Entrámos em contagem decrescente

quarta-feira, setembro 30, 2015

As minhas amigas ofereceram-me as casas delas para passar lá os últimos dias em Lisboa... Regresso aos Açores na próxima segunda-feira, mas acho que vou 'enganar' o senhorio e ficar até à última na minha "petite maison". Custa-me deixá-la... Foi uma conquista difícil (estive um ano à procura dela) e dadas as mudanças dos últimos meses, não sei quando voltarei a viver sozinha... Também sei que depois de fechar a porta tenho de me concentrar no presente e não nas hipóteses e equações futuras. No more plans, no more.

Na ronda de encontros que tive a semana passada, uma velha amiga dos tempos da faculdade, perguntava-me se eu tinha desfrutado da casa como sempre tinha imaginado. Infelizmente, respondi-lhe que não. Sempre que chegava a casa e me sentava na poltrona a comer cereais com iogurte, sentia-me miserável. Sentia-me ainda mais miserável por não me conseguir sentir feliz... Tinha aquilo que tanto tinha desejado e não conseguia sorrir (vocês já se sentiram assim? infelizes com a maior das vossas conquistas?)

Levei muito tempo a descortinar a razão disso acontecer. Levei muito tempo a arranjar justificações, e nada, nada parecia fazer sentido. Viver sozinha foi bom, mas não foi tão bom como eu pensava que ia ser. Eu acredito muito em timings e se calhar foi isso, foi algo que aconteceu no timing errado... Ou talvez não. Se eu nunca tivesse vivido sozinha nunca teria entendido a falta que os outros me fazem (estou a tornar-me um coração mole). A verdade é que desde que abri o meu coração e soltei tudo o que havia nele (o bom e o mau) que me sinto mais eu (eu não sei bem explicar-vos o que é sentirmo-nos mais nós mesmos, mas é como se se tratasse de encaixar uma alma num corpo, percebem-me?).

Eu não estava errada quando escrevi isto: 2015 será um ano de respostas... Mas para chegar até elas eu tive de me questionar muito. Às vezes escolhemos viver mal só porque nos custa muito permitir-nos viver bem. Não faz sentido nenhum, pois não? 

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