Geringonça (hein?!)

quinta-feira, janeiro 05, 2017

E pronto. É isto. Uma pessoa dá uma hipótese ao discernimento [e bom gosto] dos portugueses e eles, prevaricam contra a carta branca que se lhes alforriou, dando um tiro nos pés. Geringonça. Eleita palavra do ano. 2016. [valha-nos Deus]. Cumprindo a tradição da elegância e glamour de outros precedentes ("esmiuçar" em 2009, "vuvuzela" em 2010, "entroikado" em 2012). 

Não sei que vos diga. Para mim, Geringonça, é o (mesmo) que é para a Maria Leal. [não viram a entrevista do 5 para a Meia-Noite? deviam ter visto. grande Maria. grande Filomena. em vez disso andavam todos nos copos]. É coiso. Isso mesmo coiso. A Maria Leal disse que a política, para ela, era coiso. And I totally agree. Mas, vamos lá esmiuçar a coisa. De todas as explicações que aparecem no dicionário para Geringonça, aquela que me parece melhor é esta: aparelho ou mecanismo de construção complexa. No entanto, quando penso em Geringonça, visualmente, penso numa máquina, difícil de operar. E esse é o único ponto de vista que pode fazer apropriar-me da palavra que os portugueses elegeram como palavra do ano.

2016 foi exactamente isso. Um ano difícil de operar. De onde muito de nós queríamos saltar. Assim tipo Brexit. Para um honroso 3º lugar. [mas, apesar das dificuldades, podemos chamar-lhe coisas mais bonitas, não podemos?]. Portanto, soltem as vuvuzelas e comecem a fazer barulho. À campeão mesmo. 2º lugar que afinal foi 1º. [mas não ao pé de mim, está bem?]. A mim, também me pediram para eleger uma palavra. Tchanaaam! Eu já tinha a coisa assim mais ou menos preparada, portanto, não foi difícil de escolher, nem foi precisa a ajuda do público. [nem a eloquência do tio Paulinho (Portas)].

Posso assegurar-vos que a palavra que escolhi é uma coisa tão difícil de operar quanto o é a dita Geringonça [que boa parte dos portugueses, entroikados, nem deve conhecer]. E também posso adiantar-vos que a Geringonça não tem contribuído lá grande coisa para o exercício pleno da (minha) palavra. Tem sido preciso muito combustível e muito óleo nas dobradiças para fazer esta máquina andar. [sem coligações].


Simples. Não é? A minha palavra do ano, (2016), não podia ser outra. Quando o fotógrafo me desafiou a escrever na ardósia, ficaram todos muito expectantes. Demorei 2 segundos. Virei o quadro para a câmara fotográfica. Vi-lhes alguma decepção no rosto. Eu que escrevo tanto, disse tão pouco. [será que é assim tão pouco?]. Não há Geringonça maior do que esta. Assim, de repente, não me parece uma palavra boa apenas para o ano que ficou para trás. Parece-me, também, uma excelente palavra para 2017. Comecemos pelo fim. 
Por aqui, já estamos habituados.

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