32 e meio

sábado, novembro 05, 2016

Hoje, dia 28 de Outubro, faço 32 anos e meio. [sim, escrevi-vos este texto no dia 28, mas não tive coragem de o publicar]. Não costumo celebrar meios aniversários. E tal como vos escrevi há uns meses atrás, também não acredito que os anos comecem em Setembro. [e a partir de agora] Nem tão pouco em Dezembro. E não, não serei daquelas pessoas que passam a celebrar o aniversário a partir da data de remissão. Não tenho nada contra quem o faz, mas não sinto, (ainda), a vontade, quase obrigatória, de o fazer. 

Quando os meus amigos fazem anos, costumo desejar-lhes "feliz ano novo". Acho que os aniversários assinalam isso mesmo: anos novos. E tudo o que se quer nos anos novos são coisas boas. Metade dos meus 32 foi o que vocês todos leram aqui... e mais qualquer coisa que ficou por dizer. Uma metade dilatada em 9 meses. [o que não deixa de ser curioso porque são justamente 9 meses o tempo que leva um novo ser a nascer]. Nesta metade inevitável fui obrigada a abandonar muitas das minhas dúvidas (existenciais)... Da mesma forma que fui obrigada, a acreditar, em pessoas. [de todo o tipo]. Conhecidas. E desconhecidas. E em coisas boas, mesmo quando os dados apontavam todos para o pior.

Aprendi que por mais que a gente tente afastar determinadas pessoas das nossas vidas, por medo, por incapacidade de as amar, ou porque sozinhos, o fardo não sobrecarrega mais ninguém, as que querem ficar, ficam, efectivamente. Aprendi que estamos cá para nos entregarmos. [porque a vida a meio gás, é capaz de ser mais penosa]. Aprendi que há um tempo para tudo, inclusive para chorar e que isso não faz de nós fracos, faz de nós humanos. Aprendi que nas fases mais difíceis desta vida em que todos nós andamos, [e ainda bem que (ainda) cá andamos], não é ridículo sentir coisas boas. É provável. E é possível. Aprendi que de tempos a tempos, em jeito de edição, precisamos de rever conceitos e (re)ajustar valores. [os nossos]. E aprendi que um pouco de compaixão, por nós, e pelos outros, torna-nos, sem dúvida, melhores. 

Ficaria horas a enumerar tudo aquilo que aprendi. Tal como diz a minha querida Dra. Susana, (psicóloga), os cancros não têm de ser experiências transformadoras, mas se forem, que sejam, p'ra melhor. Hoje, aos 32 anos e meio, não sei se sou uma pessoa melhor, mas espero que sim. Hoje, aos 32 anos e meio, 9 meses depois, tive alta. Alta do Hospital de Santo António dos Capuchos em Lisboa. Posso, finalmente, regressar a casa. E como seria expectável, ainda não acredito nisso. Não sei quando é que vou acreditar... mas prometo dar o meu melhor a tentar. Hoje, aos 32 e meio, continuo viva, caraças. Que presentão.

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10 comments

  1. Que presentão conhecer-te e poder ter presenciado tantas estórias. Que este meio ano seja sempre a subir na escala da felicidade, do amor e principalmente da saúde. 🍾❤️

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    1. Seja lá quem tu fores, obrigada eu por me considerares um presente :)
      Venha a saúde que o resto a gente encontra.

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  2. Cátia, Cátia!! <3 <3 Tanta vez que aqui vim. Tanta vez que te li com vontade de te dar um abraço que fizesse alguma coisa por ti. Tanta lágrima que deitei contigo. Mas nunca lágrimas tão profundas como as de hoje! Estou tão feliz. Tão, tão feliz. :') :') A partir daqui será sempre tudo melhor. A vida (re)começa agora, e está claramente à tua espera. Quanto a mim, esta noite brindarei a ti!
    Obrigada! Por tanto é por tudo. <3 E... Todas as coisas boas do mundo para ti!

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    1. Oh Sofia, obrigada por teres vindo aqui. Não queria obrigar-te a chorar, mas que ao menos hoje, possas chorar feliz. Como podes imaginar, a tua felicidade (e as tuas palavras) enternecem-me. Espero que a vida esteja de facto à minha espera. Vamos ver como corre tudo a partir daqui... ainda temos muito por onde andar. Quanto a esse brinde, que seja com a pompa e circunstância devidas. Um beijo Sofia :)

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    2. <3 <3 ! (Foi com jeropiga, como manda a época. Espero que dê ainda mais sorte assim! ;) )

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    3. Hummmm, gosto tanto :P
      Obrigada Sofia!

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  3. "...chorar e que isso não faz de nós fracos, faz de nós humanos."
    Se a humanidade chorasse mais, provavelmente seria mais humana ( desculpe a redundância).
    Chorar pelo que durante nove meses partilhou neste seu canto, foi um sinal de carinho e apoio que todas nós demos por si, uma grande mulher, que a partir de agora renasce para uma nova vida e que Deus esteja sempre consigo.
    Eu peço-Lhe, por si, caraças!
    Beijinho

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    1. Obrigada Maria, por pedir-Lhe por mim :)
      Desculpe as lágrimas.
      Beijinho

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  4. Caramba Cátia, manténs uma lucidez impressionante do meio disto tudo. Muitos felizes novos anos para ti. Muitos! Aproveita bem a tua Praia, fico tão contente por saber desta notícia :)

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    1. Obrigada Ana. Confesso que não sei como a mantive... e mantenho.
      Um beijo enorme desde a minha Praia :)

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