Será que precisamos assim tanto da sorte?

quinta-feira, janeiro 07, 2016

As pessoas continuam a ficar caladas quando eu lhes espeto na cara que me despedi. [é uma experiência sociológica muito interessante confrontar o povo, o mesmo povo que diz que isto está mal, e que há crise, com esse facto]. O silêncio prolonga-se, ad eternum, quando eu digo que tinha um "emprego p'ra vida". Isto é, era efectiva. Mas não era feliz. De que é que me servia um "emprego p'ra vida" se eu não tinha vontade de (a) viver?

A malograda relação que tive com os meus chefes, e com algumas colegas de trabalho, acelerou a minha decisão. Quando não trabalhamos com pessoas que nos levantam para cima, permanecer no mesmo buraco é uma parvoíce. Eu gosto muito de gente que me "enche o copo", como diz o André Leonardo. Não sei se na Terceira, as pessoas estão preparadas para "encher, (realmente), os copos dos outros". Talvez estejam mais preocupadas em encher o delas. Talvez.

Há por aí umas bocas santas, que não me incomodam nada, mas que gostam muito de falar da vida dos outros. Da sorte que os "outros" tiveram. Eu acho que nesta vida nós precisamos bem mais de coragem. Existem poucas coisas sobre as quais não temos responsabilidade, mas irmos atrás do que querermos, não é certamente uma questão de sorte. É uma questão de atitude. E, as atitudes saudáveis, estão pelas ruas da amargura.  

Eu insisto muito em contar esta estória porque ela faz parte de um passado recente da minha vida. Está muito viva. Está muito presente. Mas não só. Acho que é importante dizermos às pessoas que por vezes, aquilo que nos dá mais medo, é aquilo que precisa de ser feito. Faz sentido? E já agora, não contem com a sorte. Sorte é sair de casa sem guarda-chuva e não chover... O que raramente acontece nos Açores.

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