O Natal do Ano Passado

sábado, dezembro 05, 2015

Não gosto muito de me lembrar do Natal do ano passado. Passei o Natal em Lisboa duas vezes. Da primeira vez, jurei que não repetia a segunda. Da segunda, jurei que não existiria a terceira. Da primeira vez, os meus pais apareceram-me de surpresa em casa (salvaram-me o Natal!). Da segunda, ninguém me apareceu à porta (nem mesmo o meu ex-namorado, na altura, namorado).  Ao contrário do que ele pensa, eu não vos conto estas coisas para vocês terem pena de mim. Nem vos conto estas coisas para fazer dele o mau da fita. Eu conto-vos estas coisas para sarar as feridas que carrego comigo. A escrita é a minha terapia favorita.

Durante os dias que correram entre a noite de Natal e o Ano Novo, o ano passado, eu tomei a decisão de mudar a minha vida. A partir de então o Natal não me diz muito. Nem sei quando voltará a dizer. O blogue onde vos escrevo foi a grande companhia desses dias cinzentos. Foi o trabalho ingrato de purgar à noite tudo o que acumulava durante o dia que me ajudou a manter uma coisa que é muito fácil de se perder: a esperança. Foi a dedicação, qualificada como exagerada por alguns, à única paixão que resistiu a todos os vendavais da minha vida, que me aguentou com a cabeça levantada... Ainda que o coração estivesse fechado. Se eu tivesse parado de escrever não imagino sequer o que teria sido de mim...

Eu defendi e continuo a defender o meu blogue até à última, como defenderia todas as coisas que são realmente importantes para mim. Por causa dele cheguei às barras dos tribunais (grande filme!). E como se isso não bastasse, o meu ex-namorado, à data de hoje, ainda refere o blogue como o grande responsável pelo fim da nossa relação. Eu sei que ele sabe que isso não é verdade, mas também sei que ele gosta de me atingir nos pontos certos. As pessoas não entendem o esforço que eu fiz para defender a única coisa que me fazia realmente feliz. Estou cansada das discussões que duram até hoje. Dos acertos de contas "eu dei isto, tu não deste aquilo; eu fiz isto, tu não fizeste aquilo". Dos votos de silêncio obrigatórios e dos lápis azuis. Eu escrevo para sarar as feridas que era suposto não ter. E não aceito, nem permito, que me queiram fazer sentir mal por isso.

Quem não tem uma paixão na vida dificilmente compreenderá as que os outros têm. Dificilmente aceitará dividir atenções com ela. Dificilmente a apoiará. É essa a razão pela qual alguns de nós decidem seguir caminho sozinhos. Porque sozinhos não sentem a falta que os outros fazem. Quem muito se ausenta, chega uma hora que deixa de fazer falta. Eu não sei se passarei um terceiro Natal sozinha... Mas se tiver que o fazer, quero muito que seja por opção e não por falta de amor. Quem ama não faz isso. Quem ama esquece. Quem ama perdoa.

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1 comments

  1. "Quem não tem uma paixão na vida dificilmente compreenderá as que os outros têm".
    Isto diz tudo.
    Beijinho

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