Os outros não têm a culpa

terça-feira, dezembro 01, 2015

Há uns meses atrás conversei com uma empresária da Terceira que me disse o seguinte: "se as pessoas não entram no meu estabelecimento a culpa é minha, não é dos outros. Não vou ficar à espera que o tempo mude, nem que a crise passe... Sou eu que tenho de mudar, sou eu quem tem de fazer com as pessoas entrem e queiram regressar." Nem toda a gente pensa assim. Culpar os outros do nosso insucesso é (bem) mais fácil do que admiti-lo. Nas últimas semanas, (e depois de ler muito do que escrevi), percebi que estava a usar as minhas forças de forma errada. Estava a usá-las para alimentar sentimentos negativos como a revolta, a mágoa, a crítica... Estava a alimentar o problema e não a resolvê-lo (é assim que se formam as bolas de neve que nos atropelam de quando em vez).

Alimentar problemas é uma mania que muitos de nós temos (principalmente as mulheres). Se utilizássemos a energia toda que gastamos a culpar o mundo, éramos bem capazes de virar o jogo a nosso favor, não acham? É preciso encontrar um meio termo. É preciso aceitar aquilo que não podemos mudar, mas também é preciso coragem para mudar o que for possível. Às vezes por não conseguirmos mudar certas coisas, interiorizamos que também não temos o que é preciso para mudar outras, mas isso não é verdade. Nós somos responsáveis pela nossa vida. Nós. Não os outros. 

Ocorreu-me desistir (oh se meu ocorreu). Resignar-me. Revoltar-me. Dizer em jeito de blasfémia que já tinha feito tudo o que era possível fazer (mentira). Apeteceu-me deixar tudo como estava. Mas pr'a quê? Não ganho nada com isso. Não ganho nada em culpar os outros daquilo que eu não consegui fazer. Continuo à procura de emprego. Continuo a semear para colher. Continuo à procura daquilo que me faz feliz. Continuo. Parar é assumir que não conseguimos fazer mais nada e não há nada pior na vida do que seguir em frente sem ter a certeza que fizemos tudo o que havia para fazer. Pensem nisso.

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