#a vida aos 30

#A quem passa por nós

segunda-feira, junho 30, 2014



Eu sou daquelas pessoas que viajaria pelo mundo inteiro sozinha se fosse preciso... a "companhia própria" nunca foi um dilema para mim... aliás, eu preciso ficar sozinha de tempos a tempos, mesmo quando as circunstâncias para que isso aconteça não sejam as mais propícias. Por exemplo, durante a semana de trabalho, há dias em que gosto de almoçar sozinha. Sem ruído. Sem diálogos cruzados. Sem movimento por perto. Ou quando vou a casa... por mais saudades que sinta, existem pequenos momentos que reservo ao silêncio. Gosto das quebras no ritmo da vida. E na rotina também. [Já me basta ver gente, e muita, a semana inteira]. Gosto de estar comigo mesma, mesmo que não esteja a pensar em nada ou mesmo que esteja a pensar em tudo. Mas nenhum homem vive só [e a mulher muito menos]...

Quando eu decidi mudar de casa, fi-lo por várias razões... porque achei que já era hora, porque vivia como uma eremita, enfiada no quarto, porque queria chegar a casa, e calar-me para todo o sempre, porque não queria esforçar-me para viver em "coabitação democrática", e porque, como era de se esperar, a minha relação com os meus companheiros de casa foi-se deteriorando, por vários motivos, em diferentes graus. Aos primeiros sinais uma pessoa fica em alerta, mas quando eles se tornam demasiado óbvios, e ciclicamente frequentes, "quem está mal que se mude". Custou-me um bocadinho, depois de tomada a decisão, adaptar-me às evidências e ao processo natural da saída. É certo que isso iria acabar por acontecer mais tarde ou mais cedo, mas às vezes crescer tem um travo agridoce. [E no fim de contas, abandonar coisas às quais dedicámos parte do nosso coração, mesmo que deixemos de nos identificar com elas, custa sempre, mais do que aquilo que imaginámos]. 

Deixei para trás recordações maravilhosas de um tempo maravilhoso. E deixei para trás uma "amiga" a quem desejo que o mundo sempre lhe sorria. As relações entre as pessoas terminam sempre por causa de causas partilhadas. O erro não é um sentimento individual. As relações de amizade e de amor constroem-se a dois e destroem-se a dois. Aconteceu-nos o mesmo que acontece aos casamentos. Ela começou a trabalhar à noite. Eu trabalhava de dia. Quando eu queria adormecer e esquecer-me do mundo, ela precisava de falar de como as coisas tinham corrido. Eu deixei de cozinhar e de passar tanto tempo nas áreas comuns da casa. Ela deixou de me ver, e quiçá de me reconhecer também. Refugiei-me um pouco, nas paredes do meu quarto, para controlar, com custo, a minha dor e a minha preguiça. Lentamente, a minha desilusão com o trabalho, e a desmotivação geral, foi corroendo a nossa relação, fragilizando-a até um nível de cedência em que não há material  [ou sentimento] que resista. Eu não queria ter-me tornado assim, mas não soube como explicar o que se passava comigo. Preferi calar-me. E afastar-me. E assistir ao desvanecimento dos laços que tinhamos criado.

Tenho pena, confesso, que tenha sido assim. E tenho pena, claro, que não tenha sido resgatada por quem eu esperava... [esperamos sempre, perto do final, que aqueles que nos amem saibam resgatar-nos mesmo que não peçamos socorro]. Não voltaria atrás com a minha decisão. Morar sozinha foi das melhores coisas que eu podia ter feito... e já que o consegui, deixem-me ficar assim por uns tempos... Agora, é verdade, sinto alguma saudade daquele sorriso estampado no rosto. [Acho que vou sentir sempre]. Das noites loucas. Dos ataques de riso instantâneos. Da culinária e da pastelaria. E sim, queria muito que fosse recíproco. «Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós» Antoine de Saint Exupéry.

#a vida aos 30

O negócio dos blogues (e a concorrência desleal)

sexta-feira, junho 27, 2014


Blogues há muitos, mas genuínos, poucos. [(...) mas, claro, isso só vem comprovar a minha teoria de que, nos dias que correm, a maioria das pessoas cria blogs para ganhar dinheiro, produtos, sucesso]. Infelizmente, a ideia cor de rosa de se viver única e exclusivamente com os dividendos de um blog é uma epidemia em Portugal (e contra mim falo,...quem me dera poder fazer tal coisa!) tal como foi em tempos o sonho americano para quem cruzou o Atlântico. Eu cruzei-o de lá para cá. E tal como sempre me disseram a mim, também eu vos digo a vós: ninguém enriquece do trabalho, muito menos de um blog. 

Fiquei surpreendida, quando li num blog (supostamente o mais lido de Portugal), o quão exasperada estava a sua primeiríssima autora por causa de um outro blog, muito menos conhecido que o dela, que tinha arquitectado um plano maléfico para angariar visualizações. Ao que parece a pessoa que se lembrou de fazer isso não teve em conta o facto de ser necessário "(...) construir um caminho, ter conteúdos bons e diferenciadores". Really? Are you kidding me?! Eu confesso que blogo já há algum tempo, [há menos anos do que essa pessoa], mas não sabia que existia um código deontológico regulamentador da blogosfera, nem sabia sequer que querer rentabilizar um blog era um acto pecaminoso, com direito a enforcamento na praça pública. Parece que a então autora, "sente vergonha alheia e um bocadinho de pena"... Eu sinto o mesmo, mas por ela.

