#a vida aos 30

Ai menina, que má altura

terça-feira, dezembro 29, 2015

Hoje fui à cabeleireira. Apeteceu-me cortar o cabelo antes de entrar no ano novo. A D.ª Fátima, uma mulher do norte do país que vive na Terceira por obrigação, não sabia que eu tinha regressado. "Ai menina, que má altura". Costumo ouvir isso com frequência. Principalmente da boca de quem vive na ilha. Não me espanta. (Nem me assusta).

Se há coisa que eu aprendi este ano é que não existem alturas certas. Podemos fazer os planos que fizermos, quando a vida quer, a vida interfere. Muda-nos as voltas. Tira-nos o tapete. Acredito ainda que as más alturas de um país não são as más alturas de um povo. Como diz o André Leonardo, na última entrevista que realizei, todos os dias há alguém no mundo que se levanta, que vai à luta e que faz coisas incríveis, na maioria das vezes, com menos condições do que aquelas a que temos acesso. Não existem más alturas. Não podemos usar isso como desculpa para não tentar. Para não viver. Para não arriscar.

E não podemos ser pequeninos, do tamanho de uma ilha. Os sítios onde vivemos não podem delimitar os nossos sonhos. Nem os nossos projectos. Olhem para mim. E olhem para as pessoas à vossa volta. Há-de haver alguém com uma estória semelhante. Há-de haver alguém em quem vocês se possam inspirar. Há-de haver alguém que vos ajude a encher o copo. E que vos diga o contrário daquilo que eu tenho ouvido.

Difícil é diferente de impossível e é bom que vocês saibam a diferença entre ambos. Desejo-vos o melhor para 2016. Vontade. Força. E fé. 

#a vida aos 30

De Lisboa aos Açores: um ano em estórias

segunda-feira, dezembro 28, 2015

Não foi um ano fácil. Foi um ano de tempestades. Vocês testemunharam-no. No inicio deste ano comecei uma viagem interior, penosa, mas necessária. Faltou-me a esperança inúmeras vezes... Tantas vezes. Os episódios de sorte ocasional tais como O Talento dos Pedintes foram poucos. Muito poucos. As dores, As cólicas da minha vida, foram maiores, foram superiores. E por doerem tanto fizeram-se pôr mãos à obra,  E a louca sou eu?. 

Foram precisos 3 anos, 1 mês, 1125 dias para eu perceber que não estava feliz. Foi preciso dar um volta de 360º graus, Isto é que foi um 31!, para perceber para onde é que eu havia de ir. Foi um caminho de perdas, Há gente que fica na estória da gente, de saudades, Tenho tantas saudades de ter uma avó, sempre à espera do amor, sempre à espera de quem me salvasse, Quando se ama alguém com depressão. Não se pode ter tudo. Não se pode ser perfeito. Mea culpa.

Por muito que me custasse só havia uma coisa a fazer, Dizer adeus às nossas estórias. Regressar não era andar para trás como eu pensava, não era de facto uma Descida de divisão. Eu sabia que queria vir, eu sabia que queria regressar, só não sabia uma coisa, E agora o que é que vai ser de nós?. Se calhar sabia. Lá no fundo, sabia. Voltei atrás.  Estou quase em Lisboa. Para seguir em frente. Segundo à minha psiquiatra eu não havia de chegar a lado algum, mas segundo a minha psicóloga, a viagem já tínhamos levantado voo, Psiquiatra vs. Psicólogo, (obrigada Dr.ª Susana pelo trabalho que fez comigo). 

Não encontrei a solução para tudo. Muitas vezes senti-me morrer na praia, mas sempre que isso aconteceu, parei e pensei: Vamos lá recapitular tudo outra vez CC. As pessoas que me acompanharam ao longo destes 3 anos, 1 mês e 1125 dias, não me deixaram cair. O que as mamas uniram jamais o homem pode separar. Se Valeu a pena voltar? Valeu a pena mudar. O que importa é que ao aproximar-me do final do ano consigo ver as diferenças. Estou tão mais tranquila. Ainda é cedo para cantar vitória, mas não é cedo para voltar a sentir-me bem comigo. Aproveitem a oportunidade que aí vem para serem felizes. Adeus 2015. 

#a jornalista

Especial Terceira Dimensão - Azores TV (André Leonardo)

domingo, dezembro 27, 2015


Fechámos 2015 com chave de ouro. O meu convidado do último especial de Domingo do Terceira Dimensão foi o jovem empreendedor terceirense André Leonardo. É difícil "apanhar" o André porque ele anda sempre de mala na mão, mas consegui roubar-lhe uns minutinhos às férias de Natal para ele vir falar connosco sobre a sua volta ao mundo. Foram 12 meses, 23 países, 126789 km, 143 change-makers. Tudo compilado no livro (que eu recomendo muito comprar) "Faz Acontecer". Difícil é diferente de impossível! Obrigada André por ter recordado contigo coisas surpreendentes sobre a condição humana! 

Azores TV é um órgão de comunicação social dos Açores, sediado na ilha Terceira. Podem acompanhar a produção diária através do facebook, ou através do canal da MEO 124432. Voltamos às estórias em 2016. 

#fora de casa

#RaboD'Pêxe (em Lisboa)

terça-feira, dezembro 22, 2015









Eu não gosto muito de falar de coisas que não conheço ou que nunca experimentei, mas vou arriscar única e exclusivamente porque as minhas raízes falaram mais forte. Os Açores estão cada vez mais na moda. Prova disso é novo restaurante da capital, o #Rabod'PêxeFilipe Rodrigues, antigo chef do SEA ME, é o responsável pela cozinha. O peixe, a carne e o marisco vêm directamente do atlântico norte para as mesas que esperam por vocês na zona do Saldanha.

"O nosso conceito une os produtos dos Açores a técnicas de cozinha portuguesa e japonesa. O peixe tanto pode ser escolhido directamente da montra e apresentado grelhado, simples, sem grandes malabarismos, como pode ser usado em gunkas, hot rolls, niguiris, uramakis e demais criação de inspiração japonesa, ou até combinado com carne." Parece que o menu "nem é carne, nem é peixe". É antes uma fusão de proteínas insulares que une o melhor dos (meus) Açores. Estou curiosa.

A carta de vinhos, da responsabilidade do escanção Amílcar Drummond, que trabalhou anteriormente no 100 MANEIRAS e no SEA ME, também promete. Tudo o que é dos Açores é bom, mas eu sou suspeita. O preço médio ronda os 25€. O espaço está aberto todos os dias das 12:00 às 00:00, na Avenida Duque d' Ávila, 42B, antigo Dell'Anima. Quando voltar a Lisboa, espero lá ir. Se entretanto visitarem o espaço antes de mim, façam-me chegar os vossos comentários. A matéria prima é boa, resta saber se eles sabem, de facto, aproveitá-la.

