#amor em Lisboa

#Bom fim de semana! [+6 estórias]

sábado, janeiro 31, 2015


1. Fim de semana combina bem com uma snack assim: pêras assadas com mel e queijo de cabra... humm que delícia! 2. Tem a certeza que sabe quem é o último fenómeno infantojuvenil da actualidade? 3. 52 lugares para visitar em 2015. 4. E se o Facebook tivesse um assistente digital que alertasse os utilizadores para as imagens que os possam comprometer? As selfies nunca mais serão a mesma coisa... 5. Uma frase para quem ainda não aproveitou os saldos. 6. Amor em Lisboa. A partir do próximo dia 14 de Fevereiro os lisboetas poderão colocar um cadeado com uma mensagem de amor na praça do Rossio à semelhança do que acontece na ponte de Paris. Os cadeados custarão 3€, valor que reverte a favor da Associação Dê Mais Coração- Movimento Daniela. Love is in the air, love is in the air, oh, oh, oh...

#a vida aos 30

#Salvem a(s) Kátia(s) Vanessa(s)

quinta-feira, janeiro 29, 2015


Consta que nos anos 80 era moda "baptizar-se" os filhos com dois nomes próprios, como se um por si só, mal escolhido, já não fosse o suficiente. Para nós, filhos, a composição de nomes funcionava como um sinal de alarme... Mal o pai ou a mãe gritassem em mezzosoprano: "Sandra Cristina!", "Carla Patrícia", "Bruno Emanuel" ou "Jorge José" uma pessoa já começava a tremelicar das pernas porque sabia que o grito dos progenitores significava algo mais. 

É claro que a minha mãe faz parte desse grupo de mães cheias de criatividade. A estreia da sua capacidade representativa ocorreu em 79 quando a minha irmã nasceu. Se dúvidas restavam em relação ao bom gosto que uma pessoa pode ter, em 84, comigo, voltou-se a repetir a mesma classe de 5 anos antes. E não, não vou revelar quais são os meus nomes... [o segredo é a alma do négocio]. Diz a minha mãe que ambos os nomes foram atribuídos por causa de umas tais telenovelas brasileiras que passavam na altura, mas a mim, dado a afinidade da consonância, eu atribuo-os mais às dores do parto do que a outra coisa qualquer.

E não, a minha irmã não se chama Gabriela e eu não me chamo Tieta embora eu tenha nascido assim, crescido assim, sou mesmo assim e vou ser sempre assim, sempre. O problema é que ao ler este artigo do Público, fiquei extremamente triste. A famosa combinação Kátia Vanessa parecer estar extinta. Como é que isso é possível? Expliquem lá se faz favor... É que nos anos 80 isso era tão in como são hoje em dia as Marias Franciscas e os Franciscos Marias. Parece que em 2014 as Marias, as Matildes e as Leonores formaram o top 3 da lista de nomes femininos que mais vezes foram registados, enquantos que os Joões, os Rodrigos e os Franciscos ocuparam os três primeiros lugares do ranking masculino. Que falta de originalidade! Já ninguém vê telenovelas brasileiras, ou quê?

Continuam a haver combinações interessantes, Yaras Filipas e Letícias Sofias, Santiagos Alexandres e Diegos Miguéis, mas nada que ultrapasse uma Kátia Vanessa, diga-se de passagem. Portanto, meninas nascidas em 70 e 80 que agora andam a desovar, nada de epidurais, ok! Umas doreszitas a frio e a coisa sai tão boa quanto a tradição dos bons tempos áureos. E para os mais cuscos, aqueles que estão mesmo ruídos de tamanha curiosidade, posso deixar escapar que a minha mãe na altura de me dar o nome não só se lembrou de uma personagem de uma telenovela brasileira como também vislumbrou um futuro brilhante no mundo da música popular portuguesa. Nem toda a gente pisca-pisca da forma certa. 

[photo credits: via]

#a vida aos 30

#Então, as mulheres já não engordam pelo Natal?

terça-feira, janeiro 27, 2015


Aqui há dias alguém se lembrou de proclamar a 3ª segunda-feira de Janeiro como a mais triste do ano. O cálculo para se chegar até essa conclusão, [para mim completamente inútil], considera vários factores, sendo dois deles o tempo que passou desde o Natal e o período percorrido desde que foram formuladas as resoluções de ano novo, que invariavelmente, ficaram por cumprir [ou talvez não... tenho esperança de que ainda existam no mundo pessoas disciplinadas q.b]. Quando o assunto tem por tema "resoluções por cumprir", a primeira palavra que se me ocorre é d-i-e-t-a [dieta?! qual dieta?! que dieta?! alguém está a fazer dieta?!]. No entanto, devo confessar-vos que ando bastante surpreendida com o comportamento das minhas clientes. 

Ora, nestes quase 3 anos como "arrumadora de mamas", na época pós-natalícia as clientes têm uma certa tendência a seguir um missal (quase) obrigatório, bastante monocórdico. As rezas variam muito pouco: "não se regule pelo meu peso agora, estou um bocadinho mais cheeinha por causa do Natal"; "aaii o Natal deixou-me com uns quilos a mais"; "devo ter engordado 1 ou 2 quilos, sabe como é, o Natal"... É caso para dizer que quando se tem mais olhos que barriga quem paga é o Natal. Eu cá gosto de comer o ano inteiro, a diferença é que durante o ano tento comer em maior quantidade coisas mais saudáveis, durante o Natal como coisas saudáveis e coisas pouco saudáveis. É uma escolha difícil optar entre ambas. Vocês compreendem, certo? Mas 2015 está a seguir outro catecismo que não o das desculpas pagãs. Decorridos 27 dias desde que o ano começou, ainda ninguém abriu a boca para se desculpar por causa do peso... Aleluia irmãos e irmãs! A-l-e-l-u-i-a! A-l-e-l-u-i-a!

Na minha casa é Natal o ano inteiro! Quando a minha mãe soube que eu não podia ir à Terceira, mandou-me doses industriais de chocolates [na esperança de colmatar as minhas ânsias] e eu, armada em dona de casa desesperada, [bastante desesperada], fiz um bolo de chocolate "da base" [significa que é half made in america] que ainda rolou umas 2 semanas e meia. Uma amiga minha confidenciou-me que desde Novembro que está numa relação viciante com o bolo rei. É um por semana [isso é que dedicação], eu, por enquanto, só estou entusiasmada em acabar com o saco de peanut butter cups que restou do Natal.

