Pedir emprego não é feio

quinta-feira, outubro 22, 2015

Deixem-me que vos diga: as universidades, em Portugal, não preparam ninguém pr'a vida. Vendem ilusões contra o pagamento de vários milhares. Saímos de lá contentes, com um canudo nas mãos, sem saber fazer absolutamente nada. O que é essencial, aprende-se cá fora. Ainda há quem pense que um canudo é garantia de um futuro. Não é. Ainda bem que não são os canudos que nos definem. O que nos define é o que nós fazemos com ele. As instituições de ensino continuam a promover a ideia de que um canudo é uma mais-valia. É. Mas um canudo não dá educação a ninguém...

Há quem saia da universidade e tenha um percurso imaculado. E há quem não tenha. Eu não tive. Porque não quis e porque, se calhar, não tinha muito a haver comigo. Eu fui atrás daquilo que eu queria experimentar e não me arrependo. Nada. Ter um canudo nunca me financiou a estadia fora de casa, antes pelo contrário... Conseguir dinheiro para pagar as contas no final do mês sempre dependeu de mim e não da minha formação. E ter-se criatividade suficiente para se desenrascar é uma competência que não se adquire na faculdade. Por isso, se vocês que me lêem, se sentem a nadar de costas, como uma tartaruga de pernas pr'ó ar, tomem calma. Existem vários caminhos para se chegar onde se quer.

Agora que voltei à Terceira, ando a pedir emprego. E há quem ache feio pedir emprego. Eu não acho. Vivo bastante confortável com isso. Não me tira o sono. É claro que eu não estou à espera que aqueles que ficaram, ou os que regressaram, com os seus canudos debaixo do braço, me abram as portas, ainda p'ra mais quando passei anos a maldizer a ilha. Mas, meus amigos, todos os nãos fazem sentido (e eu estou mais do que bem formada para ouvi-los). Orgulho-me muito de sempre ter trabalhado onde eu quis, coisa que nem todos conseguem hoje em dia. Bati às portas, disse que não sabia nada e que queria aprender. Entreguei-me, dediquei-me, lutei por sonhos que não eram os meus porque não sei ser de outra forma se não assim. Agora que voltei, vou fazer o mesmo. Vou bater às portas. Vou aprender de novo. Mas se calhar a entrega e a dedicação já não será a mesma... Ao fim de muito tempo a bater às portas dos outros aprendemos uma coisa: os únicos sonhos que importam são os nossos.

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2 comments

  1. Ai, eu estou numa fase em que preciso mesmo de textos como estes. Quase com o canudo na mão e a sentir-me perdida. Realmente a teoria vale muito, mas a prática é tão mas tão importante. Devia haver uma disciplina em que os temas principais fossem o "desenrascanço" e coisas assim.
    Mas apesar de tudo continuo na minha, os nossos sonhos é que valem!

    beijinhos,
    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

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    1. É verdade Daniela, a faculdade devia ser uma espécie de tropa, devia preparar-nos para a realidade e não adular-nos o ego, tal como faz a muita gente. Ainda assim, cabeça erguida e já sabes, desenrasca-te! Boa sorte! Beijinho!

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