Enquanto bloguer, posso afirmar uma coisa: eu não escrevo para ganhar dinheiro. Penso nisso como todas as outras pessoas pensam, mas não o faço com esse intuito. Se essa fosse a única razão para escrever então já tinha desistido porque até hoje nunca ganhei um tusto com isto. Estou suficientemente consciente de que a minha fórmula secreta não é apetecível aos olhos (e aos ouvidos) da maioria das pessoas... ninguém quer ouvir falar de coisas tão banais como a vida real... 

Ninguém está interessado em preparar marmitas para o almoço do dia seguinte, nem ninguém está suficientemente preocupado com os jovens, altamente qualificados, que trabalham em lojas e que odeiam aquilo que fazem. Ninguém quer saber de clientes emproados que chegam aos estabelecimentos comerciais e tratam as pessoas que lá estão como m#@&! Ninguém está suficientemente interessado em debater-se, dia a dia, com as dificuldades de uma mulher de 30 que tenta perder peso. Ninguém quer saber de uma casa sem sofá e sem televisão. E ninguém faz mealheiros para comprar telemoveis novos [quando as marcas se lhes podem oferecer]. Lamento meus senhores, se as vossas expectativas eram grandes, mas o meu blog é sobre isto. Sobre todas as coisas que referi anteriormente. E sim, há uma mala Louis Vuitton, falsa, comprada na feira de Carcavelos para satisfazer o desdém dos egos mais inchados. Podem chamar-me os nomes que quiserem e reforçarem o nível de frustação com o qual eu vivo, mas uma coisa é certa, eu não falo daquilo que não sinto.

Estou certa de que este não é o cenário mais cor de rosa para quem procura viver de [falsas] aparências, mas estou um bocadinho cansada de gentinha sem alma, com a mania que é gentinha... Eu escrevo porque gosto de escrever. E escrevo porque nos últimos meses escrever foi a única coisa que permitiu escapar-me da realidade. Escrevo porque acredito que é bom contar estórias. E há dias em que escrevo para denunciar gente hipócrita, em dias como o de hoje. As pessoas esquecem-se (e muitas vezes) dos seus próprios telhados de vidro...

E ainda vos digo mais... enquanto profissional de comunicação e marketing, sempre tive muitas dúvidas em relação a usar blogues (ou melhor bloguers) como veículos de comunicação... será que o retorno é de facto efectivo? No lo sé... Sei apenas uma coisa, para se ser bloguer é preciso alguma vocação e é preciso alguma paixão. É preciso querer chegar a casa, depois de um dia de trabalho, longo e cansativo, com a cabeça a ecoar de tanta entropia, e abrir uma página em branco para poder expurgar aquilo que nos vai na alma. E hoje o que me vai na alma é a estupidez e o oportunismo de alguém que se considera diferenciador... Para se ser bloguer é preciso querer-se muito. Quando o blogue se torna uma "empresa" a bloguer passa a empresária. A diferença entre ambas é grande. Muito grande mesmo.

#compras #saldos

#O que comprar (ou como comprar) nos saldos

quinta-feira, junho 26, 2014


Longe vão os tempos em que os saldos eram sinónimo de loucura... agora até para comprar nos saldos é preciso fazer contas à vida.... Shop smart, stay chic, and make it last (Nina Garcia). Foi durante os meus tempos de estudante que cometi as maiores atrocidades ao meu guarda-roupa... tudo porque comprava sem planear (e sem olhar aos preços). Ter um budget reduzido pode ser um desafio positivo no sentido em que se torna necessário seleccionar as compras mais inteligentes e as peças vencedoras. Para isso existem regras, ou melhor, existem princípios que deviam ser tidos em conta quando se decide embarcar nessa aventura chamada saldos. Anotem tudo:

Antes das compras: 1) Façam listas tal como quando vão à mercearia. Durante anos vi a minha irmã fazer isso e nunca percebi porquê... O planeamento é a base da gestão, e a vossa imagem, tal como o vosso roupeiro também precisam ser geridos adequadamente. 2) Vistam-se a rigor. Não estamos a falar de um dress code específico, estamos a falar de roupa confortável, fácil de despir e vestir, e de sapatos com os quais possam andar algumas horas. As sessões de compras podem demorar muito, especialmente se vocês são do tipo que gosta de comparar preços entre várias lojas. 3) Maquilhem-se! As compras são uma actividade supostamente relaxante, mas não se descuidem! Nos sítios aonde vão podem sempre encontrar alguém conhecido e se estiverem maquilhadas vão gostar ainda mais da roupa que experimentarem. 4) Façam o trabalho de casa. Se o tempo disponível que têm não é muito, aproveitem antes para pesquisar o que pretendem na internet. Obter o máximo de informação possível sobre as tendências, as colecções e os preços permite-vos ganhar algum tempo na hora de tomar decisões.

