#é só estilhe

Pareço mais gorda na televisão?

segunda-feira, novembro 30, 2015

É uma questão recorrente. Toda a gente me pergunta se a caixinha mágica, da qual a grande maioria de nós é dependente, aumenta ou não aumenta visualmente as proporções de quem aparece nela. Não sei de onde é que surgiu essa ideia nem como se começou a debatê-la, mas para mim não passa de um mito. A televisão não faz ninguém parecer maior (embora as "estrelas" gostem de dizer que sim). 

Em Portugal, e um pouco por toda a Europa, ainda vivemos concentrados na imagem do outro. Não é à toa que a maioria das apresentadoras portuguesas seguem um determinado padrão e também não é toa que são escolhidas, normalmente, mais pelo aspecto físico do que pelo seu próprio talento ou formação. Nos Estados Unidos, ainda que a pressão sobre a imagem também exista, e atinja graus incomportáveis de subjugação, os critérios para dar o prime-time a alguém são outros... O melhor exemplo que me ocorre é o da Oprah Winfrey

Seria possível em Portugal termos uma apresentadora assim tão "grande"? Duvido que sejamos suficientemente maduros para promover isso, mas gostava de acreditar que num futuro, bastante próximo, seríamos (todos) capazes de o fazer. Claro que quem aparece na televisão quer estar bem (e parecer bem). E há formas de se conseguir isso, (os aderecistas e os responsáveis de guarda-roupa dos canais de televisão desempenham um trabalho importantíssimo na hora de pôr toda a gente dentro das medidas certas). Não digam que eu vos contei, mas a maioria das senhoras da televisão usam peças modeladoras, eu incluída!

Quando me lançaram este desafio para assumir o especial de Domingo do Terceira Dimensão, alguém me perguntou: "e vais aparecer na televisão assim tão gorda?". Não só estava convicta de que o ia fazer, como efectivamente o fiz. Estar "assim tão gorda" não me incomodou absolutamente nada. As pessoas têm uma ideia errada sobre quem tem peso a mais... Associam sempre a palavra infelicidade a quem tem uma barriguinha mais proeminente. Porque é que não podem existir gordos felizes? 

É óbvio que estar acima do peso me incomoda. Incomoda-me porque a roupa (apertada) se torna desconfortável, mas termina aí. Se eu fosse uma pessoa frágil e se eu tivesse dado ouvidos a quem me disse isso, provavelmente eu não me teria atirado pr'a frente como me atirei. Sentirmo-nos bem connosco mesmos não é (apenas) uma questão física, é uma questão mental. E a nível mental eu estou muito bem, obrigada!

#a jornalista

Especial Terceira Dimensão - Azores TV (José Esteves)

segunda-feira, novembro 30, 2015


Lançaram-me o desafio e eu aceitei. É um orgulho poder contar "estórias" cujos protagonistas são pessoas da minha terra. O primeiro convidado do especial de Domingo do Terceira Dimensão foi o cantador terceirense, José Esteves. O José é um jovem agarrado à terra que o viu nascer. É um jovem que se recusa a ir embora, que se recusa a "perder uma parte dele". O José ganhou o gosto de subir aos palcos ao lado de outros cantadores com mais idade (e com mais experiência). A arte (e a tradição) da cantoria açoriana revitalizou-se nos últimos anos por causa de jovens como ele. Seria uma pena perder a oportunidade de conversar com o José Esteves. 

A Azores TV é um órgão de comunicação social dos Açores, sediado na ilha Terceira. Podem acompanhar a produção diária através do facebook, ou através do canal da MEO 124432. Espero ter-vos como público. Obrigada!

#a vida aos 30

Valeu a pena voltar?

sexta-feira, novembro 27, 2015


As pessoas continuam a olhar-me com espanto. "Olha, voltou". Já perdi a conta a todos os "estás cá de vez?". Fazem previsões sobre o (meu) futuro sem que ninguém lhes peça, "E se não encontrares nada para fazer, vais ficar?". Acham-se no direito de terem respostas. Não as tenho. Não as dou. Não sei como vai ser o dia de amanhã. Só sei que vale a pena fazermos aquilo que o nosso coração nos pede. Quando nos pede.

Tive medo, (claro que tive). Tive receio de ir contra todos. Contra mim. Será que me ia aguentar? Faltava-me coragem. Faltava-me aceitar aquilo que sentia. Todos os passos que dei durante este processo, (desde despedir-me até voltar aos Açores), foram dados com medo. Mas foram dados. Não foi fácil. Não está a ser fácil. Aqueles que nos são próximos são os primeiros a ficar para trás. Porque não nos apoiam. Porque não nos entendem. Porque às vezes nos invejam. Seguimos sozinhos agarrados a uma nesga de nada. Nada.

Vale a pena voltar. Vale a pena (re)começar. Vale a pena mudar. Sempre e quando nos sentirmos infelizes. Sempre e quando acharmos que o devemos fazer. Quando mudamos as pessoas querem sempre saber porquê, para quê. Aos dias de hoje eu ainda não sei concretamente o que é que me faz feliz, eu só sei que há um ano atrás deixei de me sentir bem no sítio onde estava e apesar de ter desprezado o meu desconforto meses a fio, arranjei coragem para não continuar a ignorar aquilo que precisava de enfrentar. Pedi ajuda a quem me podia ajudar. E fui aguentando os golpes que o adversário, eu mesma, desferia. 
 
