#a vida aos 30

Entrámos em contagem decrescente

quarta-feira, setembro 30, 2015

As minhas amigas ofereceram-me as casas delas para passar lá os últimos dias em Lisboa... Regresso aos Açores na próxima segunda-feira, mas acho que vou 'enganar' o senhorio e ficar até à última na minha "petite maison". Custa-me deixá-la... Foi uma conquista difícil (estive um ano à procura dela) e dadas as mudanças dos últimos meses, não sei quando voltarei a viver sozinha... Também sei que depois de fechar a porta tenho de me concentrar no presente e não nas hipóteses e equações futuras. No more plans, no more.

Na ronda de encontros que tive a semana passada, uma velha amiga dos tempos da faculdade, perguntava-me se eu tinha desfrutado da casa como sempre tinha imaginado. Infelizmente, respondi-lhe que não. Sempre que chegava a casa e me sentava na poltrona a comer cereais com iogurte, sentia-me miserável. Sentia-me ainda mais miserável por não me conseguir sentir feliz... Tinha aquilo que tanto tinha desejado e não conseguia sorrir (vocês já se sentiram assim? infelizes com a maior das vossas conquistas?)

Levei muito tempo a descortinar a razão disso acontecer. Levei muito tempo a arranjar justificações, e nada, nada parecia fazer sentido. Viver sozinha foi bom, mas não foi tão bom como eu pensava que ia ser. Eu acredito muito em timings e se calhar foi isso, foi algo que aconteceu no timing errado... Ou talvez não. Se eu nunca tivesse vivido sozinha nunca teria entendido a falta que os outros me fazem (estou a tornar-me um coração mole). A verdade é que desde que abri o meu coração e soltei tudo o que havia nele (o bom e o mau) que me sinto mais eu (eu não sei bem explicar-vos o que é sentirmo-nos mais nós mesmos, mas é como se se tratasse de encaixar uma alma num corpo, percebem-me?).

Eu não estava errada quando escrevi isto: 2015 será um ano de respostas... Mas para chegar até elas eu tive de me questionar muito. Às vezes escolhemos viver mal só porque nos custa muito permitir-nos viver bem. Não faz sentido nenhum, pois não? 

#a vida aos 30

Querer-se demasiado perfeito pode ser traiçoeiro

domingo, setembro 27, 2015

(foto de 2010 - festa da Time Out)

Eu não sou saudosista, mas defendo que aquilo que foi bom deve ser (bem) recordado. Gosto de me convencer que sou antes uma romântica, (reservada e controlada). E sem dúvida, decidida. Sempre olhei numa única direcção: em frente. Não gosto, nem insisto em olhar para trás... nem sei bem porquê. Inevitavelmente, há algo dentro de mim que ainda não consigo controlar nem tão pouco inverter: a sede de perseguir involuntariamente a perfeição. Apesar do regresso aos Açores ter sido uma decisão pacifica e natural, às vezes a minha cabeça não deixa de a ler como um fracasso. E custa-me muito domesticar esses sentimentos clandestinos que invadem os meus pensamentos nos momentos de maior incerteza. 

Muitos conhecidos que não fazem parte da minha estória enviaram-me mensagens de "apoio" desejando que eu tivesse força suficiente para superar esta fase. E isso enfureceu-me. Apesar de às vezes cair na tentação de pensar o mesmo que eles, tenho de lhes explicar, e tenho de me convencer, que uma mudança não é uma derrota. Embora a divisão entre pensar uma coisa e o contrário seja muito ténue, não posso deitar-me abaixo, nem permitir que outros o façam. Não posso reduzir 13 anos a uma viagem de idaNão quero deixar Lisboa a pensar, e a consentir que outros pensem, que isto é o fim.

Não é. É apenas o inicio de uma nova fase em que provavelmente muitos factores estarão contra mim. Todos me dizem que não será fácil. Que existem muitos elementos para reintegrar. Que existem muitas (re)conciliações por fazer... E é de facto verdade, existe isso tudo, mas também existe a minha fé e a minha esperança. Espero ansiosamente que ambas cresçam a olhos vistos e me dêem motivos de orgulho: não voltar a ter medo de mudar. Eu não estou propriamente preocupada com aquilo que os outros pensam de mim... Estou mais preocupada (e mais concentrada) naquilo que eu penso de mim própria.O desafio é esse: tornar-me feliz do jeito que fizer mais sentido.

