#Lost in Translation

sexta-feira, abril 10, 2015

Agora que os dias entre mamas se estão a acabar, (ins'allah!), tenho revivido na minha cabeça muitos dos episódios que se passaram ao longo destes 3 anos... Ainda ontem meti-nas todas a rir quando lhes contei um atendimento que fiz a uma parisienne chiqui-bem.

A mulher não percebia peva de inglês, mas queria porque queria experimentar um soutien que lhe servia nas orelhas. Acompanhei-a até ao provador e fui-lhe buscar um soutien diferente para lhe "tirar as medidas". Começaram os afrontamentos da madame. Acontece que o soutien que eu lhe queria experimentar não era o soutien que ela tinha dito que queria ver... E explicar-lhe que isso fazia parte da consulta? Era o tanas! Nem com mímica nem com gestos tribais de paz [inventados por mim] a coisa lá ia...

Atrás dela, a tentar amarrá-la dentro do soutien [na esperança que isso funcionasse como uma camisa de forças daquelas ultra resistentes] só a via esbracejar e gritar alto em bom francês: "C'est incroyable! Incompétent! Ma fille je n'ai pas toute la journée! Apporter ce que j'ai demandé! Déjà! Déjà! Déjà! Non, non, non... Vous m'avez bien entendu?! Idiot!

À medida que ela foi gritando cada vez mais alto a minha vontade em asfixiá-la dentro do provador cresceu de uma forma desmedida. Eu não lhe conseguia traduzir para francês aquilo que eu pensava dela, mas conseguia perceber em bom português todos os nomes que me chamava... [não sei quem é que se lembrou de baptizar o francês como a língua do amor... porque francês calmo, limpo, pausado, pode ser lindo, agora cheio de palavrões perde toda a sua mística]. O problema é que a certa altura perdi a cabeça dominada pelos nervos que a impossibilidade da comunicação me estava a causar. Comecei a desatinar em português... Ingenuamente, esperava que o ditado "para bom entendedor, meia palavra basta", fosse um conceito popular além-fronteiras.

Os momentos seguintes deram lugar a um diálogo franco-português hostil: "Incompétent!", "olhaaa que não falas assim comigo...", "Déjà, déjà, déjà!", "calma láaa contigo...", "Vous m'a vez bien entendu?", "entendi, entendi sua grande besta", "Idiot!", "amiga, booolinha baixa!". 

Bolinha baixa?! Porque raio é que me fui lembrar de dizer isso?! [devia estar a pensar em afogar as mágoas numa bola de berlim, só pode]. Deve ter sido um momento de consciência antes de lhe dizer o que me apetecia: "vai à merda minha grande cabra!" Eu já suava quando ela finalmente se acalmou [com um dardo daqueles que se injecta nos ursos a coisa tinha sido mais rápida]. E depois de experimentar o dito soutien que tanto queria, virou-se para mim, muito cordialmente, e disse: "Merci, je vais réfléchir!" Ah, o que tu precisas mesmo é de reflectir, mal educada d'um raio!

Raios partam as estrangeiras! Até a falar de mamas se arranjam problemas multiculturais, já viram?! Prefiro de longe as nórdicas e as de leste, mesmo que me ofendam, não as percebo, "ouvidos que não ouvem, coração que não sente". Bolinha baixa, ok?!


Deixe um comentário

4 comments

  1. Arrancas sempre uma risada minha. És a melhor CC, love you! Muito bom! Bom fim de semana minha querida! Beijinhos!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Oh que fofa Clênia! Ainda bem que te consigo fazer rir :P Beijinho
      E bom descanso... Amanhã ainda vou aturar umas maluquinhas!

      Eliminar
  2. Apetece-me dizer "f**@-se a gaja".
    Enfim, julgam que nos rebaixam, sim, porque os franceses sempre troçaram dos portugueses.

    :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ah ah ah Maria, também me apeteceu, confesso-lhe... Foi complicado, a maldita francesa era mesmo muito mal educada, deixou-me com os nervos à flor da pele! Beijinho

      Eliminar