A festa já não é o que era...

terça-feira, agosto 18, 2015


Antigamente, quando eu era uma moçoila, fresca e fofa, o ponto alto das festas de Verão (arraiais populares em todas as freguesias da ilha) era negociar com os pais a hora de chegada a casa (e combinar com as amigas todas do grupo a mentira perfeita para justificar os atrasos propositados). Era a decisão consciente de transgredir uma ordem que fazia de nós jovens. Era a descoberta, mais de nós do que dos outros, que caracterizava a adolescência que se vivia nos anos 90. Os telemóveis tinham o tamanho de um comando televisivo. Os computadores pareciam caixotes. Estar na moda era combinar botas Dr. Martens com mini-saias e ter a cabeleira da Alanis Morissette (eu t-i-n-h-a e a-d-o-r-a-v-a!).

Hoje em dia os dilemas dos jovens nas festas já não são os relógios, nem os timings, nem as oportunidades para roubar o último beijo antes do recolher obrigatório... O problema dos jovens modernos é a rede (ou a falta dela). Uma festa sem wifi parece que não é uma festa (mal sabem eles que nos anos 90 a maioria dos nossos telemóveis nem sequer sacavam fotos). E os selfie-sticks? Os selfie-sticks parecem bengalas presas nos pulsos pr'a não falar na figurinha triste que fazem os pais passar quando estes dizem nas lojas dos chineses: "boa tarde, eu vinha comprar um pau para o meu filho". Na Terceira chamam-se os bois pelos nomes.

É normal que as modas peguem, antigamente por exemplo, nós usávamos muitos furos numa só orelha, lembram-se? (eu nunca me atrevi! só furei as orelhas aos 24 e foi de mão dada com uma amiga tal não era o medo!). Ao que parece tudo tem a sua época, "one day you're in, one day you're out". Eu continuo a gostar do mesmo, principalmente de bifanas acabadinhas de fazer e de uma fresca bem geladinha. E se me convencerem bem convencida, ainda sou capaz de dar um pezinho de dança, isto se já não forem horas de ir para casa.

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1 comments

  1. Eu sou mais velha e adorava, e adoro), aproveitava a festa de cidade para me deitar de dia, pois íamos em grupo e não havia hora para deitar.
    Depois, era nas férias de verão, alugava-se uma casa na praia durante um mês e as saídas à noite eram até às tantas e como não havia o que fazer inventávamos: serenatas, folclore junto ao mar quando na maré baixa, bailes, jogos... nem a chuva nos impedia de desfrutarmos as brincadeiras. Tempos sem telemóveis e sem "paus". Mas divertidos.
    Vá, divirta-se e baile, caraças. Faz tão bem à mente.
    Beijinho

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