Acho que não vale a pena as pessoas estarem nos sítios quando não estão de corpo e alma. Quando não estão focadas. Quando não conseguem continuar. Ou se está inteiro ou não se está. 

#a vida aos 30

Programa de Sábado à tarde

sábado, setembro 26, 2015

Sentar-me em todos os assentos de casa com umas calças novas vestidas, acabadinhas de comprar.
Objectivo: alargá-las o suficiente para não as ter de devolver.
Mulher sofre. Muito. Aposto que os homens não passam por isto.

#a vida aos 30

Mudar de rumo: coragem ou sobrevivência?

quinta-feira, setembro 24, 2015


(ao fim de 13 anos as mudanças continuam [e porque raio é que não haveriam de continuar?])

«Acho indecente chegar para alguém de dezoito anos e dizer: vai, escolhe aí sua profissão. Nessa idade, você não tem ideia de qual pijama pretende pôr de noite, quanto mais saber a carreira que vai seguir pelo resto da vida. E justamente esse é o problema de uma decisão tão prematura: prazo. O resto da vida é muito tempo. Principalmente porque o que faz a pessoa feliz é trabalhar com o que se gosta, com a verdadeira vocação. E isso demora pra aparecer, pra boiar na superfície das possibilidades. Pra muita gente essa descoberta não surge assim, feito espinha, durante a adolescência. Tem uma rapaziada muito boa que descobriu seu próprio Caminho de Compostela bem mais tarde. 
(...) Um exemplo: José Saramago. Ele era crítico de teatro num jornal. Aí, estourou a Revolução dos Cravos (foi bonita a festa, pá), e ele acabou saindo do trabalho. Resolveu que não ia procurar outro emprego. Ia atrás da sua vocação: a literatura. E, finalmente, aos 58 anos, conheceu o sucesso com seu segundo livro – Levantado do Chão. Note bem: com seu segundo livro. Tem gente que desiste no primeiro fracasso, sempre um erro – porque criar é insistir. No caso do Saramago, esta tardia aptidão para a literatura rendeu Prêmio Nobel. O único de toda Língua Portuguesa. Sebastião Salgado, talvez o maior foto-jornalista vivo, pegou pela primeira vez em uma câmera de fotografia aos 30 anos. Elvis Costello era programador de computador antes de ser guitarrista (e casar com Diana Krall, coisa que jamais conseguiria operando um IBM360). Whoopy Goldberg era maquiadora de defuntos. Harrisson Ford, carpinteiro. Ellen Degeneres abria custáceos em um restaurante. Tudo gente que só achou o rumo muito depois da maioridade.
Falei de vocação, mas tem outra coisa que demora para aparecer também: conhecimento. Leva tempo para acumular e custa caro. Livros, discos, viagens. Nessa jornada costumam surgir outros interesses, outras curiosidades que não haviam antes. Sujeito não pode largar a advocacia pra ser um Lama se ainda não conheceu o Budismo. Profissões morrem e nascem todos os dias, por que você não pode se reinventar também? Sujeito entra na faculdade e antes de sair já surgiram outras mil carreiras. Recentemente descobri uma: cool hunter. Traduzindo,“caçador de tendências” (estou fazendo aspas com os dedos). O profissional que mapeia aquilo que as pessoas estão achando legais. Eu pensava que bastava ir num bar para saber o que é cool, mas não: tem curso disso. Em Londres, terra de Shakespeare.
Não acho que mudar é um ato de coragem, pelo contrário. Corajoso é aquele que permanece andando no trilho mesmo vendo o trem vindo na sua direção. Mudar é um ato de sobrevivência – e basta estar infeliz para isso. Ficar a vida toda naquilo que não se gosta é muito ruim pra saúde. Dá úlceras, coceiras, tarjas pretas. Aos 18 ou aos 80, quem fica parado a onda leva e o hospital acolhe.» Texto de Lusa Silvestre, Qual a sua vocação?

#a vida aos 30

As pessoas mudam

quarta-feira, setembro 23, 2015

O brazuca do andar de cima começou a limpar as escadas da entrada.
Fé na humanidade.

