carrie bradshaw

Quando uma relação acaba

segunda-feira, agosto 31, 2015

Quando uma relação acaba é uma merda. Até pode vir a ser bom, para ambos, mas nos primeiros meses nunca o é. Acho até que devem existir muitas pessoas que não se dão ao trabalho de acabar relações só por causa dos danos que o fim pode vir a causar. Ninguém quer parecer um vaivém espacial fora de órbita. Os sentimentos parecem um ioiô. Vão e voltam, vão e voltam... E as recordações aparecem (quase) sempre associadas a um nome e a um rosto. E o fim de uma relação não é estanque. Não acaba ali e pronto e depois é partir pr'a outra. Há relações que só terminam passados muitos anos, sem nós nos apercebemos. Esta coisa de gostarmos uns dos outros podia ser mais simples, não podia? 

E depois existe toda a bagagem emocional que acumulamos ao longo do tempo. Onde é que a gente arruma as expectativas todas que criámos? Existe algum plano de reciclagem em caso de emergência? Não. Quando estamos dentro das relações fazemos planos para o futuro, mas quando as relações terminam percebemos que não temos nenhum plano para o presente (imediato). O que é que eu faço com os nomes dos filhos que tinha em carteira? (digam-me lá que eu não sou a única a fazer isso, por favor!). Troco-os? Mantêm-nos? Em último recurso junto-lhes um segundo nome? O fim das relações é uma coisa muito cruel. A pessoa tem de se reinventar por completo (até o hipotético nome dos filhos que nem sabe se chegará a ter).

E os vestidos de noiva que se seleccionou secretamente no Pinterest... Ah pensavam que eu não fazia isso, não era?... Faço sim! Apesar de teimar em manter a minha vida tão chique como a da Carrie Bradshaw, eu também ando à procura do meu Mr.Big! Todas sonhamos com o mesmo. Não significa que todas nos queiramos casar. Não significa que todas o façamos perto das mesmas idades. Mas todas queremos aquilo que é a imagem perfeita do amor: envelhecer ao lado de alguém (bem... a avaliar pelo "meu atraso" há uma grande probabilidade de eu conseguir [exactamente] isso!). Um dia ele há-de chegar...

Quando eu era mais nova tinha um fetiche pirosérrimo que acabei por perder com a idade (e com o bom senso, graças ao cepticismo que ocupou a minha vida desde então). Como eu viajava muito de avião e passava algumas horas em aeroportos, enfiou-se-me na cabeça que um dia o príncipe encantado ia chegar da seguinte forma: num carrinho "Follow me", atravessava-se em frente do avião e gritava pelo meu nome enquanto soava a música da Whitney Houston "I will always love you"... Eu sei, eu vi filmes a mais, mas é bonito não é? Agora que estou aqui no meio do campo só posso esperar que ele chegue de carroça ou tractor, mas interessa é chegar. E a banda sonora dispensa-se, se ele tocar uns pratos uma pessoa já fica contente!

Temos de brincar com as partidas que a vida nos prega e com as lições que ela nos vai dando. Não é por isso que a minha lista de pré-requisitos ficou mais pobre ou mais pequena. Continuo a procurar excelência, o que por outras palavras significa alguém que goste muito de mim e que esteja pronto a viajar comigo, mais dentro da minha vida, do que propriamente fora dela. E se for homem para parar um avião, a gente não diz que não.

academia

Não quero saber mais da balança!

sexta-feira, agosto 28, 2015


As fotografias são muito más, desculpem lá, mas são as únicas que testemunham os resultados que atingi nos últimos dois meses, frequentando o ginásio 5 vezes por semana. Não estou mais magra, aliás, na segunda foto até peso mais do que na primeira, mas convenhamos, estou muito melhor, não estou? (roam-se lá suas cobras cascáveis horripilantes)

Não foi pêra doce conseguir esta proeza, ouviram? Tenho muitos factores contra o meu possível sucesso: tomo medicação para a depressão/ansiedade, tenho uma relação emocional com a comida muito forte e muito instável, tenho crises frequentes do cólon, sofro de fadiga crónica, ah, e não tenho meio de transporte que me leve até ao ginásio (estou dependente de boleias). Melhor era impossível. 

