Sim, as saudades apertam

segunda-feira, outubro 26, 2015


Há um certo "pensar pequenino" nas pessoas da Terceira que me dá cabo dos nervos. Sempre me deu. Não é novidade. Talvez também tenha sido por isso que passei os últimos 13 anos lá fora. E tenho a certeza que não fui a única a fazer essa opção. Muitos jovens, (e não só), fogem daquilo a que eu chamo de "sistema funcional terceirense". E eu entendo porquê. Trocar Lisboa por um lugar onde pensar de forma diferente significa não estar alinhado com o resto da população é bastante arriscado. Estaria a mentir-vos se dissesse que as últimas semanas têm sido um mar de rosas. Na realidade, não têm sido assim tão boas. Viver-se nos Açores, por mais idílico que possa parecer, implica fazer das tripas coração para aguentar estoicamente a pequenez de quem cá vive. 

As pessoas que conhecem a minha estória perguntam-me com frequência: "e vais conseguir adaptar-te?" e eu respondo-lhes "e porque é que não hei-de conseguir?!". Não gosto desta maneira de pensar. Não gosto desta maneira, tão nossa, de menosprezar aquilo que temos. De nos acharmos menos que os outros. De não fazermos nada para evoluirmos. De não mudarmos porque tememos o que os outros vão pensar. De não tomarmos a iniciativa porque estaremos sozinhos. É esse sentimento enraizado que me enfraquece um bocadinho... dia após dia, tentativa após tentativa. Mas eu sou demasiado teimosa para desistir. Caramba páh! A gente põe-se à frente de touros, será que não conseguimos fazer melhor? Eu acredito que sim. Mas talvez seja só eu a única a querer acreditar.

Eu vim para os Açores porque tinha saudades de casa, mas acredito que profissionalmente posso fazer a diferença e, ainda que tenha de fazê-lo a nível individual, não vou deixar de tentar. Se todos fugirmos daquilo que é difícil de mudar (e de aturar), então daqui a poucos anos, os Açores passarão a chamar-se Desertas. E sim, quando estou de pijama, às 3 da tarde, a ver os programas das velhotas e dos reformados, penso como seria se ainda estivesse em Lisboa. Seria diferente, com certeza. Nunca estamos (totalmente) bem onde quer que estejamos. Às vezes tranco-me no quarto e escondo as lágrimas. Às vezes não digo a ninguém o quão sozinha me sinto e o quão difícil está a ser. Depois lembro-me do inicio. Lembro-me de como foi chegar até aqui. Lembro-me das minhas decisões e dos meus objectivos. Eu sei que aos poucos e poucos vou conseguir reunir todos os pedacinhos da minha vida que me fazem realmente feliz. 

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1 comments

  1. Não desista de nada. Persista, em vez disso.
    Um abraço.

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