Estou nos 75kg que é o meu peso base isto é, onde vou sempre parar quando me desleixo. Os registos fotográficos da minha pré-adolescência testemunham que já tive uma amplitude maior, ainda assim, o ideal era descer a fasquia até aos 68kg. Como diria um instrutor de ginásio que tive: "você é de osso largo, não fica bonita muito magra". Boca santa, sagrado homem! Pode ser que nestes últimos 4 dias de Janeiro eu me mentalize para fechar a boca, mas antes, vou ter de dar cabo do saco de chocolates... a primeira regra da dieta é não ter tentações à mão de semear! 

Portanto a d-i-e-t-a há-de ter um amanhã em que realmente se inicie, até porque outro dia, munida de todo o meu espírito optimista, [só podia estar fora de mim], fiz um pacto com uma cliente: acordámos as duas que íamos emagrecer e que ao fim de 3 meses tínhamos de partilhar os resultados uma com a outra. O que é que eu fui fazer?! Eu nem sou disso... Passei-me da marmita, só pode! Até demos um aperto de mão para selar o contrato... Só não cortámos os pulsos e selámos o acordo com o nosso próprio sangue porque isso ia ser doloroso. Estou metida numa grande alhada... estou, estou... e 1 mês já foi por água abaixo, só me restam dois!

Quando andei a testar a dieta dos 31 dias da Ágata Roquette, combinei com uma colega de trabalho começarmos as duas ao mesmo tempo para nos incentivarmos mutuamente. Assim que instituímos a data de inicio ela começou a trazer especialidades como rolo de carne com farinheira, lasanha, bacalhau com natas para o almoço e portanto, como era de se esperar, não fomos a lado nenhum a não ser até ao microondas aquecer a comida. Portanto, o ditado [e o seguro] não morreu de velho, antes sozinho do que mal acompanhado. Alguém tem dicas para ir tornando a despedida dos chocolates um momento mais ameno?

[photo credits: ccstylebook]

#compras

#Alerta vermelho: limpar a pele [sempre!]

sábado, janeiro 24, 2015


Tal como eu escrevi recentemente "os melhores investimentos são aqueles que são feitos em nós" e sobre isso não restam dúvidas... Se há coisa com a qual todas as meninas devem ter cuidado, essa coisa chama-se pele! Cuidar da pele deve ser uma rotina tão sagrada como todas as outras e deve ser praticada todos os dias das vossas vidas [uma espécie de devoção "ajoelhou, vai ter que rezar"]. Essas exigências são válidas tanto para quem se maquilha como para quem nem sequer sabe o que significa uma máscara de pestanas. O rosto deve ser limpo e hidratado todos os dias (e esfoliado duas a três vezes por semana).

É claro que há dias em que a preguiça ataca e uma pessoa cai na tentação de se enfiar na cama com blush reluzente nas bochechas, mas depois dos 30 a consciência pesa (e muito) e lá nos levantamos enroladas no cobertor para retirar os pozinhos mágicos que nos fizeram parecer uma actriz de cinema durante o dia. Para me facilitar essa tarefa eu uso 3 produtos que considero essenciais, ei-los:


Como desmaquilhante recomendo vivamente o Gel de Limpeza Fisiológico da La Roche-Posay. Trata-se de uma desmaquilhante suave, pouco agressivo, indicado para peles suaves a mistas. Confesso que não o uso todos os dias, apesar de me maquilhar todos os dias... Isto é, utilizo-o quando a maquilhagem é mais forte ou mais carregada como por exemplo quando me esmero com sombras nos olhos ou quando faço eyeliners tortos. Quando a maquilhagem é do género "cara lavada", salto o primeiro passo e utilizo directamente o Effaclar da mesma marca. O Effaclar é um gel mousse purificante para peles oleosas a sensíveis. Remove facilmente todo o tipo de maquilhagem e deixa a pele sedosa e deslizante. Atenção: este produto não deve ser utilizado muito próximo dos olhos porque arde p'ra déudéu!

No fim da limpeza, passo sempre um algodão embebido na Loção Purificante Adstringente da Vichy para desincrustar e voltar a fechar os poros. A pele fica mais uniforme, mais lisa e muito mais fresca! É uma loção recomendada para peles sensíveis, com imperfeições e poros dilatados. Esta loção também deve ser utilizada pela manhã, antes de hidratarem a pele. Ao longo da noite, a pele vai libertando impurezas, por isso antes de hidratar a palavra de ordem é mais uma vez: limpar!

Em relação aos preços, os produtos da La Roche-Posay rondam os 16€-17€ enquanto que os da Vichy são capazes de se ficar pelos 13€-14€. A diferença é pouca, mas a quantidade é generosa e a qualidade está confirmada. Em todo o caso, a adequação de cada produto depende de cada tipo de pele, mas uma coisa vos peço, mesmo sem estes produtos, limpem sempre a pele, nem que seja com água e sabão, maquilhadas é que não! Quero as minhas belas adormecidas, mais belas que adormecidas.

[photo credits: ccstylebook]

#compras

#Esta loja não é para lojistas

sexta-feira, janeiro 23, 2015


Comprar na Avenida da Liberdade não é para todos. Não é mesmo.

Um destes dias rumei até à MK convencida de que ia comprar uma prenda de mim para mim. Já andava há muito tempo a querer substituir a minha carteira actual, mas pelos vistos, ainda vamos pensar no assunto durante mais uns meses. Quando se trabalha numa loja fica-se muito mais exigente enquanto consumidor. E não se aprende só com os bons exemplos, também se tira vantagem dos maus. Há clientes que reclamam com a justa educação que lhes foi dada, mas há outros que não se controlam. São esses, os que não se controlam, que já me ajudaram em muitas situações, principalmente naquelas que exigem reclamar em estabelecimentos comerciais. 

Uma pessoa tenta a bem, mas se não resultar eu tenho a dica perfeita para conseguirem o que querem: comecem a falar alto, como se estivessem a vender peixe no Bolhão. Resulta sempre. Pelo menos comigo já resultou várias vezes... Já viram o que é uma terceirense de pêlo na venta, a gritar como se estivesse a vender peixe no Bolhão? É de meter medo minha gente, é de meter medo...

Mas adiante. Entrei na loja e andei a passear-me pela zona das carteiras. Houve uma 1ª menina que me perguntou se precisava de ajuda e eu disse-lhe que por enquanto estava só a ver. Depois de uns minutos, ainda indecisa, veio um rapaz perguntar o mesmo, e eu agradeci-lhe, mas disse-lhe que não precisava de ajuda. Ao fim de algum tempo quando já tinha eliminado algumas opções, fiquei indecisa entre dois modelos. Apareceu então outra pessoa que perguntou se eu precisava de ajuda e eu fiz-lhe algumas perguntas sobre o produto... Perguntei-lhe se os pormenores dourados oxidavam, qual era a garantia da impermeabilidade da pele, se o fecho era resistente e por aí fora. Sabem o que a moça me respondeu: "é igual às outras". Deu meia volta e virou-me as costas. Ora se "é igual às outras", eu não preciso comprar uma carteira destas. Posso comprar uma carteira na Parfois e economizar metade do dinheiro que ia gastar numa da MK, certo? 

