Meu filho

sábado, setembro 19, 2015


Nada há nada no mundo que orgulhe mais um açoriano do que a responsabilidade de mostrar os Açores a alguém que não os conhece. A Ângela foi a primeira amiga desta última fornada a visitar-me no meu exílio. Conheci-a num ambiente intimista, isto é, entre mamas e soutiens. Aproximamo-nos naturalmente, sem grandes esforços. Sem ser preciso fazer o pino para nos darmos bem. Ela é daquelas pessoas a quem a ingenuidade cai que nem uma luva (não sei se entendem aquilo que eu quero dizer). Só sei que quando olho para ela me lembro de mim, há 13 anos atrás. Ela traz qualquer coisa à minha vida... Talvez seja o optimismo, a motivação, o entusiasmo de principiante que todos nós acabamos por perder consoante as estradas que escolhemos fazer.

Vista de Angra do Heroísmo a partir da península do Monte Brasil


Divertia-me imenso a provocá-la (e ainda me divirto, confesso). "Picá-la" é um dos meus hobbies favoritos e ela sabe (bem) disso. Quando eu piso a linha, percebo pelo olhar dela que está na hora de recuar. Todos são "seus filhos", e para mim ela sempre foi a minha menina, como se eu pudesse congelar para sempre o coração nobre que ela carrega. Viver nos Açores não seria uma opção, para a Ângelinha, é "demasiada água, para pouca terra". E eu compreendo-a. Existem muitas pessoas que não conseguem imaginar-se encerradas numa ilha. A sensação de claustrofobia de uns é por enquanto a liberdade de outros. "E as horas, vocês nunca se baralham com as horas?". Não. Somos tão especiais que até conseguimos fazer com o que tempo recue uma hora atrás. Só não conseguimos gravar momentos para sempre, a não ser que seja no único lugar possível: dentro do nosso peito.


Jardim Duque da Terceira em Angra do Heroísmo


Esta vila-realense pela qual eu me apaixonei também carrega nos ombros a mesma dúvida com a qual eu me confrontei: campo ou cidade? Sobre a cidade só tenho uma coisa a dizer, ainda bem que ela nos juntou. O resto recorda-me uma frase que ouvi de um amigo quando vivi em Espanha: é sempre mais fácil vivermos no nosso país. Não sei se é verdadeiramente assim tão fácil dadas as circunstâncias actuais, mas quero muito acreditar que sim. Ainda que todos nós carreguemos corações divididos, mais tarde ou  mais cedo, toda a gente saberá onde deve permanecer. Basta que estejamos atentos e que não nos falte a coragem de mudarmos a nossa vida mais uma vez. 




Mergulhámos nas piscinas naturais dos Biscoitos (um dos meus rituais preferidos para sacudir as más energias do corpo). Ela estava reticente, mas convencia-a enfiarmo-nos na água salgada. Então, quem vem aos Açores não pode ir sem lavar os pézinhos! Ao menos isso! Visitámos a Casa Agrícola Brum para provar um Chico Maria (um vinho licoroso produzido na Terceira com verdelho e terrantez). M-a-g-n-í-f-i-c-o! Se o encontrarem por aí, comprem! É delicioso. E descemos o Algar do Carvão (o único vulcão no mundo visitável de forma pedestre). Vocês acreditam que eu nunca lá tinha ido em 31 anos de vida? Shame on me. A experiência é impossível de descrever.





Acho que a Ângela leva um pouquinho dos Açores com ela. E eu fico com um bocadinho dela aqui. Foi uma semana em que renovámos os votos: os votos de sermos felizes, os votos de lutarmos por aquilo que queremos, os votos de não termos medo de começar de novo. Já tenho saudades meu filho, mas amanhã estejamos juntas novamente. Até já Lisboa! Bom fim de semana.

Deixe um comentário

2 comments

  1. Olá, o teu blog foi nomeado para a TAG "De tudo um pouco". Espero que gostes do meu blog e aguardo pelo post da TAG!

    http://saodiasassim.blogspot.pt/2015/09/tag-de-tudo-um-pouco.html

    ResponderEliminar
  2. É tão bom ter amigas que nos fazem felizes.
    Lindos momentos, lindas imagens.
    Beijinho

    ResponderEliminar