De momento eu (ainda) não sou aquela pessoa saudávelzinha que se levanta de manhã cedinho cheia de energia para ir malhar. Claro que não sou. Eu obriguei-me a ir e aguentei dia após dia aquilo que conseguia, fazendo do pouco o meu muito. Se eu me privei de comer aquilo de que mais gosto? Claro que não. Na Terceira não se consegue fazer dieta. Até cheguei a brincar com a situação dizendo que eu ia para o ginásio apenas para poder comer mais... Eu vivo com os pés no chão. Bem calcados. Eu conheço-me. Não vou exigir demais de mim porque para isso já basta o mundo à minha volta.

Estes dois meses foram meses muito importantes sobretudo porque percebi que cuidarmos de nós não se resume a debatermo-nos com objectivos que nos infligem dor (literalmente). Quando estou cansada de andar na passadeira, eu paro. Quando as pernas começam a tremelicar quais torres gémeas a desabar, eu reduzo a sequência de agachamentos e por aí fora... A instrutora está muito preocupada porque aumentei de peso, eu não. Não liguem às balanças. Façam o que vocês têm a fazer, sem pressões, sem ideias preconcebidas, sem fórmulas, sem truques. Sigam o vosso ritmo (acelerem mais um bocadinho se forem umas verdadeiras tartarugas).

O exercício físico para mim é uma forma terapêutica de contornar a depressão. E até agora isso tem sido mais importante do que perder peso (é claro que se também der para perder umas "arrobas" tanto melhor! sabem que eu não tenho por hábito ser hipócrita). E era isso que eu gostava que levassem convosco hoje, quem veio até aqui, ler-me uma vez mais. Mesmo com o coração partido e com a cabeça muito baralhada, nós conseguimos ser mais fortes que os fantasmas que nos deitam abaixo. Eles vão ganhar-nos algumas vezes, aviso-vos desde já, mas também sei que vão enfraquecendo à medida que lhes fazemos frente e que teimamos em não desistir. May the force be with you!

a vida nas ilhas

Tenho receio do Inverno que aí vem

quarta-feira, agosto 26, 2015


Estes últimos dois dias não foram muito fáceis, confesso. Apesar dos Açores serem magníficos e de termos o privilégio de estar em verdadeira comunhão com a natureza, nem sempre a natureza nos dá as respostas que procuramos (e das quais mais precisamos). Ontem passei a meta dos dois meses na Terceira e pela primeira vez durante esse tempo todo fui-me totalmente abaixo. O breakdown pode ter várias explicações. "Estar em casa" é um exercício absorvente, principalmente para quem não está no seu melhor, mas para além disso, a tristeza que me consumiu também se prende com o facto de me sentir forçada a abandonar uma das últimas recordações de Lisboa que ainda conservava, carinhosamente, comigo.

Eu sei que fui ingénua ao pensar que uma relação à distância poderia funcionar, mas não, não funciona. Não funcionou quando estávamos perto e não vai funcionar agora que estamos longe. E às vezes chegar a estas conclusões bastante previsíveis é mais duro do que aquilo que pensávamos que ia ser. Apercebi-me que não gostavam mais de mim. Dei-me conta que os telefonemas já não eram correspondidos da mesma forma e que as saudades e o sentimento de falta tinham deixado de nos ligar. Estamos sozinhos, como sempre estivemos e é improvável que consigamos ficar juntos como sempre imaginámos. Talvez tenhamos sido um para o outro a pessoa errada, no momento errado. Com uma enorme pena minha.

Estive hibernada dentro do meu quarto. Geralmente é o que eu faço até que a tormenta passe. Desliguei-me do mundo (menos do frigorífico, é claro!). Ataquei uma pizza e um gelado tal como fazem as actrizes nas comédias românticas americanas. Nunca vou deixar de ter uma relação emocional com a comida. Nunca. Aumentei a dose de antidepressivos para conseguir dormir de noite (tenho tido pesadelos horríveis). E hoje a meio da tarde comecei a reagir. Comecei a desfazer o nó que me apertava o coração. Comecei (finalmente) a chorar. Chorar é bom, dizem que alivia e eu concordo. Limpa. Desentope. Purifica. E eu tenho tentado passar tão intocável por cima de tudo o que me tem acontecido nos últimos meses que às vezes pergunto-me se isso será a maneira mais adequada de sarar as feridas...