Eu não estava à espera de alguém me abrir a porta como a abrem aos clientes na Louis Vuitton, mas pelo menos lá, eles sabem que as malas de 600€ que vendem ganham bolor em climas húmidos como o da Terceira. Ah, e também sabem que os emblemáticos cadeados que acompanham as speedy oxidam! E muito! Ora bolas, eu na minha loja só não faço de Valet Parking porque não há espaço na rua para estacionamento, porque se houvesse, era muito provável que me exigissem isso... e a pirralha da miúda teve a ousadia de responder o que respondeu. Talvez o salário dela não dependa de comissões sobre as vendas. Ou talvez se eu tivesse a pele mais escura e levasse o dinheiro dentro de um envelope escondido nas mamas, ela estivesse (pre)disposta a atender-me de uma forma diferente. Isso é outras das coisas que sucedem quando se trabalha demasiado tempo numa loja: ganham-se ódios de estimação a determinadas nacionalidades. Fica-se mais xenófobo do que aquilo que se é.

Virei-lhe costas também e vim-me embora. Continuei pela avenida fora e entrei na Purificación Garcia. Gastei uns míseros 22€, mas fui tratada como se tivesse gasto 222€. O dinheiro é relativo, a educação e o profissionalismo das pessoas não. O assistente de vendas que me aconselhou respondeu-me a tudo o que eu queria saber sobre o produto. Era empático. Era prestável. Era acessível. Fiquei com vontade de voltar. É uma pena que marcas estrangeiras, reconhecidas mundialmente, dispensem as intenções de compra da classe média portuguesa. É por isso que as compras online dão menos trabalho. A ambas as partes.

[photo credits: convida.pt]

#cc favorite things

#Sexy Bombshell Lip Lacquer [o vencedor]

quinta-feira, janeiro 22, 2015


Chegou o momento de revelar o vencedor do último passatempo! Obrigada a todos aqueles que participaram... As edições do #ccfavoritethings prometem repetir-se [muito em breve]! Quem ganhou esta belezura, o Sexy Bombshell Lip Lacquer da Michael Kors foi a Inês Antunes de Caires (seguidora do Google Rede Social 'Inês Antunes de Caires' | Link de Partilha Pública). Parabéns Inês! Esperamos que gostes de batons tanto quanto nós! Enviaremos um email com as respectivas indicações para a entrega do prémio.

[photo credits: ccstylebook]

#compras

#Oreo Red Velvet

quarta-feira, janeiro 21, 2015


Eu não sei se vocês têm ou não cumprido com as vossas resoluções de 2015, mas pelo sim, pelo não, deixem-me que vos relembre: Janeiro é um mês m-u-i-t-o complicado para se começar a pensar em dieta... [tudo porque depois da avalanche de doces consumida no Natal, o organismo ainda levará uns meses até conseguir tornar-se imune à dependência do açúcar].

Em todo o caso, e porque eu gosto sempre de andar actualizada em relação a estas novidades docinhas, a Nabisco prepara-se para lançar no próximo dia 2 de Fevereiro, uma edição limitada das bolachas mais famosas [e mais admiradas] do mundo, as Red Velvet Cream Cheese Oreo! Deve ser assim um snack de bradar aos céus...

Duvido que estas bolachinhas mágicas cheguem a Portugal... a edição limitada está prevista apenas para os Estados Unidos da América, mas já estou a salivar de tanta curiosidade! [vou meter uma cunha à minha mana para ver se ela me traz uma amostra na próxima viagem à América!]. A edição é uma forma da marca celebrar o próxima Dia dos Namorados que por sinal tem uma tradição gigantesca no país da estátua da liberdade. É por isso que o amor tem todo o ar de ser crocante por fora e cremoso por dentro.

[photo credits: Press Room Vip]

#bebés vs adultos

#O que os bebés nos podem ensinar

sábado, janeiro 17, 2015


«(...) People are usually tired and scared; not mean. Babies can't, of course, tell us what is wrong with them. We have to guess - and what's striking is how generous we are in our interpretation of what is going on... We are constantly aware of just how much the workings of hunger, a tricky digestive tract or a lack of sleep may affect human character. How helpful it would be if we were more often able to apply a similar method of interpretation around adults. How kind we would be if we could look beneath the surface behavior - the unpleasantness, viciousness and desperate grumpiness - and see that what could really be going on is just confusion, fear and exhaustion.» The book of Life, Chapter 3, Relationships: Sweetness of Children

[photo credits: via]

#a vida aos 30

#E a louca sou eu?

sexta-feira, janeiro 16, 2015



Pois é... quase, quase nos 31... [mas ainda falta o "quase, quase"]. Uma das coisas que se vai aprendendo à medida que crescemos é a desconstruir os preconceitos que criamos sobre nós próprios. Esse é se calhar o maior desafio que se ganha com a idade. O resto é bastante relativo. É por isso que aquilo que pensamos, sobre o mundo e sobre nós quando temos 20, não bate sincronizadamente com aquilo que pensamos sobre o mesmo quando temos 30 ou 40. O "ficar-se mais velho" tem mesmo uma correlação bastante forte com o "ser-se mais maduro". Ainda bem. Para bem da humanidade [e do nosso equilíbrio pessoal também].

Nos últimos meses tenho travado uma batalha gigante contra as minhas cólicas teimosas. A síndrome do intestino irritável tem origem a vários níveis, uns físicos, outros psíquicos. Depois do meu médico de família ter tratado dos "distúrbios orgânicos", eu resolvi tratar de igual forma os "distúrbios mentais"... e aconselhei-me sobre a natureza das minhas reacções psicossomáticas junto de um psiquiatra. Ir ao psiquiatra pela 1ª vez causou-me alguns calafrios, ou melhor, causou-me algumas cólicas adicionais. Esta decisão momentânea, mas reflectida, fez-me recuar no tempo até à minha 1ª  vez no psicólogo.

Durante as primeiras quatro ou cinco consultas eu nunca abri o pio. Nunca lhe disse nada, a não ser que era uma pessoa muito céptica em relação à psicoterapia e que estava ali porque tinha sido "obrigada" porque se tivesse sido uma decisão minha, seria completamente desnecessária a ajuda de alguém exterior ao caso. O homem teve uma paciência de santo daquelas... Todas as vezes que eu aparecia na consulta ele perguntava-me o mesmo: "quer falar de alguma coisa em particular? quer abordar algum tema específico? começamos por onde?". E eu respondia-lhe sempre o mesmo: "não quero falar de nada e não preciso falar sobre nada".

