Psiquiatra vs. Psicólogo

segunda-feira, outubro 12, 2015


Vocês já contaram a algum amigo vosso que estavam a tomar anti-depressivos? Eu já. Posso dizer-vos que tive reacções de todo o tipo desde o típico "deixa já isso o mais rápido possível porque vais ficar dependente" até ao alternativo "e se fizesses Yoga em vez de te drogares?" Às vezes as pessoas fazem-me rir com a quantidade de coisas que elas sabem sobre a vida dos outros. Eu sei tão pouco sobre a minha...

Quando comecei o meu tratamento psiquiátrico, recomendaram-me que tomasse Socian, Citalopram e Cloxam. Não tive efeitos secundários, (ligeiras dores de cabeça, mas nada demais), não andava chumbada e não parecia um zombie. Passei a dormir significativamente melhor e deixei de me importar tanto com aquilo com que me importava demasiado. E as cólicas chatas que me impediam de ser uma pessoa normal foram desaparecendo ao longo do tempo. Apesar de tudo, devo confessar-vos que eu tinha grandes esperanças nas drogas (grande frase esta!). Mas atenção, isto é sério! Acho que a falsa expectativa que eu criei em relação ao tratamento psiquiátrico pode ser uma falácia comum para muitas pessoas que se encontrem na mesma situação do que aquela em que eu me encontrei (e ainda me encontro). Eu acreditava piamente que os químicos seriam "a solução" para os meus problemas. Infelizmente não existem milagres instantâneos (nem drogas que nos façam sentirmo-nos felizes eternamente).

Nos últimos meses tenho estado mais atenta a estes temas e tenho conhecido imensa gente nas mesmas condições (vocês não imaginam a quantidade de pessoas que andam pr'aí drogadas). Apercebi-me que cada pessoa espera uma coisa diferente do seu tratamento. Normalmente aconselho-lhes aquilo que resultou comigo (e que me parece válido para a população em geral): é imprescindível que a pessoa faça simultaneamente psicoterapia. Mesmo que a psicoterapia implique (re)mexer em coisas que não se quer. Por exemplo, quando estive recentemente em Lisboa, aproveitei para ter consulta com a minha psiquiatra e quando lhe contei que tinha decidido regressar aos Açores ela aconselhou-me a aumentar a medicação. Acham que eu lhe dei ouvidos?! Nem por isso... Por outro lado, quando visitei a minha psicóloga, ela felicitou-me pela decisão corajosa que eu tinha tomado. Percebem a diferença?! 

Acredito que parte da cura dos males da alma está em querermos sentir de novo a vida a sangue frio. Também acredito que não precisamos de omitir que nos estamos a tratar psiquiatricamente para sermos bem aceites aos olhos da sociedade (e dos outros). Eu nunca o fiz. Espero muito sinceramente que um dia se possa falar de saúde mental sem os tabus que se lhe coloca e sem ouvir frases feitas da boca das pessoas que nos rodeiam, "coitadinha, está maluquinha, está a ser seguida por um psiquiatra". 

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