Ontem pela primeira vez receei o Inverno que se avizinha. Toda a gente diz que os Açores no Verão são uma coisa e no Inverno são outra. Bom, eu já passei aqui muitos Invernos, não é agora que me vou surpreender com o facto deles serem difíceis, mas tenho algum receio que as tempestades exteriores venham agravar as interiores. Serei eu e a ilha, reduzidas aos nossos limites, e talvez quem sabe, às nossas (pequenas) esperanças. 

candidatura espontânea

Eu tenho mesmo de trabalhar??!

sábado, agosto 22, 2015

Odeio escrever cartas de apresentação. O-d-e-i-o m-e-s-m-o. [Eu sou criativa, mas não tanto]. Acho que preferiria um treino de crossfit (dos dolorosos) a ter que escrever uma carta. [Ou talvez não]. As cartas de apresentação soam-me a discurso-miss-universo. Eu simplesmente não acredito nelas. E os empregadores também não. [Penso eu]. No amor e no trabalho é "ver pr'a crer" e o resto são cantigas. Apesar de tudo, e agora que regressei temporária e indefinidamente à Terceira, acho que vale a pena apresentar-me às empresas da ilha. Será que lhes posso mandar um queijo e o currículo em cima, tipo rótulo nutricional? Poupavam-me estas mariquices. São poucos os interessados que lêem os cvs, quanto mais as cartas de apresentação... Ninguém me convence.

Eu não posso escrever numa carta de apresentação que sou boa "a dizer verdades", pois não? Porque eu sou r-e-a-l-m-e-n-t-e b-o-a nisso! Sou exímia a não conseguir manter a boca fechada. É uma pena não poder escrever sobre as minhas qualidades suis generis. Um queijo e um saquinho de papo-secos e o negócio ficava fechado. Ai Senhor, dai-me inspiração e força nas pontas dos dedos para parir a maldita carta. Estou mesmo destreinada... Uma pessoa entra em modo "férias grandes" e depois é um penar para voltar à realidade, mas se não se envia cvs nem se procura emprego corre-se o risco de se ser julgada em praça pública. 

Qual é o problema de uma pessoa não fazer nada? Há quem tenha de trabalhar para pagar dívidas e sustentar os filhos. Há quem não tenha nem dívidas nem filhos, mas na Terceira as pessoas ainda tem de fazer prova viva de que têm dinheiro, mesmo que lhes apeteça viver numa cabana no meio do mato com o dinheiro debaixo do colchão. As gentes típicas constroem casas muito grandes, compram carros topo de gama, fazem férias no estrangeiro e comem e bebem como se o mundo fosse acabar amanhã... É difícil ter-se outras prioridades que não a ostentaçãoÉ claro que a minha pouca vontade em reiniciar a minha vida profissional prende-se também com recordações traumáticas. E se me voltam a sair na rifa uns cretinos como os anteriores? É complicado uma pessoa abster-se de pensamentos tão negativos. Mas enfim... vamos pensar que esta estadia no fim do mundo está a ser muito benéfica para a minha saúde. No fim do Verão já devo ter os chakras todos (re)alinhados!!! Insha'Allah!

P.s - e a minha carta de apresentação vai ser tão original, mas tão original que os empregadores da Terceira vão ficar boquiabertos quando a lerem! Ou vai ou racha! [isto é apenas uma pequena simulação de fé pouco credível]

cristiano ronaldo

As Kátias com "K" dão-se sempre melhor!

sexta-feira, agosto 21, 2015

«Não é propriamente um ícone de estilo ou beleza em Portugal, mas pelos vistos nos Estados Unidos a irmã de Cristiano Ronaldo é muito elogiada. A revista destaca 11 aspetos da vida glamourosa de Kátia Aveiro. O artigo foi publicado esta sexta-feira, 21 de agosto, no site da "GQ" dos EUA e descreve a irmã de Cristiano Ronaldo como uma mulher com uma “beleza inigualável” e com uma “grandeza incomparável”, à semelhança do jogador do Real Madrid. A revista percorreu o perfil de Instagram de Kátia Aveiro, e escolheu 11 razões para que todos gostem dela. Destaca as suas sobrancelhas, “ridiculamente bem arranjadas” ou o facto de treinar e postar muitas selfies de si própria. No artigo é ainda mencionada a sua carreira musical, num tom de admiração pelos seus seis álbuns já lançados e por ser uma das candidatas ao próximo concurso da Eurovisão. A "GQ" justifica ainda o facto de ter escolhido Kátia e não Elma: a Kátia é a versão feminina do Cristiano Ronaldo.» NiT, New in Town
[só tenho uma coisa para vos dizer: a silly season é terrível]

