrangimentos... os trilhos pedrestes, e a subidas e descidas das aldeias mais próximas vão fazer-vos esquecer esses minutos de pecado, nem que seja por breves instantes. 

Os quartos são de traça antiga, mas bastante quentinhos! Com o sistema de aquecimento interno não vão sentir frio em momento algum, mas se forem corajosos como eu, experimentem lavar o rosto pela manhã com a água da torneira bem fria! É uma delícia (e segundo dizem os especialistas tonifica a pele). Ao deitar, enrolem-se como um caracol nos cobertores do quarto, e deixem-se ir, sem medo de voltar. Para aproveitarem ao máximo a vossa estadia, aconselho-vos uma visita às localidades mais próximas... mas essas dicas também as podem perguntar ao Sr. Manuel, ele terá um mapa para vos oferecer com os percursos mais sugestivos da região e se a paisagem por estes lados já é bonita, esperem até ver os posts dos próximos dias... A serra não é apenas a serra, lembrem-se disso.

As imagens que ficaram retidas na minha memória foram tão sugestivas que agora só penso numa coisa: voltar a Alvoco da Serra no Verão! A piscina (e a ribeira!) tiverem um pequeno affair comigo... e se correr tão bem como da primeira vez, é relação para continuar. 


#áfrica

A polémica Rita Pereira

quarta-feira, fevereiro 26, 2014



"El problema de las mentes cerradas, es que siempre tienen la boca abierta". 

Eu conheci a Rita Pereira numa gala da TVI. Na altura eu trabalhava como aderecista, no guarda-roupa da estação de Queluz. Ser-se aderecista consiste basicamente em "vestir" as caras da TV com as roupas que não lhes pertencem, mas que as vão fazer parecer aquilo que muitas vezes não são. E nesse dia, eu apercebi-me que a Rita era diferente. Diferente daquilo que eu suspeitava que as pessoas da TV seriam. Ela provavelmente não se lembra de mim, e eu provavelmente não me lembraria dela, não fosse o burburinho que por aí anda nas redes sociais fazer-me escrever o post que hoje escrevo.

Ao contrário de outras "pseudo-estrelas" daquela estação, a Rita pareceu-me uma pessoa bastante simples e muito prática. Chegou sozinha, vestiu-se sozinha, actuou sozinha e foi embora sozinha. Não foi preciso ninguém calçar-lhe os sapatos porque ela não se podia baixar, nem foi preciso dar-lhe a mão antes de entrar em palco, enquanto se lhe convencia do quão maravilhosa ela estava... Há muito tempo que lido com mulheres, e o que vi na Rita foi de facto uma pessoa segura de si mesma, e muito fiel aos seus principios. E quando se trabalha no mundo da televisão, se há coisa que é muito dificil de se fazer, é ser-se fiel aos nossos principios. Talvez tenha sido essa a razão que me fez voltar costas à TVI e à televisão...



Eu acho as fotos da campanha da "Micaela Oliveira 2014" muito dignas (e muito bonitas). Não me chocam, nem me causam arrepios na pele. Chocam-me as mentes pequenas que vivem neste país e que sofrem de um mal maior, muitas vezes conhecido como "inveja". E acho muito deprimente e muito pouco ético, o que alguns bloggers da praça pública disseram sobre a Rita, quando eles próprios vendem a alma ao diabo por um bom patrocínio que lhes encha a carteira. Infelizmente é este o país que temos, cheio de "bocas abiertas".

É por isso que eu gostava de dar publicamente os meus parabéns a estas duas senhoras: à Rita, pela sua ascensão meteorítica, e pelo trabalho que tem demonstrado, sempre ao mesmo nível daquilo a que nos habituou. E à Micaela por ser uma estilista a conquistar cada vez mais pedaços de terra além-fronteiras. Uma dupla certamente feliz, embora castigada pelas pessoas que não têm certamento melhores objectivos do que os delas. E ainda bem que a Micaela decidiu fotografar em África, caso contrário, ninguém se teria lembrado das crianças e das pessoas que lá vivem. Na página oficial da estilista podem encontrar esta descrição: "(...)Os momentos passados na cidade de Maputo não foram fáceis, no entanto foram emocionantes, indescritíveis...de tão belos! A autenticidade das pessoas, o afecto e o carinho que nos demonstraram fazem-me agora emergir recordações intensas e um sentimento de saudade! Percebi que um sorriso é a riqueza daquele povo. Um muito obrigado a eles, pois engrandecem-nos como seres humanos."