#a vida aos 30

Dos inícios

terça-feira, dezembro 22, 2015

Eu não acredito no amor à primeira vista. Não tenho a capacidade de olhar para uma pessoa e perceber se vou ser feliz ao lado dela. Mas há por aí quem diga que ele existe. Esta questão da natureza do amor assalta-me muitas vezes. As relações amorosas dão certo naturalmente, ou dão certo, porque trabalhamos para isso acontecer? Eu sempre me inclinei mais para a segunda hipótese. Para mim o amor é uma disciplina. Exige trabalho. Exige dedicação. Mas... Será que eu estou assim tão certa? Já tive relações, inclusive, com pessoas que acreditavam no contrário. Nos inícios felizes. Naturais. Incautos. Será que uma relação que não funciona naturalmente, desde o primeiro dia, está condenada? Digam-me vocês.

Quando o amor é uma disciplina corre-se o risco de se estrangular a magia. É verdade. Mas os casamentos não duram por obra e graça do divino espírito santo ou é assim tão fácil ser-se casado? Os casamentos duram por aquilo que as pessoas fazem. Por aquilo que as pessoas dão. Pela vontade que as pessoas têm. Eu não sou casada, mas acho que é assim que as coisas funcionam, pelo menos na teoria. Também é verdade que muitas pessoas alimentam relações inviáveis. Mais as mulheres do que os homens. Porquê? Acho que nós, mulheres, acreditamos demasiado em amores impossíveis. Difíceis. Perturbadores. Perdemos demasiado tempo com aquilo que não importa.

Estar ao lado de uma pessoa, e apesar de todos os factores apontarem como certo o fracasso, e mesmo assim continuar a insistir, é burrice ou é amor? (isto com livro de instruções era capaz de ser mais fácil). Cada caso é um caso. Se calhar os inícios felizes, ou a falta deles, são realmente importantes. Se calhar o amor não é nada daquilo que eu penso que é. Se calhar não tem de se trabalhar assim tanto para encontrar o "tal". Mas por muito que eu diga isso, eu não acredito. Eu não acredito no amor fácil... Se bem que eu gostava de experimentá-lo. Juro-vos que sim.

Se calhar as pessoas que acreditam nos inícios felizes apaixonam-se mais vezes. E desinteressam-se mais rápido. E as que acreditam nas relações que dão trabalho,  e que exigem disciplina, apaixonam-se menos vezes, mas durante mais tempo. Somos todos diferentes. E nenhum de nós sabe muito bem o que é isto do amor. Se calhar não é tão difícil quanto parece... se calhar não é assim tão impossível.

#a vida aos 30

O melhor de 2015

segunda-feira, dezembro 21, 2015

Nunca me passaria pela cabeça dizer-vos que as melhores coisas de 2015 foram as rupturas, as mudanças, as desistências e as paragens forçadas. Sempre achei que o melhor não podia ser construído a partir de sentimentos negativos. Mas pode. As melhores coisas que me aconteceram em 2015 foram isso. Foram feias. Na altura em que aconteceram não pareceram de todo boas. Mas, inevitavelmente, necessárias. E o que é necessário é difícil. É demolidor. All the great changes are preceded by chaos. Verdade. 

Recordo-me de uma frase que ouvi várias vezes e da qual duvidei ainda mais vezes: "quando deres o primeiro passo, o resto das coisas acontecem". Nunca me foi muito fácil acreditar que nós fazemos a nossa sorte. A pessoa que me disse isso, todas as vezes que me viu sem coragem, tinha razão. Quando viramos uma página, o resto (da estória) acontece. Sem me perguntarem em que momento eu virei a página, eu respondo-vos que foi no dia em que entreguei a minha carta de despedida. Dia 04 de Abril de 2015. O dia em que disse não. Em que disse basta. 

A partir daí, o resto aconteceu. No espaço, miudinho, de meio ano. O melhor de 2015 trouxe-me de volta a casa. O melhor de 2015 trouxe-me de volta a mim. Estou a aprender a cada dia que passa (a voltar) a ser feliz. Ao olhar para trás só posso dizer: ainda bem que o melhor de 2015 foi isto. Uma sequência de verbos nefastos. Romper, rasgar, parar, mudar, alternar, errar, andar para trás. AINDA BEM.

#a jornalista

Especial Terceira Dimensão - Azores TV (Madeleine Costa)

domingo, dezembro 20, 2015


Na quarta emissão do especial de Domingo do Terceira Dimensão tive o prazer de entrevistar a Madeleine Costa, Vintage Hairstylist. É claro que não perdi a oportunidade de lhe pedir que me pusesse com um "ar" mais vintage e entreguei-me nas suas mãos. A Madeleine é terceirense, mas vive actualmente em Lisboa e tem um atelier próprio, o MAD-moiselle Vintage Hairstylist onde todas vocês podem usufruir desta experiência formidável que é viajar no tempo através dos penteados. Adorei conhecer esta menina-mulher, cheia de garra, que rumou a Lisboa, de mala na mão, completamente sozinha, em busca dos seus sonhos. Genuína, autêntica, empreendedora. Foi um prazer Madeleine! Espero que tenhas muito, mas mesmo, muito sucesso!

Azores TV é um órgão de comunicação social dos Açores, sediado na ilha Terceira. Podem acompanhar a produção diária através do facebook, ou através do canal da MEO 124432. Acompanhem os nossos programas!  

#a vida aos 30

Ao meu afilhado que faz hoje 18 anos

sexta-feira, dezembro 18, 2015

O que é que se diz a uma pessoa que faz 18 anos?! (já não me lembro de ter essa idade). A madrinha vai tentar dar o seu melhor. Espero que daqui a 13 anos, quando tiveres a minha idade, te sintas um homem feliz. Nos entretantos, espero que possas fazer tudo aquilo que desejares fazer. Vais magoar-te. Não penses que não te ia dizer isso. Vais magoar-te bastante, mas também ficas a saber que quem tem a possibilidade de fazer quase tudo o que deseja fazer, é, inevitavelmente mais feliz. Espero que sejas corajoso. Que não renuncies, nem tenhas medo de viver.

Espero que possas dizer que não as vezes que quiseres, sem te sentires coagido a dizer que sim só porque sim. Espero que possas ser livre para pensar. Livre para escolher. Livre para amar. E ai de ti que partas o coração a alguma miúda... Afilhado, sê um cavalheiro, sempre. E sê verdadeiro. A mentira não é boa para ninguém, nem para quem a conta, nem para quem a escuta.

Espero que possas fazer aquilo de que mais gostas. Não sei se queres estudar ou não, mas isso pouco me importa. Importa-me que não desistas dos teus sonhos antes de começares. Tens de me prometer isso. Espero que dês importâncias às coisas pequenas da vida. Espero que te lembres sempre do teu sangue açoriano e que o leves contigo para onde quer que vás. Espero que não tenhas vergonha das tuas origens. As tuas origens vêm donde as minhas vêm e é por isso que estaremos para sempre ligados.