Durante as compras: 1) Experimentem tudo! Nunca confiem no cabide... A única vez em que tive a ideia de fazer isso, acabei por devolver tudo à loja porque nada me assentava como deveria ser... Mexam-se dentro da roupa e analisem o nível de conforto que ela vos dá. Um casaco com o qual não podem levantar os braços não faz muito sentido comprar... ou então uma saia cujo comprimento é duvidoso, é melhor evitar. Pensem no vosso dia a dia e no orçamento disponível... fará sentido comprar? 2) Não se deprimam com a variação de tamanhos que existe... Os modelos, cortes e tecidos variam de marca para marca e de peça para peça. Eu posso por exemplo vestir um 36 de calças na H&M, mas não entro dentro de um 42 da Zara... O importante é que o fitting de cada uma seja o adequado ao vosso corpo. 3) Nunca comprem uma peça a pensar num futuro irreal... "vou comprar mais justo porque vou emagrecer, ou então levo mais largo se por acaso engordar"(as minhas clientes fazem tanto isso). Comprem o que estiver de acordo com o vosso número actual e esqueçam as suposições. Na maioria das vezes nenhum das duas hipóteses acontece. 4) Na mesma ordem de ideias, escolham peças em que não seja necessário realizar arranjos, poupam tempo, dinheiro e desilusões com costureiras (eu sou daquelas pessoas que nunca teve uma "estória" feliz com costureiras...)

Depois das compras: 1) Retirem as peças de roupa dos sacos, pendurem e arrumem. 2) Não deitem fora os recibos, nem retirem as etiquetas... se mudarem de opinião podem sempre devolver as peças. Conservem-nas pelo menos durante o período de trocas definido. 3) Procurem novas conjugações para aquilo que compraram e imaginem-se com as vossas novas peças... Gostam? Desafio concluído com sucesso!

Tudo o que vocês acabaram de ler pode ser conferido no guia "O que vou vestir hoje?". As autoras do livro, a Margarida Marques de Almeida e a Cátia Dias Amaral (Style It Up), e a Dora Dias (Blossom Image Consulting), partilham com o público várias soluções sobre o que vestir em todas as ocasiões. «A imagem influencia a autoestima e a forma como os outros nos veem». Comecem a cuidar da vossa hoje. Para quem segue o CC, o convite é para ficar desse lado e para fazer um Like na página do facebook porque as surpresas vêem aí!

#a vida aos 30

10 coisas que não devem perguntar a alguém com 30

quarta-feira, junho 25, 2014


Ora, depois de uma pessoa chegar aos 30s, começa a fase das perguntas indiscretas. Passo a enumerar as 10 perguntas mais perversas que alguém que não esteja na casa dos 30s se vai sentir tentado a fazer:

1. (Antes da data) Então, não estás assustada com o facto de ires fazer 30?
Arrisco-me a dizer que fazer 30 é exactamente igual a fazer 20 [há uns meses atrás não pensava assim, confesso], no entanto, parece que a sociedade instituiu os 30s como o deadline para atingir definitivamente a maioridade. É como se soasse uma trombeta: "esta é a última oportunidade para te tornares uma pessoa decente (a todos os níveis)". A pressão sobe e a ansiedade também... ainda que a pessoa não vos diga o quão "freaked out" está, é bem provável que a cabeça dela se pareça a um carrinho de choque desgovernado... Se querem ser solidários com a causa e com o momento, evitem perguntas dificeis, em fases especialmente dificeis. Para além disso, uma das coisas que a minha vida de balconista me permite é o contacto directo diário com pessoas de todas idades (muitas delas acima dos 30s). Essa vantagem dá-me confiança suficiente para afirmar que existem várias pessoas  com mais de 30 a fazerem coisas surpreendentes, pela primeira vez... Nada na vida nos impõe limites, a não ser o nosso próprio estado de espírito.

2. (Depois do 30s) Não achas que já não tens idade para isso?
Quantas vezes já ouvimos isso... principalmente vindo da nossa voz interior?! As idades (especialmente a partir dos 30s) parecem assustadoras precisamente por causa dos constrangimentos etários com os quais nos castigamos. "Já não tenho idade para usar biquínis", "já não tenho idade para usar ténis", "já não tenho idade para aprender ballet", "já não tenho idade para andar de mini-saia", "já não tenho idade para sair à noite", etc, etc, etc. A idade é um doseador do bom senso, utilizem-na a vosso favor e não como vosso demolidor. Os meus pais decidiram fazer um interrail quando tinham 50. Um amigo deles despediu-se do emprego de uma vida para se tornar empreendor aos 40. Enquanto formos capazes de sonhar, temos todo o tempo do mundo.

3. Estás solteira? Vais encontrar alguém em breve. 
Aos 30 quer-me parecer que uma pessoa já viveu o suficiente para poder definir, e com bastante qualidade, a lista de pré-requisitos que o companheiro ou companheira ideal deve ter. Aos 30 uma pessoa pode querer estar solteira porque simplesmente quer ou porque ainda não encontrou ninguém que correspondesse efectivamente àquilo que procura. Aos 30 ninguém se junta com ninguém porque "já está a passar da idade" (pelo menos não deveria ser assim). Aos 30 pode-se não saber o que se quer, mas sabe-se muito bem o que não se quer. E o amor, chega, quando tem de chegar. Não tem hora marcada, nem bilhete comprado. Mania esta dos portugueses serem verdadeiros santos casamenteiros... xiça!

