O que fica não é menos importante do que foi

quinta-feira, junho 16, 2016

Por estes dias comemoro um ano de "solteirice" (tenho dúvidas se se pode comemorar a solteirice, mas pronto, agora fica assim). Não vos digo isto com intenções de pôr a cabeça a prémio. Valha-me Deus! Estou bem assim, obrigada. Aliás foi por opção própria que decidi ficar "sozinha" (um sinónimo bastante menos elegante para indicar o estado civil próprio). Bom, foi por opção própria, claro que foi, depois de inúmeras tentativas frustradas que demonstraram com a exactidão de uma equação matemática que a relação onde eu estava não funcionava de todo. Não se deve desistir das coisas com leviandade, mas também não se deve insistir em sofrimento. 

Foi quando fiquei solteira que decidi despedir-me, (sim ainda há gente corajosa neste mundo! ou louca...nunca se consegue distinguir muito bem uma coisa da outra), e regressar a casa, aos Açores. Mas antes de ficar solteira já eu queria despedir-me (e há muito). A minha relação com a organização à qual eu pertencia foi como a relação amorosa que eu tinha, uma pessoa foi aguentando, aguentando, aguentando, até que um dia mandei tudo ao ar. E às vezes é preciso. Quantas vezes não precisamos todos de começar de novo? Nunca me arrependi das minhas escolhas, só me arrependo de não as ter feito mais cedo. E agora, que estou doente, percebo cada vez melhor esta necessidade, urgente, de seguirmos o nosso caminho independentemente das coisas que temos de deixar para trás.

Um dos conselhos que me deram um dia em relação às relações amorosas consistia nisto: "nunca vão para a cama chateados". Nunca mais me esqueci. E confesso, tentei pô-lo em prática, em vários namoros (que não foram assim tantos). Em algumas noites fui, ou melhor, fomos bem sucedidos, noutras, adormecemos na posição de retaliação, rabo com rabo, até o pequeno-almoço da manhã seguinte acabar com as trombas de cada um. O amor é uma coisa complicada para não utilizar outros adjectivos menos próprios.

Ainda assim desistir de uma relação amorosa não implica desistir da pessoa com quem estivemos nessa relação. É difícil separar as águas, mas é possível. Há um tempo em que todos nós nos precisamos de regenerar, e às vezes, acompanhados, não conseguimos fazer isso, eu pelo menos preciso de me recolher para estabilizar de novo o coração (ainda mais agora que o oxigénio leva séculos para lá chegar!). 

O que eu queria mesmo dizer é que amei muito, e continuo a amar, as pessoas que escolhi para tentar fazer com as coisas dessem certo. E é importante que também aprendamos a conservar esse amor. Dei o melhor e o pior de mim. E não soube fazê-lo de outra forma, a não ser da forma que me caracteriza. Já não acredito que alguém irrompa pela pista do aeroporto dentro e se atravesse à frente do avião para não me deixar partir, (até porque agora a segurança dos aeroportos é bastante renhida). Não se riam, ou melhor riam-se à vontade, nos 14 anos que vivi fora de casa sempre esperei por esse momento... e nada. Rien. Habituei-me a embarcar e desembarcar sozinha. Mas não deixei de amar. Estais aqui, no melhor sítio onde poderíeis estar: dentro do meu peito.

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