Para terminar, só queria deixar claro que para atribuírem o rótulo de "fútil" à Rita Pereira ainda vão ter de se esforçar um pouco mais. Ficaram todos chocados por ela dizer "que as crianças estavam felizes por tê-los lá". Será que não podemos levar um pouco de felicidade às pessoas que lá vivem? Será que também temos de lhes tirar o direito a verem coisas bonitas, que raras vezes, na vida deles, terão oportunidade de ver? Parece-me que aqueles que ousaram criticar estas mulheres são de facto as pessoas mais pobres desta "estória". Em vez de os vermos a fazerem alguma coisa por estes meninos e meninas que vivem nestes países, vemo-los a publicitar viagens para destinos exóticos, comparticipadas por operadores turísticos. É muito fácil falar, mas eu tenho a certeza que telhados de vidro não faltam na casa dos portugueses. Tenham vergonha, e em última instância bom-senso. Porque na falta da primeira, a segunda ser-vos-à muito útil.

E já agora, as fotos da Rita para a campanha da Micaela não são as únicas a gerar polémica... parece que também a criticaram por ela dizer que "gostava de ter curvas" e por não "querer ser magra". Também já disseram que ela tinha posto implantes no rabo, não já? Pois é, as pessoas que de facto se esforçam para serem iguais a outras devem ser muito infelizes. Como me disse uma amiga minha uma vez a respeito do meu blog: "they don't like you, but they will be checking your page religiously". É verdade.



#a boy and his dog

A boy and his dog

sexta-feira, fevereiro 21, 2014


Antes de me escapar queria partilhar convosco um vídeo sobre uma relação de amizade pouco comum. Owen é um rapaz de 7 anos que sofre de uma doença conhecida como "Schwartz-Jampel Syndrome". Este síndrome caracteriza-se pela contracção e tensão constante de todos os músculos do corpo. Há uns meses a família de Owen decidiu adoptar Haatchi, um cão amputado, vítima de maus tratos. Antes de Owen ter Haatchi como companheiro, mal saía de casa porque não queria ser o "centro das atenções", mas como ele próprio afirma, o seu novo amigo deu-lhe confiança e fê-lo feliz. É incrivel como os animais conseguem mudar tanto as nossas vidas. 

#carqueijais

A casa da ponte

sexta-feira, fevereiro 21, 2014


Provavelmente quando estiverem a ler este post, eu estarei a caminho do sítio que vêem na imagem. Eu e o J vamos de escapadinha, mas desta vez, rumo ao centro do país. No final do ano, depois de termos visitado Espanha e Alentejo, decidimos que as próximas viagens teriam que ser para o norte. Será uma espécie de comemoração do nosso primeiro aniversário, mas servirá com certeza para recarregarmos baterias e para enchermos os pulmões com oxigénio de qualidade. Quer ele, quer eu, não gostamos muito do frio, por isso, vamos reforçar as malas de viagem, tendo em conta que a Casa da Ponte, em Alvoco da Serra, fica localizada em Seia, no coração da Serra da Estrela.

Vamos entregar-nos aos prazeres do queijo (e dos enchidos), às mantas e aos cobertores, e quiçá às luvas e aos tapa-orelhas também. As únicas vezes em que estive na Serra da Estrela, fi-lo durante o outono, portanto, nunca vi neve, pelo menos em Portugal. Para quem pensar ficar uns dias pela Covilhã, recomendo o Hotel dos Carqueijais, se bem que vale a pena adiar a visita só para esperar pelo Verão, tendo em conta a vista da piscina sobre a imensidão da serra. Amanhã seguimos viagem, eu, ele, a lomo, e o GPS. As estórias de segunda ficam adiadas, não por falta de imaginação. O que acontece é que em vez de escrevê-las, vou estar a vivê-las! Bom fim de semana! Descansem muito, que eu também vou fazer por isso. 


#amor

As relações felizes, segundo a ciência

quinta-feira, fevereiro 20, 2014



Há uns dias atrás, partilhei convosco o dia em que se assinalava o meu primeiro aniversário com o J. Nesse post  também referi o facto da nossa relação  ter momentos menos bons, tal como todas as relações têm ( o que eu acho saudável, até certa medida). Mas para além desses pequenos desentendimentos quotidianos, a vida a dois é um código ancestral dificil de desmantelar... É uma espécie de "santo graal" que ninguém encontra (e ninguém domina). Como se isso não fosse complicado o suficiente, as pequenas diferenças de personalidade que implodem nos primeiros meses de convivência dão origem a toda uma nova teoria do "big bang".

O J se for preciso só come fruta ao pequeno almoço. Eu gosto de comer iorgurtes ou cereais, e irrito-me bastante quando como alguma coisa que não faz parte do meu esquema diário. Tudo se descontrola, interna e externamente. Ele passa horas sem comer, enquanto que eu tenho de estar sempre a "atestar" a máquina de duas em duas horas. Ele acha que eu sou demasiado dramática. (Eu penso o mesmo dele, lol). Eu digo-lhe que ele fala muito pouco, mas ele defende-se alegando que fala o suficiente. Às vezes, afirma que eu discuto demasiado. O discutir dele é para mim uma forma natural de diálogo nas relações. Ele gosta de combinar tudo em cima da hora quando eu combino coisas com meses de antecedência. Utilizando um título de um filme muito engraçado, tudo se resolve quando "alguém tem que ceder".

