#a vida aos 30

#Quando se ama alguém com depressão

quarta-feira, maio 27, 2015


Estar ao lado de quem está a passar por uma depressão não é uma posição agradável, nem tão pouco confortável. Já estive de ambos os lados. E já cometi os mesmos erros de ambas as vezes. Não é fácil ver um marido, uma mãe, uma filha, uma irmã, uma namorada, entregar-se ao desespero e à tristeza

Na maioria das vezes, quem convive diariamente com alguém deprimido tem tendência a ceder, rapidamente, à frustração. As pessoas que nós esperávamos que nos ajudassem começam a questionar-se sobre si mesmas, sobre a sua utilidade e o seu valor. Não conseguir ajudar alguém deprimido não está relacionado com ser-se impotente ou insuficiente. Estar ao lado de alguém deprimido exige um trabalho de amor exaustivo. 

Recomendo-vos este artigo, [maravilhoso], escrito pela Koty Neelis, "13 Things to remember when you love a person who has depression", do qual destaquei os pontos que fizeram mais sentido para mim e que considero importante lembrar a quem comparte essa luta todos os dias.

1. Depression is not a choice... 
2. Saying things like "it'll get better" is meaningless.
3. Sometimes they have to push you away before they can bring you closer.
4. They can become easily overhelmed.
5. It's not about you.
6. Avoid ultimatums, demands or a "tough-love" approach.
7. They don't always want to do this alone.
8. Try not to compare your experiences with theirs.
9. Schedule time to spend together.
10. Just because someone is depressed it doesn't mean that they are weak.

Lembrem-se sempre que as pessoas deprimidas não escolheram viver deprimidas. Mesmo que elas queiram "curtir" as dores sozinhas, sabe-lhes muito bem ter alguém ao lado [e quando tiver passado a tempestade, serão essas as pessoas de quem elas sempre se irão lembrar]. E apesar de estarem deprimidas, essas pessoas não estão perdidas. A tristeza pode esconder-se atrás de um batom, de uma roupa nova, de um perfume ou de uns saltos altos, mas... 

Quantos de nós não continuamos a viver mesmo de coração partido?

#conversas de mulheres

#As manchas de pigmentação + eu = amigas para siempre!

terça-feira, maio 26, 2015


Quando chega o Verão, eu pareço o Gorbachev, [é óbvio que estou a exagerar!], mas como podem comprovar pela fotografia [de cara lavada], pareço uma vaca malhada como se diz na minha terra... Quando o tempo começa a aquecer, aparece-me [quase sempre] um selo na testa mais escuro e um bigode farfalhudo, [ups, não se diz bigode, diz-se buço] que dá o ar de que está sempre por fazer, como o da Fernanda Ribeiro, antes dela ter conhecido uma prática comum entre as mulheres chamada depilação.

Mesmo usando protector solar 50+, chapéus com abas que dão para uma família inteira,  e evitando a exposição solar nas horas mais quentes, as manchas continuam a aparecer todos os anos... E a quiduxa da minha dermatologista ainda me disse: "prepare-se, quando engravidar ainda fica pior" [quer-me parecer que ela não é lá grande defensora das medidas pró-natalistas].

Enfim, com as manchas eu já aprendi a viver, [obrigada hormonas por esta maquilhagem pro bono], mas e tentar disfarçá-las sem parecer um palhaço? É que para uniformizar o rosto é preciso utilizar uma base mais escura... Fico sempre com a cara semi cor de laranja como se tivesse vindo de um cruzeiro no caribe e com o resto do corpo branco translúcido, onde se pode comprovar que o sangue que me corre nas veias é verdadeiramente azul!

Ah, e as amigas fofas que perguntam: "o que é que te aconteceu, queimaste-te?" Não, não me queimei, mas estou a ponto de "churrascar" alguém! As pessoas respeitam muito pouco os corpos dos outros... Xiça! E agora a revelação mais esperada de todas: os peelings e os cremes de despigmentação ajudam qualquer coisa, mas não são milagrosos! Desapontadas? Lamento. As manchas  nunca desaparecem na totalidade, até porque o que é de origem hormonal acompanha-nos para todo o sempre.

