Consoada

terça-feira, dezembro 27, 2016


Natal. Consoada. Mesa. Conversas provocatórias. [e eu que me pelo por uma boa provocação]. Quando ela é bem intencionada, claro. Desnecessárias, há muito tempo que são, as conversas-tipo. Quando é que tens filhos. Quando é que te casas. Voltas para Lisboa. Ficas cá. Quando é que regressas ao trabalho. O que me diz respeito a mim, diz-me respeito a mim... Mas há por aí, umas (santas) almas no mundo, que não tendo vocação para mais nada, têm-na para orientar a comunidade. Chamam-se pastores. [pastores é o nome que se dá às pessoas que gostam de pastorar a(s) vida(s) alheia(s)].

Silêncio. Pouca ou nenhuma vontade pr'a falar. Pouco ou nenhum interesse neste Natal fabricado. [já vos expliquei inúmeras vezes porquê]. Começou o sermão, bem antes da Missa do Galo. [homens sem jeito para falar com mulheres, achando que sabem falar com mulheres, fazem figuras muito tristes]. "Podes falar. Isso não te mudou. És a mesma." Obrigada. Obrigada, caríssimo (des)conhecido por saber mais do que eu sobre mim própria. Bela introdução. [sou capaz de me mudar para esta freguesia].  

No dia eu calei-me. [sempre me ensinaram que fica (muito) mal ser inconveniente com convidados, especialmente quando se está à mesa]. No entanto, os convidados não deixam de ser inconvenientes com os anfitriões. [precisamos rever as regras de protocolo com urgência]. De qualquer modo, o direito de resposta não se nega a ninguém. Vamos lá ser honestos, está bem? "Isso" que o senhor não conseguiu pronunciar chama-se cancro. E fui eu que o tive. Tenho. Se me mudou ou não, eu (ainda) não sei [muito provavelmente sim]. Se sou a mesma, duvido muito. [mas isso não é necessariamente mau]. Se podia falar... podia. Mas consigo não. [muito menos a partir de agora, que sabe tanto sobre mim, (sem saber)]. 

Quando eu fiquei doente, conheci muita gente doente. [infelizmente, e por força maior, continuo a conhecer]. Também conheci muita gente saudável. Uns mais que outros. [os que não são emocionalmente saudáveis são de longe os que me assustam mais]. E também conheci muita gente boa. De boa qualidade mesmo. 100% genuine leather. [o que é raro hoje em dia]. Independentemente daquilo que as pessoas sejam, ou estejam a passar, não me cabe a mim julgar a vida delas. As palavras. Ou os silêncios. Eu não sei quanto é que pesa o fardo que elas carregam. Por isso respeito. Mas... a maioria do mundo tem muita dificuldade em respeitar os sentimentos dos outros. Os seus estados de espírito. As suas pausas. E os seus ritmos.

Se não fala, é porque não está boa (da cabeça). Muita gente pensa assim. Pois eu sinto-me muito bem. [e tenho um psiquiatra e um psicólogo para me tratarem, (da cabeça), quando for preciso]. O que eu não tenho mais é tempo para conversas da treta. Para fretes. Para protocolos. Para gente que não acrescenta nada. Zero. Ide, senhor(es) pastor(es), ide pregar p'ra outra freguesia...

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4 comments

  1. Olá Cátia! Infelizmente existem muitos pastores em todo o lado! É uma pena nao se poder ter pelo menos o Natal tranquilo e feliz com a familia!
    Uma coisa que acho que os grandes "acidentes" da vida nos trazem é deixar de aturar/fazer fretes. A vida é demasiado curta para fazermos fretes. E às vezes uma resposta bem dada a esses pastores é o suficiente para nao voltarem a chatear :D
    Beijinhos e que 2017 seja um ano renovado e feliz para ti!

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    1. É verdade Lily... os grandes "acidentes" da vida trazem-nos mais verdade, mais frontalidade... e menos paciência para gente e coisas fúteis.
      Beijinhos! Que 2017 seja bom para todos nós (mesmo para os pastores) :P

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  2. Viva a sua vida, CC.
    Beijinho

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