#alma terceirense

Dos problemas domésticos terceirenses

quinta-feira, agosto 20, 2015

Troca de mensagens ontem à noite com uma amiga minha:
Ela, em pânico: "Oh God! Não é que a procissão este ano passa cá por casa??? Imagina o alvoroço!!!"
Eu, espirituosa: "Vais rezar mesmo que não queiras. Põe as colchas e os naperons a apanhar sol para não intoxicares as visitas com o cheiro a naftalina!"

contratações

A minha primeira entrevista na Terceira

quarta-feira, agosto 19, 2015

Conselho do papi soberano antes de entrar na reunião: "Não te esqueças de negociar o salário!
A minha forma de ir directamente ao assunto: "E quais são as condições da oferta?"
A resposta (hilariante) do empregador: "Neste momento não temos orçamento para contratar ninguém".

[um bem-haja a todos os pais açorianos que ainda alimentam esperanças]

#alma terceirense

A festa já não é o que era...

terça-feira, agosto 18, 2015


Antigamente, quando eu era uma moçoila, fresca e fofa, o ponto alto das festas de Verão (arraiais populares em todas as freguesias da ilha) era negociar com os pais a hora de chegada a casa (e combinar com as amigas todas do grupo a mentira perfeita para justificar os atrasos propositados). Era a decisão consciente de transgredir uma ordem que fazia de nós jovens. Era a descoberta, mais de nós do que dos outros, que caracterizava a adolescência que se vivia nos anos 90. Os telemóveis tinham o tamanho de um comando televisivo. Os computadores pareciam caixotes. Estar na moda era combinar botas Dr. Martens com mini-saias e ter a cabeleira da Alanis Morissette (eu t-i-n-h-a e a-d-o-r-a-v-a!).

Hoje em dia os dilemas dos jovens nas festas já não são os relógios, nem os timings, nem as oportunidades para roubar o último beijo antes do recolher obrigatório... O problema dos jovens modernos é a rede (ou a falta dela). Uma festa sem wifi parece que não é uma festa (mal sabem eles que nos anos 90 a maioria dos nossos telemóveis nem sequer sacavam fotos). E os selfie-sticks? Os selfie-sticks parecem bengalas presas nos pulsos pr'a não falar na figurinha triste que fazem os pais passar quando estes dizem nas lojas dos chineses: "boa tarde, eu vinha comprar um pau para o meu filho". Na Terceira chamam-se os bois pelos nomes.

É normal que as modas peguem, antigamente por exemplo, nós usávamos muitos furos numa só orelha, lembram-se? (eu nunca me atrevi! só furei as orelhas aos 24 e foi de mão dada com uma amiga tal não era o medo!). Ao que parece tudo tem a sua época, "one day you're in, one day you're out". Eu continuo a gostar do mesmo, principalmente de bifanas acabadinhas de fazer e de uma fresca bem geladinha. E se me convencerem bem convencida, ainda sou capaz de dar um pezinho de dança, isto se já não forem horas de ir para casa.

#conselhos de RH

A minha última entrevista em Lisboa

sexta-feira, agosto 14, 2015

Desde que me licenciei que nunca deixei de ir a entrevistas de emprego, mesmo quando me encontrava empregada, de bem com a vida e feliz com o meu trabalho. A possibilidade de poder vir a fazer coisas novas e diferentes tornou-se num vício... Nos dias em que tinha uma ou duas entrevistas agendadas sentia a adrenalina correr-me nas veias. O vício era tão grande que me obrigava a fazer uma das coisas que eu mais detesto: mentir. Não nas entrevistas, claro, mas sim nas empresas onde eu trabalhava. Tinha de mentir para poder fugir. E fazia-o, mesmo que o preço a pagar por isso fosse arriscado. A liberdade acima de tudo, sempre.

Mas aquilo que no inicio da minha vida profissional era um hobby bastante regenerador começou aos poucos e poucos a tornar-se numa actividade deprimente. Comecei a hesitar de cada vez que tinha uma entrevista agendada. E comecei a inventar desculpas para não ir às mesmas. Fiquei cansada dessa vida. À medida que envelhecemos vamos ficando menos tolerantes em relação à frustração. As mesmas perguntas, as mesmas respostas, os mesmos procedimentos. Mas eu admito, eu nunca fui uma candidata fácil... sobretudo porque nunca fui às entrevistas à procura de emprego, sempre fui à procura de desafios e quando eles não me diziam nada, eu não tinha por hábito perder o meu tempo. E apesar de estar desempregada actualmente continuo a pensar da mesma forma.

