Escolher é dificil

sábado, outubro 03, 2015

Por mais voltas que a vida dê eu sei que nunca nos vamos separar. Não sei como sei disso, mas só sei que o sei. [e certezas são (muito) poucas as que eu tenho agora]. Sabê-lo é a única coisa que acalma o galope em que está o meu coração porque uma das maiores crueldades que a vida nos impõe é a impossibilidade de vivermos divididos. 

Escolher [entre uma(s) coisa(s) e outra(s)] é das maiores responsabilidades que se pode ter. Escolher entre o que se guarda e o que se esquece. Entre o que se deseja e o que não se aceita. Entre o que nos incendeia a alma e o que nos entorpece. Escolher não é (nada) fácil. Parte-nos ao meio. Escolher não nos dá certezas. De nada. Mas mantém-nos vivos. E às vezes viver é a única escolha que nos resta. Ainda que nos custe. Ainda que nos doa. Ainda que nos faça infelizes primeiro que felizes. Ainda que seja ridiculamente difícil manter-nos fiéis às nossas escolhas. Ainda que nos apeteça assumir que não somos responsáveis por aquilo que escolhemos dar aos outros. Somos. 

Somos responsáveis por amar demais. Somos responsáveis por não amar o suficiente. Somos responsáveis por não vivermos a vida que desejámos. Por isso, a escolher entre mim e a vida, escolhe-a a ela. Escolhe-a como eu a escolhi. Se a escolheres, escolhemos ambos a vida (e eu não terei de assumir que não te escolhi a ti). Escolhe-a. Agarra-a. E nunca a deixes fugir. Ainda que eu quisesse muito ser a tua vida. Ainda que eu quisesse muito que tu fosses a minha, ambos sabemos o que somos (e o que não somos). Ainda que nos escolhêssemos. Ainda que isso fosse possível. Ninguém pode viver dividido. Ninguém. 

Por mais voltas que a vida dê eu sei que nunca nos vamos separar. E se nos separarmos que seja porque encontraste na tua vida, a tua vida. Que ela te faça feliz. E que nunca mais te obrigue a ter que escolher.

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