O melhor mesmo é protegerem-se do sol o mais que puderem e assumirem com convicção os vossos bigodes, ups!, buços. As mulheres portuguesas não são conhecidas por isso além fronteiras? É o preço a pagar por vivermos num país à beira mar plantado.

[imagens: ccstylebook]

#a vida aos 30

#Quem tem uma irmã como a minha tem tudo!

terça-feira, maio 26, 2015

(a minha irmã continua a ser a pessoa que mais me surpreende na vida!)
[transcrição da conversa que tivemos por whatsapp]

Ela: Gostava de ir para o coro da igreja. 
O que achas da ideia? Mas como não tenho voz não me devem admitir...

Eu: Irmã andas a beber e não me disseste?

Ela: Acho bonito! Tu estás perdida do rebanho de Deus, criatura...

Eu: Olha a sério... Nunca pensei que ia rir tanto hoje às tuas custas...
Mas tens todo o meu apoio!

Ela: Estou mesmo a sério, só tenho medo de me recusarem, mas gostava muito...
Não acredito que estás a achar estranho, será que a minha depressão está a mudar-me?

Eu: Eles aceitam... Vão lá recusar...

Ela: Se não der, hei-de ajudar na missa... Tu também devias arranjar algo!

Eu: LOL!

(espero que me perdoes, mas a conversa foi boa demais para ficar só entre a gente!)
Dois conselhos relativamente às tuas novas intenções: 1º) o coro da igreja não funciona como os Ídolos, desconfio muito que os coristas tenham desconto em serviços estéticos; 2º) acho que está na hora de mudares a medicação que andas a tomar... just saying! 

Moral da estória: obrigada por me fazeres rir, tão genuinamente, como não ria já há algo tempo.

#coloração

#Afazeres [domésticos] de fim de semana

sábado, maio 23, 2015


Depois da casa limpa... toca a sujá-la outra vez!!! [não sei porque é que me empenhei tanto a lavar a casa de banho!!!] Mas uma mulher é assim mesmo, pelo menos eu sou... quando vejo uma coisa que me incomoda, tenho mesmo de lhe meter a mão! [e às vezes bem que eu gostava de meter a mão, os pés, os dentes, e por aí fora...]. Já não me conseguia olhar no espelho com o cabelo de 3 cores... Parecia uma obra de arte abstracta: raíz, meio e pontas!!!].

Escolhi no supermercado o 5.25 Castanho Urban Edge da Nutrisse Ultra Color Garnier [também não haviam grandes opções, confesso]. É uma espécie de castanho caramelo... da colecção de Outono-Inverno 2014! [não faz mal, o que interessa é cobrir aquilo que é preciso!]. Neste exacto momento tenho muitas partes do corpo pintadas, [espero que o cabelo seja uma delas]! e estou quase a saltar para o duche para ver o resultado final! Se tudo correr bem, amanhã, com estiver com a roupinha de Domingo, tiro uma selfie, daquelas muito tortas, só para vocês verem a belezura... E por aí, alguém reservou o dia para as pinturas?

[imagens: ccstylebook]

#a vida aos 30

#Maluquinha que só eu sei

quinta-feira, maio 21, 2015


Tenho passados os últimos dias em casa, apesar do bom tempo. Dar três passos nem que seja para ir ao café da esquina parece-me um sacrifício para lá de humano. A minha petite maison tornou-se no meu bunker [e infelizmente, eu gosto disso]. O objectivo quando a encontrei era ser feliz nela, mas as coisas correram um bocado para o torto, confesso... Na última consulta com a psicóloga, chegámos à conclusão que eu precisava de me descontrolar. Bonito... Anda meio mundo sem saber usar travões e eu tenho de cortar o fio dos meus. Pode parecer fácil, mas não é. Não é nada fácil...

Pensei por momentos que já tinha conquistado algum terreno aos meus medos, mas ao que parece, estava sentada na ponta do iceberg e só agora me dei conta do tamanho dele. Estava feliz porque já conseguia viajar nos autocarros, com metade de Lisboa inteira, sem ter um ataque de ansiedade, mas isso não parece suficiente. "E agora, qual é a próxima coisa que vai evitar?", perguntou-me ela. "Vai continuar a evitar a vida? Vai continuar a evitar a possibilidade de ser feliz? Vai continuar a evitar dar-se aos outros? Vai continuar a evitar apaixonar-se? Vai continuar a evitar-se?" Porra. Há dias em que a odeio. E uma pessoa ainda paga para nos infligirem estas dores...