Espero que possas viajar pelo mundo. Espero que gostes muito de ouvir, e de contar, estórias. E se não for pedir muito, espero que ames os livros como eu os amei. Espero que te faças homem, mas continues um menino. O meu menino. O menino que eu segurei nos braços. Irrequieto. Temível. Furacão. É tão bom recordar-te. Não te entristeças com a idade, nem com os cabelos brancos que dizes ter (e que eu acredito que não se notem). Se a tua vida for uma vida bem vivida, não há nada com o que te devas entristecer. Eu vou estar de olho em ti a ver se fazes tudo direitinho. Muitos parabéns afilhado! A madrinha incomportada que escolheram para ti gosta muito, mas mesmo muito, da sua pessoinha!

#a vida aos 30

O verdadeiro espírito do Natal

sexta-feira, dezembro 18, 2015

Esta é mais uma estória de balcão como tantas outras que eu já vos contei. Estava no supermercado, no caixa, quando me cruzei com um (bom) amigo do meu pai. Este homem de quem vos falo, na casa dos 70, vive sozinho já há alguns anos, mas a solidão (ainda) é uma coisa que o assusta. Leio-lhe nos olhos a inquietude. Nota-se sempre quando alguém não vive descansado. Estivemos uns minutos a falar. Perguntei-lhe se já estava tudo preparado para o Natal. Disse-me que depois da mulher com quem casou morrer, tinha deixado de comemorar o Natal. E ciente de que ele próprio já tinha respondido a esta pergunta dezenas de vezes, repetiu-se uma vez mais, "Fazer uma árvore de Natal p'ra quê? Para mim?!"

"Sim, pr'a si." Enquanto lhe respondia passavam-me pela memória várias imagens do Natal do Ano Passado. Sozinha. Em Lisboa. Na minha casa. Não deixei de fazer árvore. E ciente de que eu própria já tinha respondido a esta pergunta dezenas de vezes, repeti-me. Porquê? Pr'a quem? Por mim. E para mim. Teria sido mais cómodo, e (sem dúvida) mais conveniente, ignorar que era Natal, mas não foi isso que eu escolhi. Apesar de estar sozinha, a minha opção foi permanecer de coração aberto, independentemente de ele estar ou não inteiro.

Na minha casa, na Terceira, o Natal é uma celebração muito banal. Os meus pais não são grandes fãs da data. Apesar das circunstâncias, há um esforço, pobre e comedido, para não se desistir. Percebo perfeitamente que o Natal faça mais sentido ao lado de determinadas pessoas. Acredito que seja muito, mas mesmo muito difícil substituir a presença daqueles que nos faltam à mesa. Mas, se não podemos trazer de volta quem queremos, o que é que resta do Natal? Um vazio. Um lugar comum. Um (des)consolo. Aquela que deveria ser a quadra mais bonita do ano, está posicionada lado a lado com a dor. O Natal reduz-nos às nossas insignificâncias... Confrontados com isso, não valemos nada. 

É por isso que eu gosto de pensar que o Natal está em nós. Em cada um de nós. E nós é que escolhemos o que é que fazemos com ele. É por aí que o Natal começa. Pela forma como decidimos celebrá-lo. Não temos de ser mais generosos do que aquilo que fomos o resto do ano. Não, não temos. Não me vendam esses enganos. Nem temos de sermos mais cristãos. Nem temos de amar o próximo, sem o poder suportar. O Natal não é isso. O Natal não é um penso rápido. O Natal é o que quisermos. E eu quero que o meu seja o de uma pessoa que sempre acreditou em milagres, apesar de não saber se eles são ou não verdade. Boas festas.

#a vida aos 30

Estou tão mais tranquila

quarta-feira, dezembro 16, 2015

Os meus 30 pareceram 60. Quem costuma vir aqui sabe (bem) como foi. Fui-me morrendo dia após dia. Eu sentia-o. Eu sabia-o. Mas não conseguia fazer nada para estancá-lo. Olhava para todo o lado e não me via. Não há pior coisa na vida do que permitir que um estranho, tão familiar, tome conta de nós. Do que é nosso. Daquilo de que somos feitos.

Foram-se os alicerces todos. Embirrei com a idade. E ela embirrou comigo. Não conseguia saltar para o outro lado. O lado que eu sempre conheci. Não conseguia. E levei meses sem conseguir. Levei meses em que a única coisa que senti foi tristeza. E por sentir apenas isso senti-me incapaz de sentir outras coisas. Porquê? Era eu que tinha deixado de sentir o mundo como o sentia antes? Ou era o mundo que me tinha deixado de sentir a mim? Morei em castelos de dúvidas tempo demais.

Eu queria saltar. Eu queria ir para o lado de lá, mas até o lado de lá me parecia duvidoso... A insegurança é um veneno. O salto custou-me alguns desgostos. Perdas inevitáveis. Ninguém consegue saltar muito se sentir pesado. E saltei. Não posso afirmar que do lado de cá está tudo como estava dantes. Muitas coisas mudaram. Não sei se foram só as coisas a mudar, ou se fui eu quem mudou mais. Ninguém deseja saltar se continuar igual.

Há 6 meses que deixei Lisboa. Há 6 meses que deixei o meu trabalho. Há 6 meses que deixei o meu namorado. Há 6 meses que estou do lado de cá. Há 6 meses atrás eu não sabia em que lado eu ia ficar, mas eu sabia para que lado eu queria ir. O nosso coração sabe sempre. Pela primeira vez na minha vida, os meus 30 não me incomodam. Pela primeira vez na minha vida sinto que fazem parte de mim. Estou a caminho dos 32 mais convicta, mais segura, e sem dúvida, mais fiel a minha própria. E devo-o apenas a mim. À vontade imensa de nunca ter desistido de saltar para o lado de cá.

#a vida aos 30

A chuva ouviu e calou

terça-feira, dezembro 15, 2015

A chuva e o vento continuam lá fora, mas a zanga entre ambos serenou. A vida volta à normalidade. Os açorianos já estão habituados a isto. Ao tempo. Aos temporais. Às tempestades. Não estão de todo habituados a uma natureza madrasta. Apesar das traições, os açorianos confiam na terra. E confiam em Deus, todo poderoso. 

Há uns dias atrás fui ao cabeleireiro. Ainda não chovia como tem chovido agora. A rapariga que me corta o cabelo olhou pela janela. Vi o olhar dela concentrar-se nos desenhos que a chuva fazia no vidro. Estava longe. "Era em dias assim que o meu pai se demorava a chegar a casa. Ele gostava tanto de andar à chuva. Vinha mais devagar só para poder sentir o orvalho no rosto." E calou-se. Com um sorriso escondido dentro de si. A chuva traz muitas recordações aos açorianos. Precisamos dela para nos despirmos. A chuva lava-nos a alma da melancolia que esta traçada no nosso fado.

Aqueço um chá e olho lá p'ra fora. A chuva e o vento ainda lutam entre si, mas as vacas voltaram aos pastos. E os donos delas também. As árvores ondeiam ao sabor do vento, mas resistem. Vejo lá ao fundo o aeroporto. E as centenas de tons de verde que se misturam. Ouço o som dos motores dos aviões que cruzam o céu e penso:  está tudo como devia estar. Tomara que a chuva nos leve as dores. Tomara.