Depois deste pequeno preâmbulo, o que eu queria mesmo partilhar convosco é uma apresentação de infográficos realizada pela Happify, um site dedicado ao estudo e análise da chamada "ciência da felicidade". Os cientistas que lá trabalham elaboraram um estudo que pretende identificar o que é que faz as pessoas felizes e como se comportam as pessoas felizes, especialmente no que toca às questões relacionadas com o amor e com as relações. Tomem nota!








São dados relevantes, não são? Agora digam-me lá, vocês comportam-se assim? Caso não se estejam a esforçar, e as coisas não estejam a correr bem, não perdem nada em mudar um pouco os vossos hábitos. No fundo, estes gráficos resumem-se a três palavras chave: compreensão, cumplicidade e compromisso (tudo com C, já viram?!)

#açores

Os Açores explicados num instantinho...

quarta-feira, fevereiro 19, 2014


Desculpem a brincadeira, mas para quem ainda não "conhece" os Açores, deixo-vos um vídeo muito elucidativo sobre as maiores diferenças entre a "minha" região autónoma e o "continente". Qualquer dúvida, estejam à vontade. Eu presto esclarecimentos (mas não dou palmadinhas nas costas).

#controlo

There's nothing more erotic...

quarta-feira, fevereiro 19, 2014



...than a good conversation... Sabem aquela sensação que vos assalta quando vão para um reunião e acham que não vai valer a pena? Que não vai acrescentar nada de novo? Que é só mais uma para juntarem à infindável lista de reuniões?! Pois, é mais ou menos assim que eu me tenho sentido nos últimos dias. Que são muitos números para poucas palavras. É tão raro hoje em dia existirem boas conversas que metade de nós já nem deve acreditar no poder das palavras. Mas eu sou uma mulher de palavra(s) e custa-me muito virar as costas a elas. Não há nada de que eu goste mais do que uma boa conversa. Daquelas que nos reviram a alma e aquecem o coração. De cada vez que isso acontece, tenho a certeza absoluta de que é o destino o encarregado máximo de tal acção. As conversas interessantes não acontecem por acaso, acontecem quando as procuramos, quando precisamos delas. Leva tempo até se encontrarem, mas os dias em que chegam valem qualquer espera desesperada. São momentos raros, esses poucos minutos, em que cada palavra corresponde exactamente ao seu significado. É o sonho de qualquer pessoa. Ter uma conversa franca, sem significados que não aqueles para os quais as palavras foram feitas.

E não estou a falar de amor. Estou a falar de pessoas desconhecidas que se cruzam nos nossos caminhos para nos dizer algo que estavamos a precisar de ouvir. Não acredito nas profecias do "Segredo", mas acredito muito nisto: acredito que essas ocasionalidades têm o dedo de alguém. São momentos em que o puzzle se completa, em que finalmente, todas as coisas juntas, começam a fazer sentido. 

Não tenho destes momentos com muita frequência, normalmente são de tempos a tempos, diria até, de anos a anos, mas parecem que chegam para encerrar um ciclo, finalizando uma era particular da nossa existência, dando inicio a outra coisa qualquer... sou eu a única maluca a sentir isso, ou também já vos aconteceu?! Às vezes percorremos um caminho tão solitário que não raras as oportunidades em que nos questionamos se andamos ou não na direcção certa.... se o vento que nos leva, nos leva pelo caminho que deveríamos percorrer. Esses faroleiros que um dia saltam para o meio das nossas vidas avaliam sempre a nossa navegação... (e tudo o que queremos é que seja com bom vento e de feição).

Essas conversas também servem para nos lembrarmos das forças que residem na nossa essência. E credibilizam-nos para outros desafios dos quais fugimos, constantemente, por falta de segurança... Ainda ontem postei no facebook uma frase de Mandela que dizia isto: "may your choices reflect your hopes, not your fears". Uma escolha que reflicta medo, é uma escolha fracassada. A vontade de querê-lo tem de ser superior ao medo de não vencê-lo. É assustador tamanho exercício, mas foi graças a correr riscos que muita gente tem hoje "estórias" para contar. Não se amedrontem (ou acobardem) por alguém vos diminuir o valor que vocês pensavam que tinham. Há-de haver o dia em que um faroleiro qualquer vos traz de volta à vossa vida. 

Hoje o meu faroleiro foi uma mulher, que ao invés de me avaliar como todas as pessoas me avaliam, elogiou-me, e demonstrou-me através da sua estória, que acabmos por chegar sempre ao sítio onde nos esperam. Foi um prazer. Dos grandes. Onde tive a completa noção de que as coisas não acontecem apenas por acontecer. E é em dias como este, dias de boas conversas, que me sinto plenamente feliz. Acreditar que o rumo da nossa vida depende única e exclusivamente da nossa vontade, é também acreditar que aqueles que dão o seu melhor, dia após dia, chegarão mais perto, não daquilo que parecer mais óbvio, mas sim daquilo que os fizer mais felizes.