Eu quis mudar porque não gostava da pessoa em que me estava a tornar. Não foi fácil. Não está a ser fácil. Quando estamos infelizes entramos num processo de anulação tão forte que nada nos importa. Não nos importa o amor. Não nos importa a vida. Nem sequer nos importa a dor. Fazemo-nos de fortes. Podemos com tudo. E não podemos com nada. E tudo nos passa ao lado porque não aceitamos que nos passe por cima. Estilhacei-me. E foi por isso que parei. Parei para me recompor. Para recuperar cada pedacinho que faz parte de mim.

Não sei como será se não encontrar nada para fazer. Não sei se fico. Não sei se vou. Só sei que não quero voltar a deixar de fazer aquilo que o meu coração me mandar fazer. Quando me mandar fazer.

#nas palavras dos outros

Dos Regressos

quinta-feira, novembro 26, 2015

«Enquanto somos crianças, os pais são os nossos maiores heróis. Contudo, o tempo passa e, aos poucos, vamos percebendo que eles, na verdade, não possuem nenhum superpoder. Ou melhor, (pior, quer dizer), carregam na bagagem grandes defeitos - que, inclusive, nos momentos de maior atrito e desentendimento, parecem superar em muito as qualidades. Essa transformação dos nossos heróis em verdadeiros vilões é um passo muito importante no processo de amadurecimento. Entretanto, é somente o primeiro de um longo caminho a ser percorrido. (...) Ninguém volta a ser o mesmo depois que experimenta a sensação de viver sem a proximidade daqueles que te colocaram no mundo e te criaram. (...)» in A boa filha à casa torna

#a vida aos 30

Os empreendedores estão sozinhos

terça-feira, novembro 24, 2015

Estou cansada (sim, os desempregados também têm o direito de estar cansados). Estou cansada de tentar. Começou a última semana do curso Empreende Açores 2015 e o saldo final é apenas um, e é generalizado: resume-se a isto, DESALENTO. Não que a formação não tenha sido interessante, isso foi, (o conhecimento não ocupa lugar), mas mais do que a crise económica, o tal pensar pequenino das pessoas da Terceira é a principal ameaça dos empreendedores locais. Nenhuma das pessoas que está na formação quer efectivamente ser empreendedor... Nem eu própria sei se o quero ser (ou melhor, eu até tenho tentado ser, mas sem lograr nada). 

Quando as pessoas, por exemplo, me contam estórias deste tipo, eu benzo-me com a mão canhota! Há um empresário na Terceira que teve a sorte, (sorte, hoje em dia ninguém tem, o que as pessoas têm são cunhas), de ver o seu projecto ser financiado pelo estado: 70% veio do Governo Regional, os outros 30% vieram dos bolsos dos pais. Não é que essa pessoa, (que eu não sei quem é), recebeu 2 prémios de empreendedor do ano mesmo antes de ter aberto a empresa?! Como é que me justificam isto?!

Dizem-me que a realidade das ilhas está mudar, (principalmente em São Miguel), mas será verdade? Nesta fase do campeonato custa-me muito acreditar que sim. Por aquilo que tem sido a minha experiência até agora, posso dizer-vos que as entidades da Terceira, principalmente os organismos públicos, sabem agendar reuniões, mas não sabem manter contactos. Isto é mais ou menos o mesmo problema que se passa com os empreendedores: toda a gente pode abrir um negócio, mas poucos sabem geri-lo.

Desculpem-me o desabafo, mas tenho o coração ligado à boca. Eu não vou ganhar nada com isto, se calhar até vou perder, mas ao menos fico de consciência tranquila. Custa-me muito apresentar projectos em nome próprio, (do qual eu muito me orgulho), que não são aprovados simplesmente porque se fossem iam envergonhar as pessoas que fazem parte da casa. Foi a resposta que me deram meus amigos. Depois de 2 meses a trabalhar a fundo, a dificuldade de se viabilizar um projecto passa por aqui... Pelas fragilidades idiossincráticas dos funcionários públicos. Sabem quando é que a mudança se vai dar? Nunca!

#é só estilhe

Coaching de Imagem na Mythos (Ilha Terceira)

segunda-feira, novembro 23, 2015


Meninas (e meninos) da Terceira, há alguém que (finalmente) se preocupa com a vossa imagem! Depois de alguns anos a trabalhar em Lisboa na área da consultoria de marketing, apoiando as principais marcas portuguesas especializadas na imagem pessoal feminina, e tendo-me formado em Assessoría de Imagem e Personal Shopper em Espanha, pensei: porque não oferecer o meu know-how ao público da ilha? Embarco neste projecto juntamente com a Mtyhos e com a sua mentora, a Teresa Lopes. Para quem quiser acompanhar o nosso trabalho e conhecer melhor os serviços que a marca oferece (são muitos!), basta seguir a página oficial do facebook aqui.

Para mais informações, podem entrar em contacto directamente com a Mtyhos ou escrever-me um email para cc@ccstylebook.com. Terei todo o prazer em responder às vossas questões. Vamos assumir a nossa beleza?!