Aos 20 e poucos eu acreditava que as pessoas que iam a psicólogos eram pessoas fracas. Eu acreditava que ir ao psicólogo me ia baptizar de fraca também. Eu neguei até às últimas forças a psicoterapia, até que um dia, cansada de estar estagnada no mesmo ponto, abri as comportas. Bastou que ele me perguntasse: "como é que lida com esse sofrimento todo?" Nesse dia eu comecei a falar e nunca mais me calei [quer dizer, calei-me, em alguns momentos, por outros motivos]. Ter feito psicoterapia naquela altura ajudou-me muito. Ajudou-me a reestruturar-me enquanto pessoa. Ajudou-me a reencontrar-me. Ajudou-me a focar no essencial para sair do buraco em que tinha entrado e seguir em frente. O homem não fez milagres. Ele foi apenas o agente de uma mudança que começou em mim. 

Outro dia, quando cheguei à recepção da clínica e a recepcionista me perguntou que consulta eu tinha, eu respondi-lhe "psiquiatria". Senti sobre mim o olhar perturbado da maioria dos recepcionistas que estavam atrás do balcão. Afinal de contas, o que eu pensava aos 20 sobre quem ia aos psicólogos ainda é possível que seja válido, hoje em dia, para quem vai aos psiquiatras. Aguardei a minha vez, tive a consulta e quando terminou dirigi-me novamente à recepção para pagar. Pedi à moça que me atendeu para me passar uma declaração de presença e ela, com uma cara de interrogação indagou: "quer que eu omita a especialidade em que foi consultada?" E eu perguntei-lhe: "porquê?" Ela comentou: "a maioria das pessoas pede sempre para omitirmos que vieram a uma consulta de natureza psiquiátrica". A sério que as pessoas ainda pensam assim? Eu ia jurar que já tínhamos evoluído o suficiente para não continuarmos a alimentar preconceitos deste tipo. Eu ia jurar que vivemos num país o suficientemente livre para não termos medo de juízos de valor infundados e levianos. Respondi-lhe: "acha? deixe estar aí psiquiatria escrito, eu faço questão de saberem o quão louca eu estou." E sorri-lhe, como sempre sorrio nestas situações.

A moça recolheu-se para dentro da sua carapaça e não disse mais nada embora eu tenha percebido pela cara dela que ela deve ter mesmo pensado que eu não batia bem da bola. A culpa não é dela. A culpa é de quem ainda não amadureceu a idade que tem em si. Ir a um ou ir a outro não tem nada de mal. O que tem de mal é insistirmos em vivermos acorrentados ao nossos fantasmas. Ao menos eu conheço a minha loucura, pobres daqueles que nunca chegam a conhecer a deles.

[photo credits: ccstylebook]

#compras

#Fatkini?

quarta-feira, janeiro 14, 2015








Com defensora acérrima das curvas que sou não podia deixar de vos mostrar as primeiras imagens da nova colecção Gabifresh X SwimSexy 2015! A Gabi, [gabifresh.com], é a grande impulsionadora do #fatkini, um conceito que se explica facilmente. Os #fatkinis são biquínis de duas peças, jovens e divertidos para mulheres "full figure", «I really wanted to design bikinis that were stylish, young and fresh. I think a lot of swimwear on the market right now for plus sizes is just kind of frumpy and matronly and a lot of it is designed to cover us up. From my readers, them seing me in a bikini has really pushed them to try it out because they've said, 'I've never done this or I haven't worn a bikini in 10 years, but thank you so much. I finally have the confidence now that I see how great you look'».

O espírito é esse. Longe vão os tempos em que as mulheres com curvas se viam obrigadas a vestir peças desinteressantes, semelhantes às das suas tias mais roliças [e castas]. Ainda bem que a indústria da moda percebeu a urgência evidente em começar a oferecer soluções direccionadas a este segmento de mercado. E a Gabi convenceu-me... Foi graças a ela que me atrevi a usar um #fatkini no Verão passado! [adoro as minhas cuecas de "gola alta"! fica tudo no sítio! já não tenho de me preocupar com biquínis minúsculos, que se enfiam em sítios onde não devem!]. 

A colecção completa está à venda no site da #Swimsuitsforall, mas como a própria Gabi explica no seu blog, os modelos não são comercializados em todos os tamanhos [a única nota negativa a apontar]. Apesar dela ser um 38HH, [eu sei que este número vos soa estranho e vos mete medo], a opção de tamanhos não chega tão longe. Na realidade, eu que sou um 32FF também corro o risco de não entrar na corrida, no entanto, fico feliz [e quite inspired] por ver a moda a democratizar-se, ainda que os princípios fundamentais do fitting não sejam totalmente respeitados quando falamos de roupa íntima. 

[photo credits: Elton Andersen]

#beleza

#Sexy Bombshell Lip Lacquer MK Giveaway!

terça-feira, janeiro 13, 2015

"If you are sad, add more lipstick and attack!" (Coco Chanel]) 
Tomem nota do conselho porque ele é bastante útil. Quando não uso batom sinto-me despida [dá para notar que é meu vicio predilecto, não dá?]. Há sempre um apontamento de cor nas estórias da minha vida. Não consigo resistir. Não consigo separar-me dos meus batons. Coleccioná-los é uma espécie de paixão. E a frase da Coco faz todo o sentido... Para mim usar batom é algo terapêutico, é uma espécie de arte marcial feminina que disfere golpes, sem ser necessário muito esforço. Ultimamente ando "vidrada" neste cor de rosa, o Sexy Bombshell Lip Lacquer da Michael Kors! [por falar em Michael Kors, em breve tenho uma "estória" para vos contar sobre a minha visita à loja da Av. da Liberdade. Só posso adiantar-vos que foi uma experiência agri-doce. Stay tuned!].

E uma vez que ainda estamos no inicio do ano, eu quero muito que vocês se sintam capazes de atacar o que tiver que ser atacado em 2015, por isso vou oferecer-vos um batom igual ao meu!!! 

Para se habilitarem ao sorteio precisam de fazer o seguinte: 1) Serem fãs da página de facebook do CCSTYLEBOOK aqui; 2) Seguirem o blog através do Google Rede Social [registo no menu esquerdo do blog]; 3) Partilharem publicamente o link do giveaway [facebook, blog, twitter, pinterest, instagram, etc]; 4) Preencherem o formulário abaixo indicado.

Será apenas permitida uma participação por endereço de email [participações repetidas não serão consideradas]. O sorteio é válido para o território de Portugal continental e ilhas. O vencedor será escolhido aleatoriamente através do random.org. On air a partir deste momento até dia 20 de Janeiro! Boa sorte minha gente!

