Valeu a pena voltar?

sexta-feira, novembro 27, 2015


As pessoas continuam a olhar-me com espanto. "Olha, voltou". Já perdi a conta a todos os "estás cá de vez?". Fazem previsões sobre o (meu) futuro sem que ninguém lhes peça, "E se não encontrares nada para fazer, vais ficar?". Acham-se no direito de terem respostas. Não as tenho. Não as dou. Não sei como vai ser o dia de amanhã. Só sei que vale a pena fazermos aquilo que o nosso coração nos pede. Quando nos pede.

Tive medo, (claro que tive). Tive receio de ir contra todos. Contra mim. Será que me ia aguentar? Faltava-me coragem. Faltava-me aceitar aquilo que sentia. Todos os passos que dei durante este processo, (desde despedir-me até voltar aos Açores), foram dados com medo. Mas foram dados. Não foi fácil. Não está a ser fácil. Aqueles que nos são próximos são os primeiros a ficar para trás. Porque não nos apoiam. Porque não nos entendem. Porque às vezes nos invejam. Seguimos sozinhos agarrados a uma nesga de nada. Nada.

Vale a pena voltar. Vale a pena (re)começar. Vale a pena mudar. Sempre e quando nos sentirmos infelizes. Sempre e quando acharmos que o devemos fazer. Quando mudamos as pessoas querem sempre saber porquê, para quê. Aos dias de hoje eu ainda não sei concretamente o que é que me faz feliz, eu só sei que há um ano atrás deixei de me sentir bem no sítio onde estava e apesar de ter desprezado o meu desconforto meses a fio, arranjei coragem para não continuar a ignorar aquilo que precisava de enfrentar. Pedi ajuda a quem me podia ajudar. E fui aguentando os golpes que o adversário, eu mesma, desferia. 
 
Eu quis mudar porque não gostava da pessoa em que me estava a tornar. Não foi fácil. Não está a ser fácil. Quando estamos infelizes entramos num processo de anulação tão forte que nada nos importa. Não nos importa o amor. Não nos importa a vida. Nem sequer nos importa a dor. Fazemo-nos de fortes. Podemos com tudo. E não podemos com nada. E tudo nos passa ao lado porque não aceitamos que nos passe por cima. Estilhacei-me. E foi por isso que parei. Parei para me recompor. Para recuperar cada pedacinho que faz parte de mim.

Não sei como será se não encontrar nada para fazer. Não sei se fico. Não sei se vou. Só sei que não quero voltar a deixar de fazer aquilo que o meu coração me mandar fazer. Quando me mandar fazer.

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