4. (Para os comprometidos) Então quando é que casam?
Quando quisermos. Se quisermos. 

5. (Para os casados) Então e filhos, quando é que têm?
Será que as pessoas que costumam fazer este tipo de pergunta já se perguntaram sobre as repercussões que ela pode ter? Uma das coisas que aprendi ao trabalhar numa loja é que a estória de cada pessoa é diferente da nossa. Por causa disso devemos ter muito cuidado com as perguntas que fazemos porque nunca sabemos o que é que elas podem despoletar... Se calhar a pessoa já tentou ter filhos, mas não pode. Se calhar um dos membros do casal não quer ter filhos e o outro quer. Se calhar nenhum dos dois quer. E isso é tão válido como as outras opções. Eu defendo uma perspectiva diferente daquela que crê que todas as mulheres nasceram para serem mães... Eu acredito, e muito convictamente que haja quem não o queira ser... Agora, mais do que nunca, as pessoas fazem-me essa pergunta, "estás a pensar ter filhos?". Não, não estou. Não faz parte dos meus planos futuros imediatos. E lá por vocês andarem todos a ter não significa que eu tenha de fazer o mesmo. Além disso, eu vejo gente nua todo o dia. Eu vejo muita coisa que não ficou no sítio depois da gravidez, e apesar de já ter 30, ainda não estou preparada para abdicar de determinadas coisas... E isso é tão legítimo como querer muito filhos.

6. Não lamentas o facto de ainda partilhares casa?
Eu esforcei-me muito para que isso não me continuasse a acontecer depois dos 30s... Era uma meta pessoal que eu tinha guardado no meu baú das aspirações... Foram 12 anos a partilhar o mesmo tecto com pessoas diferentes, personalidades diferentes, (psicoses diferentes) e nacionalidades diferentes. A caminho dos 30, a minha capacidade de adaptação diminuiu, assim como também diminuíram os níveis de tolerância que costumava aplicar em situações de coabitação. Não é fácil viver-se sozinho porque os salários em Portugal são o que são e todos os meses ando a contar os trocos para pagar a paz de espírito que a minha petite maison me dá, mas conheço muita gente que só tem como solução partilhar casa ou continuar na casa dos pais. Há até quem prefira isso a morar sozinho. No meu caso eu queria mesmo muito viver sozinha. Estive um ano há procura de várias soluções, tive momentos em que baixei os braços e desisti e tive outros em que ganhei novo ânimo para continuar a procurar. O J, face ao meu desespero, chegou a comentar comigo que se fosse preciso dividiamos casa para partirmos as despesas, eu agradeci, mas disse-lhe: "antes de morar contigo, quero morar sozinha". E até hoje tem sido assim.

7. Com a tua idade eu já tinha dois filhos.
Grande maluco.

8. Quando é que deixas de arrendar coisas e decides comprar uma casa?
Esta é de facto uma pergunta que me dá que pensar porque ao fim destes anos todos fora de casa, já gastei muito dinheiro em rendas... Pagar por pagar, às vezes mais vale fazê-lo por algo que seja depois nosso. Ainda assim, aos 30, mantenho-me como nos 20: sem bens materiais de primeira linha, e isso é em última instância, um luxo. Por outras palavras também pode ser lido como liberdade. E até ao momento, assenta-me como uma luva.

9. Não te sabe mal que uma pessoa mais nova do que tu tenha aquilo que tu não tens?
Sabe muito mal, muito mal mesmo, principalmente quando se trata de uma conta bancária como a do Cristiano Ronaldo.

10. Não posso crer que já tenhas tantos cabelos brancos...
Quando se trabalha como consultora, percebe-se imediatamente que as mulheres estão ávidas por elogios... As pessoas estão tão habituadas a serem postas p'ra baixo que as consultas de psicologia deviam ser gratuitas em todos os centros de saúde do país. Mesmo que achemos que uma pessoa está menos bem, nunca o devemos dizer. É feio. É deselegante. É uma monstruosa falta de educação. Devemos incentivar a pessoa a melhorar, realçando-lhe o que ela já tem de melhor... e muito sinceramente, os cabelos brancos, mais tarde ou mais cedo, chegam para toda a gente. E olhando para o George Clooney e para Merly Streep é caso para dizer que os brancos só lhes deram ainda mais charme.

#conselhos de RH

#living what you love

terça-feira, junho 24, 2014

Eu sempre soube, desde muito nova, aquilo que eu queria ser. Infelizmente, a vida é bastante mais matreira do que aquilo que nós pensamos... nunca se sabe aquilo que se quer ser até o sermos efectivamente. Não que eu me tenha arrependido, não é isso... antes pelo contrário. De uma forma ou de outra, nunca tive dúvidas em relação ao que eu queria seguir. A partír do 9º ano isso tornou-se um ponto assente sem direito a interrogações [a obstinação foi sempre, e desde muito cedo, um dos traços mais fortes da minha personalidade]. Não perdi muito tempo a  equacionar sequer segundas opções. [uma das maiores vantagens da idade, quando se é jovem, e tenro, é o à vontade com que se oferece o coração às balas, sem medo e sem hesitações]. Para mim o caminho era apenas um. Era um estado de alma tão clarividente que quando fiz a candidatura ao ensino superior, preenchi todas as opções sempre com o mesmo curso. Nunca me imaginei a fazer outra coisa [tempos esses em que não me passava pela cabeça ter "reposicionar mamas" como uma soft skill no meu curriculum].

