Estou quase em Lisboa

quarta-feira, setembro 16, 2015


Mas eu volto, ok? Confesso que há dias que sinto um bocadinho de nervos... nem sei bem porquê. Tenho a noção de que no fundo vou lá despedir-me. Vou despedir-me da minha petite maison. Das minhas amigas. Das ruas. Da cidade. Todos nós sabemos que as despedidas são horríveis, mas há capítulos que precisam de ser encerrados para que possamos continuar em frente (e eu tenho muita urgência em continuar em frente). 

Durante muito tempo a solidão não me fez confusão, mas nos últimos meses começou a incomodar-me muito. Volto com a certeza de que aqueles que sempre me acompanharam, continuarão a acompanhar-me (Lisboa deu-me amigas maravilhosas que não hesitaram em vir aos Açores ajudar-me na readaptação). E são essas as pessoas que devemos levar para sempre no nosso coração porque aconteça o que acontecer, elas vão continuar a gostar de nós.

Não guardo rancor de nada. Não é por causa de ter tido nos últimos 3 anos uns chefes de merda que me venho embora. Não é por ter tido uma relação amorosa que não deu certo que vou fugir. As escolhas foram minhas. As palavras. Os actos. As decisões. Não fui infeliz por culpa dos outros. Fui infeliz por minha culpa. Mas há uma coisa que Lisboa me ensinou durante estes 13 anos e que eu conservo com muito carinho... Lisboa demonstrou-me várias vezes a pessoa que eu não quero ser. E é essa a razão pela qual eu decidi regressar... porque eu não quero ser quem eu me estava a tornar.

Eu não troco Lisboa por melhor. Troco Lisboa por uma família desestruturada, com um ambiente familiar do pior (a minha). Troco Lisboa por uma ilha, no meio do oceano atlântico onde não há emprego. Troco Lisboa por um Inverno difícil. Troco Lisboa por um lugar onde pensar de forma diferente tem o seu preço. Eu não estou a fugir. Estou pela primeira vez a enfrentar. É por isso que a vida é um eterno regresso a casa. Mesmo que a gente dê voltas e voltas e voltas. Não o faço de ânimo leve. Quem me lê pode achar que não me custa... mas como diz uma boa amiga minha, "estou toda carcomida". Mas estou pronta. 

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6 comments

  1. Há anos, fui para fora porque tinha um objectivo definido.
    Não me adaptei e regressei.
    Decidi que preferia sacrificar um dos meus desejos a estar longe da família e mal comigo.
    À CC desejo uma vida tranquila e feliz, nesse meio do Atlântico onde, tenho a certeza, vai conseguir viver .

    Beijinho

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    1. Que engraçado Maria, não conheço essa sua estória...

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  2. Parabéns pela coragem. As mudanças nem sempre são fáceis, mas as escolhas são nossas. Mesmo que daqui a uns tempos nos apercebamos que as escolhas não foram as melhores, naquele momento era o que nos parecia mais certo. Por vezes temos que regressar às origens para encontrarmos a paz e nos reencontrarmos. Muitas alegrias ainda estão por vir!
    Um grande beijinho =)

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    1. Obrigada Marta. Espero que os teus votos se materializem (o mais rápido possível)!
      Espero que este regresso às origens me traga aquilo que eu preciso e que eu procuro.
      Beijinhos

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  3. Beijinho e coragem! Às vezes há mais coragem em mudar do que em esperar que a mudança aconteça por si só!

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    1. Pois é Pedro, às vezes vamos buscar forças que nem sabíamos que tínhamos!
      Beijinho

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