#Queixas sobre o trabalho [ou "o que os homens não querem ouvir"]

quarta-feira, maio 20, 2015

Ajudem-me lá com este quebra-cabeças meninas... Os vossos mais-que-tudo dão-se ao trabalho de ouvirem as vossas "queixas" normais sobre o emprego sem fazerem cara de quem está a ter uma indigestão? Eu sei que uma mulher histérica, a prometer puñetazos aos chefes e aos colegas não é tão interessante como a discussão de um jogo de futebol, mas faz-me espécie o facto deles nem se esforçarem em disfarçar a atitude laissez-faire que tanto os caracteriza... Será ingénuo da minha parte esperar que utilizem a massa cinzenta que têm entre as orelhas de livre e espontânea vontade?

Os homens são práticos, e até certa medida, eu aprecio bastante, e até promovo essa mais-valia, mas verdade seja dita: eles nasceram com a bússola virada para o umbigo!!! Não há volta a dar, estão todos programados para satisfazer as necessidades básicas em primeiro lugar. Ninguém espera casar com um Daniel Sampaio ou um Eduardo Sá, mas e que tal, acertar num companheiro, bom ouvinte, que não faz cara de frete sempre que o assunto é trabalho? Quer-me parecer, dada a escassez de provas em contrário, que é bem mais fácil acertar nos números do euromilhões.

Os homens, ai ai os homens... Os homens são um zero à esquerda no que toca a descodificar necessidades femininas. Não entendem porque é que as mulheres dão tanta importância à realização profissional. Acham que os tachos e as panelas são entretenimento quanto baste para alguém que exige ser amada (e valorizada!). Bullshit! É à custa deste pensamento machista e demodé, que as mulheres têm de se reproduzir como se reproduzem as matrioskas para lhes garantir comida, cama e roupa lavada, parecerem sempre impecáveis aos olhos dos outros e serem ainda profissionais felizes... 

E isso, isso não parece trabalho suficiente seja para uma mulher de 50 ou para uma 30 porque se sempre o fizemos e nunca ninguém se queixou, não vale a pena esperarmos que eles, homens, se perguntem como é que é possível sermos capazes disso tudo... Pois é, eu não nasci para cozinhar, lamento. Adoro que o façam para mim. E digo-o sem pudores nenhuns. E também não nasci para fazer aquilo de que eu não gosto. Disso não abro mão. E se há coisa de que me arrependo verdadeiramente na vida foi de ter demorado tempo demais a fazer coisas das quais nunca gostei, ou nem sequer tinha hipótese de vir a gostar. 

E se houver, algum homem, pouco inteligente, que me faça escolher entre ele e entre continuar a procurar aquilo de que eu gosto, a resposta será obviamente: continuar a procurar aquilo de que eu gosto. Continuar a procurar aquilo de que gostamos não invalida que deixemos de gostar daquilo que já gostamos... nós somos a soma de várias coisas, de várias estórias e de várias pessoas. Não podemos apagar o passado, nem podemos adivinhar o futuro, [não ia ter lá muita piada], mas podemos viver o presente de acordo com os nossos princípios e de acordo com aquilo em que acreditamos... 

E apesar de já ter dado umas voltinhas neste mundo, de já me ter aventurado por caminhos desconhecidos e por já ter perdido algumas (boas) oportunidades, só vos posso dizer uma coisa: tristes daqueles que nunca desistiram de nada em troca de irem atrás daquilo que gostavam.

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