#kate middleton

Tea lenght Skirt

terça-feira, fevereiro 18, 2014



Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades (e a moda também), mas segundo o código vestimentar da realeza,  mostrar os joelhos não é um acto criativo muito bem-vindo... que o diga Kate Middleton, que se viu obrigada a baixar o comprimento das suas saias por causa de ordens superiores da rainha mãe. Esse será com certeza um problema que não se irá repetir se a duquesa de Cambridge optar por seguir as tendências da próxima estação. As "tea lenght skirts" estão a conquistar o meu coração (e a dilatar as  pupilas dos meus olhos sempre que as vejo nos lookbooks das marcas mais conhecidas). E tudo por boas razões...

Não é que tenha problemas em mostrar as pernas, mas não me sinto lá muito confortável com mini-saias... Convenhamos, não são práticas para o dia a dia, e podem arruinar um look numa questão de segundos. Pelo contrário, a tendência das saias vaporosas até ao joelho vem "suavizar" a imagem feminina e adicionar aquele je ne sais quoi de que toda a mulher precisa. O mais surpreendente é que apesar das "tea lenght skirts" serem peças com uma identidade clássica, podem ser facilmente coordenadas com peças mais casuais e despreocupadas... O sentimento effortless ganha um novo sentido.


E sim, a esta altura devem estar a perguntar-se a vocês mesmas: será que eu as posso usar? Claro que sim! Como já vos disse várias vezes, na moda não existem regras. Se fosse a contar com isso, eu seria a primeira a não poder usar esta tendência. Várias são as vezes em que ouço ou vejo escrito em algum lado que as mulheres mais pequenas não devem usar saias abaixo do joelho... Basta verem as fotos da Miroslava Duma para perceberem que isso se trata de uma enorme falácia da moda. Essa ditadura imposta pelas batutas do styling e da consultoria de moda, não serve os principios dos quais a moda deveria ocupar-se: ajudar as mulheres a desfrutarem da moda real, sem constrangimentos. Também se diz que as mulheres com mais volume não podem usar padrões ou tecidos vaporosos, mas adoro ver como a  Stéphanie Zwicky dá cabo destas regras, de forma convicta e elegante. 

Acho que vou começar a adoptar um slogan que me chegou até aos ouvidos: "porque cada mulher é mais do que um número". Se o mercado ainda não se adaptou às mulheres com curvas, aquilo que eu vejo, é que as mulheres com curvas se tem adaptado muito bem ao mercado... Porque de facto a moda já deixou de ser uma ditadura há muito tempo. Como podem ver pelas imagens abaixo, a Tanesha do "Girl with Curves" é um dos melhores exemplos de bom gosto na equipa das mulheres com curvas. Adoro as conjugações que ela faz, sempre elegante e sempre cheia de personalidade, esteja ela mais clássica ou mais descontraída (e nem mesmo a gravidez recente foi desculpa para deixar de ser tão criativa!).


Se eu tivesse uma foto com a minha "tea lenght skirt" juro que a colocava, só para verem como uma mulher de 1.62 e de pernas roliças pode ficar tão clássica como a Grace Kelly! É nestas grandes senhoras que eu me tento inspirar sempre que chega a hora de vestir... porque o que interessa é: "no matter how you feel, get up, dress up, show up and never give up!"

Para quem estiver tão tentada como eu a aderir a 100% à tendência das saias pelo joelho, deixo-vos umas sugestões onde procurar: esta da Massimo Dutti parece adaptar-se na perfeição, vista ao vivo esta opção da Zara é muito interessante, os padrões revivalistas ou as polka dots da ModCloth também são capazes de me conquistar... mas os básicos pastéis da Asos mantêm-se um clássico intemporal. Depois disto, a única coisa que têm de fazer é inspirar-vos em vocês mesmas e fazerem das ruas por onde passam, a vossa passadeira vermelha, combinado?

#american hustle

American Hustle

segunda-feira, fevereiro 17, 2014



O "American Hustle" é um filme com sabor agridoce para o público com expectativas (demasiado) altas. As nomeações a que o último trabalho de David O. Russel está sujeito, estão categoricamente semeadas, mas não prevêem boas colheitas (a não ser a equipa das senhoras, sublinhando os excelentes desempenhos de Amy Adams e Jennifer Lawrence). Até à data, e por aquilo que andei a ver, o Lobo de Wall Street e o Clube de Dallas estão em vantagem na corrida aos óscares.

A "estória" não é suficientemente envolvente. Um mapa complexo de relações entre os personagens e a turvez das suas emoções e das suas atitudes, não ajudam a clarificar o objectivo principal de toda a acção. Irving Rosenfeld, defendido (e bem) por Christian Bale, é um homem casado, com um filho, que se envolve com uma outra mulher, Sidney Prosser, no grande écrã, Amy Adams. Ambos formam dupla no amor, e no crime, tornando-se os parceiros perfeitos, até serem apanhados por Richie Dimaso, um agente do FBI, desastrado como só pode ser Bradley Cooper, que os obriga a colaborar com a polícia em troca de imunidade por todos os crimes praticados anteriormente.



