#Viva Forever

sexta-feira, fevereiro 06, 2015


Há muitas coisas nesta foto que me fazem rir muito: 1) os meus óculos de sol e os da M. que parecem aqueles que os nadadores olímpicos usam, 2) as calças de ganga à boca de sino [quanto mais badalassem mais estilo davam!] e 3) o meu cabelo, uma profunda homenagem ao meu ídolo da época, a irónica Alanis Morissette. Devem-se ter passado uns 12 anos entretanto... e há tanta coisa que mudou.

Nesta época, eu, a Di e a M., apesar de estarmos em turmas diferentes, não perdíamos a oportunidade de nos juntar, ou nos "furos", ou nos "intervalos grandes". E nessas alturas eu lia-lhes frases, contava-lhes estórias e emprestava-lhes livros, tamanha era a minha paixão pela escrita. Lembro-me perfeitamente de lhes ter falado no Alquimista do Paulo Coelho, [o 1º livro que li dele], e na possibilidade de todos termos uma lenda pessoal destinada. Parvoíces típicas da adolescência.

Com a M. mantive contacto, mas com a Di, a "mai nova", o tempo foi padrasto [mesmo quando nos vimos no casamento da M. mantivemos a  distância de segurança protocolar que este tipo de situações exigem, com muita pena minha, e agora sim, posso dizer, com muita pena dela também]. Até ao momento em que ela me enviou uma mensagem pelo facebook e me relembrou tudo aquilo que eu lhe tinha escrito [a tal fotografia dos postais]. Eu tinha-me esquecido. Tinha-me esquecido por completo o quanto lhe tinha dito, o quanto lhe tinha dado, o quanto lhe tinha contado. Tinha-me esquecido mesmo.

Curiosamente este episódio calhou no mesmo momento em que eu começava de novo a avistar-me, e aquela miúda, meia hippie, de coxa grossa, e óculos à nadador olímpico voltou-me a aparecer à frente. Há mais coisas que me fazem rir nesta foto: a nossa maluqueira própria da idade, as nossas ilusões efémeras sobre o futuro, a nossa capacidade em reciclar sonhos, uns atrás dos outros, a facilidade em rir com coisas triviais, a energia e a curiosidade de quem quer crescer mais depressa do que aquilo que é suposto. 

É por isso que eu não me canso de dizer que a vida é um eterno regresso a casa, e caso não tenham lido o Alquimista, eu posso adiantar-vos parte do desfecho do livro [perdoem-me a revelação], mas parece-me importante dizer-vos que "os tesouros que todos nós procuramos encontram-se no sítio aonde estiverem os nossos corações". Uma conclusão simples e verossímil. Hoje em dia já não leio Paulo Coelho, [perdoem-me outra vez os fãs que se sentirem lesados], mas gostei muito que as estórias dele fizessem parte das estórias da gente as três. 

E ainda bem... ainda bem que o passado me veio revisitar. Ainda bem que me fizeram lembrar-me de quem eu fui e a onde eu pretendo voltar: à capacidade empreendedora de reciclar sonhos, uns atrás dos outros.

[imagens: ccstylebook]

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2 comments

  1. Eterna juventude!

    (agora, vou ler o pos dos postais).

    Beijinho

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  2. sou tua nova seguidora ..) adorei o teu blog *-*

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    beijocas

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