#a vida aos 30

À espera de uma mãe

segunda-feira, dezembro 14, 2015

O vento cresce. E os nervos também. Quando as forças da natureza se manifestam, os açorianos podem muito pouco. Corro para a janela do meu quarto na esperança de ver algum avião chegar. Não vejo nada. As nuvens estão baixas de uma tal maneira que o cinza tomou conta do verde. Desisto de estar à janela. Estou inquieta. Não sei se a minha mãe chega ou não chega. Tenho o coração apertado. Cheio de nós. Tão pequenino.

Como é que eu pude fazê-la passar por ISTO durante tantos anos? Na esperança de me acalmar penso nos filhos que não tenho, mas que espero vir a ter. Filho meu não estuda lá fora. Ai não que não estuda. Está decidido. Deserdo-o se se lembrar de me fazer tal coisa. Os pais açorianos devem ter um coração muito resistente. Do tamanho do mundo. Só pode.

Ligo ao meu pai. Ele diz que está com medo. Pelos vistos, estamos todos com medo. Ligo à minha irmã, ela diz que o tempo não está para brincadeiras. Volto à janela. Continua tudo igual. Não vejo nada. Porra. Acendo uma vela junto às imagens dos santinhos que eram da minha avó materna. Costumava resultar quando eu vinha a casa de férias. Antes de entrar no avião, ligava sempre à minha mãe: "já acendeste?". Já, respondia-me ela.

A sério, como é que eu fui capaz? Viajar para os Açores sempre me meteu medo. O nosso Inverno pode ser muito ingrato para quem quer chegar a casa depressa. Não recebo mensagem nenhuma a confirmar se o voo chegou ou não. Ninguém me diz nada. Tomo banho. Visto-me. E sento-me ao computador. Entram-me pelo ecrã dentro imagens do mar a engolir a terra. Merda. Isto está feio. Levanto-me. Vou até à janela. Volto a sentar-me.

Antes dela entrar no avião disse-lhe para não vir, para ficar lá, em Lisboa, mas ela insistiu. E agora estou de coração nas mãos. É bom que chegues Maria de Fátima, é bom que chegues. As portas cá de casa dançam ao compasso das rajadas que se abatem sobre as casas. Os pássaros lá foram lutam contra o vento. Mãe onde é que tu estás? Mãe tu já devias ter chegado.

Liga-me o meu pai. "O avião chegou." Não acredito. Mando-o ir ver os ecrãs de informação para confirmar se é verdade ou não. "A tua mãe já me ligou". Pronto. O coração dilata e o sangue volta a circular com normalidade.  Ela liga-me. "Estou a caminho de casa". Oh Deus, quero tanto abraçá-la. Vem depressa.

#a jornalista

Especial Terceira Dimensão - Azores TV (Roberto Borges)

domingo, dezembro 13, 2015


Na terceira emissão do especial de Domingo do Terceira Dimensão tive a oportunidade de entrevistar o autor e actor Roberto Borges. Confesso que já o queria entrevistar há muito tempo. Para quem não sabe, ou não conhece, o Roberto é o autor e criador dos Fala Quem Sabe, um grupo de comédia de referência nos Açores. Penso que até agora foi a entrevista onde ri mais, mas ao lado do "Ramiro", ou melhor, do Roberto, era impossível não fazê-lo. Espero que se divirtam tanto quanto nós! Obrigada.

Azores TV é um órgão de comunicação social dos Açores, sediado na ilha Terceira. Podem acompanhar a produção diária através do facebook, ou através do canal da MEO 124432. Visitem-nos! 

#a vida aos 30

O que é que eu aprendi com o curso de empreendedorismo?

sexta-feira, dezembro 11, 2015

Aprendi que não devemos apostar em negócios que não tenham haver connosco. Aprendi que não vale a pena "investirmos" tempo e dinheiro em coisas que não nos dizem nada. Aprendi que o mais importante que retiramos dos negócios não é o quanto eles rendem, mas sim o quanto eles nos dão, e isso, são duas coisas completamente diferentes. São também as duas coisas que distinguem os empreendedores uns dos outros.

Aprendi que antes de tudo, antes dos cálculos, antes dos planos de marketing, antes das vendas, é preciso acreditar. Acreditar parece-me um requisito obrigatório para quem se quer tornar empreendedor. Acreditar é um passaporte. Se nós nunca tivermos a ousadia de acreditar em nós, vamos contentar-nos, (e conformar-nos), com aquilo que a vida nos der. Para algumas pessoas acredito que isso seja suficiente, mas para outras não. Aprendi também que empreender não é uma atitude exclusiva dos empresários. Todos nós devíamos olhar para as nossas vidas com olhos de empreendedor. 

Os nossos objectivos pessoais também são projectos de empreendedorismo (oh-se-são!). E muito sinceramente, esses são os projectos aos quais devíamos todos dar mais atenção... Devíamos preferir o que nos desafia ao que nos acomoda. Devíamos preferir o que nos muda ao que nos deixa iguais. Devíamos preferir aquilo de que gostamos àquilo de que não gostamos. É para isso que cá estamos. 

Aprendi, ainda, e não só agora, depois do curso, que empreender é um exercício que exige disciplina. Não se pode ser empreendedor sem treinar primeiro a mente. Não se pode ser empreendedor sem se estar em forma. Não se pode empreender sem se estar inteiro. Quando se está inteiro, é mais fácil acreditar, é mais fácil mudar e é mais fácil escolher aquilo de que se gosta em detrimento daquilo que não nos diz nada. E não se preocupem se ainda não sabem ou não descobriram aquilo de que vocês gostam... Estar disposto a deixar para trás o que nos incomoda e ir à procura do que nos falta já é por si só um óptimo projecto de empreendedorismo. Boa sorte.

#a vida aos 30

O Linkedin não é o melhor sítio para engates

quinta-feira, dezembro 10, 2015

Por falar em redes sociais... Ultimamente tenho sido abordada por uns Ti Josés de meia idade no Linkedin. E não, não são possíveis empregadores. (Isso era bom demais). São senhores a quem não lhes foi explicado para que é que serve o Linkedin, a maior rede profissional do mundo. Caso existam dúvidas, eu clarifico: o Linkedin não é a melhor opção quando os objectivos primordiais de utilização de uma rede social forem os engates (fáceis). Para isso, recomendo, vivamente, o Fuckbook, ups, o Facebook quero eu dizer

Recebo emails do género: "é muito bonita" e apetece-me responder: "e isso é um requisito obrigatório para o tipo de recrutamento que está a fazer?". Eu não costumo usar as redes sociais para andar no engate, mas há quem o faça. A única vez que adicionei alguém no Fuckbook, ups, no Facebook, sem conhecê-lo de lado nenhum e com intenções de perceber até onde a coisa ia, a coisa não foi muito longe. Costumávamos falar, ocasionalmente, até que um dia, ele disse que tinha de se ausentar da conversa porque ia fazer sopa. Não me aguentei. Morri a rir (e voltei a ressuscitar). Se o tipo tivesse dito que ia fazer uma Pavlova eu tinha-lhe dado o devido crédito, mas não, ele trocou-me por uma sopa. Espero que lhe tenha caído bem. 