#alma terceirense

Meu filho

sábado, setembro 19, 2015


Nada há nada no mundo que orgulhe mais um açoriano do que a responsabilidade de mostrar os Açores a alguém que não os conhece. A Ângela foi a primeira amiga desta última fornada a visitar-me no meu exílio. Conheci-a num ambiente intimista, isto é, entre mamas e soutiens. Aproximamo-nos naturalmente, sem grandes esforços. Sem ser preciso fazer o pino para nos darmos bem. Ela é daquelas pessoas a quem a ingenuidade cai que nem uma luva (não sei se entendem aquilo que eu quero dizer). Só sei que quando olho para ela me lembro de mim, há 13 anos atrás. Ela traz qualquer coisa à minha vida... Talvez seja o optimismo, a motivação, o entusiasmo de principiante que todos nós acabamos por perder consoante as estradas que escolhemos fazer.

Vista de Angra do Heroísmo a partir da península do Monte Brasil


Divertia-me imenso a provocá-la (e ainda me divirto, confesso). "Picá-la" é um dos meus hobbies favoritos e ela sabe (bem) disso. Quando eu piso a linha, percebo pelo olhar dela que está na hora de recuar. Todos são "seus filhos", e para mim ela sempre foi a minha menina, como se eu pudesse congelar para sempre o coração nobre que ela carrega. Viver nos Açores não seria uma opção, para a Ângelinha, é "demasiada água, para pouca terra". E eu compreendo-a. Existem muitas pessoas que não conseguem imaginar-se encerradas numa ilha. A sensação de claustrofobia de uns é por enquanto a liberdade de outros. "E as horas, vocês nunca se baralham com as horas?". Não. Somos tão especiais que até conseguimos fazer com o que tempo recue uma hora atrás. Só não conseguimos gravar momentos para sempre, a não ser que seja no único lugar possível: dentro do nosso peito.


Jardim Duque da Terceira em Angra do Heroísmo


Esta vila-realense pela qual eu me apaixonei também carrega nos ombros a mesma dúvida com a qual eu me confrontei: campo ou cidade? Sobre a cidade só tenho uma coisa a dizer, ainda bem que ela nos juntou. O resto recorda-me uma frase que ouvi de um amigo quando vivi em Espanha: é sempre mais fácil vivermos no nosso país. Não sei se é verdadeiramente assim tão fácil dadas as circunstâncias actuais, mas quero muito acreditar que sim. Ainda que todos nós carreguemos corações divididos, mais tarde ou  mais cedo, toda a gente saberá onde deve permanecer. Basta que estejamos atentos e que não nos falte a coragem de mudarmos a nossa vida mais uma vez. 




Mergulhámos nas piscinas naturais dos Biscoitos (um dos meus rituais preferidos para sacudir as más energias do corpo). Ela estava reticente, mas convencia-a enfiarmo-nos na água salgada. Então, quem vem aos Açores não pode ir sem lavar os pézinhos! Ao menos isso! Visitámos a Casa Agrícola Brum para provar um Chico Maria (um vinho licoroso produzido na Terceira com verdelho e terrantez). M-a-g-n-í-f-i-c-o! Se o encontrarem por aí, comprem! É delicioso. E descemos o Algar do Carvão (o único vulcão no mundo visitável de forma pedestre). Vocês acreditam que eu nunca lá tinha ido em 31 anos de vida? Shame on me. A experiência é impossível de descrever.





Acho que a Ângela leva um pouquinho dos Açores com ela. E eu fico com um bocadinho dela aqui. Foi uma semana em que renovámos os votos: os votos de sermos felizes, os votos de lutarmos por aquilo que queremos, os votos de não termos medo de começar de novo. Já tenho saudades meu filho, mas amanhã estejamos juntas novamente. Até já Lisboa! Bom fim de semana.

#fora de casa

O melhor de Lisboa

quinta-feira, setembro 17, 2015

1. Os jantares secretos na mercearia do Eurico (quem não a conheceu, já não a conhece mais).
2. As tardes de Domingo no miradouro do Adamastor.
3. Os passeios românticos ao Castelo de São Jorge
4. Os arraiais dos Santos Populares. O cheiro a sardinha assada e a manjerico.
5. Agosto.
6. O 28
7. Os brunchs do Kaffeehaus.
8. Os passeios ao pé do rio.
9. O gin tónico do Peter's Café Sport no Parque das Nações.
10. Os engates (os que valeram a pena).
11. As soirées em casa de amigos até altas horas.
12. As viagens até Sesimbra.
13. O Chiado no Natal.
14. As castanhas assadas da Rua Augusta.
15. As entradas no Urban Beach às 6 da manhã.
16. A última dança.
17. A Tasco do Chico.
18. O desequilíbrio na Bica.
19. Os teatros. 
20. Alfama.
21. O terraço do Bairro Alto Hotel
22. O terraço do Hotel Mundial.
23. A saudade.
24. As visitas.
25. As possibilidades.
26. As exposições.
27. Os loucos de Lisboa.
28. As fachadas.
29. O elevador de Santa Justa.
30. Aquilo que fica.