#nas palavras dos outros

Vou levar o meu filho às Antas

sexta-feira, novembro 20, 2015

«Às 8 partiremos para as Antas, o último quilómetro feito a pé, por entre um delírio de azul-e-branco que é um verdadeiro deboche para os olhos de um portista exilado em Lisboa. Jantaremos, numa barraquinha, uma sandes de 'entremeada' e uma cola para ele, uma sandes de 'coirato' e um copo de vinho verde, para mim. Um pacote de queijadas para o jogo, cachecóis e bandeiras e aí vamos nós, o coração descompassado ao ritmo do ruído surdo dos passos da multidão no cimento do Estádio. Das entranhas escuras desse monstro de betão emergiremos para a luz ofuscante dos holofotes junto aos quais a chuva forma fios de prata brilhando na noite. 

Lá em baixo, o relvado, lindo, perfeito, parece esperar para ser pisado só por deuses, não por simples mortais. De repente, ele estremecerá, a sua mão apertará a minha, excitado e assustado, os olhos fixos na 'boca do túnel' pela qual saem correndo, um a um, os onze deuses de azul e branco, saudados por um grito de cinquenta mil gargantas: "Po-oo-orto! Po-oo-orto!". Então aí, o meu filho perguntar-me-á,  como costuma fazer: "é o petra-campeão, pai, não é?" 

Este é o instante mágico, o instante iniciático, que sela para sempre o amor irracional entre um homem e um clube de futebol, um amor para a vida, que ninguém, jamais, poderá alterar. Esta iniciação é tarefa de homem, dever indeclinável do pai, que mulher alguma entende. Nem sequer adianta depois tentar explicar: "Como é que é o futebol, mãe? Olha um cheiro a bifanas, uma multidão aos gritos, uma relva a brilhar, azul e branco por todos os lados e nós, encharcados e roucos, patinando na lama à procura do carro." Enfim, uma paixão inexplicável.» 

#rapidinhas

O cúmulo da solidão

quinta-feira, novembro 19, 2015

Ficar triste com o desaparecimento forçado do rato forasteiro que andava pelo quintal.
Estender a roupa nunca mais será o mesmo.

#a vida aos 30

Vocês sabem quais são as vossas forças?

quinta-feira, novembro 19, 2015


No curso de empreendedorismo que estou a frequentar temos falado muito na análise SWOT. Para quem não está familiarizado com o tema, a análise SWOT é uma ferramenta que nos permite fazer a análise de uma situação, de um mercado ou de um ambiente. Geralmente é utilizada em marketing e gestão, mas é tão simples que pode ser transposta para a esfera doméstica. Eu tinha uma colega que usava uma análise SWOT para decidir tudo na vida ela. Eu achava completamente non-sense o que ela fazia, mas... não é que experimentei e até gostei?! Por exemplo, quando comecei a ter dúvidas em relação ao meu trabalho anterior, escrevi numa folha de papel, dividida ao meio, os prós e os contras do projecto, e assim que o fiz comecei a "visualizar" em que lado da folha eu estava, isto é, ajudou-me a tomar consciência de uma situação que já não era satisfatória para mim.

A minha proposta parece algo demasiado simples para resolver situações cabeludas, (eu também desconfiei ao inicio), mas é uma grande ajuda, confiem em mim. Principalmente para quem tem de se atirar a pés juntos para algo novo. Por exemplo, quando vocês vão a uma entrevista de trabalho, vocês vão conscientes das vossas forças? Isso nem sempre acontece. Quando nos perguntam "quais são as suas mais-valias?", ficamos com cara de quem está a tentar acertar no preço certo (é ou não é verdade?). Nós não nos podemos comportar assim. Não podemos transmitir insegurança. Temos de ter o trabalho de casa (sempre) feito. 

Antes de venderem o vosso produto, mesmo que o vosso produto sejam vocês, analisem as vossas FORÇAS, (em que é que vocês se diferenciam; o que é que vocês podem oferecer que os outros não;), e as vossas OPORTUNIDADES, (a quem é que vocês se podem vender; que necessidades em aberto é que vocês podem preencher;). Ainda assim, e como a concorrência é grande nos dias que correm, é fundamental que vocês também saibam quais são as vossas FRAQUEZAS, (ninguém gosta de falar de pontos fracos, mas convém saber quais são para estarmos preparados, nem que seja para os camuflar), e quais são as vossas AMEAÇAS, (basicamente todas as circunstâncias externas a vós que podem colocar em risco o vosso sucesso). 

Se for muito complicado analisarem estas 4 variantes, dividam a folha ao meio, tal como eu fiz, e vejam p'ra que lado é que ela inclina. Se forem honestos convosco mesmos, ela com certeza irá inclinar para o lado certo, isto é, para aquele que vocês já estão naturalmente inclinados. Prós e contras de uma mudança de cidade, prós e contras de uma relação, prós e contras de um projecto, etc. São várias as situações em que um pequeno pedaço de papel com umas coisas escritas pode ajudar. Agora, isto não resolve tudo. Isto ajuda a resolver. Experimentem, depois digam-me como correu.