As redes sociais potenciam uma realidade aumentada. Nós não somos o que lá postamos (e ainda bem!). E relativamente ao Linkedin, acho-o uma grande treta. Pode até funcionar noutros países, mas em Portugal custa-me a acreditar que seja utilizado como manda a etiqueta original (há alguém que já tenha conseguido emprego através do Linkedin?! eu não conheço ninguém!). Xiiii, de repente lembrei-me que ainda sou do tempo do Hi5, quem é que se lembra? Com o Hi5 também conheci um moço, dessa vez chegámos mesmo a tomar café, (ainda bem que ele não gostava de cozinhar), mas ficou por aí. Tenho uma amiga que me recomendou, agora que estou na Terceira, aderir ao Tinder. Hmmmm, passo. Aqui, "engatam-se" homens é nas touradas. Gente do campo não é muito dada às novas tecnologias. Somos mais dados a passar a mão no pêlo sem muita cerimónia. 

E está tudo dito. Deixem-me ir ver se há algum contacto novo no Linkedin... De alguém que não seja formado "na escola da vida", por favor. Normalmente é daí que vêm as frases feitas e os convites para sair. Senhores, eu só estou interessada naquilo em que (todas) as mulheres estão todas interessadas: nos rendimentos. Desculpem lá!

#a vida aos 30

Os meus pais são uns grandes nerds

quinta-feira, dezembro 10, 2015

Quando chega ao Natal os apelos à solidariedade em nome individual triplicam. O advento é uma espécie de campanha eleitoral. Uma pessoa "perde-se" com tanto por onde escolher. Há muitos anos que eu sou solidária (e aposto que muitos de vocês são pessoas para serem solidários como eu sou). Querem saber como? Ora muito bem, há vários Natais que dou aulas de novas tecnologias para adultos. Tenho um formando que, infelizmente, tem reprovado em todas as tentativas que faz, mas que nunca perdeu a vontade de aprender mais. Esse aluno chama-se PAI.

Nos primeiros anos tivemos de dominar a técnica de escrever mensagens no telemóvel (o meu pai gosta muito de cumprir o protocolo, ai dele que não responda, personalizadamente, a cada mensagem que lhe enviam). Depois de ter aprendido o procedimento para enviar mensagens com relativo à vontade, conseguimos chegar a um acordo: uma mensagem pro forma para toda a gente. Quando a coisa parecia ir no bom caminho, regredimos um bocadinho. Os telemóveis deixaram de ter teclas e isso veio dificultar o processo. O meu pai, (de quem eu herdei grande parte da minha formosura), tem os dedos gordos. Pessoas com dedos gordos têm mais dificuldade a escrever em telemóveis touch-screen. Se o telemóvel tivesse vida própria já tinha feito queixa por maus-tratos e violência doméstica a laia da pancadaria que o meu pai lhe dá. Levámos mais não sei quantos anos para dominar o bicho. Quando eu pensei que as coisas estavam tranquilas, e que ele, já a pensar na reforma, ia deixar-se de frescuras, vai o homem e cria uma conta de facebook. SOCORRO!!!! A sério, ajudem-me!!!!

Não sei o que é que hei-de esperar do que aí vem... O facto de ele ter criado uma conta de facebook ainda se torna mais perigoso por ele não usar óculos. Ou melhor, ele usa, mas não os põe. Já o apanhei com uma lupa a tentar identificar as fotografias de perfil dos amigos da tropa. Às vezes pergunta-me pr'a que é que serve aquele espaço em branco que diz "escrever um comentário" e quando comenta não percebe porque é que algumas pessoas aparecem a comentar a mesma coisa do que ele. Hmmmm, prevejo um longo caminho até conseguirmos domesticar a máquina do Sr. Zuckerberg. Recentemente ficou muito aflito porque ao invés de "adicionar um amigo", o dedo, gordo, escorregou para o lado, e ele eliminou-o. Queria telefonar-lhe a pedir desculpa. Menos pai, menos. Os sexagenários levam estas coisas muito a sério, mal sabem eles da balbúrdia que pr'aí anda nas redes sociais.

Com a minha mãe, a introdução nas novas tecnologias decorreu de uma forma mais suave, sem grandes percalços. Agora ela ri-se dele porque ele não sabe nada... Isto ainda vai acabar em divórcio (já vi casamentos dissiparem-se por coisas mais pequenas). Duvido que eles saibam vir até aqui direitinhos, mas caso venham, estou muito orgulhosa de vocês (vai na volta ainda fico sem prenda de Natal por estar a expor em demasia a iliteracia familiar). Tudo na paz, viu?! Um "ganda" like para vocês! (não sabem o que é? eu depois explico!).

#a vida aos 30

O Primeiro Beijo

terça-feira, dezembro 08, 2015

Vocês lembram-se do vosso primeiro beijo? Eu lembro-me muito bem do meu. Este regresso a casa também me traz lembranças dessas, mais não seja pelo facto de me ter reencontrado com o autor desse crime. Foi numas Sanjoaninas, no concerto dos Pólo Norte, (esse grande grupo musical), ao som de "estou a aprender a ser feliz". O que é que uma miúda, de 14 anos, pode querer mais do que isso? O rapaz por quem eu era apaixonadíssima, dançou comigo, roubou-me um beijo e perguntou-me se eu estava feliz. Feliz?! Eu estava eufórica por dentro. Toda eu eram fogos de artifício. Toda eu era o desfile da Beija-Flor no sambódromo do Rio.

O estado de transe no qual eu entrei durou pouco. Acabou, mais concretamente, no dia seguinte quando eu percebi que o autor do crime era reincidente. Mas valeu a pena. Acho que os meus netos vão gostar de ouvir esta estória, embora suspeite que eles nunca saberão o que é viver a contar os dias para chegarem as Sanjoaninas. Há 17 anos atrás andávamos todos com a freveleta acesa. Ricos tempos. E bendita inocência.

Gostei tanto de revê-lo. Não falamos. Depois do beijo, e do desfecho trágico do romance, falámos apenas uma vez (vêem, nem toda a gente fala com toda a gente cá na ilha). Reencontrámo-nos no teatro, à saída de um espectáculo. Ele está exactamente igual, com menos cabelo claro, mas atenção, não é por ser careca, é porque há 17 anos atrás ele tinha o cabelo grande. A bater nos ombros. Louro. De olhos azuis. Com um leve travo a SG Ventil nos lábios. Lembro-me tão bem disso. E o capacete sempre na mão. Quando eu ouvia o som de uma mota, o coração disparava. Bolas, a reincidente sou eu.

Não sei se ele casou. Se ele teve filhos. Se ele continuou a roubar beijos às moças da Terceira, mas soube-me tão bem voltar a vê-lo... Também não sei se ele sabe que aquele beijo foi o meu primeiro beijo. Não sei se ele sabe que partilha comigo uma coisa única: os primeiros sentimentos. Aqueles que dificilmente se voltam a repetir. Aqueles que são únicos e especiais. Há 17 anos atrás estávamos tão vazios de tudo, ansiosos por viver no limite. Hoje estamos tão cheios de tudo, cansados de viver no medo. Foi tão bom, oh meu Deus, foi tão bom! 