#color extend magnetics

#Redken: Color Extend Magnetics

segunda-feira, janeiro 12, 2015


Minhas amigas, ao longo da vida os gostos de uma mulher vão refinando, principalmente depois dos 30 [já estou a dizer "depois" para me ir mentalizando que mais dia menos dia vou cruzar a linha que separa os 30 dos 31... ainda faltam uns meses, mas mais vale uma pessoa começar a aquecer motores para quando chegar o grande dia não voltar a enfiar a cabeça debaixo de terra, modo avestruz, tal como fiz o ano passado]. Lo que será, será!

Por isso alerta vermelho: os melhores investimentos são aqueles que são feitos em nós! E há muito por onde escolher... O corpo de uma mulher e as suas características mais particulares são recursos que exigem cuidados adequados. Investir no peito [e na lingerie certa], na pele e no cabelo são prioridades que fazem parte do meu #top3! E é justamente um segredinho sobre cuidados capilares que vos queria revelar hoje...

Eu já tive o meu cabelo de todas as cores [violino (na minha fase mais gótica), vermelho e/ou laranja (quando descobri Woodstock), castanho (para desenjoar de todos os outros tons e voltar à normalidade), ou até mesmo "rubio" (a pior opção de todas, mas que era o último grito da moda quando vivi em Espanha)]. Agora a cabeleira tem andado mais estável, já não faço mudanças tão frequentes, tento apenas manter a cor original um pouco mais viva.

Normalmente pinto [e aparo] o cabelo de 2 em 2 meses, mas a seguir à coloração nem sempre utilizo os produtos mais indicados para proteger a cor, e isso é fundamental para prolongar o tom e o brilho do cabelo. Por essa razão decidi testar a gama Color Extend Magnetics da marca Redken e estou surpreendida com os resultados! Os produtos desta gama, caracterizados pela fórmula Charge-Attract Complex  são compostos por amino-iões [responsáveis por selar a cutícula] e por aminoácidos [que reabastecem o cabelo]. A junção destes dois componentes permite preservar a integridade do cabelo, mantendo a cor vibrante por muito mais tempo... tudo o que nós queremos [e com o qual sempre sonhámos!]

Os produtos não são baratos, [rondam os 20€ cada unidade], mas também não são inacessíveis. A relação qualidade-preço é bastante equilibrada, por isso vale a pena utilizá-los nem que seja apenas nos momentos cruciais, como por exemplo nos dias seguintes à coloração. Quem costuma pintar o cabelo de certeza que está familiarizada com o execesso de tinta que cai na primeira lavagem... Metade da cor ou fica na banheira ou fica na toalha....Isso não voltará a acontecer se apostarem neste duo: shampoo e amaciador Color Extend Magnetics. Eu estou super satisfeita [se não estivesse, não vos recomendaria experimentarem os produtos]. Tudo porque nós merecemos. Por isso, em 2015, Supercharge your haircolor!



[photo credits: ccstylebook]

#a vida aos 30

#Iam Charlie

sexta-feira, janeiro 09, 2015



A estória de hoje era para ser outra, mas mudei de ideias... mudei de ideias porque se não aproveitasse o mote dos últimos dias estaria a ser pouco coerente com aquilo que sempre defendi e escrevi. Começo com uma introdução que à primeira vista pode parecer não ter nada haver com o tema, mas há uns anos atrás, lembro-me de estar a ver um filme que me ficou gravado na memória para sempre. Havia uma cena em que uma professora universitária pedia aos alunos que pensassem no seguinte exercício: que palavra ou frase seria a mais indicada para o epitáfio de cada um [os epitáfios, para quem não conhece o termo, são frases escritas sobre túmulos que servem para homenagear as pessoas que aí sepultadas]. Durante vários dias, na flor da minha adolescência, fiquei a pensar nisso... na frase que eu escolheria para mim.

Não precisei de muito tempo e recordo-me que até cheguei a propor o desafio à minha irmã. Trocámos impressões, falámos muito sobre o sentido da vida e sobre o valor da morte e no meio da conversa eu disse-lhe a frase que eu achava que melhor me homenagearia, ou que eu gostava que fizesse jus à minha vida terrena: "viveu como sempre quis". O valor da liberdade foi-me incutido muito cedo por 4 pessoas que são os pilares da minha fundação: a minha avó materna que lutou sempre para viver da forma como quis, o meu pai, que nunca deixou de defender aquilo que sempre pensou mesmo que aquilo que sempre tenha pensado nem sempre tenha sido o melhor, a minha mãe, que sempre se esforçou por ser livre dentro das suas próprias prisões, e a minha irmã que nunca aceitou resignar-se a viver dentro de uma gaiola social insular.

Eu nasci livre. Cresci livre. Educaram-me para ser livre. Eu não sei ser eu se não for livre. É por isso que todos os crimes contra a liberdade são para mim os piores crimes que se podem praticar. Quem me conhece sabe que digo sempre o que penso, mesmo que isso despolete guerras (des)necessárias. Sempre preferi uma verdade dura, fria, inquestionável, a uma mentira pouco útil. Foi assim que me educaram e é a este tipo de educação que eu não consigo fugir nem dizer não.

Há dois anos atrás aconteceu-me uma das estórias mais tristes da minha vida profissional. Não é uma manobra de diversão literária puxar dos meus galões, mas eu já trabalhei em rádio, eu já trabalhei em televisão, já privei com figuras públicas, já trabalhei com políticos e nunca em momento algum senti pressão para não dizer aquilo que eu pretendia dizer. Nesse dia, que me custa muito esquecer, não me encostaram uma metralhadora ao coração, mas sentaram-me a uma mesa redonda com um único objectivo: calarem-me. E quem tenta calar os outros, acaba de uma forma ou de outra por sufocar o único órgão do qual todas as pessoas dependem. Acho que não preciso contar-vos mais sobre o assunto porque quem me acompanhou ao longo do tempo, subentende porque é que a minha escrita mudou de trajectória.

Custou-me muito a crer que em pleno século XXI me tenham dito o que me disseram, nesse dia em que me ameaçaram e me coagiram com o objectivo de me calarem. Foi o pior golpe de todos. O que mais me custou a engolir até hoje. Aquele que me tirou uma parte de mim e que jamais a devolveu. Ainda assim a minha fé é maior do que qualquer crença que me tentem impor, e com a minha fé, ténue, frágil, quebradiça, eu hei-de encontrar a parte que me falta. Os mais perigosos inimigos da liberdade de expressão são pessoas inteligentes. É de facto uma pena.

