Ai menina, que má altura

terça-feira, dezembro 29, 2015

Hoje fui à cabeleireira. Apeteceu-me cortar o cabelo antes de entrar no ano novo. A D.ª Fátima, uma mulher do norte do país que vive na Terceira por obrigação, não sabia que eu tinha regressado. "Ai menina, que má altura". Costumo ouvir isso com frequência. Principalmente da boca de quem vive na ilha. Não me espanta. (Nem me assusta).

Se há coisa que eu aprendi este ano é que não existem alturas certas. Podemos fazer os planos que fizermos, quando a vida quer, a vida interfere. Muda-nos as voltas. Tira-nos o tapete. Acredito ainda que as más alturas de um país não são as más alturas de um povo. Como diz o André Leonardo, na última entrevista que realizei, todos os dias há alguém no mundo que se levanta, que vai à luta e que faz coisas incríveis, na maioria das vezes, com menos condições do que aquelas a que temos acesso. Não existem más alturas. Não podemos usar isso como desculpa para não tentar. Para não viver. Para não arriscar.

E não podemos ser pequeninos, do tamanho de uma ilha. Os sítios onde vivemos não podem delimitar os nossos sonhos. Nem os nossos projectos. Olhem para mim. E olhem para as pessoas à vossa volta. Há-de haver alguém com uma estória semelhante. Há-de haver alguém em quem vocês se possam inspirar. Há-de haver alguém que vos ajude a encher o copo. E que vos diga o contrário daquilo que eu tenho ouvido.

Difícil é diferente de impossível e é bom que vocês saibam a diferença entre ambos. Desejo-vos o melhor para 2016. Vontade. Força. E fé. 

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