Ela tem razão. Custa admiti-lo, mas ela tem razão. Hoje tentei contornar as minhas fraquezas. Escrevi-vos do café. Pedi uma imperial para ajudar-me a relaxar. Tentei ser normal e parecer normal. Tentei não ter medo de fazer uma coisa que sempre fiz. Tentei descontrolar-me controladamente. É difícil explicar este mundo tenebroso em que se entra a quem nunca viveu nele. Vergonha. Receio. Tabus. Admitir que se está fraco e que o nosso cérebro nos está a levar a melhor não é algo que nos dê motivos de orgulho. Vivemos a vida de uma forma demasiado séria. Não nos permitimos rir com as nossas falhas.

Ainda que tenha sido um pequeno passo para a humanidade, mas um grande passo para mim, venham mais idas ao café. Venham mais imperiais. Venham mais posts. Mais conversas. Mais estórias. E venha o descontrolo de que tanto se fala e de que eu tanto preciso. E se me virem na rua a bater mal da cuca, deixem-me estar... É terapêutica recomendada pela médica. Até amanhã!


[imagens: ccstylebook]

#apoio masculino

#Queixas sobre o trabalho [ou "o que os homens não querem ouvir"]

quarta-feira, maio 20, 2015

Ajudem-me lá com este quebra-cabeças meninas... Os vossos mais-que-tudo dão-se ao trabalho de ouvirem as vossas "queixas" normais sobre o emprego sem fazerem cara de quem está a ter uma indigestão? Eu sei que uma mulher histérica, a prometer puñetazos aos chefes e aos colegas não é tão interessante como a discussão de um jogo de futebol, mas faz-me espécie o facto deles nem se esforçarem em disfarçar a atitude laissez-faire que tanto os caracteriza... Será ingénuo da minha parte esperar que utilizem a massa cinzenta que têm entre as orelhas de livre e espontânea vontade?

Os homens são práticos, e até certa medida, eu aprecio bastante, e até promovo essa mais-valia, mas verdade seja dita: eles nasceram com a bússola virada para o umbigo!!! Não há volta a dar, estão todos programados para satisfazer as necessidades básicas em primeiro lugar. Ninguém espera casar com um Daniel Sampaio ou um Eduardo Sá, mas e que tal, acertar num companheiro, bom ouvinte, que não faz cara de frete sempre que o assunto é trabalho? Quer-me parecer, dada a escassez de provas em contrário, que é bem mais fácil acertar nos números do euromilhões.

Os homens, ai ai os homens... Os homens são um zero à esquerda no que toca a descodificar necessidades femininas. Não entendem porque é que as mulheres dão tanta importância à realização profissional. Acham que os tachos e as panelas são entretenimento quanto baste para alguém que exige ser amada (e valorizada!). Bullshit! É à custa deste pensamento machista e demodé, que as mulheres têm de se reproduzir como se reproduzem as matrioskas para lhes garantir comida, cama e roupa lavada, parecerem sempre impecáveis aos olhos dos outros e serem ainda profissionais felizes... 

E isso, isso não parece trabalho suficiente seja para uma mulher de 50 ou para uma 30 porque se sempre o fizemos e nunca ninguém se queixou, não vale a pena esperarmos que eles, homens, se perguntem como é que é possível sermos capazes disso tudo... Pois é, eu não nasci para cozinhar, lamento. Adoro que o façam para mim. E digo-o sem pudores nenhuns. E também não nasci para fazer aquilo de que eu não gosto. Disso não abro mão. E se há coisa de que me arrependo verdadeiramente na vida foi de ter demorado tempo demais a fazer coisas das quais nunca gostei, ou nem sequer tinha hipótese de vir a gostar. 

