Anel de Rubi

quinta-feira, setembro 01, 2016

Eu tenho uma amiga que quando se apaixona fica virada do avesso. Gosto de ouvi-la falar, particularmente, nestas alturas em que o coração parece fugir-lhe pela boca. Contra as incertezas da vida, o "virada do avesso" dela parece-me o seu lado mais certo. Alinhada com o universo, a miúda de quem vos falo, fica ainda mais espectacular do que já é. Desde que estou em Lisboa as estórias da sua vida amorosa fazem-me esquecer as estórias da minha vida com cancro. É por isso que eu torço por finais felizes. Principalmente os dela.

Da última vez que nos vimos tudo nela era diferente. Diferente do normal a que já estou habituada. Sim, ela conheceu alguém. Há um responsável por isso. O estado de graça em que entramos quando nos apaixonamos é ri-dí-cu-lo, (não lhe posso chamar outra coisa), mas é também o que nos aproxima mais do que verdadeiramente somos. E como em todas as boas telenovelas da vida, coloca-se um dilema moderno: são (quase) melhores amigos, falam um com o outro de manhã até à noite, confiam segredos e juntam-se, regularmente, para (re)descobrir Lisboa. O problema?! O problema é este: ela não sabe o que fazer. 

Não sabe se há-de bater retirada antes que a coisa vá mais longe do que já foi ou se há-de se manter firme, até onde o amor, a sós ou a dois, a levar. É o que eu digo, isto antigamente é que era simples: casamentos arranjados e ninguém piava. Estas modernices do apaixonar-se e ser correspondido só costumam dar m@rda. Mas não, não é isso que eu desejo à minha amiga. Ela perguntou-me o que fazer e eu respondi-lhe que fosse em frente. Normalmente é o que respondo sempre a quem me faz perguntas deste tipo. Ninguém consegue impedir um coração de sentir aquilo que ele quer sentir. Sinto-me demasiado poética a escrever-vos isto, mas é verdade, não é?

Contudo, e porque ela é uma mulher muito inteligente, senti necessidade de suplantar a minha opinião. A nossa vida é feita de muitas coisas que nós desconhecemos (e com as quais não sabemos lidar), mas também é feita de emoções raras e apaixonar-se é uma delas. Se a paixão fosse um sentimento banal acho que estaríamos todos bem arranjadinhos... Ou como dizia o outro, mal emparelhados. E agora que se me deu esta travadinha do "alto e pára o baile" por uns tempos, só te tenho a dizer uma coisa amiga: não te dês ao luxo de não te apaixonares... as vezes que forem preciso, sempre que for preciso.

Eu sei que és cautelosa e que a coisa não se dá ao virar da esquina, mas a paixão fica-te tão bem que seria um desperdício não a aproveitares. P.s - isto não serve só para a minha amiga, ouviram? Serve para quem estiver com medo de dar o primeiro passo. Os passos seguintes. Os passos que forem preciso. E às vezes são precisos passos de volta a casa, de braços vazios, porque afinal de contas, nem sempre se ouve a mesma canção, em uníssono, certo? Que sa f#d@. Não fui eu que disse. Foi o Cristiano Ronaldo... e até correu bem.

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2 comments

  1. Inteiramente de acordo, CC.
    Porque uma paixão grande e louca me magoou, nos anos seguintes, evitei apaixonar-me, foi a pior coisa que fiz.
    É ótimo estar-se apaixonada, e as loucuras, mesmo na minha idade, são boas demais.
    :)

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