Olha, e os aviões, aterram no mar?

sexta-feira, fevereiro 03, 2017


Amigas. Eu tenho as melhores do mundo. Juro que tenho. [embora não pareça]. A pessoa, que me indagou tal coisa, foi a mesma, que ao contar-me a estória (anedótica) do parto do filho, me disse que quando "a" cortaram, pensou que era a unha do dedo do recém-nascido... "a" arranhá-la. É com este tipo de pessoas que eu me dou. [bom, tanto na amizade, como no amor, temos que perdoar certas coisinhas, little tiny ones, não é verdade?]. A moça devia pensar que ia de férias para o Hawai. [há por aí uns certos jornalistas, mais afortunados do que eu, que garantem haver semelhanças entre ambos os destinos]. Acuse-se, sff., quem já tenha molhado o rabinho nos dois lados. A gerência [da colectividade] agradece. Os surfistas, de serviço, podem inclusive mandar fotos em tronco nu, se bem o entenderem. [é que antigamente eu não fazia bem o trabalho de casa, mas... agora já faço]. 

Prosseguindo. Eu não consultei todos os anais da História mundial, mas à data de hoje, posso garantir-vos que não é prática, nem costume, os aviões que vêm para os Açores, aterrarem no mar. [mais descansaditos?]. Se não conseguirem dar com a ilha, (isso sim, acontece com alguma frequência quando está nevoeiro), ou se não conseguirem aterrar com o vento, (o pão nosso de cada dia), vocês ganham, literalmente, uma viagem de ida... e volta, sem terem tocado com os pés em chão açoriano. Mas, se (ainda) não sabem, ficam a saber: tempos houve em que a Pan-Am, sim a Pan-Am, "o palácio dos ares", amarava ao largo da Horta, no Faial. O Faial fica mais ou menos aqui ao lado, de frente para o Pico e é uma das 5 ilhas que constituem o grupo central, o maior do arquipélago. Infelizmente, para um açoriano fica ligeiramente mais barato ir a Lisboa do que visitar outra ilha... vá se lá saber porquê.

O Faial tem a chancela de ilha cosmopolita. Primeiro por causa dos veleiros e dos seus donos, solitários, que se apaixonaram pelos Açores, e quiçá, pelos olhos (e formas voluptuosas) de alguma donzela açoriana. Segundo, por causa dos biólogos, que também se apaixonaram por outro tipo de... baleias. Perdão, espécie. E terceiro, os geólogos, que vieram mesmo só para comer terra. [nada contra]. Já lá não vou há muitos anos, mas cosmopolitices à parte, quero acreditar que o Faial ainda é um dos últimos redutos do mundo onde se pode beber um gin, caseiro, sem cuspir de 5 em 5 segundos folhas de zimbro e sem ser preciso andar com um camaroeiro, dentro do copo, a pescar frutos dos bosques e paus de canela. Less is more. Portanto, não foi à toa, que os Clippers, [Boeing 341], da Pan-Am amararam à frente da baía da Horta, a meio das suas viagens transatlânticas. Foi isso e a escassez de autonomia. [mas não pensem nesses pormenores agora].

Não se sintam retraídos em marcar umas férias nos Açores. Como é do conhecimento geral, o clima das ilhas é bastante temperamental. Um verdadeiro serial killer quadripolar. Num único dia pode experimentar-se as idiossincrasias próprias de cada estação do ano. Portanto... basta vocês rezarem muito para aterrarem na Primavera ou no Verão, mesmo que tenham resolvido viajar em Novembro ou Fevereiro. Se nada disso resultar, e se forem daquelas pessoas que têm pânico de voar, (como eu tenho), o meu conselho é um e um só: droguem-se. Muito. E sorriam para o passageiro do lado. Nunca se sabe quando é que a gente precisa de uma mãozinha (amiga) para acalmar os nervos. [e limpar os suores frios].

Olha, e é preciso levar biquíni? A esta altura do campeonato todos vocês já perceberam que a minha amiga tem sérios problemas com geografia, não já? E com calendários. Tendo em conta que ela me visitou em finais de Novembro, e que na minha humilde casa não há piscina interior aquecida, eu diria que o biquíni é relativamente dispensável. No entanto, há quem aposte no choque térmico como uma [óptima] terapia contra o reumatismo. Logo, se vocês forem pessoas, afoitas, cheias de vontade em est(r)alar (com) o esqueleto, não se esqueçam de trazer o biquíni convosco. [ou algo que se pareça com dada as modernices que por aí se vêem]. Um aparte. O topless e o nudismo ainda não são muito bem vistos nos Açores. Quer dizer, bem vistos até são... não são é praticados, com regularidade (e pacificidade), mas sobre estas frescuras... a gente conversa outro dia.

Se ainda não estão convencidos quanto à parte dos aviões não aterrarem no mar, e uma vez que as viagens marítimas não são opção, [não existem transitários a operar na área do transporte de passageiros... e se houvessem, levavam mais ou menos 3 dias para cá chegar], o último recurso é interpolarem um requerimento à (vossa) companhia aérea de eleição para trazerem o colete salva-vidas... insuflado. 
Não deve ser confortável. Mas deve ser, teoricamente, reconfortante.
Mi casa es su casa.

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2 comments

  1. Quando aqui no continente chove demais, como hoje que ainda não parou um segundo, penso muito em vós Açorianos.
    E penso numa viagem que possa fazer e não ter sorte com o dia.
    Então já sei: drogo-me.
    Sugestão da CC.
    Um beijinho

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    1. Apenas e só no caso de não se dar muito bem com aviões :P
      Beijinho Maria

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