Engane-se quem pensar que o filme é apenas sobre corrupção e fraude. Ao invés disso, a "estória" relata em pormenor, e de forma individual, os diferentes pontos de vista de cada personagem. A angústia em que cada um deles vive na perseguição quotidiana dos seus desejos pessoais. É este acréscimo psicologicamente denso que faz de Irving um homem arrependido (e assustado) no final das suas acções. Há ainda espaço para cruzar teias amorosas quando DiMaso se envolve com Sidney. No entanto, Adams não nos convence da veracidade das suas intenções.

Christian Bale transforma-se ao longo do filme, como um camaleão, mas não surpreende como poderia surpreender. Amy Adams entrega-se totalmente à personagem e ganha destaque, atingindo a excelência num papel sentido e sofrido. Bradley Cooper perde-se na dualidade em que vive o personagem que lhe calhou. A destacar, e bem,  a originalidade de Jennifer Lawrence, a mulher traída de Irving que adopta o papel que lhe é proposto de uma forma especial, peculiar e muito própria. Um ponto a favor do filme: a caracterização e o guarda-roupa que imprimem personalidade (e estilo!) a cada uma das personagens. 


#beth whaanga

Estórias de Segunda

segunda-feira, fevereiro 17, 2014


1. Já foram reveladas as fotos vencedoras do World Press Photo of the Year de 2014. Para ver a partir de 30 de Abril no Museu da Electricidadeem Lisboa. 2. Também são fotografias, mas não estão a concurso. "Under the Red Dress Project" é uma chamada de atenção para o cancro da mama, pela voz (e pelo corpo) de Beth Whaanga. 3. Está na hora de marcar férias! Um resumé dos melhores festivais do mundo! 4. E se de repente, descobrissem que aquela letra daquela música que andam a cantarolar, dia após dia, não é bem como vocês pensam que é... 21 momentos insólitos que todos os fãs de música conhecem bem. 5. Já são amigos do Colin? Se não são, deviam passar a ser. É a oportunidade fantástica de transformar o aniversário solitário de uma criança na maior festa de todo o sempre. 6. Eu gosto tanto de si Miguel Sousa Tavares... mas não concordo consigo! O facebook não é apenas uma agência de casamentos, é um veículo de comunicação, e o senhor, mais do que ninguém, devia sabê-lo! (ainda assim continuo a adorá-lo! Só para que conste).

#bodas de algodão

feliz aniversário, J

sexta-feira, fevereiro 14, 2014



Dizem que tudo o que é bom passa a correr. Este ano, o ano de nós os dois, nem sempre foi bom, mas ter-te do meu lado foi com certeza uma coisa boa. Quando te conheci, não acreditava muito na felicidade. Estava em modo piloto automático. Achava que tudo estava bem tal como estava. Acrescentar-te a essa equação demasiado simplista, parecia-me, antes de todo o resto, uma grande complicação. Pensava que já tinha aprendido tudo sobre o amor e pensava também que o amor já me tinha dado tudo a que eu tinha direito. E ainda pensava que o que não tinha acontecido até então, é porque não aconteceria mais. Por todas essas razões, e por cansaço também, não queria estar a dar mais nenhuma hipótese a esse infame sentimento que nos troca as voltas todas.

Como tu sabes, eu sou uma pessoa muito obstinada. E as pessoas muito obstinadas pensam que sabem tudo sobre tudo, incluíndo o amor. Mas que fique claro: também é preciso ensinar-se às pessoas obstinadas o que é o amor... Nunca imaginei que gostasse tanto de voltar a aprender... Nunca pensei que seria uma cadeira teórico-prática a pôr-me à prova... Dominar o meu génio, e a sombra dos anos, tem sido dos maiores testes da minha vida. E se há coisa em que a vida é perita, é em testar-nos quando menos esperamos e quando menos preparados estamos. Não é fácil... não é fácil ser-se alguém habituado à solidão. Aos espaços vazios e às portas fechadas. E sem que se dê conta, deixar entrar alguém.

Mas eu queria que ficasses. Não sabia se te queria, mas queria que ficasses. Porque queria (muito) que me mostrasses o quão errada eu estava sobre tudo aquilo em que pensava. Nem sempre foi bom. Mas continuas aqui. Continuas ao meu lado. A lembrar-me todos os dias porque é que te pedi para ficar. Obrigada J por estes 365 dias. Uma corrida de fundo a testar a nossa resistência. E como tu sabes, eu odeio admitir que me enganei, mas sabe-me tão bem pela primeira vez na vida, não perceber nada de nada. Ainda bem que tu ficaste. Estou-te eternamente agradecida. Renovas contrato comigo?

