#Um conselho de quem não é mãe para quem o é

domingo, maio 03, 2015



Eu não tenho filhos. A minha irmã mais velha também não tem... No entanto há todo uma linha de sucessão de boas parideiras na minha família que parece quase um sacrilégio quebrar com a tradição. Ter filhos não é, para já, uma prioridade [mas isso também não é novidade para quem por aqui anda].

Há pessoas que eu tenho [quase] a certeza que não nasceram para serem mães [e vá lá, que alguns dos exemplos nos quais eu penso quando vos escrevo isto, tiveram a distinta humildade de fazer esse favor ao mundo não deixando perpetuar descendência]. Há outras pessoas de quem duvidei... Não imaginava que conseguissem desempenhar esse papel sem darem um tiro nos cornos... e há ainda outras pessoas, [que fazem parte do mesmo grupo em que eu estou], que até à data não sabemos como se sairão se um dia vierem a ter filhos. E há, [claro que há!], mulheres que se portaram razoavelmente bem no papel que assumiram.

Por aquilo que tenho visto das pessoas da minha geração, partir dos 30, as barrigas começam a rebentar que nem pipocas... Uma aqui, outra ali, tudo mais ou menos seguidinho. O número de sobrinhos por afinidade tem crescido a olhos vistos... é por isso que eu já nem saio à noite. As noites de rebolation aos sábados, foram substituídas por tardes de babysitting aos domingos [maaas, atenção! haverá sempre uma mini-saia no closet à espera que lhe tirem o mofo!].

É muito giro rirmos e falarmos daquilo que a gente não sabe, né? Agora vem a parte séria da coisa. Durante o meu percurso profissional tenho trabalhado com várias mães, umas melhores do que outras, confesso. Com as mães da mesma categoria profissional eu nunca tive problemas, agora com as "madres superiores" tive muitos. As pessoas com falta de talento, só sabem fazer bem uma coisa: lamber o rabo de quem lhes interessa [perdoem-me a expressão]! E na hora em que são confrontadas com a verdadejustificam as suas faltas de carácter por necessidade, por terem filhos, por serem umas coitadinhas.

Há uma certa superioridade das mulheres que são mães face às que não são, não há? Sou só eu a única a achar isso? Digam-me o que vocês pensam, mas a minha experiência diz-me que essas tipas, frustradas, são peritas em usar os filhos como escudo para camuflarem metade dos problemas mal resolvidos que carregam dentro de si... Mulheres com dor de cotovelo são uma praga na sociedade, mas mulheres com dor de cotovelo e mães são uma locomotiva a ponto de descarrilar. 

Tenho pena dessas crianças que não são responsáveis pela ignorância dos pais [mas que acabarão lesadas pela mesma]. E tenho pena desses pais que não sabem dar aos filhos aquilo que eles realmente precisam. Não são os pais os primeiros modelos das crianças? Então, tenham vergonha minhas senhoras, muita vergonha mesmo, e percebam que a palavra mãe abarca mais responsabilidades do que levar os filhos aos concertos da Violetta...

Eu não sou mãe. Mas não é preciso sê-lo para ver a falta de maternidade que existe em algumas mulheres, as mesmas que ousam dizer que eu não tenho feitio para ser mãe... Eu não tenho feitio é para ser hipócrita. Os vossos filhos não são responsáveis pelas vossas escolhas, ok? Não culpem as crianças daquilo que vocês são incapazes de fazer. Eu conheço muitas mulheres que deram a volta ao cavalo, em determinados momentos das suas vidas, sem ser preciso passar por cima de alguém... e os filhos e filhas dessas mulheres são hoje pessoas dignas, cheias de valor. Não se esqueçam disso, da próxima vez que estiverem com a faca na mão, prontas para apunhalar alguém. 

[imagens: Springfield]

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7 comments

  1. na verdade, pessoas com falhas há em todas as categorias se é que se pode chamar assim, mas usar o facto de serem mães para as falhas não está certo, mas a mim o que me incomoda, apesar de me rever, quando fui mãe, é que as mamas recentes acabam por ficar meio obtusas nos primeiros tempos ,não tem outro assunto, mesmo com pessoas que não tem filhos e que não teem interesse nisso, acaba por afastar as pessoas eu lembro-me que me dei conta e ás vezes tinha que me calar, e mudar de assunto, mas o pior é que parece que andam sempre a tentar que os outros tenham filhos hehehehhehh e mesmo quem tem, que tenham outro oh god!! hehehehheh
    mas aí estamos a falar de outro assunto
    são as eternas desculpas, todas as pessoas a tem...acho que ninguém é imune
    se há desculpas com mais virtude que outras depende da perspectiva de cada um...
    beijinhos desculpa o comentário immmensooo....

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    1. Neste caso particular nem me estou a referir a mamãs recentes, estou a falar de pessoas crescidinhas, mal intencionadas, que escondem os seus comportamentos atrás das necessidades dos seus filhos... e é essa falta de carácter pessoal pela qual eu acho muito injusto as crianças pagarem! Falhas todas nós temos, é verdade, mas dizer que as temos por causa dos nossos filhos é que já vai longe demais...

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  2. O melhor comentário a este post: Eh toiro!

    Desenganem-se, se pensam que só as pessoas com filhos atiram as culpas em cima da responsabilidade das suas decisões, quem tem falta de brio, carácter e outros apelidos possíveis de referir, também atira culpas a outras desculpas tão maiores que a sua própria existência.
    Afinal é tudo uma questão de principio, ou falta dele.

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  3. Ahhhh pois! É tão mais bonito assumir as culpas do que colocá-las sobre os outros, não é? Por mais que doa inicialmente, acaba-se por aprender algo no fim de tudo.
    Não tenho filhos, mas há muito que vi este "perfil social" traçado e infelizmente, vez por outra defronto-me com Mamãs ou não a justificarem os seus fracassos "por causa dos filhos" ou da "mãe, que é uma senhora de idade e que precisa de cuidados", enfim.... E com isso aprende-se a ser hipócrita, como bem disseste ali em cima, como se isto fosse "convencer" os outros de que esta pessoa seria diferente, se não fosse o filho ou mãe, ou alguém que sirva de muleta para este ser. Minha santa mãe de Deus, quem não tem nada para dar aos outros continuará sempre a inventar desculpas para não dar nada, independente de filhos, independente das circunstâncias. O que mais me chateia nisso, é ver que "aprende-se" a ser assim e é difícil lidar com este discurso ensaiado e viciado de más intenções, onde todos devem ter pena e facilitar-lhe a vida, só porque sim e só porque "coitadinhas delas".

    CC e mais uma vez, dominas esta m....toda quando abordas um assunto tão real. Adoro-te! Entendes-me tão bem! Quando escreveres um livro, já tens uma leitora cativa que comprará uns exemplares, um para mim e uns quantos para oferecer ;)

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    1. Oh obrigada Clênia! Escrevi aquilo que vi muitas vezes acontecer a nível profissional.
      Só tenho pena das crianças. Os "nossos" filhos deviam-nos ajudar a sermos melhores e não piores, mas quem escolhe o que escolhe, escolhe por alguma razão. Só espero que essas pessoas se lembrem que um dia os seus filhos também vão crescer e também vão estar no lugar de quem escreveu o que escreveu... What goes around comes around! :) Beijinho*

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  4. É por estas mães que os alguns filhos, se não for a maioria, dão em palerminhas, mal educados, agressivos, mimados.

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