2017

segunda-feira, dezembro 05, 2016

Menos umbigos, por favor. Menos gente a olhar para eles. Para os próprios. Mais medulas. O-pe-ra-ci-o-nais!!! E mais dadores, se possível. [quantidade nunca foi sinónimo de qualidade, mas neste caso, quantos mais, melhor]. Menos declarações de amor eterno fora de prazo no facebook. E se não for pedir o impossível, menos fotos (da(s) vida(s) que não têm). E já agora, só mais uma coisinha, little tiny one, menos frases [plagiadas] a sublinhar as vossas melhores poses. [o livro de estilo, que lêem neste preciso momento, considera "demodé" p'ra xuxu quem prevarica contra a moral e os bons costumes]. E já que falamos nisso, é imperativo, (não posso deixar passar), menos erros ortográficos nas ditas legendas. Copy paste. Easy, like sunday morning. Ah, e raios partam os "copia e cola isto no teu mural". E os desafios. [desafio-vos eu a serem mais do que são quando não estiverem por detrás de um ecrã de computador].  

Menos améns nas fotos trágicas que muita gente teima em partilhar. E menos gente a partilhá-las. Caso ainda não tenham percebido, o vosso "amén", na maioria dos casos, senão em todos, não resolve nada. E menos "emojis" (a.k.a bonecos irritantes que as pessoas utilizam quando não sabem o que dizer). Lamento desiludir-vos profundamente, mas esta que vos escreve sofre de ansiedade, profunda e acelerada, de cada vez que vê um boneco num comentário. E se tiverem mesmo que utilizar "emojis", nos casos em que uma pessoa doente partilha alguma coisa, evitem o da carinha a chorar. É uma dica. Menos drama(s). Desnecessário(s). E mais energia. Positiva, claro. E muitos, muitos banhos de sal para alinhar os chakras.

Menos partilhas de verdades tão evidentes como as da Lili Caneças (que me perdoem todos os fãs do Pedro Chagas Freitas e do Raúl Minh'Alma). Se quiserem, e se [por] cá estiverem, podem revoltar-se. Mais Gouchas. E menos Cristinas. E mais Marias Leais. Autêntico por autêntico, mais vale alguém que não tenha medo de o ser. E que se divirta enquanto o é. Menos máquinas da verdade. [que deprimentes que são os circos televisivos a que as pessoas se submetem]. Menos programas apresentados pela Teresa Guilherme. Se forem apresentados pela Teresa Guilherme mais vale não verem. [bom, se tiverem o Quintino Aires metido lá no meio, também não aconselho]. Menos lixo. Menos descasca humana. E menos "corta na casaca" como se diz aqui na terra.

Menos restaurantes e bares da moda. E sumos verdes. Horripilantes. E mania das corridas. De manhã. À noite. E até ao meio-dia. E baby bumps. Aos molhos. Fotografadas de todos os ângulos e vestidas com os tamanhos mais skinny da Zara. E maminhas de silicone, low-cost, depois dos baby bumps. [peço desculpa outra vez, se ofendi alguma alma perdida, mas acho que o meu público é feito de mulheres sem tempo para merdas, certo?]. Menos engates frouxos. Daqueles que nem sequer chegam a ganhar o título de engate. Menos gente com medo de ser quem é. Precisa-se. Com urgência. Menos chamadas de atenção. Menos gente carente de si mesma. Menos telenovelas que durem 2 anos. [já se viu que não resulta]. Menos Alexandra Lencastre. Really? Não há mais ninguém que a TVI possa utilizar? 

Menos convenções. Preconceitos. Estereótipos. Mais liberdade. Mais gente com coragem para dizer a(s) verdade(s). E mais coragem. Para todos. Para viverem da forma como querem e não da forma como vos fazem sentir que deve ser. Mais loucos. Mais loucos de amor. Mais loucos pela vida. Mais loucos e apaixonados. Mais desligados [dos mundos que não existem]. E mais agarrados. Ao que vos deixa e vos faz felizes. Apesar disto poder parecer um manifesto a favor do off-line, e contra o canal 4, (até porque eles podem lembrar-se de me contratar outra vez, sabe-se lá...), garanto-vos que não o é. É que agora deu-se-me umas epifanias lixadas, tipo as do Carlos do Carmo quando sobe aos palcos. Diz tudo o que lhe apetece. E até manda o pessoal parar de bater palmas. Enfim... apeteceu-me dizer-vos isto. Dizer-vos que o mais importante (na vida) é alimentarem a alma que carregam dentro de vocês. Escolham bem o que é que lhe dão de comer.

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2 comments

  1. Bato palmas, CC.
    Excelentes palavras ditas com coração e com experiência de quem sabe o que diz, quer no que se refere a isto, que eu não suporto, já ( ainda ontem recebi uma mensagem, mas não copiei nem colei, seja lá o que for):
    "Menos améns nas fotos trágicas que muita gente teima em partilhar. E menos gente a partilhá-las. Caso ainda não tenham percebido, o vosso "amén", na maioria dos casos, senão em todos, não resolve nada",
    quer no que se refere aos programas de TV (não vejo a TVI), não vejo os programas da manhã e da tarde. Ligo a televisão à hora das notícias.
    Não quero dizer que não sejam bons, eu é que não gosto de passar o dia alapada no sofá, quando há vida para além disto.
    Tudo o que aqui foi escrito, e não sou de graxa, é o que penso. Porque tudo o que é moda cai no exagero.
    Da primeira última palavra, parabéns.

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    1. Obrigada Maria. Aceito-as, de bom grado. E retribuo-as. Chateiam-me muito 2 coisas terríveis: 1) o facto das pessoas não pensarem; 2) o facto das pessoas não pensarem por elas próprias. Dizem que quem é selectivo demais, não é feliz... Mas entre uma coisa e outra, prefiro sempre o poder de poder escolher ao seguir, cegamente, as massas. Beijinhos

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