#é só estilhe

Aprendam isto meninas: o estilo é um todo

quarta-feira, novembro 18, 2015

Agora que não há muito dinheiro para fazer compras, (até os chineses estão caros, xiça!), tenho tentado ser mais criativa na combinação das peças que escolho para vestir. Na verdade, eu não preciso de comprar roupa nova, mas as lojas recebem novidades à velocidade da luz... Quando uma pessoa vai a ver, já está desactualizada outra vez! (vocês não sentem o mesmo?) Se analisar com mais cuidado o meu roupeiro, posso garantir-vos que não uso com a mesma frequência todas as peças que tenho... Acabo sempre por vestir aquilo com o qual me sinto mais confortável, esquecendo-me, (propositadamente), do menos confortável. Às vezes, (vezes demais), caímos no erro de pensar que uma peça nova vai mudar algo na nossa imagem, mas a nossa imagem não precisa de ser nova todos os dias, precisa apenas de ser coerente. Não concordam?

É por essa razão que eu acho que as tendências nem sempre são bem interpretadas. Toda a gente quer ter tudo, mas sem pensar primeiro porquê. Isto faz-me lembrar uma colega que eu tinha no secundário. Ela copiava tudo aquilo que eu vestia. Ia às mesmas lojas. Comprava as mesmas peças. Até ia ao mesmo cabeleireiro (jesuuus, que perseguição!). Um dia, a própria, a autora do plágio, inconformada com o fracasso da sua tentativa, disse-me: "tu compras coisas que mais ninguém consegue comprar, tu encontras coisas nas lojas que eu não consigo encontrar". Cara inimiga do passado, caso não tenhas percebido, a chama-se PERSONALIDADE.

É por isso que uma peça muito cara, muito excêntrica ou muito "moda" não vai acrescentar nada à vossa imagem, se a vossa imagem não for trabalhada primeiro. A imagem não é só imagem. Não é ver o que a Pipoca usa e comprar igual! A imagem é um todo, é a soma das vossas características mais peculiares. Isto lembra-me outra estória: um dia atendi uma cliente que me procurou vestida de fato de treino. Um fato sem formas que realçava muito pouco aquilo que ela era. Usava óculos, mal escolhidos para o formato do seu rosto e ainda por cima, tinha um aparelho ortodôntico. Não era a mulher mais bonita do mundo, mas quando acabei a consulta comentei com uma colega minha: "que cliente linda!" Tudo nela fazia sentido. Tudo nela ainda a tornava mais interessante. Tudo nela era coerente com aquilo que ela era: simples, dócil, empática, tranquila, resolvida. E na minha opinião, essa é a melhor forma de se ser e de se estar. Certo?

Vamos recapitular: faz sentido cuidarmos de nós? Faz! Mas faz sentido cuidarmos por fora e por dentro! O vosso estilo é a vossa essência. O vosso estilo não está nas prateleiras das lojas nem nas páginas das revistas que vocês lêem. O vosso estilo está na forma como vocês caminham, como vocês se dirigem às pessoas, como vocês expõe uma ideia... O vosso estilo está nas músicas que ouvem, nos sítios que frequentam, nas viagens que fazem... e por aí fora. Todos nós somos um conjunto de influências, escolham as melhores para vocês.

#a vida aos 30

Empreendedor em part-time

segunda-feira, novembro 16, 2015

Não sei se esta é uma realidade comum ou não ao resto do país, mas parece que a moda, aqui nos Açores, é arranjar um tacho público para assegurar a mensalidade dos créditos familiares e arrancar depois com um projecto empreendedor que encha realmente as medidas do seu promotor. Estou a ridicularizar a realidade, mas ela existe. E que fique claro: eu não sou contra esta atitude, mas sinto-me um bocadinho revoltada ao perceber que a nossa situação económica só nos permite ser empreendedores, leia-se trabalhar naquilo que a gente gosta, em part-time.

Isso não devia chamar-se empreendedorismo, pois não? Não sei se vocês aí desse lado já passaram por isso, mas eu, enquanto jornalista, lido com esse dilema, dia sim, dia sim. Os órgãos de comunicação social da Terceira estão (todos) de braços abertos para receber os meus conteúdos e o meu talento, modéstia à parte, mas nenhum deles garante uma colaboração permanente. Quer-me parecer que para ser jornalista cá na ilha, a coisa também se vai dar em regime part-time, única e exclusivamente porque não me deixam outra saída. Só me resta agora encontrar um tacho... mas não está fácil, diz que anda tudo atrás do mesmo.

Sinto-me de facto muito revoltada. Principalmente por causa da forma como a classe jornalística trabalha hoje em dia. Eu tenho de me "prostituir" para conseguir vender o meu trabalho. E quando ele é vendido, é vendido muitas vezes abaixo do seu verdadeiro valor. Mas adiante, com essa parte eu já estou mentalizada para lidar. Há efectivamente algumas pessoas que conseguiram juntar o útil ao agradável, arranjaram um tacho, e esse tacho permite-lhes fazer aquilo que eles mais gostam... curiosamente nenhuma dessas pessoas tem curso superior, e esta hein?! Nos Açores, ficam já avisados, também é muito comum algumas instituições acolherem colaboradores mediante o reconhecimento dos seus dotes artísticos. O resto, entra tudo através do RECUPERAR ("o Recuperar é um programa da Direcção Regional do Emprego e Qualificação Profissional que pretende tornar mais fácil o acesso ao emprego por parte daqueles que dada a sua desvantagem, têm maior dificuldade em aceder ao mercado de trabalho:  jovens à procura do primeiro emprego, desempregados de longa duração, pessoas portadoras de deficiência e em situação de desigualdade social"). 

