P.s - I love you

quarta-feira, janeiro 11, 2017


A América nunca me seduziu. Da minha bucket list não fazem parte as selfies no Central Park, nem os copos de café XL do Starbucks. [apesar de eu gostar MUITO de café]. Eu nunca fui à América. Aquela parte da canção dos Azeitonas, Mulher tu sabes o quanto eu te amo| O quanto eu gosto de ti| Nem que eu morra aqui| Se um dia eu não te levo à América| Nem que eu leve a América até ti... nunca ninguém ma cantou. Eu sou mais mediterrâneo. E está óptimo... porque, entrar, num avião, e ficar lá fechada 10 horas, acho que nunca mais me apanham nessa. Aliás, nem sei quando é que me apanham num avião. [stress pós-traumático].

A eleição de Barack Obama para 44º presidente dos Estados Unidos da América faz parte das minhas memórias. Das mais excitantes. Lembro-me de tentar contornar o sono, na ânsia de saber se a América seria capaz de eleger o primeiro afro-americano para o cargo. Só descobri no dia seguinte. Sussurrei um damn it. [com sotaque terceirense]. Crescia um sonho. Com ele. Obama. Como motor. E protagonista.

Não sei se ele foi bom ou mau para a América porque eu não vivi lá. A mim, directamente, ele não me fez nada. [embora, tenha, interferido, em muitas decisões que acabaram por dizer respeito a todos nós]. Eu olho mais para o Obama como homem e não como presidente. E como homem, posso dizer-vos que quase me apaixonei por ele. Primeiro, pelo facto dele ser canhoto. [eu também sou]. Achei logo que tínhamos muito em comum. Depois, a forma, sincera, com que ele sempre deixou Michelle brilhar. E terceiro, a naturalidade que lhe sai pelos poros, mesmo quando tudo é estratégia ou campanha de marketing. [sim, não raras vezes me imaginei uma Olivia Pope pronta para salvar o presidente da América dos maiores escândalos]. Sonhar não custa. E foi isso que Obama nos deu. Vos deu. Penso eu.

Emocionei-me ao ver o último discurso dele enquanto presidente. [mas, também, eu emociono-me com tudo até com o Alta Definição]. E imagino que para a audiência presente também tenha sido muito difícil conter as lágrimas. Obama é daqueles homens interessantes com quem apetece conversar largas horas. [e eu gostava muito de tê-lo feito]. Era isso e assistir a um concerto da Tina Turner. Recordo-me de várias coisas que ele fez e que andaram nas bocas do mundo, como aquela foto em que ele se deita no chão da sala oval para brincar com uma criança, mas há uma em particular, que me enternece o coração.

Não sei se vocês conhecem o Humans of New York, [se não conhecem cliquem aqui]. O Humans of New York é um projecto fotográfico em que Brandon Staton apanha estranhos na rua, fotografa-os, e conta as suas estórias, ou o que sentem naquele fragmento de tempo. Uma vez Brandon fotografou uma jovem, e transcreveu para o facebook o que ela lhe disse. Uma das coisas que ela lhe confidenciou é que se sentia feia e que não encaixava neste mundo. Obama respondeu: you're beautiful. Aliás, os comentários do presidente tornaram-se um habitué na página de Brandon. Estratégia? Provavelmente. Boa? Sem sombra de dúvida.

Penso que ele não precisava disto para chegar mais perto dos seus eleitores. [não é disso que se trata]. Para isso ele tinha as visitas, os comícios, as festas, as conferências de imprensa. Os americanos não precisavam disto. De um comentário numa caixa de facebook para conhecer melhor o seu presidente. Mas... O mundo. O mundo precisava. O mundo precisava muito disto. E Obama fê-lo. Enquanto humano... de Nova Iorque e de todo o resto. Estou cheia de saudades. Muitas. Por várias coisas. Pela nostalgia que arruma sempre a um canto a despedida das pessoas que nos inspiram. [e pela possibilidade de eu nunca vir a ser uma Olivia Pope]. Sim. Porque se até agora eu não cruzei o atlântico para salvar Mr. President, não é daqui pr'a frente que o vou fazer. 

Lets make America great again? Eu diria que ela foi apetecível [e fabulosa] até agora, mas o senhor que lhe segue é que sabe. Esperemos. Para ver. E antes que eu me esqueça: Obama, I love you.
P.s - I will always do.

Foto: ©REUTERS/Kevin Lamarque
[na última visita de Obama à base das Lajes]

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