Como doeu a 1ª depilação... Ainda hoje dói.

sexta-feira, setembro 04, 2015

Um dia encostei a minha mãe à parede e fiz-lhe um ultimato: "ou vais comigo à esteticista ou eu rapo as pernas em casa". Tudo em mim cresceu rápido demais, as mamas, o rabo, a inteligência e... os pêlos. Aos 11 anos eu parecia a Frida Khalo com o peito da Pamela Anderson (pobre adolescência... as metamorfoses pelas quais uma pessoa passa até se tornar gente). A minha mãe entendeu a urgência do meu pedido, embora relutante (as mães nunca aceitam de boa vontade que os seus ursinhos de pelúcia estão a crescer). 

Não me explicaram muito sobre o processo. A minha mãe acalmou-me prometendo que me ia levar à melhor esteticista da Terceira, mas aqui para nós que ninguém nos ouve, a minha mãe nunca foi uma pessoa muito convincente... Eu queria muito ficar sem pêlos, mas a ideia de mos arrancarem com cera quente parecia horrenda. Entrámos no estabelecimento e voilá, "a melhor esteticista de Terceira" estava de férias e quem me ia depilar pela 1ª vez era a estagiária que lá estava! Vêem como a minha mãe é?! Eu não minto quando escrevo sobre ela.

Comecei a transpirar, (o que não é de todo muito aconselhável antes da depilação), e quando entrei para o gabinete ainda pensei em desistir, mas a estagiária com a sua vozinha doce foi-me tranquilizando e aos poucos deixei-me relaxar. Só fiquei um bocadinho em pânico quando ela usou uma tesoura para me aparar os pêlos da dita cuja. Eu ainda brincava com Barbies, ok?! 

A partir desse dia passei a ir todos os meses à esteticista. Disse às minhas amigas todas para irem. A depilação era uma espécie de ritual da maioridade. A estagiária, que por sinal sabia vender muito bem o seu trabalho, começou a incentivar-me a fazer limpezas de pele para atenuar o acne. E claro, os pais, nessas alturas críticas da vida dos filhos, patrocinam tudo o que for necessário para restituir alguma dignidade aos seus rebentos, desde limpezas de pele a aparelhos odontológicos. Um dia a estagiária resolveu lançar-se sozinha e eu e as minhas amigas seguimo-la, afinal de contas era ela que nos tinha feito a 1ª depilação... éramos amigas (mais do que) íntimas

Quando vim para Lisboa, para a universidade, deixei de visitá-la com tanta frequência. Só lá ia nas férias quando regressava a casa (à Terceira). Sempre tive em boa conta os seus conselhos e a qualidade do seu trabalho. Era (e ainda continua a ser) uma pessoa muito esforçada e muito lutadora, embora o nosso caso de amor tenha terminado de uma forma pouco gentil. A meio de uma manicure que eu tinha marcado com semanas de antecedência, tinha eu 3 unhas pintadas, pediram para me levantar e aguardar um bocadinho enquanto sentavam uma socialite chiqui-bem no meu lugar. Quando "consertaram" a unha da sô dona, voltaram a sentar-me no gabinete onde estava inicialmente. Tinha 7 unhas por pintar e o coração partido.

Nunca mais voltei a ser sua cliente. Acabou-se para todo o sempre o casamento que mantínhamos entre cliente e prestador de serviço. Entregar a nossa "intimidade" a alguém é uma coisa muito importante... não é algo com que se possa brincar, assim levianamente. Desejo-lhe os maiores sucessos, mas nas minhas partes mais preciosas ela nunca mais põe o dedo. 

Deixe um comentário

1 comments

  1. Com muita razão.
    E assim se perdem clientes.

    ResponderEliminar