#a vida aos 30

Estou quase em Lisboa

quarta-feira, setembro 16, 2015


Mas eu volto, ok? Confesso que há dias que sinto um bocadinho de nervos... nem sei bem porquê. Tenho a noção de que no fundo vou lá despedir-me. Vou despedir-me da minha petite maison. Das minhas amigas. Das ruas. Da cidade. Todos nós sabemos que as despedidas são horríveis, mas há capítulos que precisam de ser encerrados para que possamos continuar em frente (e eu tenho muita urgência em continuar em frente). 

Durante muito tempo a solidão não me fez confusão, mas nos últimos meses começou a incomodar-me muito. Volto com a certeza de que aqueles que sempre me acompanharam, continuarão a acompanhar-me (Lisboa deu-me amigas maravilhosas que não hesitaram em vir aos Açores ajudar-me na readaptação). E são essas as pessoas que devemos levar para sempre no nosso coração porque aconteça o que acontecer, elas vão continuar a gostar de nós.

Não guardo rancor de nada. Não é por causa de ter tido nos últimos 3 anos uns chefes de merda que me venho embora. Não é por ter tido uma relação amorosa que não deu certo que vou fugir. As escolhas foram minhas. As palavras. Os actos. As decisões. Não fui infeliz por culpa dos outros. Fui infeliz por minha culpa. Mas há uma coisa que Lisboa me ensinou durante estes 13 anos e que eu conservo com muito carinho... Lisboa demonstrou-me várias vezes a pessoa que eu não quero ser. E é essa a razão pela qual eu decidi regressar... porque eu não quero ser quem eu me estava a tornar.

Eu não troco Lisboa por melhor. Troco Lisboa por uma família desestruturada, com um ambiente familiar do pior (a minha). Troco Lisboa por uma ilha, no meio do oceano atlântico onde não há emprego. Troco Lisboa por um Inverno difícil. Troco Lisboa por um lugar onde pensar de forma diferente tem o seu preço. Eu não estou a fugir. Estou pela primeira vez a enfrentar. É por isso que a vida é um eterno regresso a casa. Mesmo que a gente dê voltas e voltas e voltas. Não o faço de ânimo leve. Quem me lê pode achar que não me custa... mas como diz uma boa amiga minha, "estou toda carcomida". Mas estou pronta. 

#entre os lençóis

O Pantone das relações

terça-feira, setembro 15, 2015

As mulheres e um dos seus denominadores comuns: homens. De facto, é uma excelente época para me pedirem conselhos amorosos, ainda assim, apesar de toda a psicopatologia que eu manifesto, as minhas amigas continuam a confiar na minha sabedoria. Problemática geral: nenhuma delas se conforma em ser apenas "a amiga cor-de-rosa". Este filme é um êxito de bilheteiras. Nunca sai de cartaz. 

Primeira coisa que eu tenho a dizer sobre o assunto: se não querem ser "a amiga cor-de-rosa" então não se comportem como tal. Comportamentos permissivos geram comportamentos permissivos. Depois de se abrir um precedente, nunca mais se pode voltar atrás, entendem? Segunda coisa que acho necessário esclarecer: "a amiga cor-de-rosa" não é suposto ser mais do que isso. Desculpem-me a franqueza, eu sei que é terrível, mas é verdade. Eu também já fui "amiga cor-de-rosa" e tive a veleidade de pensar que poderia ser mais do que isso, mas não. A "amiga cor-de-rosa" é uma espécie de melhor amigo com quem os homens têm sexo. That's it. Não vale a pena complicar.