E se houver, algum homem, pouco inteligente, que me faça escolher entre ele e entre continuar a procurar aquilo de que eu gosto, a resposta será obviamente: continuar a procurar aquilo de que eu gosto. Continuar a procurar aquilo de que gostamos não invalida que deixemos de gostar daquilo que já gostamos... nós somos a soma de várias coisas, de várias estórias e de várias pessoas. Não podemos apagar o passado, nem podemos adivinhar o futuro, [não ia ter lá muita piada], mas podemos viver o presente de acordo com os nossos princípios e de acordo com aquilo em que acreditamos... 

E apesar de já ter dado umas voltinhas neste mundo, de já me ter aventurado por caminhos desconhecidos e por já ter perdido algumas (boas) oportunidades, só vos posso dizer uma coisa: tristes daqueles que nunca desistiram de nada em troca de irem atrás daquilo que gostavam.

#beleza feminina

#Mulheres sentem-se mais bonitas à 2ª feira...

terça-feira, maio 19, 2015

Ora, andava eu a pesquisar coisas na internet quando encontrei este artigo:

"(...) Especialistas em cuidados de beleza de uma clínica de Londres, em Inglaterra, acompanharam cerca de mil mulheres e concluíram que é nas manhãs de segunda-feira que se sentem mais bonitas e estão mais disponíveis para interagir com os colegas. Para 72% das mulheres inquiridas, a segunda-feira significa o regresso aos cuidados de beleza, enquanto 31% revelaram que este é o seu dia preferido porque corresponde ao início da semana de trabalho (...)"

Alguém me pode dizer o nome dos comprimidos que as senhoras inquiridas tomam?
Pinterest // Instagram // Facebook // Twitter

#a vida aos 30

#O raio das relações (in)definidas

domingo, maio 17, 2015

Este fim de semana estive num jantar de mulheres e nem foi preciso chegar a meio da garrafa de tinto para constatar que não havia uma alminha entre nós que pudesse dizer que tinha uma relação de jeito [incluindo eu]. Isto de uma pessoa viver em estado de sítio nem sempre é uma coisa que agrade muito aos homens... Infelizmente por aquilo que já vi e ouvi das minhas amigas e por aquilo que também já vivi, quando uma mulher tem uma depressão são raros os homens que se mantêm firmes e hirtos ao lado dela. 

Os meus pais, embora tenham nascido noutra época muito diferente da minha, [nossa], educaram-me para ser auto-suficiente. E a verdade é que qualquer homem que queira competir com eles estará sempre em desvantagem. É verdade também que as mentes mais retrógradas que ainda acreditam na vassalagem feminina não hesitarão em criticar a educação que eu e a minha irmã recebemos... mas para sermos justos temos de reconhecer que as mulheres emanciparam-se. As mulheres já não precisam dos homens para sobreviver, mas isso também não significa que tenham renegado por completo ao amor.

E nisto andamos todos. Nas relações indefinidas. No vamos ficando. No vamos vendo. No nunca chega a ser nada... Quando é que o amor deixou de ser tão simples? [terá sido a Troika que na área sentimental também nos exigiu uma política de contenção?] Duvido. Um dia, quiçá, vamos olhar para trás com pena daquilo que não demos ou daquilo que não fomos. Vamos querer ter tempo para (re)compor, peça a peça, tudo aquilo que fizemos de errado, mas... Apesar de ser uma frase feita, abominável, a verdade é que tudo aquilo que não é dado, perde-se. 

Aquela noite em que não dormiste cá quando eu estava doente. Aquele dia em que não apareceste no aeroporto para me abraçar. Aquela viagem, que tínhamos planeado, e que tu até à última da hora juraste a pés juntos que não querias fazer... Aquele telefonema  que tu nunca fizeste quando me morreu alguém. Acreditar, ainda que eu não estivesse nas melhores condições, que nós podíamos ser mais do que isso e que nós podíamos ser melhores do que isso foi a maior prova de amor que eu te podia ter dado. Mas afinal de contas, acreditar nas pessoas e depositar nelas, parece uma coisa muito demodé para uma mulher tão emancipada e tão auto-suficiente como eu.  Quando é que o amor deixou de ser tão simples? Quando?

