Olhe(m) que não, olhe(m) que não...

sexta-feira, julho 29, 2016

Sempre ouvi as pessoas iluminadas dizerem, "ah, isso é como andar de bicicleta, nunca se esquece". Nós, realmente, confiamos muito na sabedoria popular. O único problema que vejo, assim à primeira vista, nesta falácia bem conhecida do povo português, é que "isso" pode assumir diversas posições gramaticais. Pode ser um substantivo, um nome próprio, ou até um verbo. É por causa desta ginástica, fácil e brejeira, da língua portuguesa, que estamos todos tramados.

No outro dia, a fisioterapeuta do hospital pediu-me para fazer este simples exercício: simular, com as pernas, que estava andar de bicicleta. Querem saber da melhor? Eu não consegui. Parecia um insecto, desesperado, virado de pernas p'ro ar, a tentar nadar de costas. Ok, tudo bem, eu sempre soube que padecia um bocadinho de descoordenação motora, mas como toda a gente diz, ou melhor, garante, "que andar de bicicleta nunca se esquece", eu pensei, confiadamente, que a coisa se ia dar. Mas não deu.

Depois deste episódio caricato, que desafia a filosofia de uma vida inteira, pus-me a pensar, coisa que até faço com bastante frequência. Será que depois desta porcaria toda passar, eu sou mulherzinha para me sentar numa bicicleta, sem me despistar e sem esfolar os joelhos? Duvido, apesar do equilíbrio até ser um dos meus pontos fortes. 

Isto é uma coisa séria. Descobri por A+B que este ditado popular é uma grande mentira e achei por bem partilhar com vocês, não fossem vossas excelências sentarem-se na dita bicicleta e caírem p'ró lado. Quem é amiga, quem é? É que isto de sermos uns grandes convencidos tem muito que se lhe diga. Muito mesmo.

Ainda assim, esquecermo-nos de coisas que, aparentemente, são como andar de bicicleta até é bom. É claro que (re)experimentá-las pode vir-me a custar alguns arranhões extra, mas nada que uma pessoa, com as cicatrizes que carrega, não tenha vontade de tentar. Afinal de contas, nem tudo na vida parece tão simples como andar de bicicleta, mas pode ser, que depois de lhe (re)tomar o gosto, eu apanhe balanço e desça canada abaixo, sem medo de me esbardalhar.

Quanto a vocês, meus caros, não se animem. Vamos lá com calminha. Por via das dúvidas, protejam-se... porque a gente nunca sabe quando é que os travões falham. Considerai-vos avisados.

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