Tricampeão

sábado, fevereiro 11, 2017


Gosto muito do Porto. [sempre gostei]. E nunca o escondi. É uma das minhas cidades-fetiche. Afrodisíaca. Muito. Pr'a alma. Lembro-me de dois ou três momentos em que ponderei uma vida mais a norte. Acabou por não acontecer. [mas gostava (muito) de tê-lo feito]. Diz-se que aquilo que a gente não vive nos martela o juízo. É verdade. Deve ser por isso que o Porto é o Porto... mas não só. Sempre que lá vou sinto coisas que não sinto em Lisboa. É outra energia. Bastante compatível com a minha. Mesmo pondo de lado as francesinhas e o vinho. Há parelhas que não resultam tão bem, apesar das suas diferenças.

No Porto ninguém se perde. Ou melhor, ninguém se sente perdido. Eu, pelo menos, nunca me senti. [vocês não imaginam como é difícil encontrar uma cidade onde as pessoas não se perdem]. Ninguém faz cerimónia. Ninguém se reserva... muito. E é disso que eu gosto. Da facilidade com que se faz amigos. Do trato despreocupado. E das ligações simples. Digam o que disserem, esta autenticidade, peculiar, já não é o cartaz de Lisboa. [tenho dúvidas se alguma vez o foi]. A capital de Portugal é a memória de um passado, castiço e popular, misturada com uma enorme fusão de origens. O Porto, por outro lado, mantém o mistério e o charme de sempre. E eu gosto muito de namoros destes.

Há quem não entenda muito bem os portuenses. Há quem lhes atribua uma fama que não me parece a generalização mais correcta. Comparo-os muito aos espanhóis. [peço desculpa pela ousadia]. Vivi em Espanha dois anos. Foi-me muito difícil encaixar na cultura de nuestros hermanos. Relacionei-me mais com estrangeiros do que com espanhóis. Apesar da prepotência a que podiam chegar, os espanhóis que conheci, tinham uma forma muito própria de viver as (suas) cidades e o chão que lhes pertencia. Coisa que os portugueses não fazem nem com muita garra nem com muita gana... a não ser, lá está, o pessoal do norte. 

Verdade seja dita. Ou feita. Nomeado três vezes para melhor destino europeu. Vencedor nas três vezes em que foi nomeado. Sendo a escolha deste ano, 2017, a mais unânime até à data. Não sou, com certeza, a única humana melindrada pelo encanto do Porto. O vencedor do Melhor Destino Europeu 2017 recolheu votos de 174 países. Com toda a legitimidade que se lhe reconhece. O Porto deixa marcas. E isso deve-se às pessoas que fazem dele o que ele é. [e eu tenho a sorte de algumas serem minhas amigas].

Não me espanta que o Porto e Lisboa já tenham ganho esta votação. Não me espanta nada que o Porto seja tricampeão. [estava a conter-me mas não consegui]. Entristece-me sim que os Açores, o único representante português do concurso de 2016, tenham ficado em 5º lugar. A insularidade (ainda) não é suficientemente forte para romper barreiras. Mas os açorianos, tal como os portuenses, são gente do bem. Sem cerimónias. Porventura um bocadinho menos charmosos... mas não menos interessantes. Bib'ó Puorto! Carago.

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