É por isso que a minha última entrevista em Lisboa não foi uma entrevista, foi um momento de súplica, triste e medonho. Pode não ter sido a última, evidentemente, mas não me deixou vontade de repetir a dose. Se calhar é por isso que estou bem sossegadinha no meu canteirozinho no meio do Atlântico... Continuando, quando reuni os dados suficientes para perceber que a proposta não me interessava comecei a portar-me mal, isto é, comecei a dar indícios de que eu não seria a candidata ideal, tipo "está na hora de estragar isto". Mas não foi fácil... O homem que estava a fazer a entrevista massacrou-me de tal forma que me fez lembrar a inquisição espanhola. "Você é a pessoa que nós precisamos. Tem imagem, tem perfil, tem competências, você vende, você é marketing, você é comunicação. Porque é que você não consegue ver esta oportunidade como o inicio de uma grande carreira?" Desculpem o elevado nível de exigência da pessoa que vos escreve, mas para me impressionarem o tipo de discurso tem de ser outro... Estas cenas poéticas não me convencem.

"Você daqui a  6 meses, imagine, já poderá estar como chefe do serviço a coordenar uma equipa de pessoas, a ganhar mais. Você não acredita em si." Adoro quando as pessoas nos tentam vender empregos de merda. E este tipo esforçou-se mesmo muito a sério, mas ao fim de alguns anos a coleccionar cromos de caderneta uma pessoa já não é tão fraca na queda como era antes... O homem lixou-se quando eu lhe disse: "então porque é que você não me oferece agora o salário que me está a prometer para daqui a 6 meses?". "Fogo, você é honesta. Uma pessoa honesta é tudo o que um empregador quer." Olhe que não! As pessoas honestas são as últimas pessoas que os empregadores querem. As pessoas honestas têm uma esperança média de vida muito curta nas empresas portuguesas. E é por isso que eu me cansei de ir a entrevistas de emprego.

#açores

(Nem) tanto ao mar, (nem) tanto à terra

quinta-feira, agosto 13, 2015





E quando a água salgada não fizer efeito, nós havemos de fugir até ao coração da ilha. 
Havemos de nos deixar adormecer debaixo da sombra de uma árvore e aos poucos e poucos sentiremos os pulmões encherem-se novamente de ar. Puro. Fresco. Novo. A metamorfose dos dias é soberba.

burocracias

Aaaiii a minha vida

segunda-feira, agosto 10, 2015

Inscrição no Centro de Emprego de Lisboa - Apresentação do Cartão Único
Inscrição no Centro de Emprego da Terceira - Apresentação do Cartão Único, Certificado de Habilitações, Comprovativo de Procura Activa de Emprego (e uma galinha em troca de uma cunha)

#açores

Acabar a tarde assim...

domingo, agosto 09, 2015





... faz-me lembrar uma coisa: as pessoas não precisam de água com açúcar...
As pessoas precisam é de água salgada.

açores

Socorro! Onde é que eu posso fazer compras?

sexta-feira, agosto 07, 2015


Não, eu não sou nenhuma shopaholic, mas gosto de fazer compras. Nos primeiros anos em Lisboa os meus passeios começavam e acabavam nos centros comerciais da capital. Consumia muito mais do que consumo hoje em dia. Acabaram-se as mesadas (semanais) dos pais e acabou-se-me a paciência para palmilhar quilómetros de lojas. E muito por causa de ter trabalhado numa loja, difícil, nos últimos 3 anos da minha vida, quando me falam em ir fazer compras, eu reajo como alguém reage quando tem de levar um supositório, isto é, corro a sete pés como se estivesse a fugir de um touro puro.

Mas eu não sou uma terceirense típica. Os terceirenses típicos organizam verdadeiras romarias aos centros comerciais do país. A minha irmã e a minha mãe quando lá vão batem verdadeiros recordes do guiness. Não percebo como é que elas aguentam tantas horas enfiadas dentro das lojas... A mim começa a doer-me tudo, até o juízo. Ainda assim, actualmente, sou mais sensível a essa necessidade, para alguns capricho, para outros luxo, dos terceirenses.