Mas se calhar eu devia-me calar, ainda corro o risco de fazer alguns inimigos pelo caminho... e depois ninguém me RECUPERA. Sim, porque uma pessoa com esta idade, com esta formação e com esta experiência profissional só espera ser recuperada. Enfim, felizes daqueles que conseguem fazer as duas coisas sem precisarem de se tornar empreendedores em part-time.  

#a vida aos 30

É este o mundo que temos

sábado, novembro 14, 2015


Pessoas deitadas ao lixo em plena Rua Augusta, Lisboa (em frente à loja da Intimissimi). Não é só por Paris que devíamos chorar. Devíamos chorar pelo mundo todo. Por nos estarmos a matar uns aos outros. Por estarmos a acabar, a olhos vistos, e sem vergonha, com a humanidade. Que raio de mundo é este em que vivemos? Alguém é capaz de me explicar? Espero que estas imagens cheguem até quem costuma dizer que "há trabalho em Portugal, as pessoas é que não querem trabalhar". As pessoas, destas imagens, com estes currículos, querem trabalhar, quem não quer que elas trabalhem são os gestores destas lojas que as deitaram foram. Esta é a realidade do nosso país (e do mundo): as pessoas deixaram de importar. 

Como é que uma marca, conhecida, faz uma coisa destas? Estou perplexa. Eu sei que metade dos currículos que ando a distribuir por aí devem acabar no mesmo lugar que estes, mas é sempre bom descobrirmos a verdade... Os empregadores têm uma certa tendência a pensar que o poder estar do lado deles, mas imaginem: e se fôssemos nós a entrevistá-los? E se fôssemos nós a recrutá-los? E se fôssemos nós a escolhê-los? É que nós podemos efectivamente fazê-lo! Estas pessoas, cujos currículos foram deitados no lixo, são público, são consumidores, são gente. E se estas pessoas decidirem não comprar mais nesta loja?! De que lado é que fica o poder? Nunca se esqueçam de que vocês podem sempre escolher. Escolher entre compactuar com empresas que tratam as pessoas assim, ou lutar contra as mesmas com a melhor ferramenta de todas: deixar de consumir. 

Foi por atitudes deste género que eu optei pelo desemprego. Prefiro ser pobre a ser maltratada. Espero muito sinceramente que esta gente seja punida, de uma forma ou outra, porque é aquilo que eles merecem. E espero que vocês tomem a consciência da importância do vosso papel enquanto consumidores. Temos de ser mais exigentes. Temos de nos informarmos melhor. Temos de questionar o sistema. Se continuarmos a sermos estas mosquinhas mortas, tá visto o resultado final: vamos todos para o lixo. Indignem-se! Reclamem! É um direito vosso! E é a única forma de fazermos frente ao sistema e de acabarmos com as injustiças.

#a vida aos 30

Quanto mais tempo se passa em casa, mais se come

sexta-feira, novembro 13, 2015

Infelizmente, engordar é um dos efeitos colaterais do desemprego. Eu bem que queria fazer parte daquele grupo de pessoas a quem o stress dá um nó na garganta, mas não tive essa sorte. No meu caso o stress triplica-me o apetite (maldito destino!). Para além disso, quando uma pessoa não se vê obrigada a vestir-se todos os dias, engordar torna-se tão fácil... vocês não imaginam quanto! 

O desemprego é um bocadinho parecido com a festa do pijama (acho que é por isso que as pessoas se afeiçoam tanto a este estado social). Só é verdadeiramente chato quando uma pessoa tem uma entrevista (as minhas saias estão tão apertadas que pareço um pinguim, desorientado, a andar). É uma espécie de Armageddon... uma pessoa embate de frente com a realidade. Bammmm!

Não há sensação mais avassaladora do que vestir uma peça de roupa e perceber que ela já não nos serve mais. Isso aconteceu-me, várias vezes, nos últimos 2 anos. Foram 2 anos ioiô. Primeiro desisti do ginásio, depois hibernei em casa e a seguir deixei de cozinhar. Este costuma ser o processo normal de quem desiste de si. Contrariar a vontade de desistir de tudo é um exercício muito difícil. Assim como também é voltar a querer agarrar alguma coisa.

Um dia passei-me quando uma amiga minha me disse que eu estava mais gorda. Eu sabia que estava mais gorda... mas não aceitava. Aliás, eu não aceitava que me dissessem nada. Na minha cabeça eu estava a fazer o melhor que podia e queria muito que me reconhecessem por isso e não por estar gorda. Foi um erro enveredar por aí. As pessoas conhecem muito pouco de nós. Não sabem que batalhas nós estamos a travar por dentro. Mesmo que estejamos a dar o nosso melhor, e a implorar-lhes, anonimamente, que reconheçam isso, elas são vêem as coisas como elas são, só vêem o que é real, só vêem os quilos a mais.

Acho que foi esse o turning point. Quando eu percebi que ninguém via aquilo que eu via, decidi pedir ajuda. Alguém estava a ver mal: seria eu ou seriam as pessoas que estavam à minha volta? Era eu. Eu não estou contente por parecer um pinguim desorientado a andar, (isso tenho a certeza que toda a gente vê), mas ninguém me vê por dentro. Eu estou mais gorda, mas eu estou bem. E hei-de continuar a melhorar até conseguir emagrecer de novo. 