#a vida aos 30

Porque é que eu não tenho um quadro com carinhas?

terça-feira, dezembro 08, 2015

Antigamente, os pais, (pelo menos os cá da ilha), costumavam levar os seus rebentos ao fotógrafo todos os meses. Quando as crianças completavam um ano, escolhiam as melhores fotos e compilavam-nas num quadro gigante cheio de efeitos marados. A obra de arte que testemunhava a evolução da descendência própria costumava servir de decoração às "salas de jantar-museu", aquelas salas cheias de bibelots que todo o bom terceirense tem, mas que na realidade nenhuma família utiliza. Ora muito bem, há um mistério por desvendar: eu não tenho um quadro desses. Porquê, pergunto eu.

Levanta-se a forte possibilidade de eu ter sido adoptada. Os meus pais podem ter-me "adquirido" já com uma certa idade e por isso perderam a oportunidade de me fotografar nos primeiros meses de vida. Até podia ser verdade, mas a minha irmã, a única testemunha àquela data com a qual eu posso contar, diz que se lembra de mim. Da minha chegada a casa. E da forma convincente como roubei a atenção dos meus pais. E do dia em que me tentou asfixiar. Bom, isso já são outras estórias. Se calhar os meus pais não tinham dinheiro para ir todos meses ao fotógrafo. Se calhar os meus pais eram apenas uns pais bem modernaços para o seu tempo e resolveram não tirar essas fotos para pouparem os filhos, neste caso filhas, de serem bombardeadas, repetidamente, com os comentários maldosos dos familiares mais próximos (já imaginaram o que é ter todos os anos a família inteira a gozar com vocês na noite de Natal? é dose! não há abafadinho que dê!). Naaaaa, é provável que tenha sido mesmo por falta de dinheiro.

No entanto, e para se redimir dessa falha tão grande, a minha mãe, com a melhor das intenções, resolveu emoldurar uma fotografia minha com 14 anos. Não sei o que é que é pior, se um bebé nu, tipo boneco michelin, virado de papo p'ró ar, se uma adolescente cuja testadeira parece um verdadeiro mapa de erupções vulcânicas... Para além do acne evidente, tenho ainda um penteado estranho, (parece-me um apanhado meio desfeito), e ao que tudo indica estou embrulhada num xaile... Respeitinho, ok? A adolescência é uma fase muito tramada. Felizmente agora as coisas estão um bocado mais evoluídas, os nossos, vossos filhos, não vão ter de passar por estas humilhações, certo? (ou há por aí alguma mãe fã do kitsch?) Às tantas tou eu pr'aqui a mandar bitaites e ainda faço uma desgraça destas quando tiver um "CCzinho"! 

O resto dos registos fotográficos, (o dia da comunhão solene, os disfarces falhados de 25 carnavais, a boca sem o para-choques da frente), estão todos (bem) arrumados. Pode ser que um dia até vos chegue a mostrar alguns... Quando formos mais íntimos. Tá combinado.

#rapidinhas

Carta ao Pai Natal (Com Asas)

segunda-feira, dezembro 07, 2015

Querida TAP, SATA, RYANAIR e EASYJET, dado que desde que eu estou nos Açores já mobilizei 5 pessoas para me virem visitar e visto que essas 5 pessoas não só visitaram a Terceira como também foram conhecer as ilhas vizinhas, não dá para vocês me oferecerem nada em troca?! Um voucher, umas milhas extra, quiçá até uma viagem (em executiva, pode ser?). Eu por mim só, não consigo auto proclamar-me monumento de interesse público, por isso vejam lá o que é que vocês podem fazer para que eu continue a angariar turistas para os Açores. Agradecida, sim?! P.s - portei-me muito bem (só mandei a minha ex-chefe umas quantas vezes p'ró diabo, mas tudo mentalmente, juro! ah, e sou capaz de ter dito umas mentirinhas, pequenas, claro!) Feliz Natal e Boas Festas!

#rapidinhas

Não há sensação que se compare

segunda-feira, dezembro 07, 2015

À de uma mulher conseguir entrar dentro de uns jeans que não lhe serviam.
É uma pena que as desilusões amorosas nunca me tenham dado para deixar de comer.

#a jornalista

Especial Terceira Dimensão - Azores TV (Tânia Ferreira)

domingo, dezembro 06, 2015


A segunda emissão do especial de Domingo do Terceira Dimensão teve como convidada a escritora e socióloga terceirense, Tânia Ferreira. Foi um prazer enorme conversar com a Tânia sobre uma paixão que eu também tenho: a escrita. "Almas-me" é o primeiro livro da escritora e resulta da compilação de um conjunto de textos elaborados para a publicação em jornal. Os seus contos incidem sobre assuntos mundanos do quotidiano. Procuram agitar consciências e levar-nos pelo caminho da reflexão. Foi um prazer redescobrir que a palavra continua a ser uma ferramenta poderosa. Obrigada Tânia!

Azores TV é um órgão de comunicação social dos Açores, sediado na ilha Terceira. Podem acompanhar a produção diária através do facebook, ou através do canal da MEO 124432. Acompanhem os nossos programas!

#a vida aos 30

O Natal do Ano Passado

sábado, dezembro 05, 2015

Não gosto muito de me lembrar do Natal do ano passado. Passei o Natal em Lisboa duas vezes. Da primeira vez, jurei que não repetia a segunda. Da segunda, jurei que não existiria a terceira. Da primeira vez, os meus pais apareceram-me de surpresa em casa (salvaram-me o Natal!). Da segunda, ninguém me apareceu à porta (nem mesmo o meu ex-namorado, na altura, namorado).  Ao contrário do que ele pensa, eu não vos conto estas coisas para vocês terem pena de mim. Nem vos conto estas coisas para fazer dele o mau da fita. Eu conto-vos estas coisas para sarar as feridas que carrego comigo. A escrita é a minha terapia favorita.

Durante os dias que correram entre a noite de Natal e o Ano Novo, o ano passado, eu tomei a decisão de mudar a minha vida. A partir de então o Natal não me diz muito. Nem sei quando voltará a dizer. O blogue onde vos escrevo foi a grande companhia desses dias cinzentos. Foi o trabalho ingrato de purgar à noite tudo o que acumulava durante o dia que me ajudou a manter uma coisa que é muito fácil de se perder: a esperança. Foi a dedicação, qualificada como exagerada por alguns, à única paixão que resistiu a todos os vendavais da minha vida, que me aguentou com a cabeça levantada... Ainda que o coração estivesse fechado. Se eu tivesse parado de escrever não imagino sequer o que teria sido de mim...

