O sopro do coração

quinta-feira, setembro 22, 2016

Como seria a pessoa perfeita, para si, neste momento? [Que perguntas engraçadas aquelas que os psicólogos se lembram de fazer, não é verdade?]. Suspirei. Respirei fundo. Bem fundo. Pensei. Voltei a (re)pensar. E respondi. Neste momento acho que essa pessoa não existe. E olhando para a cara de insatisfação dela, (da psicóloga), revi o processo todo, e sem hesitar, disse: a pessoa perfeita, neste momento, seria aquela que teria respostas para todas as perguntas. E sim, essa, seria, sem dúvida, a pessoa perfeita para mim.

Atenção, não estávamos a falar de amor. Bom, estávamos a falar de amor, mas não de casos amorosos. [Estou solteira, mas não estou desesperada!]. No momento desta conversa, falávamos das pessoas que me rodeiam e de que forma elas teriam que ser para se encaixar, actualmente, no meu coração. Infeliz ou felizmente, a pessoa perfeita que eu idealizei, não existe. As respostas todas de que eu preciso não cabem numa pessoa só. Não há forma de caber. Nunca haverá.

E mesmo sem as respostas todas, seria capaz de se entregar a alguém? [É o que eu digo... Estes psicólogos, valha-nos Deus nosso senhor!]. Não tem sido muito fácil, respondi, num tom, assim, meio entramelado. E ela continuou a olhar para mim, à espera de mais. [Mulher exigente, esta, nunca se contenta com pouco]. Porque é que não se deixa cuidar? Porque é que os outros não podem cuidar de si? Não confia neles? Será que é que porque eles não tem as respostas todas de que precisa? Quando um enfermeiro lhe põe betadine numa ferida comunica que lhe arde ou morde os lábios e aguenta a dor? Às vezes, mas só às vezes, penso em deixar de frequentar as consultas da Dra. Susana. Ela é terrível. Maravilhosamente, terrível.

Na verdade, viver numa realidade paralela é bem mais fácil. À primeira vista. Ainda que seja paralela, é tão difícil viver nela, quanto na primeira, sem respostas. A pessoa perfeita nunca existirá. E porque nunca existirá, se calhar, seria conveniente, começar por amar as imperfeitas que me rodeiam. As que não terão, efectivamente, respostas para tudo. As que falharão, consecutivamente, a tentá-lo, mas que ainda assim, darão o seu melhor, dentro dos (im)possíveis.

Deixe que lhe soprem. [Na ferida. Quando arder].
Prometo que vou tentar... responder.

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