#O raio das relações (in)definidas

domingo, maio 17, 2015

Este fim de semana estive num jantar de mulheres e nem foi preciso chegar a meio da garrafa de tinto para constatar que não havia uma alminha entre nós que pudesse dizer que tinha uma relação de jeito [incluindo eu]. Isto de uma pessoa viver em estado de sítio nem sempre é uma coisa que agrade muito aos homens... Infelizmente por aquilo que já vi e ouvi das minhas amigas e por aquilo que também já vivi, quando uma mulher tem uma depressão são raros os homens que se mantêm firmes e hirtos ao lado dela. 

Os meus pais, embora tenham nascido noutra época muito diferente da minha, [nossa], educaram-me para ser auto-suficiente. E a verdade é que qualquer homem que queira competir com eles estará sempre em desvantagem. É verdade também que as mentes mais retrógradas que ainda acreditam na vassalagem feminina não hesitarão em criticar a educação que eu e a minha irmã recebemos... mas para sermos justos temos de reconhecer que as mulheres emanciparam-se. As mulheres já não precisam dos homens para sobreviver, mas isso também não significa que tenham renegado por completo ao amor.

E nisto andamos todos. Nas relações indefinidas. No vamos ficando. No vamos vendo. No nunca chega a ser nada... Quando é que o amor deixou de ser tão simples? [terá sido a Troika que na área sentimental também nos exigiu uma política de contenção?] Duvido. Um dia, quiçá, vamos olhar para trás com pena daquilo que não demos ou daquilo que não fomos. Vamos querer ter tempo para (re)compor, peça a peça, tudo aquilo que fizemos de errado, mas... Apesar de ser uma frase feita, abominável, a verdade é que tudo aquilo que não é dado, perde-se. 

Aquela noite em que não dormiste cá quando eu estava doente. Aquele dia em que não apareceste no aeroporto para me abraçar. Aquela viagem, que tínhamos planeado, e que tu até à última da hora juraste a pés juntos que não querias fazer... Aquele telefonema  que tu nunca fizeste quando me morreu alguém. Acreditar, ainda que eu não estivesse nas melhores condições, que nós podíamos ser mais do que isso e que nós podíamos ser melhores do que isso foi a maior prova de amor que eu te podia ter dado. Mas afinal de contas, acreditar nas pessoas e depositar nelas, parece uma coisa muito demodé para uma mulher tão emancipada e tão auto-suficiente como eu.  Quando é que o amor deixou de ser tão simples? Quando?

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1 comments

  1. Será que o amor deixou de ser tão simples? Ou será que nós complicamos o amor?
    Nós, mulheres, com o tempo vamos ficando exigentes, os homens que mais desejamos não podem "ser nossos", a vida e o trabalho torna-nos independentes "já não precisam do homens para sobreviver", somos invejadas por muitas mulheres e homens casados, o tempo passa e olhamos para trás e concluímos o que muito bem referiu em cima... "porque o que não é dado, perde-se".
    E perde-se muito.

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