Eu defendi e continuo a defender o meu blogue até à última, como defenderia todas as coisas que são realmente importantes para mim. Por causa dele cheguei às barras dos tribunais (grande filme!). E como se isso não bastasse, o meu ex-namorado, à data de hoje, ainda refere o blogue como o grande responsável pelo fim da nossa relação. Eu sei que ele sabe que isso não é verdade, mas também sei que ele gosta de me atingir nos pontos certos. As pessoas não entendem o esforço que eu fiz para defender a única coisa que me fazia realmente feliz. Estou cansada das discussões que duram até hoje. Dos acertos de contas "eu dei isto, tu não deste aquilo; eu fiz isto, tu não fizeste aquilo". Dos votos de silêncio obrigatórios e dos lápis azuis. Eu escrevo para sarar as feridas que era suposto não ter. E não aceito, nem permito, que me queiram fazer sentir mal por isso.

Quem não tem uma paixão na vida dificilmente compreenderá as que os outros têm. Dificilmente aceitará dividir atenções com ela. Dificilmente a apoiará. É essa a razão pela qual alguns de nós decidem seguir caminho sozinhos. Porque sozinhos não sentem a falta que os outros fazem. Quem muito se ausenta, chega uma hora que deixa de fazer falta. Eu não sei se passarei um terceiro Natal sozinha... Mas se tiver que o fazer, quero muito que seja por opção e não por falta de amor. Quem ama não faz isso. Quem ama esquece. Quem ama perdoa.

#nas palavras dos outros

41 Lições de vida escritas por um nonagenário

sexta-feira, dezembro 04, 2015

1. A vida não é justa, mas é maravilhosa.
2. No caso de dúvida, dê o passo seguinte.
3. A vida é demasiado curta para não nos divertirmos.
4. Os vossos trabalhos não vão tomar conta de vocês quando adoecerem. Os vossos amigos e família sim.
5. Não comprem coisas das quais não precisam.
6. Não precisam de ganhar todas as discussões. Mantenham-se fieis a vós mesmos.
7. Chorem junto com alguém. As feridas saram mais depressa.
8. É normal ficar zangado com Deus. Ele aguenta.
9. Poupem para as coisas que realmente importam.
10. Quando o assunto é chocolate, resistir é uma parvoíce.
11. Façam as pazes com o passado.
12. Não faz mal os vossos filhos verem-vos chorar.
13. Não comparem as vossas vidas às dos outros.
14. Se uma relação tem de ser secreta, vocês não deviam estar nela.
15. Tudo pode mudar num piscar de olhos, mas não se preocupem, Deus nunca pisca os olhos.
16. Respirem fundo.
17. Libertem-se das coisas que não precisam.
18. O que não nos mata, torna-nos, efectivamente, mais fortes.
19. Nunca é tarde para ser feliz (it's all up to you).
20. Quando se trata de ir atrás daquilo que amamos, não aceitem um não como resposta.
21. Acendam as velas, usem os lençóis de seda, comprem uma lingerie cara. Não esperem pela ocasião certa.
22. Preparem-se. Seja para o que for.
23. Sejam excêntricos agora. Não pintem o cabelo de roxo quando forem velhos.
24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
25. Ninguém é responsável pela vossa felicidade a não ser vocês.
26. Escolham sempre a vida.
27. Forgive but don't forget.
28. O que outros pensam não importa.
29. O tempo cura quase tudo.
30. Por mais negativa, ou positiva, que seja uma situação, ela não será sempre assim.
31. Não se levem demasiado a sério.
32. Acreditem em milagres.
33. Growing old beats the alternative - dying young.
34. Os vossos filhos só têm uma infância.
35. O que realmente importa no final é o quanto vocês amaram.
36. Saiam de casa todos os dias. Não se refugiem. A vida espera lá fora.
37. Se todos atirássemos os nossos problemas para um monte, quando víssemos os dos outros, íamos buscar os nossos de volta.
38. A inveja é uma perda de tempo. Aceitem o que têm, não o que queriam ter.
39. O melhor ainda está para vir...
40. No matter how you feel, get up, dress up and show up.
41. Gritem.

#a vida aos 30

Amor de mãe (também) é isto

quarta-feira, dezembro 02, 2015

Abrir uma garrafa de vinho tinto ao jantar toda ela só para mim.
(contei-lhe hoje que o meu ex, [criaturinha em que ainda não deixei de pensar], tem uma nova amiga colorida)
Ela deve ter pensado: "só com comprimidos isto não vai lá".
Obrigada mãe, tu sabes melhor do que ninguém aquilo de que eu preciso.

#a vida aos 30

O bom principio de acreditar nos outros

quarta-feira, dezembro 02, 2015

O título não é meu, [é da Sílvia Oliveira, directora executiva do Dinheiro Vivo], mas despertou-me a atenção. Num artigo sobre o sucesso dos novos empreendedores portugueses destaca-se a importância da concorrência saudável, "nós [os empreendedores] somos muito próximos. Falamos bem uns dos outros. Não nos vendemos por vender, mas porque acreditamos uns nos outros" (Filipa Neto da Chic by Choice). Eu, que sou muito céptica nestas coisas, custa-me a acreditar que sim.

13 anos na grande capital não me dão razões para defender o contrário. "Botar abaixo o outro" é muito nosso. É cultural. E é lamentável. A maioria dos empreendedores com quem trabalhei nunca falaram bem dos outros (em alguns casos, nunca falaram bem dos seus). Falaram sim dos 1001 esquemas que tinham arquitectados para dar cabo da concorrência (como se isso fosse possível). A concorrência não é uma coisa negativa, mas é difícil explicar isso às pessoas, principalmente aos empreendedores. Não costumam dizer que a crise é uma oportunidade? A concorrência também o é. 

Os melhores empreendedores são aqueles que estão concentrados no seu negócio, independentemente do(s) vizinho(s) do lado. Na Terceira, por exemplo, anda tudo à caça do empreendedorismo fácil, "se deu certo para aquele, também dará para mim". Errado. O empreendedorismo não é uma roleta russa. Mas não é só nos negócios que as pessoas se comportam assim. As pessoas falam mal umas das outras a torto e a direito. Não vale a pena. Não vale mesmo a pena. Tal como vos escrevi ontem, os outros não têm a culpaVamos todos fazer o esforço para acreditar mais nos outros? O mundo agradece.

#a vida aos 30

Os outros não têm a culpa

terça-feira, dezembro 01, 2015

Há uns meses atrás conversei com uma empresária da Terceira que me disse o seguinte: "se as pessoas não entram no meu estabelecimento a culpa é minha, não é dos outros. Não vou ficar à espera que o tempo mude, nem que a crise passe... Sou eu que tenho de mudar, sou eu quem tem de fazer com as pessoas entrem e queiram regressar." Nem toda a gente pensa assim. Culpar os outros do nosso insucesso é (bem) mais fácil do que admiti-lo. Nas últimas semanas, (e depois de ler muito do que escrevi), percebi que estava a usar as minhas forças de forma errada. Estava a usá-las para alimentar sentimentos negativos como a revolta, a mágoa, a crítica... Estava a alimentar o problema e não a resolvê-lo (é assim que se formam as bolas de neve que nos atropelam de quando em vez).

