Do desemprego para o empreendedorismo

quarta-feira, novembro 04, 2015


Eu continuo a ser uma pessoa muito crítica em relação ao empreendedorismo contemporâneo, aquele empreendedorismo de fachada que só serve para dar títulos a quem não faz nada. Está na moda dizer-se que se é empreendedor, mas atenção, ser-se empreendedor não é um luxo. Quem o é, ou tenta ser, de verdade, é-o muitas vezes por (pura) necessidade. Na falta de postos de trabalho, os cursos de empreendedorismo proliferaram na tentativa de empurrar as pessoas que os frequentam para a criação do emprego próprio.

Desde o inicio desta semana que eu sou uma dessas pessoas, não por mérito da AQETAH (Agência para a Qualificação, Emprego e Trabalho de Angra do Heroísmo), que nada fez para que a informação da acção de formação chegasse até mim, mas por minha própria iniciativa. Ora aí está, ser empreendedor não é uma característica exclusiva daqueles que abrem negócios... aqueles que correm atrás daquilo que querem e que tentam, persistentemente, vender as suas ideias também são empreendedores (e nessa versão de empreendedorismo eu acredito muito). 

Ser-se empreendedor, em especial nos Açores, não deve ser nada fácil. Eu falo por mim. Eu não tenho nenhum negócio, (modéstia à parte, até que acho que tenho jeitinho para ter um!), mas sempre que partilho as minhas ideias peregrinas com alguém mais velho, principalmente  com os de casa, sofro sempre com a falta de apoio.  É difícil explicar-se a quem teve um emprego para toda a vida, que hoje em dia as coisas mudaram. Mudaram, e muito... E quem não é empreendedor corre o risco de perder a corrida.

As pessoas têm medo de empreender... mas empreender é essencial! Empreender não é mais do que uma estratégia de marketing pessoal. Empreender é vendermo-nos (no bom sentido, é claro). Vender aquilo que nós temos de melhor, aquilo em que somos melhores, aquilo em que ninguém mais consegue ser tão bom quanto nós. Às vezes parece difícil encontrar alguma coisa que nos diferencie, mas acreditem ela existe. As pessoas não são insubstituíveis, mas há algumas que são mais difíceis de substituir do que outras.

Eu não sei se as ideias vão saltar do papel para a realidade, mas se saltarem vocês irão ouvir falar muito delas! Até lá continuo a fazer aquilo que melhor caracteriza a minha vida neste momento: ando a semear... a semear para depois colher.

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3 comments

  1. "modéstia à parte, até que acho que tenho jeitinho para ter um!)",
    Vamos lá CC, porque é uma jovem cheia de talento e quero vê-las semear para depois colher.

    Beijinho

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    Respostas
    1. Eu tenho feito por isso Maria,mas as sementinhas levam tanto tempo a crescer...

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  2. "quero vê-la semear..."
    desculpe

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