Mulher-Mãe-Esposa

sábado, julho 23, 2016

O bom senso aconselha que não se fale, nem se comente, sobre aquilo que não se sabe nem se conhece. Mesmo assim vou correr o risco da crítica, (o mais fácil de todos), e vou falar sobre duas coisas que não sou: mãe e esposa. E porquê? Porque apesar de toda a gente à nossa volta sofrer com o maldito cancro que apanhámos, as mães e as esposas são as que sofrem mais.

Os pais e os maridos também sofrem. Aliás, entre quem nos quer bem, não há quem não sofra, mas as mães-mulheres-esposas têm um coração-elástico diferente de todos os outros.

Eu não consigo imaginar-me a passar por isto sem a minha mãe. E não imagino, nem quero imaginar, o que é passar por isto estando no lugar de mãe. Ver um filho sofrer deve ser das coisas mais injustas que há na vida. A minha avó materna perdeu uma filha em vida, e embora eu só tivesse 14 anos nessa altura, não tive como não questionar (o meu) Deus. "Será que ele joga com o baralho todo"? Para mim, a vida já lhe tinha sido suficientemente madrasta para lhe dar esse desgosto. Mas mesmo assim, deu. Quem perde um filho, perde uma parte de si. Provavelmente irrecuperável. Tal como vos disse, não sou mãe, mas estou muito segura de que é verdade o que acabei de escrever.

Para além das mães, que sofrem o que sofrem quando um filho está doente, existem as esposas, que aguentam, sozinhas, as fundações da família-base, quando os maridos-pais estão no hospital. Conheci muitas mulheres-mães-esposas desde que cá estouFortes. Na sua fragilidade. Compostas. Na sua dor. Presentes. Em todas as horas. O "prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida" não é um compromisso à toa. O cancro, esse malvado, é capaz de testá-lo ao limite.

Acho que nunca tinha falado, assim, das mães. Nem das esposas. Nem das mulheres que passam muito tempo ao nosso lado, mas elas merecem. Merecem sobretudo porque não saem de ao pé da nossa cabeceira, mesmo quando não somos as pessoas mais fáceis de amar. Este tipo de amor, para mim, não se agradece. Este tipo de amor, nasce, naturalmente, em que é mãe, em que é esposa. Este tipo de amor, não cura, mas consola. Este tipo de amor é provavelmente o mais verdadeiro do mundo. E o mais complacente de todos.

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2 comments

  1. E esta mulher, mãe e esposa, é filha também, ama e sofre de todas as formas.

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