Alimentar problemas é uma mania que muitos de nós temos (principalmente as mulheres). Se utilizássemos a energia toda que gastamos a culpar o mundo, éramos bem capazes de virar o jogo a nosso favor, não acham? É preciso encontrar um meio termo. É preciso aceitar aquilo que não podemos mudar, mas também é preciso coragem para mudar o que for possível. Às vezes por não conseguirmos mudar certas coisas, interiorizamos que também não temos o que é preciso para mudar outras, mas isso não é verdade. Nós somos responsáveis pela nossa vida. Nós. Não os outros. 

Ocorreu-me desistir (oh se meu ocorreu). Resignar-me. Revoltar-me. Dizer em jeito de blasfémia que já tinha feito tudo o que era possível fazer (mentira). Apeteceu-me deixar tudo como estava. Mas pr'a quê? Não ganho nada com isso. Não ganho nada em culpar os outros daquilo que eu não consegui fazer. Continuo à procura de emprego. Continuo a semear para colher. Continuo à procura daquilo que me faz feliz. Continuo. Parar é assumir que não conseguimos fazer mais nada e não há nada pior na vida do que seguir em frente sem ter a certeza que fizemos tudo o que havia para fazer. Pensem nisso.

#é só estilhe

Pareço mais gorda na televisão?

segunda-feira, novembro 30, 2015

É uma questão recorrente. Toda a gente me pergunta se a caixinha mágica, da qual a grande maioria de nós é dependente, aumenta ou não aumenta visualmente as proporções de quem aparece nela. Não sei de onde é que surgiu essa ideia nem como se começou a debatê-la, mas para mim não passa de um mito. A televisão não faz ninguém parecer maior (embora as "estrelas" gostem de dizer que sim). 

Em Portugal, e um pouco por toda a Europa, ainda vivemos concentrados na imagem do outro. Não é à toa que a maioria das apresentadoras portuguesas seguem um determinado padrão e também não é toa que são escolhidas, normalmente, mais pelo aspecto físico do que pelo seu próprio talento ou formação. Nos Estados Unidos, ainda que a pressão sobre a imagem também exista, e atinja graus incomportáveis de subjugação, os critérios para dar o prime-time a alguém são outros... O melhor exemplo que me ocorre é o da Oprah Winfrey

Seria possível em Portugal termos uma apresentadora assim tão "grande"? Duvido que sejamos suficientemente maduros para promover isso, mas gostava de acreditar que num futuro, bastante próximo, seríamos (todos) capazes de o fazer. Claro que quem aparece na televisão quer estar bem (e parecer bem). E há formas de se conseguir isso, (os aderecistas e os responsáveis de guarda-roupa dos canais de televisão desempenham um trabalho importantíssimo na hora de pôr toda a gente dentro das medidas certas). Não digam que eu vos contei, mas a maioria das senhoras da televisão usam peças modeladoras, eu incluída!

Quando me lançaram este desafio para assumir o especial de Domingo do Terceira Dimensão, alguém me perguntou: "e vais aparecer na televisão assim tão gorda?". Não só estava convicta de que o ia fazer, como efectivamente o fiz. Estar "assim tão gorda" não me incomodou absolutamente nada. As pessoas têm uma ideia errada sobre quem tem peso a mais... Associam sempre a palavra infelicidade a quem tem uma barriguinha mais proeminente. Porque é que não podem existir gordos felizes? 

É óbvio que estar acima do peso me incomoda. Incomoda-me porque a roupa (apertada) se torna desconfortável, mas termina aí. Se eu fosse uma pessoa frágil e se eu tivesse dado ouvidos a quem me disse isso, provavelmente eu não me teria atirado pr'a frente como me atirei. Sentirmo-nos bem connosco mesmos não é (apenas) uma questão física, é uma questão mental. E a nível mental eu estou muito bem, obrigada!

#a jornalista

Especial Terceira Dimensão - Azores TV (José Esteves)

segunda-feira, novembro 30, 2015


Lançaram-me o desafio e eu aceitei. É um orgulho poder contar "estórias" cujos protagonistas são pessoas da minha terra. O primeiro convidado do especial de Domingo do Terceira Dimensão foi o cantador terceirense, José Esteves. O José é um jovem agarrado à terra que o viu nascer. É um jovem que se recusa a ir embora, que se recusa a "perder uma parte dele". O José ganhou o gosto de subir aos palcos ao lado de outros cantadores com mais idade (e com mais experiência). A arte (e a tradição) da cantoria açoriana revitalizou-se nos últimos anos por causa de jovens como ele. Seria uma pena perder a oportunidade de conversar com o José Esteves. 

A Azores TV é um órgão de comunicação social dos Açores, sediado na ilha Terceira. Podem acompanhar a produção diária através do facebook, ou através do canal da MEO 124432. Espero ter-vos como público. Obrigada!

#a vida aos 30

Valeu a pena voltar?

sexta-feira, novembro 27, 2015


As pessoas continuam a olhar-me com espanto. "Olha, voltou". Já perdi a conta a todos os "estás cá de vez?". Fazem previsões sobre o (meu) futuro sem que ninguém lhes peça, "E se não encontrares nada para fazer, vais ficar?". Acham-se no direito de terem respostas. Não as tenho. Não as dou. Não sei como vai ser o dia de amanhã. Só sei que vale a pena fazermos aquilo que o nosso coração nos pede. Quando nos pede.

Tive medo, (claro que tive). Tive receio de ir contra todos. Contra mim. Será que me ia aguentar? Faltava-me coragem. Faltava-me aceitar aquilo que sentia. Todos os passos que dei durante este processo, (desde despedir-me até voltar aos Açores), foram dados com medo. Mas foram dados. Não foi fácil. Não está a ser fácil. Aqueles que nos são próximos são os primeiros a ficar para trás. Porque não nos apoiam. Porque não nos entendem. Porque às vezes nos invejam. Seguimos sozinhos agarrados a uma nesga de nada. Nada.

Vale a pena voltar. Vale a pena (re)começar. Vale a pena mudar. Sempre e quando nos sentirmos infelizes. Sempre e quando acharmos que o devemos fazer. Quando mudamos as pessoas querem sempre saber porquê, para quê. Aos dias de hoje eu ainda não sei concretamente o que é que me faz feliz, eu só sei que há um ano atrás deixei de me sentir bem no sítio onde estava e apesar de ter desprezado o meu desconforto meses a fio, arranjei coragem para não continuar a ignorar aquilo que precisava de enfrentar. Pedi ajuda a quem me podia ajudar. E fui aguentando os golpes que o adversário, eu mesma, desferia. 
 
Eu quis mudar porque não gostava da pessoa em que me estava a tornar. Não foi fácil. Não está a ser fácil. Quando estamos infelizes entramos num processo de anulação tão forte que nada nos importa. Não nos importa o amor. Não nos importa a vida. Nem sequer nos importa a dor. Fazemo-nos de fortes. Podemos com tudo. E não podemos com nada. E tudo nos passa ao lado porque não aceitamos que nos passe por cima. Estilhacei-me. E foi por isso que parei. Parei para me recompor. Para recuperar cada pedacinho que faz parte de mim.

Não sei como será se não encontrar nada para fazer. Não sei se fico. Não sei se vou. Só sei que não quero voltar a deixar de fazer aquilo que o meu coração me mandar fazer. Quando me mandar fazer.