Até aos testes vocacionais eu fugi... Acho que estava tão apaixonada pela ideia romântica de salvar o mundo e passar o resto da vida a contar "estórias" que não quis correr o risco da psicologia me mostrar o contrário. Enfim, uma pessoa ganha uns anos no lombo e lá surgem as p#t@s das dúvidas... Fui-me pôr a pensar: será que não teria sido boa ideia fazer os testes vocacionais? Não sei se teria sido ou não, mas quando sentimos que estamos encurralados dentro de um labirinto do qual dependemos [Hate my job, need the money], esperamos, ansiosamente, que exista uma solução instantânea qualquer que seja o suficientemente forte para derrubar algumas paredes que nos impedem de enxergar a saída. De uma coisa eu tenho a certeza: as dúvidas surgem quando não estamos satisfeitos. É o descontentamento que nos leva a questionar as nossas escolhas. As mais recentes. E as mais antigas. E vai, na volta, a "major decision" que tomei há uns anos atrás até pode estar certa, mas os tempos que correm exigem updates. Sérios. Urgentes.

A verdade é que quando as pessoas me perguntam o que é que eu realmente gostaria de fazer, eu não lhes consigo responder... Não sei se é um quebra-cabeças próprio da idade ou se é apenas o resultado da crise social em que vivemos... Mais do que um trabalho novo, eu precisaria de tempo para poder descobrir o que é que me faria feliz nos próximos meses. Se vocês estão a remar contra a mesma maré, recomendo-vos que visitem este site,  "50 Ways to Get a Job That Makes Good". O projecto é uma espécie de manifesto vs. mapa interactivo que promete ajudar uma geração desesperada por trabalhos felizes. Eu não tenho muito tempo, mas sinto-me tentada a tentá-lo [até promessas aos santos eu já pensei fazer]. May the force be with you.

#a vida aos 30

Pernas para que te quero

quinta-feira, junho 19, 2014



O sonho de descer o Chiado, estilo "dona do pedaço", classe executiva, em look office-chic e de salto alto caiu por terra quando comecei a minha vida de balconista... Dos saltos altos eu até abdicava, e confesso, sem resistências, mas do blazer e do vestidinho cintado já me custa mais abrir mão... Com o tempo até me habituei às clientes chatas e birrentas, mas às dores nas pernas, nem por isso.

Se há momento em que eu de facto queria ter 10kg a menos esse momento é o final do dia, quando saio da loja e ando 30 minutos a pé até chegar a casa... Um dia, em jeito de experiência levei comigo um podómetro para ver quantos passos dava durante um dia trabalho. Posso inclusivé acrescentar que não foi dos dias de maior desespero feminino, isto é, apareceram algumas sanguessugas para me chupar o sangue, mas não foi coisa que se parecesse com uma avalanche nos Alpes suiços. Quando olhei para o visor não queria acreditar: 11 000 passos! Como é que os meus pézinhos têm sobrevivido?! Tendo em conta que uma pessoa sedentária caminha entre 3500 a 5000 passos por dia, eu posso afirmar, e com larga confiança, que de sedentária (e mole) a minha vida não tem nada. 

Ora então, se 10 000 passos por dia queimam uma média de 300 calorias, o equivalente a 30 minutos de exercício físico moderado, a este ritmo eu devia estar com o corpo da Gisele Bundchen! Brincadeirinha... Menos mal que ao caminhar isto tudo, habilito-me a prolongar a minha vida cerca de 8 anos, pelo menos é aquilo que o Yoshito Hatano diz. Em todo caso, e aos dias de hoje, só vos posso contar uma coisa: a variedade de derrames e varizes que se instalaram nas minhas pernas parecem multiplicar-se à frequência do único pensamento que me ocorre: quando é que isto acaba?!

As dores nas pernas são de facto uma das coisas mais chatas de se tolerar quando se trabalha numa loja. E o meu look "classe executiva, office-chic" está mais para o "passageiro em classe turística, companhia low-cost, sem direito a bagagem de porão". As lojas são normalmente o espaço bonito, super trendy, super fashion, a que os clientes têm acesso, mas por detrás das primeiras impressões, há uma coisa chamada armazém. E num armazém não se sobrevive de saltos altos, nem de vestidos cintados. É a lei do salve-se quem puder, como quem diz, "tenta estar o mais confortável possível sem parecer que estás de pijama". Um dia este pesadelo há-de acabar (só espero que não seja no meu período de descontos, isto é, nos 8 anos extra que o Hatano prometeu).