#amor

O dia dos namorados

quarta-feira, fevereiro 12, 2014


A febre do dia dos namorados, espalhada pelas montras das lojas em modo epidemia geral. Eu não queria fazer parte deste cenário, mas os "ossos do ofício" obrigam-me a tal. Então, lembro-me de sugerir: "Look, is so great! It's perfect for Valentine's Day". Mea culpa, mea culpa. Nunca pensei cometer tamanho sacrilégio, mas quando se trabalha na área da lingerie é díficil ficar-se impune. O "dia dos namorados" é uma coisa que não me assiste...Soa-me a uma estratégia de marketing "velhinha" e decadente que faz da paixão um conceito old-fashion.

É verdade que a paixão faz falta aos portugueses... mas não vale a pena ludibriá-los com frases feitas enquanto se lhes põe a mão no bolso... O "amor em tempos de crise" é um amor remediado. Vocês já viram bem quanto custa um postal?! Os preços dos postais são exorbitantes! Várias são as vezes em que me pergunto porque é que as pessoas deixaram de escrever cartas? Mas isso sou eu que não resisto a uma folha de papel em branco.

A paixão é uma coisa espontânea, não devíamos encurralá-la entre jantares com menu (e preço) definido, em restaurantes atolados de casalinhos, peças interiores sempre do mesmo tom fetiche (vermelho), bouquets de flores frondosos ou caixinhas de chocolates simpáticas... Viver apaixonado é uma disciplina rígida e madrasta que nos obriga a dar o nosso melhor todos os dias. Outra coisa que também não tolero muito bem são as pessoas solteiras que se lamentam por estarem solteiras. "Oh, I'm going to be by myself, so I don't need it". Disse a cliente com olhinhos de caniche com sono. Perdoe-me minha senhora por lhe ter infligido tais dores. Não era essa a minha intenção, acredite que não. Mas de boas intenções, está o inferno cheio.

Há ainda essa pressão estranha causada por um mercado que vive durante dias apenas para aqueles que têm par. E os outros? Os outros que andam assim-assim, que vão ficando, que se vão vendo, e que não sabem bem até onde vão chegar... Esses não têm direito a postais sobrevalorizados, a ursos de peluche pirosos e a jantares a dois, em restaurantes cheios de casalinhos pseudo-felizes? Toda a gente sobrevive a um "dia dos namorados" solteiro. Eu própria, nunca passei um "dia dos namorados" com ninguém. Mesmo quando estive namorada, ou por motivos pessoais, ou por motivos profissionais, essas pessoas estiveram ausentes. O "dia dos namorados" este ano será especial, mas por outros motivos, que a seu tempo, todos vocês saberão. 

O que me irrita de verdade no "dia dos namorados" é o facto das pessoas serem "forçadas" a consumir mensagens românticas fast-food. Eu pelo cresci a ver "estórias" de amor que nos ensinavam que o amor também tinha qualquer coisa de criativo... Que tal fazerem vocês mesmos um postalinho para oferecer? Que tal preparem o jantar quando a vossa cara metade chegar a casa, cansanda de tanto trabalhar? Que tal abrirem uma garrafa de vinho e enrolarem-se no sofá, enquanto a chuva cai lá fora? Dar ao outro aquilo que ele precisa é de facto o gesto mais amoroso do mundo, e na maior parte das vezes, a única coisa de que o outro precisa é de ter a pessoa de quem mais gosta por perto. Por isso deixem-se de mariquices, o "dia dos namorados" é tão cliché como o Natal: é quando um homem ou uma mulher quiser, e isso não tem dia nem hora marcada.

#dialecto açoriano

sair da ilha é a pior maneira de ficar nela

terça-feira, fevereiro 11, 2014



Todos nós pertencemos a um lugar. E eu pertenço aqui. E é em dias como este, que as imagens de um dos meus lugares preferidos, me trazem saudades de casa, mais do que as já habituais. Havia noites em que nos meus sonhos começava a correr em Lisboa e acabava na Terceira... esses sonhos repetiram-se várias vezes, mas não passaram de sonhos, porque a minha alma fugia, mas o meu corpo permanecia no mesmo lugar. Fugimos sempre em direção aos lugares que nos ancoram as mágoas e os medos, e esse lugar para mim é sem dúvida a minha rica ilha.

Este trabalho do Luís Godinho combina quadros típicos terceirenses com expressões características do dialecto açoriano. Quando vim para  Lisboa, (há 12 anos atrás), fiz um esforço enorme para disfarçar o meu sotaque... pensava que se as pessoas reconhecessem donde vinha, mais facilmente me enganavam. E se por alguma razão me escapava uma palavra mais torta, a seguir debatia-me com as minhas entranhas para segurar bem a língua. Lisboa parece uma cidade enorme para um açoriano com 18 anos. Senti-me uma formiga. No dia em que me inscrevi na faculdade chorei baba e ranho no percurso para casa, pensei: "eu não vou conseguir, eu não vou aguentar". Sentia-me diferente de toda a gente e um peixinho fora de água (ou pelo menos, fora do seu habitat natural). Aos poucos fui-me acomodando e fui-me adaptando, aprendendo a ser mais lisboeta do que açoriana. Não me orgulho disso. Não me orgulho de combater tanto a saudade e de apertar tanto o coração, mas a verdade é esta: "sair da ilha é a pior maneira de ficar nela".