Terceiro apontamento: quem tem uma "amiga cor-de-rosa" pode muito bem ter um arco-íris, se é que me entendem... Os homens nessas condições não estão dispostos a assumir responsabilidades, estão dispostos apenas a divertirem-se. E... quanto mais diversidade, melhor, afinal de contas, eles não têm de dar satisfações a ninguém porque não estão comprometidos com ninguém. O estado civil dessas pessoinhas é uma espécie de vácuo. Quarto alerta: esqueçam as mensagens e o "bom dia amor". Pela boca morre o peixe. As palavras não valem nada. Eles escrevem isso da mesma forma como enviam uma mensagem ao Gonças a dizer "traz uma caixa de mines quando vieres ver o jogo"

Agora também vos devo dizer algumas coisas sobre as vantagens em ser-se "a amiga cor-de-rosa". Na melhor das hipóteses conhecem-se pessoas fantásticas, sem as pressões do que está certo e do que está errado e sem a monotonia das rotinas. Mesmo que tentem resistir, vocês são capazes de acabar por se apaixonar. Esses homens não serão os homens com quem vocês vão casar, mas serão a prova de uma coisa: de todas as emoções que vocês foram capazes de sentir. E a isso chama-se viver. May the force be with you! (e já que é para estragar, façam o favor de se divertirem).

blogs

Vencedor do Passatempo Bodycology

segunda-feira, setembro 14, 2015

Obrigada a todos pela participação no último passatempo! No total foram contabilizadas 168 participações. A vencedora foi a... Estela Lourenço! Muitas Parabéns Estela! P.s - enviaremos um email com mais detalhes sobre a entrega do prémio. Voltaremos aos sorteios muito em breve! Fiquem aí desse lado!

açores

Vou ter visitas do "contenente"

sexta-feira, setembro 11, 2015

Ela: De que é que tens saudades de Lisboa e queres que eu te leve? Diz lá...
Eu: Sushi. De resto mai nada. Nadica.
Ela: Ok. Levo-te uma caixinha de salmão fatiado.

(amigos que nos infligem intoxicações alimentares são amigos pr'a vida)

aprender a estar juntos

Quando a ausência de alguém mantêm outros juntos

quarta-feira, setembro 09, 2015


Quando a minha avó paterna, (com a qual eu nunca tive grande convivência), faleceu, a família (dessa parte) despencou. Os filhos aproveitaram a morte da matriarca para fazer as maiores obscenidades uns aos outros. Começaram as guerras por causa das heranças e dos negócios. Passam lado a lado e viram a cara num gesto absurdo. Falam o necessário uns com outros, mas raras vezes se ouvem. A morte da minha avó, embora não fosse a minha avó de criação foi um episódio triste, principalmente porque tudo aquilo pelo qual ela sempre se esforçou, a união das diferenças, nenhum dos filhos soube conservar.

Com alguns dos meus primos a situação também não é melhor. As pessoas esquecem-se muito rápido de onde vêem e em que condições vieram. É justo. Eles defendem os pais deles e eu defendo os meus. Mas quando passo pelos meus tios não sei o que fazer. Custa-me virar-lhes a cara por uma questão de respeito... Mas eles também não fazem por encurtar o abismo que criaram entre uns e outros. Ninguém consegue viver sozinho, mas talvez, para alguns de nós, seja mais fácil suportar a solidão em vez da companhia do outro. No inicio deste ano faleceu, repentinamente, o filho mais velho da minha avó. Eu contei-vos. Ai como o meu tio odiava Lisboa... Sempre que me via perguntava-me o mesmo: "tu gostas mesmo daquilo?" E eu ria-me. Acho que ele queria certificar-se que eu estava a fazer o que o meu coração mandava.  A morte dele mexeu muito comigo. Mexeu imenso com todos nós. Talvez tenha sido ele que me empurrou mais cedo pr'a casa. Pela primeira vez na vida senti que estava a perder alguma coisa. 

Também vos disse que esse era o único irmão com o qual o meu pai se relacionava e por estranho que pareça, desde que ele morreu, temos passado todos mais tempo juntos. Os meus pais, a minha irmã, a minha tia, os filhos do meu tio, e eu. Estamos a aprender a ser uma família e devemos isso ao meu tio. Reunimo-nos pelo respeito que ainda hoje temos por ele e por aquilo que ele nos deixou: a única certeza de que juntos passamo-lo melhor.

