#As Gordinhas e as Outras

sexta-feira, novembro 14, 2014


“Serve esta crónica para retratar e comentar um certo elemento que existe frequentemente em grupos masculinos e que responde pelo nome genérico de ‘Gordinha’. A Gordinha é aquela amigalhaça companheirona que desde o liceu cultivava o estilo maria-rapaz, era espertalhona e bem-disposta, cheia de energia e de ideias, sempre pronta para dizer asneiras e alinhar com a malta em programas. Ora acontece que a Gordinha é geralmente gorda e sem formas, tornando-se aos olhos masculinos pouco apetecível, a não ser em noites longas regadas a mais de sete vodkas, nas quais o desespero comanda o sistema hormonal, transformando qualquer bisonte numa mulher sexy, mesmo que seja uma peixeira com bigode do Mercado da Ribeira.
A Gordinha é porreira, é fixe, é divertida, quer sempre ir a todo o lado e está sempre bem-disposta, portanto a Gordinha torna-se uma espécie de mascote do grupo que todos protegem, porque, no fundo, todos têm um bocado de pena dela e alguns até uma grande dose de remorsos por já se terem metido com a mesma nas supracitadas funestas circunstâncias. E é assim que a Gordinha acaba por se tornar muito popular, até porque, como quase nunca consegue arranjar namorado, está sempre muito disponível para os mais variados programas, nem que seja ir comer um bife à Portugália e depois ao cinema.
À partida, não tenho nada contra as Gordinhas, mas irrita-me que gozem de um estatuto especial entre os homens. Às Gordinhas tudo é permitido: podem dizer palavrões, falar de sexo à mesa, apanhar grandes bebedeiras e consumir outras substâncias igualmente propícias a estados de euforia, podem inclusive fazer chichi de pernas abertas num beco do Bairro Alto porque como são ‘do grupo’ toda a gente acha muita graça e ninguém condena. 
Agora vamos lá ver o que acontece se uma miúda gira faz alguma dessas coisas sem que surja logo um inquisidor de serviço a apontar o dedo para lhe chamar leviana, ordinária, desavergonhada e até mesmo porca. Uma miúda gira não tem direito a esse tipo de comportamentos porque não é one of the guys: é uma mulher e, consequentemente, deve comportar-se como tal. E o que mais me irrita é quando as Gordinhas apontam também elas o dedo às giras, quando estas se comportam de forma semelhante a elas.
Ser gira dá trabalho e requer alguma diplomacia. Que o digam as minhas amigas mais bonitas e boazonas que foram vendo a sua reputação ser sistematicamente denegrida por dois tipos de pessoas: os tipos que nunca as conseguiram levar para a cama e as gordas que teriam gostado de ter sido levadas para a cama por esses ou por outros. Uma mulher gira não pode falar alto nem dizer palavrões que lhe caem logo em cima. Já uma Gordinha pode dizer e fazer tudo o que lhe passar pela cabeça, porque conquistou um inexplicável estatuto de impunidade. Porquê? Porque não é vista como uma mulher? Porque todos têm pena dela? E, já agora, porque é que quando uma mulher está/é gorda nunca ninguém lhe diz, mas quando está/é magra, ninguém se coíbe de comentar: «Estás tão magra!?» Como dizia a Wallis Simpson: «Never too rich, never too slim». E quanto às Gordinhas, o melhor é arranjarem um namorado. Ou uma dieta. Ou as duas coisas.” 
[eu já sabia que esta senhora escrevia mal, mas agora, para além disso, tenho a confirmação de que ela também bate mal. Não tinha conhecimento deste texto, mas ao que parece foi escrito para o jornal Sol em 2010. Encontrei-o no blog da Boutique da Tereza e acho que é serviço público partilhá-lo com vocês]

Au revoir! Pinterest // Instagram // Facebook // Twitter
[photo credits: via]

Deixe um comentário

6 comments

  1. Já conhecia o texto e, por isso, a falta de sanidade mental desta senhora. Acho não só que ela é fraquinha na concepção das ideias, como ainda é reles, pequenina, mesquinha... que as gordinhas desta vida lhe dêem muita chapadinha de luva branca (ou até algumas bem mais literais!) *

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pois eu desconhecia totalmente Catarina, mas fiquei perplexa com o que li. Acho inacreditável que uma autora portuguesa escreva o que escreveu. E sim, também espero que as gordinhas a abalroem quando a virem! Era merecido :P

      Eliminar
  2. Que nojo! Esta senhora percebe imenso de "engates"... LOL

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Esta senhora percebe "imenso" de tudo. Enfim...

      Eliminar
  3. Este texto foi muito falado e criticado.
    Aliás, quando ela publicou o seu último livro, esta semana, pensei nesta crítica que ela fez às gordinhas, e se os livros dela deixaram de me interessar (penso que li dois), as crónicas que ela escrevia para o JN, tão do agrado de muitas mulheres, a mim não diziam nada. Muito básica, na sua escrita.
    Depois da tal crítica às gordinhas, nunca mais quis ver, ler, recordar MRP.
    Há pouco, entrando na página do Sapo blogs, tem lá em grande destaque a notícia de que ela abriu um blog neste servidor.
    Pudera, com tantos portugueses com blog lá, o que pensei foi "esta gaja quer fama, pensa que as pessoas têm memória curta", até porque já li em alguns comentários e sobre o livro que acabou de publicar, precisamente, o assunto deste seu post.
    Eu li no FB o que a Boutique da Teresa publicou.
    Como já disse "MRP pensa que as pessoas têm memória curta".

    Beijinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Concordo consigo Maria, espero que não tenham memória curta! Também a deixei de ler muito antes dela se tornar tão popular [não sei porquê]. E sim, tem uma escrita básica, como disse. Mas pessoas com este espírito só podem escrever coisas deste tipo.

      Eliminar