O meu antigo professor José Rodrigues dos Santos disse numa aula que nunca deveríamos esconder o nosso sotaque. Que é a riqueza das gentes que enaltece a cultura e o património de um país. Apesar dele me ter transmitido isso, e de me ter feito quase chorar na aula, comovida com tamanha declaração, quando comecei a trabalhar na rádio a minha coordenadora de estágio "proibiu-me de falar ao microfone". Precisava de aulas de dicção, disse ela. Aos meus 18 anos, cheia de sonhos, não esperava que o mundo do trabalho fosse assim tão cruel. Já tinha passado 4 anos a conter a minha língua, em sinal de auto-defesa, e agora era obrigada a dobrá-la em sinal de submissão. Nunca fui muito dada a este tipo de protocolos laborais... Calei-me então, para todo o sempre. Pelo menos aqui falo como apetece, com ou sem erros ortográficos, mesmo sem pronunciar as sílabas todas.

Ainda assim, para me verem "falar açoriano" é preciso estar muito irritada, muito nervosa, ou com uns copos a mais. O que interessa é que na hora da verdade, é a falar terceirense que a gente se entende. E Lisboa não leva a melhor a um açoriano. O açoriano faz-se do tamanho que as cidades têm. E se Lisboa é grande, então, nós também.




"Boca santa" é a boca de quem diz uma verdade, muito verdade. "Haja saúde" é a forma de cumprimentar na rua aqueles que por nós passam. "Deixá-lo" é a maneira de deixar cair uma informação que não importa ou que não é tida em conta. Uma coisa que é muito boa, muito boa, "É pa consolar" e quem se consola também diz: "Ai tal disparate!" Disparate significa magnífico e não disparate de disparate. Se tentarem reproduzir este texto em voz alta, devo avisar-vos de que o sotaque terceirense se caracteriza pelos verbos inacabados, como se as palavras não terminassem... Cantar seria cantá, comer seria comê, falar seria falá, passear seria passeá e por aí fora... Mais vale dizê-lo com vontade, do que dizê-lo com fim. E como diria Vitorino Nemésio, "da espuma do mar sai gente", e eu saí, "para me pudê consolá com o regresso a casa, a cada viagem. Ai tal disparate, boca santa!" Obrigada Luís Godinho por estes minutos mais perto do paraíso.




#estórias de segunda

Estórias de Segunda

segunda-feira, fevereiro 10, 2014


1. A Anita contou-me que o workshop de beleza: maquilhagem e cabelo da Look a Day é dos mais concorridos! O próximo realiza-se dia 23 de Fevereiro e a inscrição custa apenas 25€. Actualizem-se ladies! 2. Um artigo que nos fala sobre as 37 coisas sobre as quais as pessoas mais se arrependem antes de morrer. "Learn from it, before it's too late". 3. O evolução do conceito "Perfect Body" ao longo dos últimos 100 anos. 4. Sabe para onde vão os portugueses no dia de São Valentim? Ao que parece os Lisboetas vão até Paris e os Portuenses preferem um destino mais perto, Barcelona. 5. Cinquenta vestidos icónicos que deixaram marca no cinema, e na passadeira vermelha. 6. As conhecidas hortênsias, flores típicas dos Açores e da minha ilha estão na moda, mas não pelas melhores razões. Espero que os alemães e os franceses as deixem onde elas estão.

#campo pequeno

Chocolate em Lisboa

sexta-feira, fevereiro 07, 2014


Dizem que o chocolate é afrodisiaco... Eu não sei se é, mas de facto quando o como, toda a serotonina que há em mim começa a circular no corpo com mais força! E pelos vistos não sou a única a registar esses factos... o senhor J é bem mais "chocoholic" do que eu (lá por casa parece que andamos em épocas do ano opostas, eu a querer perder os quilos extra do Natal já a pensar na próxima época balnear, e o homem a comer chocolate como se estivessemos já a celebrar a ressureição de Cristo!). Como diria o Marco Paulo, "quando ele começa, ninguém mais o segura"!

Quando era pequena, assisti a concurso da Miss Universo bastante esclarecedor sobre a relação mulheres-comida. No final do espectáculo, quando chegou à parte das perguntas (aquelas às quais as concorrentes respondem sempre o mesmo: "desejo paz no mundo e que se acabe a fome"), houve uma jovem que decidiu ser original (ou na melhor das hipóteses, honesta). Um dos juízes perguntou: "se pudesses mudar uma coisa no mundo que te fizesse realmente feliz, o que mudarias?" E a moça respondeu: "Eu gostava de poder comer tudo aquilo que me apetece, sem ter o pesadelo de engordar e sem ter a necessidade de estar a contar porções. Gostava de comer, relaxar-me e desfrutar do verdadeiro prazer da comida".