#a vida aos 30

Os pais deviam distribuir currículos com os filhos

sexta-feira, novembro 13, 2015

Eu sei. Hoje em dia vivemos acoplados aos computadores. E os pais, pelo menos os que não cresceram a entupir os telemóveis dos amigos com mensagens enviadas pelo whatsapp, não percebem o porquê desta dependência militar que nos atacou. "Filha, porque é que estás sempre no computador?" Causa uma certa estranheza à minha mãe ver-me todo o dia a teclar. "Estou a trabalhar mãe, estou a trabalhar". Trabalhar para a minha mãe não é passar o dia todo com o rabo colado a uma cadeira, frente ao ecrã do computador. Trabalhar para a minha mãe, é esfregar panelas, lavar janelas, polir louça e por aí fora.

Quando eu digo que trabalho, é verdade. Quando estou no computador, estou normalmente a trabalhar nas coisas que quero alcançar a curto/médio prazo: isto é, estou a trabalhar para arranjar trabalho... e isso dá um trabalhão do caraças! Percorro sites de emprego, respondo a ofertas de trabalho, envio candidaturas espontâneas, chateio pessoas no Linkedin, tento vender reportagens e artigos, e negoceio projectos futuros que só passarão à realidade caso os orçamentos sejam aceites (infelizmente dependemos todos do dinheiro e não da sabedoria).

Enquanto eu não tiver um trabalho eu não consigo explicar à minha mãe o que é que eu faço todo o santo dia sentada ao computador. É difícil materializar a procura activa de emprego... e se os pais não a vêem é tiro e queda para se questionarem se vocês querem efectivamente trabalhar ou não. I've been there, done thatNos primeiros meses depois de ter aterrado na Terceira, eu admito, andei a procrastinar a coisa... Estava à espera de perceber para onde é que eu queria ir e deixei-me levar pela maré (deixar-se levar pela maré também é um exercício interessante para quem nunca se deixou levar por nada). Agora, já lá vão 5 meses parada, começo a sentir necessidade de estar mais ocupada... Mas atenção: muita calma nesta hora! Quero decidir bem. Quero ter a certeza de que vou fazer algo que tem sentido (pelo menos para mim). Para brincar às lojas já bastaram os últimos 3 anos da minha vida.

Então, como é que eu provei aos meus pais, em especial à minha mãe, que eu andava empenhada em encontrar trabalho? Levei-a comigo quando fui distribuir currículos pela ilha. Às vezes nós precisamos de "mostrar" às pessoas o que é que andamos a fazer, temos de envolvê-las no processo para elas depositarem confiança em nós. E isso é válido para qualquer esfera da nossa vida. Agora ela sabe que alguma parte do meu tempo ao computador é passada a investir no futuro, ainda que a gente não saiba muito bem como ele vai ser. E sempre que eu baixo os braços e me desligo da ficha ela diz: "vais conseguir filha, depois de tudo o que tu andaste, vais conseguir". 

#alma terceirense

As azeitonas do Porto Martins

quinta-feira, novembro 12, 2015


Depois de uns dias de sol, atípicos para esta altura do ano, o dia de São Martinho amanheceu (bastante) envergonhado na Terceira. O chuvisco matinal ameaçou, por momentos, a visita de estudo que estava programada no âmbito do curso Empreende Açores 2015 que estou a frequentar. Dizem por aí que nos Açores chove todos os dias, mas isso não nos incomoda... Se a chuva atlântica não viesse beijar esta terra, que é nossa, provavelmente muitas das coisas que nos definem não existiriam.

Não sei quantas vezes é possível uma pessoa se (re)apaixonar pelos Açores, mas a verdade é que este pedaço de terra no meio do oceano não pára de (me) surpreender. Aliás, foi essa a definição que as minhas amigas utilizaram para definir a visita delas ao arquipélago do meu coração: as ilhas são uma caixinha de surpresasO cheiro a terra molhada indicou-nos o caminho. Levados pelo sentido do olfacto, embrenhámo-nos no mato. Não é fácil chegar ao olival do Sr.º Lucas, no Porto Martins, mas a subida, íngreme, e escorregadia, vale bem a pena. 



Quando atingimos o topo do terreno, bem no cimo do Porto Martins, a natureza toma conta de nós  As oliveiras na Terceira vingam entre as pedras. E que bem que vingam. Para além disso, os terrenos do Sr.º Lucas são um verdadeiro jardim botânico repleto de plantas medicinais. Desta terra, entremeada com pedras, saem as melhores azeitonas da ilha, chás que acalmam a mente e o estômago, mel, vinhos e licores.

Se virados para o interior contemplamos este festival de aromas, (e sabores), virados para o horizonte testemunhamos a união entre o mar e o céu. É esta simbiose de paisagens que fez da freguesia do Porto Martins um pedaço de terra muito cobiçado, primeiro pelos americanos destacados na base militar das Lajes, depois pelos turistas. 

