Tudo por uma boa história

quarta-feira, janeiro 18, 2017

A propósito deste livro, (que a Wook ou a Esfera dos Livros podiam, amavelmente, enviar-me para casa), lembrei-me de uma estória minha, jornalística e... fatídica. Aconteceu muitos anos antes de eu me ter enfiado numa loja a vender soutiens. [isso deve querer dizer qualquer coisa, certo?]. Deram-me um trabalho para fazer. E lá fui eu à "cata" das respectivas personagens que iriam compor o ramalhete. Tinha de falar com várias pessoas, portanto comecei a corrente energética do bem pelos... amigos-dos-amigos. [mas os amigos-dos-amigos nem sempre safam a malta]. Tive de contactar alguns desconhecidos. Pseudo-desconhecidos. [já vão entender porquê]. Troquei uns emails, aqui e ali, e claro... fiz mal o trabalho de casa. [também já vão perceber porquê].

Marquei data e hora para uma entrevista e quando cheguei ao local... tam tam tam tam... descobri que o entrevistado era um affair, juvenil, de uma noite. Meu, claro. Mas... acalmem-se lá suas beatas indignadas. O que é que vocês acham que "affair-juvenil-de-uma-noite", A.M, (antes do novo milénio), significa? Vocês não percebem nada disto.  Ou então já não se lembram. Eu recordo-vos. Significa, acima de todas as outras "ló-ku-ras", dançar um slow, daqueles bem entra p'ra dentro, (de emoção, obviamente!), na pista claustrofóbica da discoteca mais suis generis que alguma vez vocês possam ter imaginado. [sim, incluía bolas de espelhos na decoração]. Significa também a declaração óbvia de segundas intenções. Regadas a Vodka Smirnoff. Ambas terríveis. Outra vez? [vocês hoje estão mesmo impossíveis]. Para que fique claro, de uma vez por todas, as minhas segundas intenções eram nóbeis. Disse-lhe, ao ouvido, ainda vou ganhar um Pulitzer. Talvez seja por isso que as minhas relações nunca deram muito certo... Tudo eu, tudo eu, tudo eu. 

E ali estava, diante dele, o Pulitzer. Em pessoa. Enfiado numa saia-justa. [eu juro que me vou chatear convosco]. Saia-justa. A situação. Não a minha roupa. Com trabalho eu não brinco. [era bom que fosse (totalmente) verdade]. Começámos a falar com cordialidade. No registo politicamente correcto. Sem dar bandeira... Porque na realidade, ela já tinha sido dada, não é verdade? Bem dizia um professor meu, da faculdade, que a gente não devia nunca apagar contactos. Por acaso, acho que nem lhe cheguei a pedir o dele, (o do affair), mas que nos podem valer muito a pena, lá isso podem. Nem que seja para nos poupar um pouco de dignidade. Os 30s são lixados. [ora se não são]. Uma pessoa corre o risco de olhar para trás e perceber que virou anedota.

A culpa disto tudo foi da mãe dele. Sim, da mãe dele. A mãe do filho. A senhora não devia ver telenovelas. [não via de certeza]. Se o affair-juvenil-de-uma-noite A.M se chamasse Diego, Santiago, Enzo, Kévim ou Cristiano uma pessoa não se esquecia dele, assim, com tanta facilidade. Por acaso vocês sabem quantos João Pedros e Pedro Miguéis existem em Portugal? [por acaso havia um Pedro Miguéis assim p'ró conhecido... cantava uns slows manhosos, em português, daqueles (que não) entra(m) pr'a dentro, não se lembram?]. As mães a (auto)flagelarem as minhas relações... desde que imaginaram uma pessoa, como eu, no mundo. Um dia a gente ajusta contas suas delatoras. E esqueçam lá, o vosso nome, no discurso de agradecimento do Pulitzer. [cá se fazem, cá se pagam]. Tenho dito.

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