Quando uma relação acaba

segunda-feira, agosto 31, 2015

Quando uma relação acaba é uma merda. Até pode vir a ser bom, para ambos, mas nos primeiros meses nunca o é. Acho até que devem existir muitas pessoas que não se dão ao trabalho de acabar relações só por causa dos danos que o fim pode vir a causar. Ninguém quer parecer um vaivém espacial fora de órbita. Os sentimentos parecem um ioiô. Vão e voltam, vão e voltam... E as recordações aparecem (quase) sempre associadas a um nome e a um rosto. E o fim de uma relação não é estanque. Não acaba ali e pronto e depois é partir pr'a outra. Há relações que só terminam passados muitos anos, sem nós nos apercebemos. Esta coisa de gostarmos uns dos outros podia ser mais simples, não podia? 

E depois existe toda a bagagem emocional que acumulamos ao longo do tempo. Onde é que a gente arruma as expectativas todas que criámos? Existe algum plano de reciclagem em caso de emergência? Não. Quando estamos dentro das relações fazemos planos para o futuro, mas quando as relações terminam percebemos que não temos nenhum plano para o presente (imediato). O que é que eu faço com os nomes dos filhos que tinha em carteira? (digam-me lá que eu não sou a única a fazer isso, por favor!). Troco-os? Mantêm-nos? Em último recurso junto-lhes um segundo nome? O fim das relações é uma coisa muito cruel. A pessoa tem de se reinventar por completo (até o hipotético nome dos filhos que nem sabe se chegará a ter).

E os vestidos de noiva que se seleccionou secretamente no Pinterest... Ah pensavam que eu não fazia isso, não era?... Faço sim! Apesar de teimar em manter a minha vida tão chique como a da Carrie Bradshaw, eu também ando à procura do meu Mr.Big! Todas sonhamos com o mesmo. Não significa que todas nos queiramos casar. Não significa que todas o façamos perto das mesmas idades. Mas todas queremos aquilo que é a imagem perfeita do amor: envelhecer ao lado de alguém (bem... a avaliar pelo "meu atraso" há uma grande probabilidade de eu conseguir [exactamente] isso!). Um dia ele há-de chegar...

Quando eu era mais nova tinha um fetiche pirosérrimo que acabei por perder com a idade (e com o bom senso, graças ao cepticismo que ocupou a minha vida desde então). Como eu viajava muito de avião e passava algumas horas em aeroportos, enfiou-se-me na cabeça que um dia o príncipe encantado ia chegar da seguinte forma: num carrinho "Follow me", atravessava-se em frente do avião e gritava pelo meu nome enquanto soava a música da Whitney Houston "I will always love you"... Eu sei, eu vi filmes a mais, mas é bonito não é? Agora que estou aqui no meio do campo só posso esperar que ele chegue de carroça ou tractor, mas interessa é chegar. E a banda sonora dispensa-se, se ele tocar uns pratos uma pessoa já fica contente!

Temos de brincar com as partidas que a vida nos prega e com as lições que ela nos vai dando. Não é por isso que a minha lista de pré-requisitos ficou mais pobre ou mais pequena. Continuo a procurar excelência, o que por outras palavras significa alguém que goste muito de mim e que esteja pronto a viajar comigo, mais dentro da minha vida, do que propriamente fora dela. E se for homem para parar um avião, a gente não diz que não.

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2 comments

  1. Mas que texto lindo!
    Desculpe, CC, mas este último parágrafo está de um realismo carregado de romantismo que adorei!

    "envelhecer ao lado de alguém " , é o que todas esperamos, mas a CC é tão jovem ainda!
    "Eu sei, eu vi filmes a mais, mas é bonito não é?" agora, acho lamechas (vi o filma pelo menos 3 vezes e há pouco passou em 2 canais, mas já não vi) mas viu os mesmos filmes que eu vi, que tiveram a sua época e há alguns que ficam para sempre.
    "Temos de brincar com as partidas que a vida nos prega e com as lições que ela nos vai dando", sim e quantas lições ela nos dá!
    "Continuo a procurar excelência": excelente ! Por mais que se diga que não se é esquisita, não é verdade...
    "e que esteja pronto a viajar comigo, mais dentro da minha vida, do que propriamente fora dela." como nós, mulheres provavelmente viajamos na vida deles. (nós é que não sabemos, ou sabemos, mas não queremos ).

    Beijinho
    "E se for homem para parar um avião, a gente não diz que não." quem me dera! e olhe que parava e já, mas...


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    1. Que engraçado Maria, nunca pensei que seria capaz de escrever um texto realista e ao mesmo tempo romântico. Afinal de contas parece que não é assim tão impossível!
      Beijinhos grandes :)

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