Continuam a existir lágrimas pelo meio. Continua a existir um lugar à mesa por preencher. Continua a existir a ausência. Mas quando olhamos uns para os outros há uma grande cumplicidade entre nós. Eu não escrevo para fazer dele uma coisa que ele não era. Eu escrevo para agradecer-lhe e para pedir-lhe que continue, magicamente, a ensinar-nos aquilo que é mais importante na vida (e que é tão difícil pormos em prática).

começar de novo

Será que as rupturas são cíclicas?

terça-feira, setembro 08, 2015



Eu acredito que os episódios que se repetem ao longo da nossa vida só servem para uma coisa: para nos ensinar o que ainda não aprendemos. A minha vida parece que se está a repetir de novo e eu, muito honestamente, ainda não entendi porquê. Há 7 anos atrás eu estava exactamente nas mesmas condições em que estou hoje. Desempregada (tinha-me despedido de um emprego que odiava de morte); solteira (tinha posto fim a uma relação de 1 ano e meio) e em trânsito (de Espanha para os Açores). É caso para dizer que qualquer semelhança com a actualidade é mera coincidência.

Desde que começou a chover aqui, (pr'aí há duas semanas), que os dias têm sido definitivamente mais tristes. Aproxima-se um segundo Inverno em casa ao mesmo estilo do de há 7 anos atrás. Daqui a dias vou a Lisboa encaixotar o que resta das minhas recordações. Não posso dizer que não fui feliz, porque fui, embora comece a acreditar que certos episódios transformam-nos de tal forma que jamais conseguimos voltar a ser quem éramos. E talvez a vida seja isso mesmo, o nunca voltarmos a ser quem éramos. E ainda assim, querê-lo, desejá-lo, persegui-lo. Talvez seja um exercício... o exercício de nos amarmos novamente depois de termos mudado (tanto).

Às vezes eu avisto-me ao longe. Aquela rapariguinha, novinha, que se fez a Lisboa. Rio-me muito com ela. Com tudo aquilo que ela fez. Mas sei que é difícil ela voltar a casa. A cidade mudou-a. As pessoas mudaram-na. Encerrar estes 13 anos de encontros e desencontros é no fundo uma despedida. Acho que ela deu o seu melhor e conseguiu fazer algumas pessoas felizes. Agora é tempo de a fazerem feliz como ela merece. Ou como ela pode ser. Nunca se é feliz como se quer. É-se feliz como se pode.

bodycology

Passatempo Bodycology

segunda-feira, setembro 07, 2015

Ora aí está outra marca que eu amo e da qual vos quero fazer fãs! A BODYCOLOGY tem produtos fantásticos, principalmente os sprays corporais perfumados (tenho sempre um dentro da mala). Esta semana tenho um para vos oferecer!!! A embalagem tem 237 ml (dá para muito tempo) e a vencedora ou vencedor poderá optar entre duas fragâncias que eu revelarei a quem ganhar o passatempo. Para se ficarem habilitados a ganhar o prémio, só têm de ser fãs da página oficial do CCSTYLEBOOK no facebook e preencher correctamente o formulário abaixo indicado. Nada mais simples! O passatempo decorre até ao próximo dia 12 de Setembro, sábado e é válido para Portugal Continental e Ilhas. O vencedor será escolhido aleatoriamente através do random.org. Boa sorte!!!

açores

As redes sociais terceirenses

sábado, setembro 05, 2015

(o telefone fixo toca e corro escada abaixo para atendê-lo)

- Boa tarde sinhóra. A sinhóra sabe me dizê se hoje à tourada na Vila-Nova (freguesia onde eu vivo)?
- Ah sinhóra ê na sei lhi dizê. A sinhóra ligou aqui pra baixo, prá Canada da Bezerra... (uma ponta da freguesia)
- Mas cumaé que o tempo tá? Tá bom? Inda chove? Na clariou?
- Cá nada sinhóra. Tá forrado forrado e de vez em quando cai umas pancadas d'água grandes.
- Pois é que mê home veio agora do mar, aqui de São Matês (do outro lado da ilha), e tem cracas (marisco) fresquinhas que consola pra vender, mas na sabe se há touros aí pra cima... 
- A sinhóra telefone prá sociedade ou prá padaria do João Meneses (sempre a fazer publicidade)... 
Eles devem saber se há ou não há. A sinhóra que ligue.
- Ah mas ê na tem o número, a minha filha é que me deu este ao calhas para saber do tempo. 
Ela viu na lista telefónica. Mas ê na tenho mai nenhum.
- Pois, na sei sinhóra. Nã a consigo ajudá.
- Na faz mal. Muito obrigada e tudo de bom pra sinhóra.
- Pra si também sinhóra. Boa tarde.