[photo credits: via]

#a vida aos 30

#Taxi Driver

quarta-feira, janeiro 07, 2015


Ontem tive uma manhã complicada: no espaço de uma hora percorri Lisboa em 4 táxis, todos diferentes [mais valia ter contratado um tuk tuk para me conduzir... ao menos passeava-me em slow motion de cabelos ao vento (e nariz ao frio)]. Reza a estória que o levantamento do meu cartão do cidadão [aquela coisa quadradinha em que ficamos tão bem que parecemos uns ex-presidiários] estava agendado para as 10:00 da manhã. Para me poupar a ansiedades desnecessárias, levantei-me cedinho, bem antes da hora, e decidi enfiar-me num táxi para ir até à conservatória. 

Com o 1º taxista, um velhote um pouco surdo, não houve grande enredo. "Isso está mau!" lancei eu p'ró ar quando se lhe deu um ataque de tosse de 3º grau. Pensei que o senhor fosse expelir metade de um pulmão em plena marcha, mas consegui chegar ao destino sem precisar chamar o INEM. Entro na conservatória, abro a mala e... raios me partam! Tinha deixado a carta com os códigos do novo cartão em casa. Pedi ao segurança que mantivesse o meu agendamento e disse-lhe que voltava em 15 minutos.

No 2º round, de regresso a casa, calhou-me um condutor mais novo com alguma dislexia associada. "Isto dos cartões dos cidadões é uma forma do governo nos roubar, de 5 em 5 anos, pimba, lá vai 15 euritos". O governo não sei se lucrou comigo, mas que eu contribuí para as remunerações da classe taxista de Lisboa lá isso contribuí. Cheguei a casa, e desalmada, lancei-me escada acima. Eu moro naqueles prédios antigos, com entradas muito esguias e super inclinadas, estão a ver? Não havia muito espaço por onde cair porque toda eu ocupava a escada, mas mesmo assim, senti-me resvalar degrau a degrau, no sentido contrário à porta da petite maison. Resgatar a porcaria de carta parecia uma missão impossível! Depois do inédito chegou o 3º táxi.

O moço era estrangeiro. Não falava muito bem português. Estava tão cansada [dorida e irritada] que não me apeteceu contar-lhe grandes estórias. Cheguei à conservatória, levantei o cartão do cidadão e saí porta fora para concluir dentro de tempo o último troço do triatlo que estava a decorrer. Quando entrei no 4º táxi disse "bom dia, vamos lá trabalhar que se faz tarde, é para o Rossio sff." e o senhor respondeu-me: "vamos lá trabalhar, que óptima notícia!" Para ele acredito que fosse uma boa notícia, mas para mim, depois de alguns dias de férias, e a começar com uma manhã assim, o cenário não me parecia muito auspicioso. "Eu por mim já me reformava..."

"Olhe que não minha querida... Trabalhar faz muito bem, principalmente à cabeça, não deixa que ela pare. Enquanto se está ocupado, está-se bem..." Já que a 4ª tentativa do dia pareceu revelar algum talento em potência, perguntei-lhe: "e quando se trabalha naquilo que não se gosta, o trabalho também faz bem?" E quase a chegar ao fim do trajecto o taxista respondeu-me: "sabe, são muito poucas as pessoas que trabalham naquilo que gostam, isso é uma ilusão na qual acreditamos, às vezes uma vida inteira... o trabalho faz sempre bem, pode não ser naquilo que gosta, mas ao menos escolha um em que possa divertir-se". E já fora do carro, mas ainda com a cabeça enfiada lá dentro, voltei a perguntar-lhe como se ele me devesse a resposta "e quando não nos conseguimos divertir? quando nos é difícil divertir de verdade, o que é que fazemos?" "Isso é outra coisa com a qual as pessoas se enganam... não precisamos de nos divertirmos a 100%... Se se divertir 1%, está a divertir-se na mesma, não é verdade?" 

Tanta expectativa para isto... Será que nos conseguimos divertir de verdade se nos divertirmos apenas 1%? Eu tenho as minhas sérias dúvidas... 1% nem dá para aquecer os maxilares, mas se me lembrar da minha figurinha, entalada nas escadas, tipo um salsichão no meio de uma sanduíche, já consegui rir um bocado valente [e espero que vocês também!]. Au revoir!

[photo credits: ionline]

#a vida aos 30

#As cólicas da minha vida

terça-feira, janeiro 06, 2015


[nota prévia: eu espero que depois deste post o CC receba propostas de patrocínio generosas, oriundas da indústria farmacêutica portuguesa... nunca ninguém expôs a coisa como eu a pretendo expor! atenção caros leitores, irei deleitar-vos com um post visceral, mas bem humorado]

Ontem foi dia de ir ao médico. Andamos a tratar uma crise aguda da Síndrome do Intestino Irritável, [tudo aquilo que eu não consigo expurgar verbalmente, acumula-se-me no baixo ventre], que teima em não acalmar. Quando descobri que fazia parte dos 20% da população que sofre deste mal moderno ainda vivia em Espanha. Andei semanas no centro de saúde a fazer exames e passei noites a rebolar-me de dores, sem conseguir "pregar olho" [em bom açoriano]. Ao fim de várias consultas a médica disse-me: "usted tiene el sindrome del intestino irritable, eso es todo psicológico". Usted o caraças! Andámos p'raqui não sei quantas semanas a fazer exames a isto e àquilo, tenho dores que parecem que os órgãos estão todos a desintegrarem-se e isso é tudo psicológico?! Ah que se me van a poner los pelos de punta minha senhora!

É claro que não fui de meias medidas. Saí do centro de saúde e fui directa ao Quirón [uma rede de hospitais em Espanha para lá de cara]. Disse na recepção que queria fazer uma ecografia porque pretendia confirmar, ou não, o diagnóstico da médica do centro de saúde [percebe-se bem que eu não tenho uma boa relação com os médicos do sistema nacional de saúde... seja lá em que país for!]. O técnico que estava a realizar a ecografia tratou do assunto em 5 minutos: "usted no tiene nada, sólo gases". Eu estava como o outro, não sabia se havia de rir ou se havia de chorar... Ria-me porque pensava que eles eram todos maluquinhos e nenhum deles sabia o que é que eu tinha, ria-me porque tinha gasto uma nota preta e afinal eram "sólo gases", ria-me porque a minha hipocondria tinha ido longe demais, e chorava, chorava muito, porque apesar de serem só gases continuavam a doer-me c'mó raio, mal conseguia andar direita.