#cc favorite things

#Vencedor do Passatempo Spartoo.pt

quinta-feira, maio 14, 2015

Chegou o momento de anunciar o vencedor do último passatempo... Obrigada a todos os que participaram e não se vão já já embora... Outros #ccfavoritethings hão-de vir! A novidade pr'a já é que desta vez quem ganhou o prémio foi um menino, e esta hein?! Senhores a ler o CC?! Espero que sim! Quantos mais, melhor! Quem ganhou o passatempo foi o Cláudio Sousa [link de partilha aqui]. Muitos Parabéns Cláudio! P.s - enviaremos um email com os detalhes da entrega do prémio.

#budha eden

#Jardim da Paz

quinta-feira, maio 14, 2015










Há coisas maravilhosas que nós só descobrimos ao fim de alguns anos... A estória repete-se. Cheguei atrasada, é verdade, mas os tesouros orientais da Quinta dos Loridos ainda lá estão para quem os quiser admirar [e para quem esteja em falta, tal como eu estava].

Uma pequena viagem até ao Bombarral, deixa-vos às portas do maior jardim oriental da Europa, o Bacalhôa Budha Eden. São 35 hectares de protesto [a sua construção teve como objectivo condenar a destruição dos budhas gigantes de Bamyan].

O passeio, longo, e acidentado [prepare-se para subir e descer montes se não lhe apetecer ir no comboio habitual que dá a volta à quinta] faz-se entre budas, alguns robustamente dourados, pagodes, estátuas de terracota e esculturas várias distribuídas por entre a vegetação. Pode-se descansar à sombra das árvores ou junto do lago por onde passeiam os peixes KOI.

Se acreditar na sorte, e na tradição, esfregue bem a barriga dos budhas da escadaria central. Se não lhe fizer diferença nenhuma, deixe-se apenas respirar num lugar único onde a primeira coisa que vai sentir a encher-lhe o corpo é um misto de paz e tranquilidade. Cinco estrelas.

[imagens: ccstylebook]

#a vida aos 30

#Mea culpa

quarta-feira, maio 13, 2015

Durante muito tempo, e até à bem pouco tempo, eu sentia necessidade de ser boa em TUDO. Eu pensava, muito honestamente, que tinha vindo a este mundo para ser irrepreensível. Eu carregava nos ombros o peso e a responsabilidade de ser uma boa profissional, uma boa filha, uma boa irmã, uma boa namorada, uma boa amiga... Não me permitia perder o controlo de todas as coisas que eu de facto nunca controlei... Não me permitia "quitar la toalla" como dizem os espanhóis. Não me permitia desistir. Nem me permitia falhar, mas tão pouco me permitia ser FELIZ.

Continuar a resistir quando já não existem recursos, nem fontes de alimentação é um erro. É um erro hediondo. E continuar a querer ser um equilibrista sem equilíbrio só pode acabar na pior das tragédias. Acho que foi por isso que entrei em "loop" quando fiz os 30... Parecia um cachorro a correr atrás da própria cauda, sistematicamente, dia atrás dia.

Com tanto desperdício de energia, os danos colaterais foram-se espalhando por diferentes áreas da minha vida... Tudo me sabia a imperfeito, incompleto... Todas as coisas pareciam que não tinham o seu devido valor e eu tal como essas coisas, continuava a pressionar-me, continuava a culpar-me por elas não serem como eu queria que fossem: PERFEITAS. E durante muito tempo, alimentei a ideia de que era eu que andava ao contrário do mundo... Que era eu a culpada, e a maior responsável, por não conseguir aceitar as evidências. 

Chegou o dia em que me apercebi que tinha de quebrar este movimento desconstrutivo, e na maioria das vezes, evasivo, e alinhar a "musculatura" da minha consciência. Procurei ajuda e pus mãos, cabeça e coração à obra. E depois de tanto tempo a funcionar ao contrário, percebi uma coisa realmente importante... Eu não tenho de ser boa em tudo, eu só preciso de ser boa para mim, de ser boa comigo. E quando eu cuidar de mim como deve de ser eu vou conseguir cuidar de todo o resto como todo o resto precisa de ser cuidado, mas enquanto eu não o fizer primeiro comigo, o mundo não vai ser o lugar que eu imaginei só porque sim.