E perguntam vocês "mas então CC não estava a fazer dieta?!". Estava e estou. Aliás uma coisa boa de se ter o ginásio em casa é que basta um computador para poder fazê-lo em qualquer parte do mundo, estejam de viagem ou não... E vocês voltam a perguntar "e então, praticou exercício enquanto estava nos Açores?!" Pratiquei sim. Um dia. Para não dar parte de fraca, claro. O resto do tempo andei a ruminar no colinho da mãe. (Uma pessoa também merece). É óbvio que os resultados são visiveis... Sinto o meu corpo mais tonificado, mas isso não significa que esteja mais pequeno (pelo menos, já não abana tanto... shake-shake, shake-shake). Agora para fazer com que ele fique de facto mais petite, só mesmo doseando o regime alimentar. A única dieta e a mais fiável de todas é aquela em que se fecha a boca, conhecem?

Por sinal... ando a ler umas coisas da Ágata Roquette (não que eu ache que uma pessoa chamada Ágata deva ser alguém de confiança)... mas comecei a simpatizar com ela porque a senhora doutora diz que a dieta dos 31 dias "é uma dieta onde se pode comer"! Ufff, que alívio! Ainda bem que assim é... caso contrário, os 8 anos extra que eu já tenho começavam a ser descontados ainda hoje. Para além disso, a Ágata é uma fofa, deixa comer pão ao pequeno-almoço! Insha'Allah! Mas depois esqueçam, não há mais bolinhas para ninguém! Para além disso continuo a usar o Gel Frio Pernas & Pés do Dia (esgotou aqui ao pé de casa) e amanhã começo um drenante específico para as pernas, próprio para regular a circulação sanguínea. Para complementar o tratamento também vou fazer umas cápsulas da Bional, indicadas para pernas cansadas, V-Nal. Em todo o caso, acho que isto é um problema que só se resolve com férias! 

#alma terceirense

ao divino espirito santo

quarta-feira, junho 11, 2014



Desculpem a ausência dos últimos dias, mas quando se está em "casa" tudo aquilo em que se pensa é na forma mais eficaz de recuperar o tempo que se passa longe... E sabem do que me dei conta ao fim de todos estes anos de viagens? Apercebi-me da forma como as nossas casas têm um cheiro próprio, característico... Um cheiro que nos relembra de como é bom abrir a porta e pousar as malas [nem que seja por uns dias]. Como diz uma amiga minha, "um dia vais de vez", quiçá, um dia talvez venha de vez... por enquanto estava a precisar de voltar ao ninho [já não vinha à ilha há 6 meses] e acabei por recuperar forças e energias através de uma coisa que nunca devemos abandonar na nossa vida: a fé.


Vim à Terceira porque fui convidada a participar nas festas do divino espírito santo. O culto ao espírito santo (terceira pessoa da Santíssima Trindade) é uma das mais antigas práticas de catolicismo popular, a sua origem remonta às celebrações religiosas realizadas em Portugal a partir do séc. XIV. Essas celebrações eram tradicionalmente festejadas com banquetes colectivos designados de Bodo aos Pobres onde se distribuíam comida e esmolas. Em algumas regiões de Portugal essa tradição ainda se cumpre, e na Terceira, o povo faz questão de não a deixar cair. A partir dos Açores, a tradição espalhou-se para outras áreas colonizadas por Açorianos como a Nova Inglaterra, os Estados Unidos da América e algumas regiões do Brasil.


Não vos consigo descrever por palavras como é participar nestas celebrações... já o faço há muitos anos através dos familiares mais próximos, por isso, para além de acreditar no Divino, o Divino também faz parte da minha "estória" pessoal [e da de muitos Terceirenses]. As festas do espírito santo lembram-me muito a minha avó materna. Lembram-me o quão grande era a sua fé e o quão grande era o seu respeito por algo tão supremo como a graça divina. O espírito santo é algo místico. Sentem-no corpo. Sentem-no sobre vós. É emotivo. E é soberbo. É também ele um culto sem intermediários, não há quem se imponha entre os devotos e o Divino. É uma manifestação religiosa que não depende da organização formal da igreja nem necessita da participação formal do clero. É por isso que acredito que o seu povo o respeite mais do que a todas as outras coisas... um povo que promete e quando cumprido [quase sempre], agradece. 

Um dos símbolos mais importantes do Divino é a coroa imperial. Trata-se de uma coroa em prata, normalmente com três braços, encimada por uma pomba de asas estiradas que representa a Santíssima Trindade. Durante o ano as coroas circulam semanalmente entre as casas dos irmãos (povo), que as colocam num lugar de honra, rezando e louvando, todas as noites perante elas. Pedem-se graças e agradecem-se dádivas. Depois da Páscoa, começam os Domingos do Espírito Santo. A cada Domingo que passa realiza-se uma coroação. Os familiares e amigos da pessoa que recebe o Espírito Santo são convidados a participar no cortejo até à Igreja e alguns recebem a honra de coroar [tal como eu recebi] no final da celebração religiosa. 





