Quanto mais tempo se passa em casa, mais se come

sexta-feira, novembro 13, 2015

Infelizmente, engordar é um dos efeitos colaterais do desemprego. Eu bem que queria fazer parte daquele grupo de pessoas a quem o stress dá um nó na garganta, mas não tive essa sorte. No meu caso o stress triplica-me o apetite (maldito destino!). Para além disso, quando uma pessoa não se vê obrigada a vestir-se todos os dias, engordar torna-se tão fácil... vocês não imaginam quanto! 

O desemprego é um bocadinho parecido com a festa do pijama (acho que é por isso que as pessoas se afeiçoam tanto a este estado social). Só é verdadeiramente chato quando uma pessoa tem uma entrevista (as minhas saias estão tão apertadas que pareço um pinguim, desorientado, a andar). É uma espécie de Armageddon... uma pessoa embate de frente com a realidade. Bammmm!

Não há sensação mais avassaladora do que vestir uma peça de roupa e perceber que ela já não nos serve mais. Isso aconteceu-me, várias vezes, nos últimos 2 anos. Foram 2 anos ioiô. Primeiro desisti do ginásio, depois hibernei em casa e a seguir deixei de cozinhar. Este costuma ser o processo normal de quem desiste de si. Contrariar a vontade de desistir de tudo é um exercício muito difícil. Assim como também é voltar a querer agarrar alguma coisa.

Um dia passei-me quando uma amiga minha me disse que eu estava mais gorda. Eu sabia que estava mais gorda... mas não aceitava. Aliás, eu não aceitava que me dissessem nada. Na minha cabeça eu estava a fazer o melhor que podia e queria muito que me reconhecessem por isso e não por estar gorda. Foi um erro enveredar por aí. As pessoas conhecem muito pouco de nós. Não sabem que batalhas nós estamos a travar por dentro. Mesmo que estejamos a dar o nosso melhor, e a implorar-lhes, anonimamente, que reconheçam isso, elas são vêem as coisas como elas são, só vêem o que é real, só vêem os quilos a mais.

Acho que foi esse o turning point. Quando eu percebi que ninguém via aquilo que eu via, decidi pedir ajuda. Alguém estava a ver mal: seria eu ou seriam as pessoas que estavam à minha volta? Era eu. Eu não estou contente por parecer um pinguim desorientado a andar, (isso tenho a certeza que toda a gente vê), mas ninguém me vê por dentro. Eu estou mais gorda, mas eu estou bem. E hei-de continuar a melhorar até conseguir emagrecer de novo. 

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