A loucura dos 30 [e quase 1]

quinta-feira, abril 16, 2015

[ah maldito coração, quando é que perdes a mania de te meteres em tudo o que eu faço?]
Em Setembro de 2012 escrevi-vos isto:

«Na semana passada passaram 6 meses desde a minha entrada neste último projecto. Pela 1ª vez na vida estou a gostar de trabalhar com mulheres! Quando entrei para uma equipa constituída por mulheres na sua totalidade tive um pensamento imediato, "Quanto tempo é que isto vai durar?". O meu trabalho tem-me ensinado a dar todos os dias. É um esforço constante. Repete-se a cada 30 minutos, com clientes sempre diferentes. Os sorrisos reciclam-se e a energia regenera-se. Cada uma das mulheres da minha equipa tem traços da personalidade mais vincados, e eu estou maravilhada com esta relação de amor. Como é que podemos ser tão diferentes e darmo-nos todas tão bem? Não sei, não faço a mínima, mas que resulta, resulta. (...) "Apertar mamas o dia inteiro, não é para qualquer uma!". Nós somos especiais. Eu própria tenho receio quando entra alguém que conheço na loja. Tenho receio, mas não tenho vergonha. Eu nunca deixei de ser quem sou, nunca deixei de ser a pessoa que era antes de trabalhar numa loja. No fundo, acho que a vida me brindou com muita coisa boa!!»

[o entusiasmo de principiante é das drogas mais lixadas que uma pessoa pode consumir na vida]
730 dias depois, em 2014, escrevi-vos isto: 

«Ora então, o que é que aprendi ao fim destes 730 dias a trabalhar com público? Imensa coisa. Mais do que nos outros anos todos, arriscar-me-ia a dizer. Aprendi a controlar melhor o meu génio (ainda que isso seja um exercício demasiado difícil para a minha pessoa), aprendi a desenvolver melhor as minhas competências como comunicadora, aprendi a dar mais do que aquilo a que estava acostumada a dar, e aprendi a ser mais forte, mais do que aquilo que eu imaginava ser. Eu deixei de gostar do meu trabalho no dia em que me impediram de contar "estórias". Deixei de cuidar dele como cuidava dantes. Deixei de acreditar nele como acreditava antes. E aos poucos e poucos fui aguentando o adeus de par em par de pessoas que eram a "minha equipa". Aprendi, sobretudo, que um trabalho não nos pode mudar assim tanto. E aprendi que há coisas que não têm preço. Aprendi ainda que esta tem sido uma das maratonas mais longas da minha vida... e aprendi o quão importante é mantermo-nos fiéis a nós mesmos, do principio até ao fim, mesmo que isso implique bater o pé as vezes que for preciso. Se sou feliz a fazer o que faço?! Bem... não sou infeliz, mas enough is enough!»

[resumidamente é isto: “I've learned that people will forget what you said, people will forget what you did, but people will never forget how you made them feel.”] Maya Angelou


Hoje escrevo-vos o seguinte: faltam 6 dias para encerrar este capítulo. Despedi-me.

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2 comments

  1. " Despedi-me".
    Fiquei sem palavras.
    O mais que posso dizer é que, com o talento que a CC tem, uma porta vai abrir-se, com certeza.
    Um grande abraço, CC

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    Respostas
    1. Espero que sim Maria, ou melhor, acredito que sim. Beijinho

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