Foram meses a fio a beber única e exclusivamente infusões e a comer única e exclusivamente tostas integrais com compota. Fiquei esquelética e amarela, bom estou a ser querida demais, fiquei v-e-r-d-e, verde como a Fiona do Shrek, mas mais chupadita. Só consegui recuperar plenamente quando me enfiei em casa, nos Açores, 9 meses de cama [continuei a parecer a Fiona, mas já andava mais coradita]. Agora a parte mais difícil da estória: uma vez detectado a síndrome, ela nunca mais nos abandona [é uma espécie de companheirismo desleal, digamos]. E sempre que o alarme do stress e da ansiedade disparar, ela volta a atacar, primeiro com ameaças que parecem cócegas e a seguir com cãibras do arco da velha que vos deixam feitos num oito.  

Por exemplo, eu tenho fobia a andar de avião [caiu-me tudo em cima que nem ginjas...] e até me enfiarem lá dentro e me amarrarem ao assento, só Deus sabe as voltas que eu dou e as manobras de diversão que eu invento para me abstrair do que está para acontecer. Começo a controlar a meteorologia dois dias antes, escolho os lugares mais espaçosos, sou das últimas a entrar e por aí fora, há todo um ritual para minimizar os espasmos interiores. Nesses dias o meu intestino trabalha a 200% [não sei aonde é que ele vai buscar tanta matéria-prima, se ainda fosse à gordura eu até lhe agradecia, juro que agradecia]. Já saí a meio de entrevistas de trabalho para ir à casa de banho, já interrompi reuniões para conseguir escapar-me, já tive primeiros encontros dopada de ultra levur, enfim, já fiz trinta por uma linha para dissimular este pormenor orgânico... mas é mais forte do que eu, o danado.

Não é de estranhar que as primeiras palavras que eu decoro quando vou viajar sejam a tradução de casa de banho em vários idiomas... Se bem que quando estou relaxada, é bastante raro que o intestino contra-ataque [esse malvado, mais obstinado do que a sua proprietária!]. Ainda perguntei ao médico se valia a pena fazer aquele teste das intolerâncias alimentares, mas ele disse-me que "isso eram tretas!". Segundo ele, uma pessoa tem de aprender a viver com o corpo que tem... Mas na verdade, na verdade, eu gostava de viver com um que tivesse um cólon menos activo... Às vezes, nas minhas divagações mais bem-humoradas, chego a pensar que se algum dia me casar provavelmente não irei conseguir chegar ao altar com tanta cólica pelo meio... Assinamos só um papelinho e já está.

E pronto, enquanto os blogs que andam p'raí passaram os últimos dias a mostrar as pechinchas encontradas nos saldos, ou as prendas de Natal recebidas, eu resolvi mostrar onde é que investi parte do dinheiro que estava destinado para as compras. Mas...e atentem nisto, mesmo torta e com dores de burro de cortar a respiração, eu subo e desço a Calçada do Combro como se fosse uma diva. Once a diva always a diva... O meu cólon é irritável, mas eu sou mais irritante ainda. 

P.s - amanhã vamos tentar correr de manhã se o cólon deixar; se não deixar, vamos cambalear tentando reproduzir a marcha que os atletas de alta competição praticam... é tudo uma questão de  se adaptar o estilo.

[photo credits: ccstylebook]

#conversas de mulheres

#Quantas curvas definem uma mulher?

domingo, janeiro 04, 2015



"Those who are easily shocked, should be shocked more often" [Mae West]

Sim é verdade, depois de ter a cabeça no sítio, o que eu pretendo fazer a seguir é pôr o corpo no sítio! Mas atenção! "Pôr o corpo no sítio" não significa que eu tenha um número definido na minha cabeça que resuma os quilos que eu pretendo perder [apesar das tabelas de índice de massa corporal [IMC] vaticinarem antecipadamente qualquer dieta que uma pessoa se proponha fazer]. Eu quero um corpo funcional, isto é, quero um corpo com músculos mais resistentes e com estruturas mais flexíveis [que me poupem as idas frequentes ao ortopedista]. Isto de andar a subir e a descer escadas com caixotes empilhados no cabeça, tipo varina, não é para copinhos de leite, meus filhos. É p'ra gente forte [e grande]. P'ra gente que normalmente faz o trabalho sujo (a.ka. duro) sem a ajuda de ninguém, enquanto os outros ficam a coçá-los [desculpem-me a malcriadez]. 

Apesar de tudo, a intenção de pôr tudo no sítio também não significa que eu viva mal com o que eu tenho [viveria muito melhor se aguentasse concertos de 3 horas a dançar como a Beyoncé dança, é óbvio]... Mas como todos vocês sabem, a idade não perdoa, e as articulações já estão um pouco p'ró enferrujadas! Atendendo aos números da esperança média de vida em Portugal, mais vale começar a pensar no futuro no sentido da prevenção... porque remediar não costuma dar lá muito resultado.

Um dos melhores exemplos que conheço quando falamos em (con)viver bem com o corpo que se tem é o exemplo da Tess Munsterbloguer, modelo plus-size, e maquilhadora profissional. A Tess ficou conhecida pelas suas curvas [e pela sua coragem!]. O weight bullying de que foi alvo na escola não a inibiu de mostrar o seu corpo tal como ele é. É por essa razão que o seu nome figura hoje entre os maiores Body Positive Activists da actualidade.

Infelizmente, aqui há dias, a Tess escreveu na sua página de facebook o seguinte: "Since when did being fat mean that your hapiness and well being meant less to those around you? Would I matter if I had a smaller frame? Would you bite your tongue before lashing out at me just for existing? Would you think twice before starting a sentence with "you would be so beautiful if"... or "if only you would...". Would it mean that you minded your own business and stopped trying to be my savior? Doubtful...but one can dream and wonder."

Quantas vezes eu própria não ouvi o mesmo vindo de alguém que mal me conhecia, "és tão bonita, se emagrecesses ainda ficavas mais..." [e que tal meterem-se na vossa vida, suas incheridas! que o mar vos leve, tipo oferenda para Iemanjá! e que não vos devolva à terra, por favor!]. É por acreditar plenamente em mulheres como a Tess que recentemente tomei a decisão de proibir todas as minhas clientes de pronunciarem a palavra "gorda". E que tal começarem a gostar de si mesmas, mas p'ra valer, certo?

A Tess é linda e acho que ela merece todo o nosso respeito e toda a nossa admiração [pelo menos a minha ela tem]. E merece também todo o nosso apoio pelo trabalho que tem feito. Este é o meu serviço público de hoje: a beleza não é um tamanho, é uma atitude. Faz parte do carácter de cada pessoa [e se vocês não consideram a Tess uma pessoa bonita, então deixem-me que vos diga que os feios são vocês].








