#Avaliações do fim do ano (pr'a quê)?

sábado, dezembro 20, 2014


Eu sou bastante apologista das avaliações. Aliás, avaliar pessoas é exactamente um dos meus hobbies preferidos [também tenho algum talento a avaliar mamas, confesso]. A-va-li-a-ção é um substantitvo feminino que significa: 1. acto de avaliar; 2. valor determinado por peritos, apreciação; 3. estima. Infelizmente, é uma pena que a grande maioria das pessoas só consiga associar a-va-li-a-ção ao acto de avaliar.

Eu associo, ou melhor, não associo nada... a palavra certa é alimentar. Eu alimento a ilusão romântica, demodé e pouco prática de que a a-va-li-a-ção de colaboradores tem muito mais haver com apreciação e estima do que com outra coisa qualquer. É por isso que eu me lixo sempre, mas também é por isso que ainda acredito em pessoas... coisa rara [eu sei, tenho umas paranóias esquisitas, tenho].

Numa empresa onde eu trabalhei, maioritariamente constituída por mulheres, e gerida por mulheres, era hábito avaliar-se os colaboradores no final do ano. Nesse momento, os colaboradores com bom aproveitamento recebiam um prémio, em géneros ou em valor, conforme preferissem. Uma forma que me parece justa de reconhecer o seu contributo para o êxito de um projecto comum. Tive um azar do caraças, só vos digo... O meu contrato terminou justamente em Novembro... bye bye prenda de Natal da patroazinha.

Eu lido muito mal com a-va-li-a-ções [ah, se eu lidasse bem é que era de admirar]. Eu lido mal com a-va-li-a-ções porque me prezo muito a defender a qualidade do meu trabalho e os valores em que acredito, coisa que nem sempre é bem vista no seio da cultura organizacional onde se está inserido. É por isso que as a-va-li-a-ções em vez de serem momentos de reconhecimento, justos e imparciais, [como eu gostaria que fossem], passam a ser momentos de entretenimento sórdido.

Há três anos que eu sou a-va-li-a-da de 6 em 6 meses. Sou avaliada pela forma como falo. Pela forma como ando. Pela forma como me visto. Pela forma como me maquilho. Pelo tom de voz que uso. Pelo quão próximo estive do robot virtual que os meus patrões criaram na cabeça deles e que tentam ver reproduzido em cada pessoa que contratam. Agora vem a parte divertida: as minhas a-va-li-a-ções também incluem orientações editoriais que servem para ditar que causas eu posso ou não posso apoiar fora do âmbito profissional e que temas devo ou não abordar no meu blog pessoal. 

Ora é uma pena que a a-va-li-a-ção não seja uma coisa recíproca porque eu bem que gostava de a-va-li-ar umas determinadas pessoas. Em todo o caso, como elas gostam de cá vir de vez em quando controlar os conteúdos deste blog, em versão lápis azul moderno 3.0, eu gostava de lhes dizer uma coisa: eu sou um ser humano! eu tenho sentimentos! [e em relação a vocês, os piores!] e eu sou uma cidadã livre! Livre para dizer o que eu penso e livre para escrever sobre o que eu quero. E isso é uma coisa que nenhum de vocês tem o direito de me tirar. Nenhum.

[photo credits: La chinoise 1967]

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1 comments

  1. Detesto avaliações, a não ser dentro de nós próprios.
    Beijinho

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