Vamos lá recapitular tudo outra vez CC

sábado, outubro 17, 2015


Às vezes precisamos de nos lembrar dos piores momentos pelos quais passámos para não deixarmos que a vida nos defina como ela bem entender. Esta semana não foi fácil. Estive a ponto de me entregar ao desespero (e ao descrédito). Depois lembrei-me dos Açores. Do seu clima. Da sua metamorfose. Dos dias de chuva interrompidos pelo sol. E percebi uma coisa: as tempestades não duram para sempre

O golpe de misericórdia atingiu-me o ego quando, ingenuamente, (sim aos 31 ainda se é ingénuo), apresentei um projecto a uma pessoa que nem se deu ao trabalho de lê-lo (pelo menos à minha frente, não demonstrou qualquer interesse). A desilusão foi brutal, confesso. Não sei até que ponto isso é uma coisa boa ou não, mas coloco (sempre) muito amor em tudo o que faço, (pelos menos profissionalmente, devo fazer esta advertência) e ver as minhas ideias serem deitadas para o caixote do lixo foi tal como vos escrevi antes, um murro no estômago. 

A tentativa de fazer o universo mexer-se um bocadinho, já estava minada pela desmotivação que surgiu depois de ter recebido um não. Mesmo assim, distribuí alguns currículos e inscrevi-me num curso de empreendedorismo, mas para ter acesso ao mesmo ainda tenho de passar numa entrevista de selecção. Honestamente, eu não sei até que ponto a estratégia dos Centros de Empregos deste país é inteligente. As pessoas com formação ficam sempre para o fim da linha... Não seria muito mais rápido inserir na vida activa um profissional (já) qualificado, pergunto eu?

Não me apeteceu desistir, assim de caras, mas apeteceu-me maldizer tudo e mais alguma coisa, e enfiar-me na cama, com os cobertores pela cabeça, pr'aí até 2016. Até que me forcei a ir ao mais profundo de mim arrancar alguma coisa que me fizesse vir à tona. Lembrei-me das outras vezes em que estive desempregada e com muita imaginação consegui dar a volta à situação. E lembrei-me, acima de tudo, porque é que decidi regressar aos Açores.

Eu vim para os Açores para curar-me. É isso que eu tenho de preservar enquanto estiver aqui. E também vim para os Açores para me inspirar e para dar vida a muitos sonhos que estão dentro da gaveta (há anos). Não posso fazer o mesmo caminho que fiz antes. Não posso voltar a aceitar que me paguem para desistir daquilo que eu quero (experimentar). E ainda que eu saiba que não posso viver do ar, e que o dinheiro está a esgotar-se, talvez todos os nãos que eu recebi (e que vou receber) façam sentido... 

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