Nascido e criado no Porto Martins, o Sr.º Lucas não se esconde apenas atrás das (suas) oliveiras. As paixões deste terceirense multiplicam-se assim como o amor pela terra. As oliveiras ocupam uma boa parte das suas preocupações, embora a produção seja pequena, este ano a colheita foi ameaçada pela mosca-da-azeitona, Bactrocera (daculus) Oleae. Não se produz mais, nem se produz melhor porque não existem apoios nem cooperativas que orientem os poucos produtores, cerca de 10,  deste fruto bendito. 




A casa do Sr.º Lucas é um prolongamento do próprio. E é acima de tudo um espaço aberto aos amigos. Todos os terceirenses gostam de receber. Todos os terceirenses gostam de mostrar aquilo que os orgulha, de um modo simples, e de uma forma sincera. O Sr.º Lucas não se dedica por inteiro à terra. Gere, com responsabilidade, uma pequena empresa de alumínios que está no mercado há 30 anos e é com ela que faz dinheiro para "brincar depois".





Para além da terra e das plantas, o Sr.º Lucas colecciona pedras. Já chegou até a oferecer algumas janelas de alumínio em troca de raridades... tal como a que vêem na imagem. A visita acabou na adega com um mata-bicho improvisado: vinho jaquê, queijo e azeitonas. Devo confessar-vos que foi a primeira vez que provei as azeitonas do Porto Martins e são realmente diferentes de todas as outras. Diz-se que a suavidade do seu sabor está na forma como se prepara a salmoura (água, sal, orégãos, louro, alho e limão). Eu acredito que estes ingredientes são responsáveis por aquilo que as diferencia, mas também acredito que o amor com que se faz as coisas acaba por lhes conferir características muito particulares.

Conhecer os Açores fora do circuito turístico começa a ser difícil, mas ainda é possível. Se tiverem oportunidade, não deixem de procurar pessoas da terra, tão genuínas como o Sr.º Lucas. Tenho a certeza que ele não hesitará em abrir-vos a porta.




#rapidinhas

Expulsa do próprio quarto

terça-feira, novembro 10, 2015

Aviso à navegação: por favor não me dirijam a palavra.
Há 3 dias que estou acampada na sala de estar cá de casa.
Estou privada de sono. E de p-a-c-i-ê-n-c-i-a. E não respondo por mim.

#experiencias

Passatempo Atlântida Mar Hotel - Vencedor

segunda-feira, novembro 09, 2015


Já temos um nome para o vencedor do passatempo que realizámos em parceria com o Atlântida Mar Hotel. Parabéns Rodrigo Bernardo!!! Acabou de ganhar uma noite romântica, com pequeno-almoço incluído, no Atlântida Mar Hotel, na Ilha Terceira!!! Em nome do CC, quero agradecer a todos aqueles que participaram. Obrigada! 

#a vida aos 30

Porque é que eu não aceito ofertas de emprego de 500€

domingo, novembro 08, 2015

último post indignou algumas pessoas. Não sei bem porquê... mas desconfio que me considerem uma mal agradecida por recusar ofertas de emprego de 500€ quando estou desempregada (quem é que nunca foi julgado pelo mesmo?). Ora muito bem, vamos lá esclarecer uma coisa, estar desempregado não diminui o "valor de mercado" de ninguémInfelizmente vivemos numa cultura onde (ainda) é feio dizer-se que não. A mesma cultura que não nos educou, nem nos preparou, para reclamarmos, (com assertividade), aquilo que valemos. Quem é que andamos a tentar enganar? Toda a gente tem um preço e o meu não é 500€. 

Estar desempregado também é uma opção, mas as pessoas esquecem-se disso. Quem está desempregado, para todos os efeitos, não quer trabalhar. Não quer produzir. Os desempregados, pelo menos uma grande parte deles, querem trabalhar, mas querem fazê-lo naquilo que gostam e para o qual foram preparados. É assim tão difícil entender isso? Quem recusa ofertas de emprego de 500€ não está necessariamente à espera que apareçam outras que ofereçam o dobro... Essa pessoa está à espera de poder fazer aquilo em que acredita que é melhor.  Mas nós não somos um país de talentos. Nós não sabemos geri-los. Nós nem sequer sabemos reconhece-los. 

Nós somos um país de probrezinhos. E é bom que nos contentemos com isso. Um país de pobrezinhos, iletrados, talentosamente educados para disfarçar o desconforto que causam as ofertas de emprego de 500€. Estou farta. Estou cansada. Cansada de viver no meio de gente que tem como hobby denegrir o valor dos outros porque não sabe o valor que tem. Se alguém vos dissesse "eu pago-te 500€ para fazeres uma coisa que tu não gostas para o resto da tua vida" vocês acham que valeria a pena? Eu acredito que existem coisas que não tem preço e a felicidade é uma delas.

É por isso que eu me recuso. É por isso que eu digo não. É por isso que pouco me importa o quão mal agradecida possam achar que eu sou. Ninguém é obrigado a pensar o mesmo ou a fazer o mesmo. As pessoas só são obrigadas a serem felizes, mas nem p'ra isso elas estão dispostas a trabalhar. Toda a gente tem um preço.

#a vida aos 30

Do desemprego para o empreendedorismo

quarta-feira, novembro 04, 2015


Eu continuo a ser uma pessoa muito crítica em relação ao empreendedorismo contemporâneo, aquele empreendedorismo de fachada que só serve para dar títulos a quem não faz nada. Está na moda dizer-se que se é empreendedor, mas atenção, ser-se empreendedor não é um luxo. Quem o é, ou tenta ser, de verdade, é-o muitas vezes por (pura) necessidade. Na falta de postos de trabalho, os cursos de empreendedorismo proliferaram na tentativa de empurrar as pessoas que os frequentam para a criação do emprego próprio.