O comércio da Terceira, principalmente o da minha cidade, Praia da Vitória, está morto. A rua principal por onde eu costumava passar quando era pequena está deserta. A Praia, com muita pena minha, parece uma cidade fantasma... As pessoas fugiram das ruas e eu entendo porquê. As lojas não são apelativas e os lojistas não são convidativos. O comércio parou no tempo. E a avaliar pela quantidade de pessoas que preferem poupar e ir ao continente, não são estratégias de comunicação e marketing que vão salvar aquilo que a Praia não tem: tecido empresarial competente.

A grande parte das lojas que existem estão vazias, de porta fechada, à espera de novos arrendatários. As que estão abertas pertencem maioritariamente aos chineses. As que sobrevivem, a muito custo, à desertificação dos consumidores praienses são iguais há mais de 20 anos. Eu não me importo nada de comprar nos chineses, mas é que nem os chineses são interessantes... Não me importa onde é que compro, importa-me quanto é que eu vou ter de pagar para ter  uma peça que no continente está venda por metade do preço. Ah, a maldita insularidade...

Consegui encontrar umas sandálias da Exé (as da foto) pelas quais me apaixonei, mas roupa ainda não vi nada que me fizesse dilatar a pupila do olho. Corri as lojas todas à procura de um fato de banho, mas tive que abortar a missão, fui vencida pelo cansaço e pela frustação... Nem ouso perguntar onde é que as mulheres da Terceira compram lingerie! Onde é que vou comprar cuecas e soutiens? As chinesas saem todas ao pai... Estou feita ao bife. Mesmo que não me apeteça, vou ter de me render às compras online. É uma realidade.

#a vida aos 30

A ternura dos 60

quarta-feira, agosto 05, 2015


Será que é mais fácil sair de casa dos pais ou voltar a casa dos pais? Ora aí está uma boa pergunta difícil de responder. Acho que ninguém na casa dos 30 gostaria de voltar a casa dos pais, mas eu não me queixo (por enquanto). Ainda bem que ainda tenho a sorte de o poder fazer...  Mas não é fácil.  

A minha família tem determinadas idiossincrasias difíceis de aturar. A minha mãe, por exemplo, tem um reconhecido problema com o tema meteorológico. A todo e qualquer instante ela prevê que sejamos fustigados por um ciclone mal o vento lhe desoriente as "ganipas" da franja. Esta ideia de vivermos em constante alerta amarelo é um bocadinho desconcertante, confesso, ainda assim, o clima de maior tensão costuma dar-se por volta da hora das refeições...  O bate-boca começa normalmente por causa dos horários: os meus pais gostam de jantar cedo e eu gosto de jantar tarde. Ai de quem ainda esteja a enfiar uma garfada goela abaixo quando a telenovela começar... Cá em casa as telenovelas (da TVI) são uma espécie de culto sagrado. Depois o campo de batalha adensa-se quando entramos no menu: eu gosto de comidas leves, eles gostam de comidas reforçadas (bem reforçadas) tipo sopa de feijão com canelos de porco. 

Se o vento de norte afecta a minha mãe, nem queiram saber do meu pai... De cada vez que lhe peço boleia (porque não tenho carro), tenho que estar pronta pelo menos 2 horas antes da hora combinada. É um verdadeiro contra-relógio. Como se diz cá na terra, o Tio Orbelo deve ter nascido de 7 meses! Só há um momento em que ele é o rei da procrastinação:  quando tem de enfiar uma gravata no colarinho. É vê-lo assoprar que nem um touro enraivecido... A única coisa que o relaxa é aguar a relva do jardim todas as noites. À custa desta terapêutica temo que qualquer dia não tenhamos jardim por inundação criminosa consentida. 

Portanto, neste momento do meu retiro espiritual prolongado, quase a passar a fasquia dos 2 meses em casa, só me apraz dizer uma coisa: ainda bem que trouxe na bagagem ansiolíticos suficientes para chegar até ao fim do ano! É claro que estou a brincar com a minha própria desgraça, os ansiolíticos foram-me recomendados por outras razões que não a convivência com os meus pais. Apesar das manias, das quezílias e das adaptações necessárias, existem coisas que compensam a descompensação toda pela qual se passa: um beijo de boa noite, a roupa aconchegada na cama, um chá para nos passar a dor de barriga e aquele brilho no olhar de quem nos vê sempre crianças.  

Dadzilla

quarta-feira, agosto 05, 2015

Entrevistas de trabalho por Skype - check!
Espécie, peluda, com barriga suis generis, em tronco nu, a passear-se em frente ao ecrã - double check!