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[photo credits: via]

#a vida aos 30

#Projecto Positividade

sábado, janeiro 03, 2015







Comecei o ano com um desafio gigante: propus-me treinar... a mente! [Esta entrada poética, lida assim, em voz alta, soa a anedota... Sou uma espécie indomável, confesso, mas se não for a bem, vai a mal... Já está adjudicado o chicote como complemento aos métodos terapêuticos alternativos que me proponho utilizar]. Também faz parte da lista de resoluções fazer dieta [esta blasfémia, ups! tradição, quero eu dizer, faço gosto em manter] e retomar a actividade física, mas enquanto os parafusos não estiverem todos no sítio, e bem enroscados,  vou deixar em standby o açúcar e as calorias não vá eu precisar deles em caso de S.O.S [mas só em caso de S.O.S mesmo! os chocolates em excesso que estavam hospedados cá em casa seguiram viagem até ao Algarve... o meu afilhado que dê cabo deles porque graças a Deus não herdou um décimo da genética da madrinha].

O primeiro passo do "treinamento" não é da minha autoria, [há imensas sugestões destas no Pinterest], mas depois de ter visto um post semelhante no facebook de uma colega, decidi desafiar-me a mim própria e iniciar aquilo a que eu chamo de "Projecto Positividade"! [e sim, estou a utilizar termos brasileiros porque se há gente com o astral p'ra cima, essa gente é a gente do Brasil]. Funciona de uma forma bem simples: todos os dias, ao final do dia, comprometi-me a escrever num papel uma coisa que eu tenha (re)apre(e)ndido. Há quem decida escrever sobre coisas boas que lhes tenham acontecido, sobre objectivos que tenham alçando e por aí fora... Eu decidi escrever sobre coisas que tenha absorvido. Esta solução é uma forma criativa de registar parte das minhas epifanias nocturnas que costumam assombrar os meus sonos. 

Escrever ajuda-nos a ter memória fotográfica dos nossos sentimentos e esse é o caminho que eu encontrei para me auto-ajudar neste boot camp psicológico que será 2015. Já tenho duas mensagens lá dentro! Hip Hip Hurra! Hip Hip Hurra! Até agora aquilo que eu tenho escrito reporta essencialmente ao ano anterior, o que eu fiz de errado e o que eu pretendo corrigir. Aqueles que andaram por estas bandas nos últimos meses devem ter apercebido ao longo do caminho que a idade me foi tornando um bocadinho azeda [ou num sentido mais corrosivo, um bocadinho ácida]... Na realidade não foi só a idade, foram várias coisas ao mesmo tempo que por muito que eu as desejasse ignorar, não as consegui digerir sozinha... Agora há uma solução, enfio-as dentro de um jarro e já está! [e se for preciso ajudar à digestão, a garrafa de Favorito está mesmo ao lado! que quadro mais idílico, digo eu]. E sim, o que está escrito na ardósia é: "keep calm and give me gifts"! Porque é de facto uma maneira infalível de me domesticarem... E então, também vão arranjar um jarro? É melhor do que um saco para se respirar lá p'ra dentro...

[photo credits: ccstylebook]

#a vida aos 30

#O talento dos pedintes

quinta-feira, janeiro 01, 2015


Durante 2014 foram muitos os dias, [e as noites], em que subi e desci a Calçada do Combro... As pedras do chão, as casas, os graffitis nas paredes, os cafés e até os loucos de Lisboa tornaram-se personagens da(s) minha(s) estória(s). Há uma mulher, para lá dos 60, que costuma passar o dia nesta esquina. Durante muito tempo interroguei-me se ela seria muda porque nunca me falou, apesar de me (re)conhecer como eu a (re)conheço. Estendeu-me a mão vezes sem conta, e nunca recebeu nada em troca a não ser um silêncio pouco próprio de alguém que se sentia envergonhada por esse gesto. 

Num destes últimos dias de Dezembro, numa manhã fria e preguiçosa, essa tal mulher atravessou-se no meu caminho, cortando-me a passagem e interrompendo-me a marcha. Ainda estava a recuperar o fôlego perdido durante a subida, quando ela me perguntou: "por acaso não tem roupa em casa que não use e que me possa dar?". E de repente, nesse acto desesperadamente corajoso, eu descobri que ela afinal tinha voz. Durante muito tempo justifiquei a minha falta de sensibilidade com a questão de não abrir precedentes, isto é, não queria sentir-me na obrigação de lhe dar uma moeda sempre que me cruzasse com ela. Eu sei que não faz sentido nenhum o que acabei de escrever, mas foi na realidade a fórmula que utilizei para não atender às suas inúmeras tentativas de se fazer ouvir, mesmo sem voz.

No dia em que ela decidiu fazer algo diferente, e impedir que eu a continuasse a ignorar, encontrei uma forma de poder ajudá-la sem ser com dinheiro. E isso fez toda a diferença. Fez com que eu acordasse mais cedo e me arrastasse calçada acima com um saco às costas, cheio de roupa, antes que o ano terminasse. Sentia-me na obrigação de lhe oferecer mais do que o silêncio... Curiosamente no dia em que decidi fazer isso uma amiga minha ofereceu-me um colar, onde estava escrita a palavra hope [esperança].


São bastante irónicas as formas que a vida encontra para nos surpreender, para nos repreender ou para nos chamar a atenção... mas no dia em que eu decidi alimentar a esperança da D.ª Teresa, alguém quis que eu não perdesse a minha também. E de repente parece que tudo o que nós sofremos passa a fazer sentido... As subidas e as descidas. A falta de fôlego. A preguiça. O desânimo. O desalento... Escolhi esta estória para a primeira de 2015. É o exemplo perfeito daquilo que andamos a fazer ao contrário. Esperamos que o novo ano nos traga coisas melhores, mas se calhar, é o mundo que espera que nós nos tornemos, de facto, melhores. E quando perdermos a esperança em sermos melhores, há-de haver alguém que nos puxe para razão, mesmo que seja um simples anónimo, que um dia com o seu talento escondido nos fez pensar de forma diferente.

Obrigada D.ª Teresa por teres arriscado. Por teres quebrado o silêncio. Por teres encontrado uma forma de comunicar entre nós as duas. Por teres pedido aquilo que precisavas. Por teres enfrentado o medo. E por me dares os "bons dias" desde então, e as "boas noites" quando regresso a casa. Ao menos quando desço a calçada desço-a com um sorriso nos lábios e não com a culpa no rosto. E sempre que a esperança me faltar, hei-de olhar para ti e lembrar-me ao tanto que resiste antes de te atravessares no meu caminho. Que sejamos todos melhores. Esta música [que eu sempre amei] e um Feliz Ano Novo para todos vocês! 

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[photo credits: ccstylebook | colar da She said Yes Jewellery]