É a festa da partilha. Da partilha da fé. Da partilha de estórias. É também a celebração da dádiva, da união e da entre ajuda. Quem visita o Divino costuma oferecer ovos, azeite, óleo, carne, entre outros bens necessários para a confecção do almoço de Domingo. Quem vem traz sempre alguma coisa, e também leva em troca, alguma coisa, nem que seja o coração mais quente e a fé mais forte. E no Domingo, no adro da igreja repete-se o Bodo dos Pobres, todos os anos. Toda a gente recebe pão e vinho. Multiplicam-se as dádivas. Multiplicam-se os pães. Multiplica-se o vinho. Só quando a banda acabar de tocar é que a festa termina. Enquanto isso, louvai o Divino e todas as suas graças! Não há maior riqueza que a riqueza de crer nos dons do espírito santo. Obrigada. Muito obrigada.


#fine&candy

De Portugal com amor

quarta-feira, junho 04, 2014








Há projectos com alma, e alguns deles com alma lusa. A Fine&Candy e as Josefinas são dois exemplos. Ambas juntaram-se para criar uma edição limitada que funde valores comuns aos dois projectos: qualidade, design, cor e acabamento 100% artesanal. 

A partir do dia 12 de Junho, quem comprar umas Josefinas, via online, receberá de presente um mini bloco de bolso da Fine&Candy. Marina Tomé Ribeiro (F&C) e Filipa Júlio (Josefinas) sentiram que fazia sentido idealizar um produto em conjunto que oferecesse um pouco mais de amor português ao mundo. Spread the love!

#clientes

Quando o pano desce

quarta-feira, junho 04, 2014


Hoje lembrei-me das primeiras férias que tive [em casa] depois ter iniciado a minha vida de balconista. Parecia um eremita em pré-reforma ou a versão hipster de uma carmelita recolhida. O quarto transformou-se no meu bunker pessoal por uns quantos dias... era nele que me refugiava quando chegavam visitas à porta de casa. Assim que a campainha tocava eu desatava a correr [logo eu que nunca gostei de correr por nada]. Alargava a passada vestida com o pijaminha a rigor... parecia o Speedy Gonzales [mas sem bigodes]. A minha mãe comentou com a minha irmã: "olha, a tua irmã não deve estar boa... Fica o dia todo enfiada no quarto e não fala". A minha apatia evidente e os sucessivos comportamentos anti-sociais declararam o estado de calamidade do meu cérebro. No decorrer desse ídilico cenário ferial, a minha mãe resolveu quebrar o silêncio que emanava do meu retiro espiritual para me perguntar: "filha, o que é que se passa, o que é que tens?" "Estou cansada." "Estás cansada de quê?" "Estou cansada de pessoas".

E foi isto que aconteceu. Quando se está cansada de pessoas, tenta-se estar longe de pessoas. Evita-se qualquer ligação com o mundo [a não ser com a grelha de programação da Fox Life]. Não se quer ver gente. Ouvir gente. Vislumbrar gente. Quer-se silêncio. E quer-se estar só. Na tentativa de só nos ouvirmos a nós mesmos. Foi efetivamente o que eu tentei fazer. Sentia-me exausta. Esgotada. Pouco inspirada para voltar a ser um [muito mais que um] personagem. Vender é isso mesmo. Vender é como fazer teatro. É ter que arbitrar uma luta gladeadora entre várias personalidades esquizofrénicas que competem entre si com o objectivo de ganhar destaque no diálogo com o outro. É ter que ignorar a dor ou a tristeza pessoais quando o outro exige a atenção que nós gostaríamos de ter. É ter que ser forte e ser gentil quando interiormente os tijolos que compõem as nossas fundações se estão a desmoronar. É ter que ser quem não somos quando o outro [e a profissão] nos exige isso. E é por isso que é tão cansativo. Dar-se. Reinventar-se. Abandonar-se.

É por isso que eu pedi esse tempo quando regressei a casa. O tempo para fazer o caminho de volta. O tempo de me voltar a encontrar. Quando se está repetidamente a fazer teatro todos os dias, ganha-se a necessidade urgente de se poder ser simplesmente normal. E normal para mim implica a liberdade de poder sentir aquilo que me vai na alma. Os clientes não costumam respeitar isso... não costumam deixar espaço para podermos ser como somos, mas no final da peça há sempre um lado que vence, e a esse lado, o lado da verdade, nunca se chega com máscaras. Adoro pessoas, vocês sabem disso, mas há dias em que me apetece fugir delas (está quase!).

#bebés

swaddle scarves

terça-feira, junho 03, 2014





Cueiros [artísticos] para bebés. Mantas com personalidade para a decoração lá de casa. Écharpes relaxados para compôr os looks do dia a dia. Três possibilidades num único produto. 
A partir de 40§ na Coveted Things.  

#a vida aos 30

uma semana com final feliz

terça-feira, junho 03, 2014


De cada vez que vou casa, trago de volta comigo um monte de fotografias... é um hobby pessoal com um cheirinho saudosista e melancólico, mas que me regala a alma. Gosto de fotografar coisas banais, coisas como esta que vocês vêem na imagem, um imenso quadrado azul. "O meu céu" [meu e de mais ninguém... a não ser do J quando ele lá for]. De tempos a tempos volto a elas. Para matar saudades, para contemplar a sua grandeza ou simplesmente para poder semi-cerrar os olhos e pensar: estou quase lá! [como se elas fossem uma espécie de amuleto donde emanam forças que nos fazem falta]. E estou mesmo! Daqui a uns dias vou de férias, ou melhor, vou a casa. Juntou-se o útil ao agradável. E estou tão agradecida quanto necessitada. As férias [por mais curtas que sejam] são um remédio [claro está, S-A-N-T-O!]. 