Amar não é um exercício egocêntrico, mas se nós não depositarmos o valor que acreditamos ter nas coisas e nos outros, e deixarmos ser deles essa responsabilidade, vamos viver para sempre incompletos e insatisfeitos. É por isso que a relação mais duradoura e mais fiel de toda a nossa vida deve ser uma só: a que mantemos connosco mesmos. É um caso de amor, é. Complicado, sem dúvida. Mas experimentem deixar as culpas de parte e façam as pazes convosco mesmos. Nós devemo-nos conquistar a nós próprios. Dia após dia. Aniversário após aniversário. Trabalho após trabalho. Vitória após vitória. Perda após perda.


#fora de casa

#Um esconderijo para descansar

segunda-feira, maio 11, 2015








A Serra da Estrela é um dos meus esconderijos predilectos para descansar... Apesar de ser um destino tipicamente de Inverno, a sua beleza não se dissipa no calor dos primeiros dias de Verão... Para quem prefere o campo à praia, [put you hands up in the air], a serra oferece natureza de uma forma tão intensa e tão pura que é impossível sair de lá com o coração comprimido. A simbiose entre o verde e o azul, o céu e a terra, desfribila as almas mais oprimidas e trá-las de novo à vida. 

Recomendo-vos o Hotel dos Carqueijais. A minha estadia por lá foi muito agradável: o pequeno almoço é óptimo, as instalações são impecáveis e em relação às paisagens, as imagens falam por si! Para quem aprecia a boa gastronomia portuguesa, aconselho um passeio até à Covilhã... Come-se à grande e à francesa, ou melhor, portuguesa, por meia dúzia de trocos [e o queijo... hummm, o queijo é mesmo muito bom!!!]. 

O resto?! O resto fica ao vosso critério, a companhia, o livro, o transporte, o biquíni ou o fato de banho... O importante é irem e reenergizarem-se [acabei agora mesmo de inventar uma palavra nova, oba]! Isto tudo porque para viajar a gente não precisa de ir muito longe, não concordam? 

Boa segunda! Boa semana! Inspira, respira e não pira!
[imagens: ccstylebook]

#emigração

#A definição perfeita de amor

sábado, maio 09, 2015

As mãos e a cara dele denunciavam uma vida de trabalho, honesta, humilde, dura. Mas aqueles olhos... Aqueles olhos tinham mais para contar. Tinham o brilho especial, difícil de encontrar, das pessoas que falam com o coração e não com as palavras.

"Vi-a à janela e disse: 'Eh raparigaaa, ai Jesus!'... Nunca mais consegui dormir". Mas nesse tempo a vida nos Açores não era uma vida próspera. A janela ficou vazia, mas ele, o homem de quem vos falo, continuou sem conseguir dormir. "Nem tive tempo para falar com ela, descobri que tinha emigrado com a família para o Canadá". E perguntei-lhe curiosa, hesitante, pouco crente: "e o que é que fez a seguir?" 

"O que é que eu fiz a seguir?! Oooh é claro: fui atrás dela!" "Foi atrás dela sem eira nem beira, sem a conhecer verdadeiramente, para uma terra que não era sua, para um lugar onde ninguém o entendia?" O brilho nos olhos intensificou-se. "Eu quando cheguei lá fui procurá-la, fui a casa dos pais dela e disse que precisava de falar com ela..." "O que é que lhe disse?" "Eu só precisava de lhe perguntar uma coisa: 'Eh rapariga, tu gostas de mim'?" "E então?!" "E então ela disse que gostava e era só isso que eu precisava ouvir".

A simplicidade da estória parecia-me inverossímil. "Mas como é que duas pessoas que não se conhecem, seguem um instinto incerto, sem saber se as coisas vão correr bem?" "Nós não sabíamos se as coisas iam correr bem... nós queríamos que as coisas corressem bem".

É verdade. O amor é capaz de ser isto. Arriscar. Dar. E acima de tudo, querer.
Pinterest // Instagram // Facebook // Twitter

#a vida aos 30

#Um conselho de quem não é mãe para quem o é

domingo, maio 03, 2015



Eu não tenho filhos. A minha irmã mais velha também não tem... No entanto há todo uma linha de sucessão de boas parideiras na minha família que parece quase um sacrilégio quebrar com a tradição. Ter filhos não é, para já, uma prioridade [mas isso também não é novidade para quem por aqui anda].

