As imperfeições, o meu calcanhar de Aquiles

sexta-feira, janeiro 22, 2016

Tenho cada vez mais menos paciência para me aperaltar. É um facto. Não me dava nada jeito entrar nessa onda agora que, por razões profissionais, tenho de aparecer na televisão. Faço apenas o minimo dos minimos para não parecer que acabei de me levantar da cama. Less is more, definitivamente. Acho que à medida que uma mulher fica mais madura também fica mais à vontade para aceitar as suas imperfeições naturais. É ou não é verdade? Para se assumir, tal como é.

Sempre tive um fraquinho por imperfeições. Principalmente as que dizem respeito ao sexo masculino. Aquela meia barba por fazer. Aquele andar meio atrapalhado. Aquele nariz meio torto. O que é que eu hei-de fazer? Eu nasci assim, eu cresci assim... Se aos homens é "permitido" rentabilizarem os seus traços menos bonitos, porque é que nós, mulheres, também não podemos assumir os nossos? Seria justo.

A ditadura da mulher-Barbie, esteticamente perfeita, não é para mim, lamento. Esta semana, por exemplo, acabou-se-me o corrector de olheiras e ainda não tive tempo de comprar outro (já sabem, se me virem, inchada, e com cara de quem não dormiu, é possível que seja por isso, e por de facto, não ter tido mesmo tempo para dormir).  Aprecio muito as mulheres que se cuidam com a disciplina de um monge. Mas eu sou mais o tipo de rapariga que vai a encontros "amorosos" com umas calças de pijama, disfarçadas de leggings. Eu sei. Atirem-me pedras. Eu mereço. (as minhas clientes de consultoria de imagem estão neste momento a cortar os pulsos). 

Quando eu trabalhava como consultora de lingerie eram frequentes as vezes em que tínhamos de complementar o trabalho da mãe natureza. Colocávamos umas almofadinhas push-up aqui, uns adesivos lift-up ali, uma cueca high-waisted super spanx em redor das misérias e concertávamos o que podíamos. No fim, as clientes diziam todas o mesmo: "e quando eu me despir"? Pois é, quando vocês se despirem, salve-se quem puder... Estou a brincar. Obviamente.

Por vezes, a procura pela perfeição é uma luta inglória. Não há como fugir do momento da verdade. É por essa razão que, apesar de dar uns retoques no manequim, aqui e ali, tento sempre não inventar demasiado. Somos o que somos. E penso que só devemos vender rótulos que sejam, verdadeiramente, consonantes com o conteúdo. Não se preocupem. Não vou deixar de fazer depilação nem de lavar os dentes... Mas acho importante passarmos às mulheres, e porque não, também aos homens, esta ideia de beleza natural, sem (demasiados) artifícios. 

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