Eu gosto muito de pausas (inevitavelmente vivo mais a contar com elas do que com o dia a dia). As pausas permitem-me parar para pensar, o que se tornou dificil com a instalação da rotina na minha vida (e nos meus circuitos nervosos). Outro dia, em conversa com a minha nova manicure [finalmente encontrei alguém que trabalha com verniz de gel de qualidade] descobri que ela sofria do mesmo mal do qual eu padeço: não aguentamos estar muito tempo a fazer a mesma coisa [repetidamente]. Não vos digo nem vos conto o quão maravilhoso me soube ouvir a confissão dela. Senti-me menos E.T, se é que me entendem [parece que aos 30 o mundo nos exige que nos conformemos com as coisas do modo como elas são e que nos comportemos como "gente grande"]. 

Rimo-nos as duas quando eu lhe demonstrei que ela ainda tinha a possibilidade de ir vendo partes do corpo diferentes, no meu caso estou limitada à mesma zona, todos os dias. Mesmo em criança não conseguia passar muito tempo a fazer a mesma actividade... quando se esgotava a adrenalina inicial, era um quebra cabeças para arranjar outro entretenimento. Até a vida cor de rosa das minhas barbies se desenhava veloz, encontravam um homem de sonho, ele pedia-as em casamento num jantar romântico, casavam, ficavam grávidas e depois tudo se desvanecia num divórcio litigioso [estória que é estória tem de ter um pouco de drama, certo?!]. 

Por vezes penso que esse síndrome da rotina [com o qual muitos de nós lutamos] podia melhorar se eu fosse dona do meu nariz... se tivesse um projecto meu, a título pessoal, mas uma amiga minha que gere um pequeno negócio próprio disse-me que o problema que ensombra mentes como as nossas tanto é comum aos trabalhadores individuais como aos trabalhadores por conta de outrém. E ela é capaz de ter razão. A rotina é madrasta no que diz respeito à motivação... e o comodismo altera [sem que nos demos conta] a nossa performance individual, quer queiramos quer não. É por isso que é tão importante [e tão urgente] existirem medidas de motivação interna que nos impeçam de cair em tentação... Na falta delas, umas férias também podem ser solução. Uns dias em modo "pause" são indicados para:

1. Recarregar baterias: ou por outras palavras, ligar e desligar da tomada. Estamos tão habituados à rotina que não conseguimos transgredir a linha das coisas que não são habituais fazermos no dia a dia. Sabe tão bem sair a meio da semana para jantar fora ou para ir tomar um copo com os amigos... É tão bom desligar o telemóvel durante uma tarde ou uma manhã... É tão revigorante tomar o pequeno almoço numa esplanada enquanto se contempla a vida em slow motion.... Pequenas quebras vão desacelerar o vosso ritmo cardíaco e restabelecer a vossa sanidade mental. Recomenda-se, e muito, por mais dificil que seja controlar os vossos impulsos obssessivo-compulsivos causados pela perda de controlo da realidade. Imponham-se e dêem uma tareia à vossa personalidade [no bom sentido, é claro]. Um reset é milagroso para o vosso espírito.

2. Expandir a mente: os momentos de pausa são óptimos para aprendermos coisas novas e para nos dedicarmos a um assunto que nos desperte curiosidade... pode ser um desporto por exemplo, uma disciplina, um jogo, qualquer coisa que vos obrigue a saírem da vossa zona de conforto. Uma das coisas que eu tento fazer sempre que vou de férias é comprar várias revistas estrangeiras e obrigar-me a lê-las sem desculpas! É uma forma de estar a par da actualidade e de pôr em prática o vocabulário do fundo da gaveta. Mas há quem prefira fazer outras coisas... encontrem um hobby à medida das vossas preferências e partam à descoberta do desconhecido. É tão bom voltar a sentir de novo aquela vontade de nos querermos superar... arrisquem!

3. Inspirar-se: quando estamos relaxados é muito mais fácil ver o mundo com outras lentes... Há dias em que precisamos de umas progressivas, mas há outros em que só precisamos deixar a imaginação levantar voo. A minha irmã que o diga... em quase todas as minhas férias descubro coisas que quero fazer: num ano quero abrir uma tasca, no outro quero ser dona de uma loja, no outro quero fazer uma viagem à volta do mundo e por aí fora, o importante é não parar de querer. Por vezes a inspiração pode ser tão simples como decidir mudar o corte de cabelo ou reorganizar o roupeiro lá de casa, mas se apareceu então é porque veio em boa hora, há que aproveitar! 

4. Networking: sim, por mais que se tenha vontade de fugir da civilização, não nos podemos esquecer de que as férias são óptimas oportunidades de networking. Nunca sabemos quem vamos conhecer, que projectos podem surgir, mas devemos prestar atenção a tudo e a todos. E cada vez mais me convenço de que o mundo é de facto um lugar pequeno! Não menosprezem as oportunidades, mesmo que estejam de chinelinho no dedo... Quanto mais relaxados estiverem, mais capacidade terão de aproveitar cada momento ao mais infímo detalhe.