O que as mamas uniram jamais o homem pode separar

segunda-feira, novembro 02, 2015


Há quem bata no peito e se rejogize por conservar amigos desde o infantário. Eu não acredito em relações precoces tão longevas. Nem alimento falsas esperanças. Não sou optimista por natureza. A vida muda. As circunstâncias mudam. A nossa vontade e a nossa dedicação a causas nobres também mudam. Todos nós mudamos... e a forma como nos relacionamos com os demais é a primeira a sofrer com as mudanças que ocorrem ao longo do tempo. 

Quando voltei ao Açores trouxe no peito o medo que a distância, (e que a insularidade), provoca a toda a genteNo inicio, recente, deste regresso a casa receei que o amor me fosse pregar novamente uma partida... (as amizades também são relações de amor). Receei que as estórias que me ligam a determinadas pessoas da minha vida se esfumassem no ar tal como as nuvens num dia de ventania. 

Até agora tenho a confessar-vos que me enganei um pouco. Ainda é cedo para conclusões precipitadas, mas depois deste fim de semana, posso afirmar que existem relações que nem a distância as consegue estreitar. Não tenho amigos desde o infantário. Não tenho (tenho antes amigas que se comportam como se ainda estivessem no infantário, lá isso tenho!). Tenho amigas que apareceram na minha vida nos momentos mais inesperados, e talvez, menos oportunos, e que perduram até hoje, graças à sua autenticidade, tamanha generosidade e muita paciência.

Sim, generosidade. Não se consegue ser-se amigo de ninguém se não se for generoso. A Ângela foi generosa quando me veio visitar em Setembro. A Cláudia e a Raquel também foram quando vieram passar comigo o último fim de semana. Agradeço a todas o facto de me confirmarem que um oceano entre nós não muda exactamente nada. Todas me deixaram um bocadinho de si e levaram um bocadinho de mim, e de nós (açores). A vida é assim mesmo, uma troca constante de bens preciosos.

A amizade tem um efeito expansor nas nossas vidas. Amplia a alegria e enche-nos de força para continuarmos a trilhar os caminhos que escolhemos percorrer. Não há melhor antídoto para a tristeza do que bons amigos. O tempo pode quebrar, inesperadamente, as relações mais frágeis, e até as mais fortes, mas também pode apurar as mais autênticas. Sem querer ser masoquista, espero que as lágrimas da despedida se repitam muitas vezes. E espero, muito honestamente, que o tempo esteja sempre a nosso favor, meninas! 

Deixe um comentário

4 comments