casa

Sexta à noite

sexta-feira, setembro 04, 2015





Era disto que eu sentia falta. Do meu quarto cheio. Das selfies tortas. Dos sorrisos cúmplices. Do cafuné nos fios de cabelo. Nunca sabemos de antemão se as decisões que tomamos serão as mais acertadas, mas existem pequenos momentos das nossas vidas em que parece que tudo faz sentido. Boa noite.

beleza

Como doeu a 1ª depilação... Ainda hoje dói.

sexta-feira, setembro 04, 2015

Um dia encostei a minha mãe à parede e fiz-lhe um ultimato: "ou vais comigo à esteticista ou eu rapo as pernas em casa". Tudo em mim cresceu rápido demais, as mamas, o rabo, a inteligência e... os pêlos. Aos 11 anos eu parecia a Frida Khalo com o peito da Pamela Anderson (pobre adolescência... as metamorfoses pelas quais uma pessoa passa até se tornar gente). A minha mãe entendeu a urgência do meu pedido, embora relutante (as mães nunca aceitam de boa vontade que os seus ursinhos de pelúcia estão a crescer). 

Não me explicaram muito sobre o processo. A minha mãe acalmou-me prometendo que me ia levar à melhor esteticista da Terceira, mas aqui para nós que ninguém nos ouve, a minha mãe nunca foi uma pessoa muito convincente... Eu queria muito ficar sem pêlos, mas a ideia de mos arrancarem com cera quente parecia horrenda. Entrámos no estabelecimento e voilá, "a melhor esteticista de Terceira" estava de férias e quem me ia depilar pela 1ª vez era a estagiária que lá estava! Vêem como a minha mãe é?! Eu não minto quando escrevo sobre ela.

Comecei a transpirar, (o que não é de todo muito aconselhável antes da depilação), e quando entrei para o gabinete ainda pensei em desistir, mas a estagiária com a sua vozinha doce foi-me tranquilizando e aos poucos deixei-me relaxar. Só fiquei um bocadinho em pânico quando ela usou uma tesoura para me aparar os pêlos da dita cuja. Eu ainda brincava com Barbies, ok?! 

A partir desse dia passei a ir todos os meses à esteticista. Disse às minhas amigas todas para irem. A depilação era uma espécie de ritual da maioridade. A estagiária, que por sinal sabia vender muito bem o seu trabalho, começou a incentivar-me a fazer limpezas de pele para atenuar o acne. E claro, os pais, nessas alturas críticas da vida dos filhos, patrocinam tudo o que for necessário para restituir alguma dignidade aos seus rebentos, desde limpezas de pele a aparelhos odontológicos. Um dia a estagiária resolveu lançar-se sozinha e eu e as minhas amigas seguimo-la, afinal de contas era ela que nos tinha feito a 1ª depilação... éramos amigas (mais do que) íntimas

Quando vim para Lisboa, para a universidade, deixei de visitá-la com tanta frequência. Só lá ia nas férias quando regressava a casa (à Terceira). Sempre tive em boa conta os seus conselhos e a qualidade do seu trabalho. Era (e ainda continua a ser) uma pessoa muito esforçada e muito lutadora, embora o nosso caso de amor tenha terminado de uma forma pouco gentil. A meio de uma manicure que eu tinha marcado com semanas de antecedência, tinha eu 3 unhas pintadas, pediram para me levantar e aguardar um bocadinho enquanto sentavam uma socialite chiqui-bem no meu lugar. Quando "consertaram" a unha da sô dona, voltaram a sentar-me no gabinete onde estava inicialmente. Tinha 7 unhas por pintar e o coração partido.

Nunca mais voltei a ser sua cliente. Acabou-se para todo o sempre o casamento que mantínhamos entre cliente e prestador de serviço. Entregar a nossa "intimidade" a alguém é uma coisa muito importante... não é algo com que se possa brincar, assim levianamente. Desejo-lhe os maiores sucessos, mas nas minhas partes mais preciosas ela nunca mais põe o dedo. 

cabeleireiro

Antes de entrar em bancarrota...

quinta-feira, setembro 03, 2015

... (o que está quase, quase a acontecer), vou corrigir as raízes da minha cabeleira... Neste momento só me consigo comparar à ponta do Evereste na idade do degelo. Com a ajuda do TAAZ - Virtual Makeover tirei umas ideias engraçadas para apresentar à minha hairstylist terceirense (o que uma pessoa inventa para não ter de responder a ofertas de emprego). Até ao momento estou indecisa entre a Whoopi Goldberg e a Jane Fonda!