A audiência ficou chocada, ora uma miss a assumir que fazia dieta para manter a linha... Queriam eles que nós acreditássemos que tudo se deve à genética familiar... a verdade é que ao contrário das outras concorrentes que falaram sobre problemas abstractos e questões utópicas, esta mulher foi verdadeira, e conseguiu conquistar a audiência com uma das melhores mensagens de sempre: eu sou igual a vocês, eu partilho dos mesmos problemas que vocês. Estava escolhida a Miss Universo daquele ano.

Ora, voltando ao inicio, e para saciar os choco lovers das redondezas, este post vem sugerir-vos uma visita ao Campo Pequeno este fim de semana. O "Chocolate em Lisboaconvida os mais gulosos a "conhecer alguns dos melhores chocolates do mundo e a descobrir as fantásticas marcas portuguesas que já existem por cá". As entradas custam  3€ euros e o recinto está aberto entre as 10:30 e as 21:30. Deliciem-se! Tenho a certeza que o meu J me vai arrastar até lá, ou talvez, seja eu que o arraste a ele... Bom fim de semana!

#black

A ditadura do preto

sexta-feira, fevereiro 07, 2014



Bastam impôr-nos regras para desejarmos quebrá-las. Outro dia cheguei à conclusão de que não tinha um único par de jeans no meu roupeiro. Como é que é possível isto me ter acontecido, pensei eu... seguindo-se um momento de auto-comiseração instântaneo: tenho quase 30 anos e o meu guarda-roupa é uma imensa nódoa negra (em vários sentidos).

Eu não quero deixar de ser uma pessoa "colorida", mas andar todos os dias de preto não me tem feito nada bem à alma. Para mim o preto é uma cor pesada: envelhece as pessoas, destaca os traços negativos do rosto (como o cansaço, as rugas ou as olheiras), nem sempre nos faz parecer mais magras como quase toda a gente crê e é uma cor maravilhosa para mostrar todas as impurezas que se colam aos tecidos (pêlos, poeiras, borbotos e afins). Como se isso não bastasse, alguém se lembrou de inventar uma peça de roupa (se é que se pode chamar de roupa), os leggings!!! Leggings pretos!!! Eu não queria ter de admitir isto, mas vou ter de o fazer: os leggings são maravilhosos!!! Práticos e inestéticos, mas tão maravilhosos como ir trabalhar de pijama... Se eu ainda andasse no ginásio, nem precisava de trocar de roupa, estava prontinha para malhar!


As minhas amigas dizem: "O segredo está nos acessórios! Usa cor!". O segredo não está nos acessórios minhas caras, está na minha aura e a minha aura está negra! Uma das coisas que eu tinha instituída e regulamentada na minha carta de princípios moral era: nunca hei-de trabalhar num sítio onde me obriguem a usa farda (a menos que fosse na TAP ou numa companhia de aviação daquelas giras). Por acaso antes de ir para Espanha, fui chamada para o recrutamento da TAP e enquanto estive em Espanha entrei num curso da Iberia, mas desisti a meio... a minha fobia aos aviões e aos aeroportos começou a ser mais forte do que eu...

O problema é que sempre estive habituada a trabalhar em organizações muito pouco ortodoxas, e é claro que isso também fez de mim uma pessoa pouco ortodoxa... Pelo menos no dresscode, porque nos príncipios não existem puritanos que se me ultrapassem. A verdade é que todas as mulheres sonham em sair de casa tal e qual como são fotografadas as Olivias Palermo do mundo, mas eu acho que "carregar caixotes e ajeitar mamas" não é bem a cena dela. Enfim, perdoem-me se este texto se está a tornar pouco ortodoxo, mas para bem da economia portuguesa, uma mulher não pode deixar de comprar, e eu enquanto for obrigada a usar preto, não compro mais roupa. 


A única peça em saldos que me levou a abrir cordões à bolsa foi o meu maravilhoso casaco-robe da Zara... Não se preocupem, eu não o uso por casa, mas o J disse que parecia um robe. Eu expliquei-lhe que ele não percebia nada sobre a essência do casaco, que era um casaco estilo Catherine Deneuve e que quando eu o vestia me sentia poderosa! Ele continuou a achar que o casaco parecia um robe. Eu continuei a achar-me poderosa. O meu casaco-robe com a minha legging preta é o outfit ideal de quem não tem muita vontade em se levantar da cama de manhã... A verdade é que estou a atravessar uma crise de estilo e as crises de estilo significam mais ou menos isto: "When a woman says, I have nothing to wear!, what she really means is, There's nothing here for who I supposed to be today". (Caitlin Moran) 

São estes pequenos desencontros, entre as estórias desalinhadas das nossas vidas, que nos vão mudando o rumo (e o estilo) das coisas. Convenhamos que o verde alface e o vermelho da TAP, estilo bandeira de Portugal, também não me haviam de ficar lá muito bem...Eu era mais Pan Am, com um ligeiro sotaquezinho Terceirense!