Há pessoas que eu tenho [quase] a certeza que não nasceram para serem mães [e vá lá, que alguns dos exemplos nos quais eu penso quando vos escrevo isto, tiveram a distinta humildade de fazer esse favor ao mundo não deixando perpetuar descendência]. Há outras pessoas de quem duvidei... Não imaginava que conseguissem desempenhar esse papel sem darem um tiro nos cornos... e há ainda outras pessoas, [que fazem parte do mesmo grupo em que eu estou], que até à data não sabemos como se sairão se um dia vierem a ter filhos. E há, [claro que há!], mulheres que se portaram razoavelmente bem no papel que assumiram.

Por aquilo que tenho visto das pessoas da minha geração, partir dos 30, as barrigas começam a rebentar que nem pipocas... Uma aqui, outra ali, tudo mais ou menos seguidinho. O número de sobrinhos por afinidade tem crescido a olhos vistos... é por isso que eu já nem saio à noite. As noites de rebolation aos sábados, foram substituídas por tardes de babysitting aos domingos [maaas, atenção! haverá sempre uma mini-saia no closet à espera que lhe tirem o mofo!].

É muito giro rirmos e falarmos daquilo que a gente não sabe, né? Agora vem a parte séria da coisa. Durante o meu percurso profissional tenho trabalhado com várias mães, umas melhores do que outras, confesso. Com as mães da mesma categoria profissional eu nunca tive problemas, agora com as "madres superiores" tive muitos. As pessoas com falta de talento, só sabem fazer bem uma coisa: lamber o rabo de quem lhes interessa [perdoem-me a expressão]! E na hora em que são confrontadas com a verdadejustificam as suas faltas de carácter por necessidade, por terem filhos, por serem umas coitadinhas.

Há uma certa superioridade das mulheres que são mães face às que não são, não há? Sou só eu a única a achar isso? Digam-me o que vocês pensam, mas a minha experiência diz-me que essas tipas, frustradas, são peritas em usar os filhos como escudo para camuflarem metade dos problemas mal resolvidos que carregam dentro de si... Mulheres com dor de cotovelo são uma praga na sociedade, mas mulheres com dor de cotovelo e mães são uma locomotiva a ponto de descarrilar. 

Tenho pena dessas crianças que não são responsáveis pela ignorância dos pais [mas que acabarão lesadas pela mesma]. E tenho pena desses pais que não sabem dar aos filhos aquilo que eles realmente precisam. Não são os pais os primeiros modelos das crianças? Então, tenham vergonha minhas senhoras, muita vergonha mesmo, e percebam que a palavra mãe abarca mais responsabilidades do que levar os filhos aos concertos da Violetta...

Eu não sou mãe. Mas não é preciso sê-lo para ver a falta de maternidade que existe em algumas mulheres, as mesmas que ousam dizer que eu não tenho feitio para ser mãe... Eu não tenho feitio é para ser hipócrita. Os vossos filhos não são responsáveis pelas vossas escolhas, ok? Não culpem as crianças daquilo que vocês são incapazes de fazer. Eu conheço muitas mulheres que deram a volta ao cavalo, em determinados momentos das suas vidas, sem ser preciso passar por cima de alguém... e os filhos e filhas dessas mulheres são hoje pessoas dignas, cheias de valor. Não se esqueçam disso, da próxima vez que estiverem com a faca na mão, prontas para apunhalar alguém. 

[imagens: Springfield]

#a vida aos 30

#Mon petit chou

sábado, maio 02, 2015


A forma como eu conheci a Sara foi muito engraçada. Estávamos em 2002 e tínhamos chegado ambas atrasadas à primeira aula de Ciências da Comunicação... Eu, saloiinha açoriana, porque não percebia nada dos horários, nem das salas, nem das disciplinas, ela porque [muito] provavelmente tinha saído à noite no dia anterior. Enquanto esperávamos pelo intervalo para podermos entrar à socapa sem dar cana logo no primeiro dia, fomos trocando algumas palavras. 