Da esquerda para a direita:
1ª fila: Jenny Lewis; Jane Fonda; Kate Perry
2ª fila: Anna Wintour; Whoopi Goldberg; Jessica Chastain
3ª fila: Blake Lively; Jessica Alba; Anna Faris

Curto, comprido, claro ou escuro, com franja ou sem franja... Que carapuça é que me ficaria melhor? 

actividade física

Maminhas no sítio

quinta-feira, setembro 03, 2015

As mulheres não investem (muito) em roupa de ginásio (se calhar porque também não investem [muito] no ginásio). Ainda eu trabalhava como consultora de lingerie e já tinha este dilema entre mãos: mais depressa me compravam um soutien normal do que um soutien de desporto. Durante algum tempo investiguei os porquês deste tipo de comportamento e acabei por concluir que tudo não passava de um problema de visualização: as mulheres não conseguiam ver materializado o investimento que faziam na peça. Mais facilmente cediam, psicologicamente, à compra de um soutien para o dia a dia porque acreditavam que iriam usá-lo muito mais vezes do que o soutien de desporto. Problemas de assiduidade não devem comprometer a saúde nem o estilo de uma mulher. Se vocês vão ao ginásio (ou estão a pensar [re]ingressar num), então vocês vão precisar de um (bom) soutien de desporto, custe o que (ele) custar! Trust me.

Soutien de desporto Intense da marca Freya, vendido em exclusivo na Bra&Company

Eu também julgava que a indumentária não era importante, que o que era importante era a motivação e a disciplina, mas todas nós já passámos pelo infeliz acaso de comprovar que um look desadequado (e disfuncional) pode comprometer a performance de alguns exercícios. Não acreditam em mim? Há uns dias atrás tive receio de ser agredida por uma mama perdida. Isso mesmo, uma mama perdida! O peito da moça que estava à minha frente, na elíptica, saltava tanto que tive medo que uma das mamas dela se desaclopasse do corpo. Infelizmente eu também já passei por isso, até que descobri o soutien de desporto certo, no tamanho certo. Apesar de não gostar muito de investir em roupa de desporto tive obviamente que me render às evidências (e as evidências são bem generosas... dois 32 FF).

Ter estilo (e estar confortável) no ginásio favorece muito a atitude com que lá se entra. Antes as minhas opções passavam sempre por peças tamanho XXL tipo jogador de basquetebol americano (o que é um bocado anedótico tendo em conta o meu 1,63 de altura). Wrong way! Uma pessoa não só parece maior (de todos os ângulos e vértices) como se sente altamente desconfortável para fazer o que quer que seja. Ainda me lembro das minhas aulas de cycling antes de ter o soutien certo... alguém chegava à meta primeiro do que eu, mas eu não vos digo quem!

Tecnologia Polygiene, tecido anti-transpirante, anti-odor e anti-bacteriano

O soutien de desporto no tamanho certo, e bem ajustado ao tronco, permite "recolocar" o peito no sítio certo (no caso das amigas que já cederam uns centímetros ao abrigo da lei da gravidade). Este "truque" não só cria a ilusão de que o nosso tronco é mais comprido como retira visualmente o excesso de volume que o peito descido criava sobre a zona abdominal. É uma espécie de lifting, mas sem cirurgia. Vêem, são só coisas boas aquilo que eu vos transmito. Isso e roupa ajustada, no tamanho correcto, são dois dos ingredientes fundamentais para ganharem um "boost" de confiança no regresso à actividade física. Cuidem-se: por dentro e por fora!

*Para quem ainda não tem o soutien de desporto certo, e sente as "amigas" oscilarem demasiado, deixo-vos os contactos da Bra&Company: Av. 5 de Outubro, N.10, 7º andar, sala 4, Lisboa, tel: 211 317 833 e email: info@bracompany.pt. Horário de 3ª a Sábado, das 10H às 19H. Perguntem pela Ana ou pela Madalena e digam que vão da minha parte! Bons treinos poderosas!

cannes

Cotê d'Azur tu me manques...

quarta-feira, setembro 02, 2015










O ano passado, por estes dias, andava eu a sonhar com as minhas férias na Côte d'Azur...
E a avaliar pela chuva e pelo vento que se faz sentir hoje na Terceira, nada melhor do que continuar a sonhar.