Desde o inicio desta semana que eu sou uma dessas pessoas, não por mérito da AQETAH (Agência para a Qualificação, Emprego e Trabalho de Angra do Heroísmo), que nada fez para que a informação da acção de formação chegasse até mim, mas por minha própria iniciativa. Ora aí está, ser empreendedor não é uma característica exclusiva daqueles que abrem negócios... aqueles que correm atrás daquilo que querem e que tentam, persistentemente, vender as suas ideias também são empreendedores (e nessa versão de empreendedorismo eu acredito muito). 

Ser-se empreendedor, em especial nos Açores, não deve ser nada fácil. Eu falo por mim. Eu não tenho nenhum negócio, (modéstia à parte, até que acho que tenho jeitinho para ter um!), mas sempre que partilho as minhas ideias peregrinas com alguém mais velho, principalmente  com os de casa, sofro sempre com a falta de apoio.  É difícil explicar-se a quem teve um emprego para toda a vida, que hoje em dia as coisas mudaram. Mudaram, e muito... E quem não é empreendedor corre o risco de perder a corrida.

As pessoas têm medo de empreender... mas empreender é essencial! Empreender não é mais do que uma estratégia de marketing pessoal. Empreender é vendermo-nos (no bom sentido, é claro). Vender aquilo que nós temos de melhor, aquilo em que somos melhores, aquilo em que ninguém mais consegue ser tão bom quanto nós. Às vezes parece difícil encontrar alguma coisa que nos diferencie, mas acreditem ela existe. As pessoas não são insubstituíveis, mas há algumas que são mais difíceis de substituir do que outras.

Eu não sei se as ideias vão saltar do papel para a realidade, mas se saltarem vocês irão ouvir falar muito delas! Até lá continuo a fazer aquilo que melhor caracteriza a minha vida neste momento: ando a semear... a semear para depois colher.

#a vida aos 30

O que as mamas uniram jamais o homem pode separar

segunda-feira, novembro 02, 2015


Há quem bata no peito e se rejogize por conservar amigos desde o infantário. Eu não acredito em relações precoces tão longevas. Nem alimento falsas esperanças. Não sou optimista por natureza. A vida muda. As circunstâncias mudam. A nossa vontade e a nossa dedicação a causas nobres também mudam. Todos nós mudamos... e a forma como nos relacionamos com os demais é a primeira a sofrer com as mudanças que ocorrem ao longo do tempo. 

Quando voltei ao Açores trouxe no peito o medo que a distância, (e que a insularidade), provoca a toda a genteNo inicio, recente, deste regresso a casa receei que o amor me fosse pregar novamente uma partida... (as amizades também são relações de amor). Receei que as estórias que me ligam a determinadas pessoas da minha vida se esfumassem no ar tal como as nuvens num dia de ventania. 

Até agora tenho a confessar-vos que me enganei um pouco. Ainda é cedo para conclusões precipitadas, mas depois deste fim de semana, posso afirmar que existem relações que nem a distância as consegue estreitar. Não tenho amigos desde o infantário. Não tenho (tenho antes amigas que se comportam como se ainda estivessem no infantário, lá isso tenho!). Tenho amigas que apareceram na minha vida nos momentos mais inesperados, e talvez, menos oportunos, e que perduram até hoje, graças à sua autenticidade, tamanha generosidade e muita paciência.

Sim, generosidade. Não se consegue ser-se amigo de ninguém se não se for generoso. A Ângela foi generosa quando me veio visitar em Setembro. A Cláudia e a Raquel também foram quando vieram passar comigo o último fim de semana. Agradeço a todas o facto de me confirmarem que um oceano entre nós não muda exactamente nada. Todas me deixaram um bocadinho de si e levaram um bocadinho de mim, e de nós (açores). A vida é assim mesmo, uma troca constante de bens preciosos.

A amizade tem um efeito expansor nas nossas vidas. Amplia a alegria e enche-nos de força para continuarmos a trilhar os caminhos que escolhemos percorrer. Não há melhor antídoto para a tristeza do que bons amigos. O tempo pode quebrar, inesperadamente, as relações mais frágeis, e até as mais fortes, mas também pode apurar as mais autênticas. Sem querer ser masoquista, espero que as lágrimas da despedida se repitam muitas vezes. E espero, muito honestamente, que o tempo esteja sempre a nosso favor, meninas! 

#alma terceirense

Onde as gaivotas vão beijar a terra

segunda-feira, novembro 02, 2015



Se no falar trago a dolência das ondas | O olhar é a doçura das lagoas | É que trago a ternura das hortênsias | E no coração a ardênsia das caldeiras | Trago o roxo a saudade esta amargura | E só o vento me ecoa na lonjura | Mas trago o mar imenso no meu peito | E tanto verde a indicar-me a esperança | É que nas veias corre-me basalto negro... Por isso é que sou das ilhas de bruma | Onde as gaivotas vão beijar a terra
Ilhas de Bruma, Manuel Medeiros Ferreira