Notei-lhe um brilhozinho nos olhos quando lhe disse que vinha dos Açores... Uma das grandes paixões da Sara é viajar e eu confesso que sempre lhe tive muita inveja por causa disso... por causa da sua falta de medo em relação ao desconhecido. À primeira vista, eu e ela não tínhamos nada em comum. A Sara era um bocado "rastafari", e eu era uma "menina de bem" [aparentemente]... Mas naqueles tempos eu andava tão desesperada [e tão perdida] na grande cidade que acabou por ser o meu próprio instinto de sobrevivência o responsável por me fazer alargar um pouco os horizontes.



Nessa primeira conversa descobri que ela, apesar de ter nascido em Lisboa, vivia em Luxemburgo, e esse sentimento partilhado de estarmos ambas sozinhas na grande alface acabou por criar um elo de ligação improvável entre nós as duas. Posso chamar-lhe entre várias coisas, "madrinha"... Foi ela quem me levou pela primeira vez ao Bairro Alto! Lembro-me tão bem, fomos comer tostas a um bar qualquer... E também foi ela que me iniciou na tradição dos Santos Populares... Trazia na cabeça uma boina militar ao estilo do Che e na mão, uma garrafa de água de litro e meio cheia de gin tónico! O "eu sei, eu sei és a linda portuguesa com eu quero casar, já corri mundo, não encontro outra igual com quem eu queira ficar" tornou-se o nosso hino durante semanas a fio. Uma vez apresentei-a a um amigo da Terceira muito queque, e ele disse-me: "credo, não imaginava que andavas metida com esses comunas!" Rimo-nos tanto. 



Levei-a aos Açores ainda durante a faculdade. E apesar de eu não querer ir percorrer outras ilhas, deixei-a no cais de Angra e vi-a sozinha embarcar para São Jorge. Sempre gostei dela por isso. Pela tamanha curiosidade. Despedi-me dela no final do curso, no aeroporto de Lisboa, quando decidiu ir viver para Barcelona. E fui lá visitá-la quando estive a viver em Valencia. Acabou comigo nas urgências do hospital por causa duma puta de uma gastrite que me ia matando... 

Eu voltei de Espanha, ela não. Passados uns anos, mandou-me uma mensagem pelo facebook a avisar-me que se casava dali a duas semanas. Era para eu aparecer na conservatória x, no dia y. Na festa de casamento, ela olhou para mim e disse-me: "já sabemos onde isto vai acabar. a minha avó divorciou-se, a minha mãe divorciou-se, a minha tia divorciou-se, é provável que eu me divorcie também". Voltámos a rir que nem umas perdidas e chocámos os copos de champanhe um contra o outro, tchin-tchin!



Perdi-lhe o rasto durante os tempos. Mas de vez em quando havia uma mensagem na inbox para dizer qualquer coisa uma à outra, nem que fosse um simples, "tenho saudades tuas". Sempre soube da enorme vontade que ela tinha em partir à aventura pela Índia, e no dia em que fiz 31, lá estava a mensagem dela na inbox do meu pc. "Parabéns couvinha!". Couvinha porque sempre foi assim que nos tratámos... "mon petit chou"

Está em viagem por onde sempre quis estar. Está divorciada. Despediu-se do emprego. Fez as malas. Está a viver uma espécie de "eat, pray and love" [e bem que eu precisava de um retiro assim também!]. E eu disse-lhe: "olha que engraçado, Sara, também atirei tudo ao ar! despedi-me". E mesmo que fosse online, voltámos a rir. A rir muito. Disse-me que agora tinha aprendido a viver de uma forma diferente, "no expectations", e que achava que existiam determinadas pessoas para determinados momentos, mas que era muito difícil encontrar alguém que fosse tão linear quanto as nossas expectativas... Caramba, que saudades que eu tenho dela!



Despedimo-nos com a promessa dos nos encontrarmos em breve. Não sabemos onde. Não sabemos quando. Não sabemos de que forma. Parece uma estória de amor, e não deixa de o ser... A vida é de facto um puzzle estranho. Há peças que surgem naturalmente e que se encaixam na perfeição e há outras que levamos uma vida inteira a procurar... "No expectations". Mais vale assim, né?



[imagens: SS]