Estou tão mais tranquila

quarta-feira, dezembro 16, 2015

Os meus 30 pareceram 60. Quem costuma vir aqui sabe (bem) como foi. Fui-me morrendo dia após dia. Eu sentia-o. Eu sabia-o. Mas não conseguia fazer nada para estancá-lo. Olhava para todo o lado e não me via. Não há pior coisa na vida do que permitir que um estranho, tão familiar, tome conta de nós. Do que é nosso. Daquilo de que somos feitos.

Foram-se os alicerces todos. Embirrei com a idade. E ela embirrou comigo. Não conseguia saltar para o outro lado. O lado que eu sempre conheci. Não conseguia. E levei meses sem conseguir. Levei meses em que a única coisa que senti foi tristeza. E por sentir apenas isso senti-me incapaz de sentir outras coisas. Porquê? Era eu que tinha deixado de sentir o mundo como o sentia antes? Ou era o mundo que me tinha deixado de sentir a mim? Morei em castelos de dúvidas tempo demais.

Eu queria saltar. Eu queria ir para o lado de lá, mas até o lado de lá me parecia duvidoso... A insegurança é um veneno. O salto custou-me alguns desgostos. Perdas inevitáveis. Ninguém consegue saltar muito se sentir pesado. E saltei. Não posso afirmar que do lado de cá está tudo como estava dantes. Muitas coisas mudaram. Não sei se foram só as coisas a mudar, ou se fui eu quem mudou mais. Ninguém deseja saltar se continuar igual.

Há 6 meses que deixei Lisboa. Há 6 meses que deixei o meu trabalho. Há 6 meses que deixei o meu namorado. Há 6 meses que estou do lado de cá. Há 6 meses atrás eu não sabia em que lado eu ia ficar, mas eu sabia para que lado eu queria ir. O nosso coração sabe sempre. Pela primeira vez na minha vida, os meus 30 não me incomodam. Pela primeira vez na minha vida sinto que fazem parte de mim. Estou a caminho dos 32 mais convicta, mais segura, e sem dúvida, mais fiel a minha própria. E devo-o apenas a mim. À vontade imensa de nunca ter desistido de saltar para o lado de cá.

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